Festival do Fogo II – A Primeira Colheita


FESTIVAL DO FOGO II

Celebração da Primeira Colheita. Este Festival do fogo corresponde sazonalmente  com o Festival do Milho Verde, a Dança do Milho dos nativos norte-americanos; com Lammas ou Lughnasadh (que acontecem em 01 de agosto no hemisfério Norte e 01 de fevereiro no Hemisfério Sul); e muitas outras celebrações da colheita. Lammas em inglês arcaico, significava a Missa do Pão (Loaf Mass), descrevendo assim, a festa do pão fresco, feitos dos primeiros grãos de trigo.

O festival do Milho Verde/ Dança do Milho, é a celebração nativo norte-americana para a colheita. É realizada tipicamente na Lua Cheia, durante a primeira colheita do milho. A cerimônia religiosa dura tipicamente três dias.  É um momento de ação de graças, um momento sagrado para os nativos. Trabalhamos a medicina  do corvo : É a medicina dos conhecimentos mágicos. Para obter ajuda nas cerimônias, conhecer mistérios, favorece viagens astrais e transcendência das limitações do corpo físico. Como mensageiro nas preces de cura, para dons proféticos. Mudança de consciência, processos de transformação.

Pelo Calendário Cristão é associado ao “Dia de Ação de Graças”, “A Massa de Pão”.É o momento onde avaliamos aquilo que colhemos, fazendo um balanço de nosso sucessos e  frustrações. Onde conscientemente e através do lívre-arbítrio abrimos mão, rejeitamos, limpamos o velho e começamos a plantar novos projetos. É o momento de honrar as divindades relacionadas com a colheita e darmos graças por nossa primeira colheita.

Invocamos a conexão com a natureza e com os seres da Criação. Buscamos a consciência que estamos todos ligados por “Todas As Nossas Relações “.  Preservamos  nossa essência, celebramos os resultados e fazemos cerimônias de agradecimento e purificação. Fazemos a avaliação dos sucessos e fracassos e nos preparamos para o Equinócio de Outono.

O grão está maduro para a colheita, as árvores estão carregadas das primeiras frutas do verão. Marca um descanso do trabalho, para avaliar o estoque. A safra que o sol rendeu.  Um momento de agraciar, comemorar, apreciar o nosso trabalho diário. Época para lembrarmos que não estamos sozinhos e celebrarmos com nossas relações, do trabalho e conquistas em grupo, da comunidade que vivemos, dos nossos ancestrais, antepassados. Para resgatarmos o sentido de pertencer, do compromisso. Onde agradecemos por comer e por ter um lugar para viver. Para louvar o sacrifício da Mãe Terra e de toda a alma feminina.

O melhor momento para fazer um compromisso com algo e com alguém

No templo estaremos, o tempo todo,  ligados pelo nosso irmão “Fogo” no centro de nosso circulo. Faremos nossos agradecimentos ao “Grande Espírito” oferecendo Tabaco no “Fogo Sagrado”, pela Colheita de mais um ciclo da Roda da Vida.

O fogo é relacionado com o espírito e associado a consciência, a iluminação. Sem o fogo do Sol iluminando a terra, a vida acabaria. É do casamento do Sol com a Lua que nasce nova vida na terra e a perpetua.. O fogo energiza, é o elemento da transmutação, o reino da espiritualidade, da sexualidade e da paixão. Expressa-se particularmente na criatividade, entusiasmo e movimentação, comportamento extrovertido, versatilidade. O fogo procura a expressão com as idéias. Iniciando novas idéias, consolidando idéias aceitas, mudando idéias. Tem fluidez, claridade, mobilidade.

Lammas – Lhugnassadh – Missa do Pão

“Lughnassadh, homenagea o Deus Solar Lugh. Consorte de Dana, Lugh “morria” no momento da colheita dos grãos e era “enterrado”, no plantio das sementes, para poder renascer nas próximas colheitas.  No Mundo Antigo, havia outras celebrações da colheita como a Ceresália, em Roma, dedicada à deusa dos grãos Ceres; a Dança do Milho, dos nativos norte-americanos; comemorações para a deusa Isis, no Egito e para os deuses Dagon, na Fenícia; Dummuzi, na Suméria; Atis, na Anatólia; Tammuz, na Assíria, Lleu Gyffes, na Irlanda; Netuno, em Roma e Thot, no Egito.

Cada um desses deuses morria e renascia, tendo sempre uma mãe ou consorte para pranteá-lo, apesar dela ser, às vêzes, a causadora de sua morte. Nos mitos, é evidente o tema do casamento do Deus com a Deusa e  seu sacrifício, simbolizado na morte da natureza e da colheita dos grãos.

O nome anglo-saxão deste Sabbat era Lammas, que significava “A Missa do Pão”, representando o mito do rei dos grãos que morre junto com eles para alimentar e preservar a vida. . Nos paises celtas e eslavos, das últimas espigas de trigo ou milho, confeccionavam-se as “Mães dos Grãos”, em cujas efígies acreditava-se que permanecia a essência da Deusa, sendo guardadas para serem para serem enterradas no plantio da próxima primavera.

Nos círculos de mulheres, celebra-se a conexão com a natureza e com todos os seres da criação. A Deusa é reverenciada em seu aspecto de Mãe dos Grãos e senhora dos Animais, celebrando os resultados das energias movimentadas no Solstício de Verão.

Os elementos ritualísticos são os símbolos da colheita, principalmente a Mãe dos Grãos e a Roda do Sol “, confeccionadas à partir das espigas e palha de milho, enfeitadas com fitas amarelas, cor de laranja, verdes e marrons. as velas são laranjas, douradas e verdes; o incenso e a essência são de sândalo, louro, alecrim, flor de laranjeira ou coriandro. O altar é decorado com frutas cítricas, produtos da terra (espigas, tubérculos e verduras), representações do Sol e dos animais totêmicos (leão, águia, salmão e galo), objetos dourados, flores ou sementes de girassol e abóbora e miniaturas de ferramentas agrícolas. Fazem-se oferendas de grãos para a fogueira – simbolizando o Sol – e para a Mãe Terra ou para a Mãe dos cereais. As pessoas confeccionam colares mágicos com grãos de milho e sementes de girassol ou pedacinhos de casca de laranja, mentalizando os resultados de sua colheita ou as sementes para o próximo plantio. É uma data propícia para a benção dos animais de estimação, invocando a Senhora dos Animais. Comemora-se com pão assado na fogueira, bolo de milho, canjica, torta de cebolas, arroz doce, cerveja ou chá de ervas ou de noz moscada com cravo e canela. ”

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