Corpo Onírico

uero compartilhar texto de Arnold Mindell, extraído do seu livro “O Corpo Onírico” – Summus Editorial :

No vocabulário da física moderna, ou na sua amplificação em termos da filosofia oriental, o corpo onírico pode ser experimentado com uma intensidade relativamente elevada num campo dotado de uma certa estrutura, um determinado fluxo e uma direção. Se estudarmos a experiência xamanista de nascimento, da morte, de drogas ou de doenças, chegaremos a uma outra descrição do corpo onírico.

Don Juan descreve a experiência da morte e sua transcendência em termos de dissociar e remontar a personalidade com a ajuda daquilo que chama de cola da vida.

A consciência do corpo onírico é obtida através do treino do ego para perceber a personalidade durante a meditação, o sonho, os estados hipnagógicos, e a exaustão, em que ocorrem experiências extracorporais. O treinamento de Dom Juan integra a morte na vida, fazendo com que o indivíduo tenha consciência do seu si mesmo (Self) imortal que ele chama de duplo.

De acordo com ele, o propósito da vida é possibilitar ao “homem de conhecimento” tornar-se consciente de seu duplo, daquela personalidade que conhece a si mesma, independente do corpo que dorme durante o sonhar. O duplo é uma denominação empregada pelo homem comum para descrever a capacidade que o guerreiro tem de sair do seu corpo e estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou de viajar para trás no tempo. O guerreiro mesmo, porém, pouco sabe sobre o seu duplo, ou sobre seus efeitos mágicos, já que se concentra apenas em um evento por vez. O “guerreiro fluido” afasta o tempo cronológico e focaliza apenas seu próprio processo, qualquer que este seja.

Um “guerreiro impecável” sabe sobre seu duplo mas não o “produz”, já que simplesmente lhe acontece, apenas sendo si mesmo. O duplo “não é mais do que o guerreiro mesmo”, a pessoa que se submete conscientemente ao fluxo da experiência interior.

O individuo que se tornou “homem de conhecimento” tem fibras que se irradiam a partir do estômago, fazendo-o parecer um “ovo luminoso” para outros homens de conhecimento que sabem “ver”. Nas percepções de Dom Juan, essas pessoas semelhantes a um campo diferem das pessoas comuns ou “fantasmas”, que não tem radiação, são cegas e extremamente apegadas ao mundo.

Em termos psicológicos, o “homem de conhecimento” é um arquétipo da pessoa individualizada ou auto-realizada, quando esses termos estão sendo entendidos em conexão com o corpo que expressa a ce mesmo e também com a psique que se tornou centrada. A pessoa iluminada ou completa é aquela que vive o corpo onírico.

É possível encontrar a imagem do ser humano completo em quase toda a tradição xamanista. No yoga, por exemplo, o homem de conhecimento aparece como iogue ou guru, isto é, aquele que se tornou, de acordo com os antigos, “homem morto em vida”. Na China, o indivíduo realizado é capaz de permitir que o espírito, ou a luz yang constelada pela meditação, irradie pelo mundo yin, pela inconsciência e escuridão. Essa energia yang é, aparentemente, a essência do corpo onírico. A energia yang percorre o corpo, entra no fígado à noite e produz sonhos. Durante o dia, essa energia pode aparecer como um terceiro olho entre os dois olhos reais do meditador.

O iniciado tem que aprender a controlar o poder discriminador e diferenciador da consciência yin, de modo que o poder de yang possa irromper. Esse surgimento cria o corpo-dharma que, mais tarde, é habitado na morte.

Enquanto as concepções chinesas e hindus sobre o corpo onírico basicamente se referem a estados constelados pela consciência reduzida, o homem de conhecimento de Dom Juan é uma experiência do corpo onírico em plena vigília. A experiência do índio nômade, descrita por Dom Juan, em relação ao corpo onírico, tende a ser mais extrovertida do que a descoberta introvertida que dele faz o iogue na meditação, numa cultura essencialmente mais agrária.

Não obstante, todos esses treinamentos de iogues e xamãs parecem ter em comum uma meta básica : a percepção do corpo onírico, que poderá ser habitado depois da vida terrena. Em outras palavras, a percepção do corpo onírico é um preparo para a morte e um confronto vivo com a natureza atemporal da personalidade.

E um texto de Willian Adcok do livro “titulo original” Shamanism, editora portuguesa Estampa:

“Entrar no mundo do sonho é entrar num lugar onde tudo pode acontecer. É um mundo mágico de possibilidades ilimitadas, onde o sonhador pode voar, mudar de forma, passar através de objetos sólidos ou nadar no Sol, e onde, especialmente enquanto o sonho decorre, tudo parece tão real como esta realidade comum que todos nós partilhamos na nossa existência do dia-a-dia.

O sonho é uma forma do espírito se comunicar com o corpo físico, transmitindo informação em imagens alegóricas que se relacionam com a vida e experiências do sonhador. Como o mundo íntimo do sonho reflete o mundo exterior do sonhador, observa-se que uma mudança no mundo exterior resultará numa mudança no mundo íntimo do sonho. Indo um pouco mais além, porque todos os mundos são sonhos, uma mudança no mundo íntimo do sonho produzirá uma mudança neste mundo exterior. A idéia que nós projetamos , no sonho, o nosso próprio mundo existencial não é nova, e se somos criadores dessa realidade devemos, por extensão ter a capacidade de alterá-la, mudando o sonho. Sonhar é uma importante atividade humana, e mudar um sonho é um método com possibilidade de alterar circunstâncias, comportamento e respostas.

Um xamã reconhece a validade desses outros mundos e aceita igualmente que este mundo que habitamos é a fuga de uma outra realidade para o sonho. É dessa forma que xamãs fortes e experientes podem realizar feitos mágicos ou sobre-humanos; podem entrar à vontade em outros mundos e projetá-los a uma tal dimensão, que podem ser sentidos por um observador.

Registre seus sonhos num diário, para informações futuras , mantenha um bloco de anotações e caneta próximos a sua cama, para poder escrever os sonhos enquanto se lembram, pois eles tendencialmente se desvanecem.

Para trabalhar um sonho com o propósito de alterar ou de interpretar, necessita voltar a ele, recordá-lo, e observá-lo num estado diferente de consciência, descontraidamente.Ao descontrair, permite que a intuição flua mais livremente, permitindo a criatividade num maior nível.

É esta interação de criatividade intuitiva, que permite obter discernimento à partir dos sonhos e produzir neles uma mudança.

Regressar a um sonho

Para regressar a um sonho, utilize estes passos simples para concentrar o seu espírito, e, depois liberte-o.

1- Realize antecipadamente um pequeno ritual : acenda velas, para simbolicamente obter iluminação interior para ajudar na condução.

2- Faça uma oferenda e profira em voz alta a sua intenção. Porque está voltando para o sonho? Para procurar compreeender? Para o alterar?

3 – Sente-se ou estenda-se de modo confortável num lugar onde não seja incomodado e relaxe com inspirações abdominais profundas. Quanto estiver bem relaxado, recomece o sonho e concentre-se no que acontece.

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