Iniciação
Roger N. Walsh,
Podemos dividir a iniciação de um xamã em cinco fases:
Ele nasce nas convenções da sociedade e continua ali adormecido como a maioria. Absorve as crenças da sociedade como reais, sua moral é julgada apropriada, seus limites tidos como naturais.
Esse é o estagio inicial que a maioria das pessoas passa uma vida inteira, sem questionar. Essa convencionalidade é associada a um estado mental enevoado.Na Ásia, chama-se maya, no ocidente ilusão, ou um transe de consenso, ou hipnose coletiva, ou ainda psicose coletiva. Esse comprometimento ou névoa da mente costuma passar desapercebido, porque todos o partilham. A tarefa ou missão do herói consiste em reconhecer essas limitações convencionais. Isto não é apenas reagir contra as normas desafiando-as. Ao contrário, implica em reconhecer os limites e distorções e escapar deles e da limitada visão pessoal do mundo, elevando num plano menos regional e mais universal.
Significa querer viver sem preconceitos limitadores, e deformadores e examiná-los e corrigi-los.A correção do preconceito cultural é a sua tarefa final. Mas, para conseguir, antes outras tarefas precisam ser executadas.A primeira delas é sair do torpor convencional, e ir em respostas ao apelo para a aventura e o despertar.
Em algum estágio, ele sofre uma crise que abala as estruturas da sua vida, através de um confronto existencial com todas as suas crenças anteriormente sagradas, ou um súbito confronto com a morte.
Pode ser como um chamado interior, através de um sonho ou uma visão de impacto. Pode vir sutilmente, como um descontentamento divino, ou a cerca do sentido da vida. Crise existencial, de meia-idade, ou seja , ele é impelido.
Isso gera um dilema terrível, recusar o conhecido para penetrar em camadas desconhecidas.
Os que negam o chamado indo para uma zona de conforto, continua vivendo com suas complicações, a confortos sedutores mas anestésicos, do falso brilho, indo ao trivial. Essa recusa não é pouca coisa, é alienação.
Se você planeja de forma deliberada ser menos do que é capaz de ser, então advirto-o que será infeliz pelo resto de sua vida.
A renúncia pode ser seguida da busca de um mestre. Pode ser o mestre interior, guru, etc.
Assim que localiza o professor, começa a fase da disciplina e treinamento que podem incluir disciplinas físicas, psicológicas, contemplativas e sociais.
Físicas : mudança de alimentação, jejuns, privação do sono, exercícios físicos extenuantes, exposições a frio e calor.
Contemplativas : meditação, yoga, rituais, preces, em geral combinados com períodos de silêncio e solidão.
Sociais : abrangem o serviço solidário a todos os que atravessam o seu caminho, e em alguns casos a execução de serviços baixos para aprender a humildade.
Sejam quais foram os métodos o objetivo é o mesmo, treinar e cultivar a mente para que se reduzam as compulsões do ódio, medo, para o fortalecimento da vontade, a concentração, a sabedoria, cultivar emoções como o amor, compaixão e alegria.
Para os jogadores bem sucedidos, a luta e disciplina culminam em transformações de vida de profundas proporções, mobilizadas por visões, introvisões, entendimentos e vivências de morte e renascimento.
Tendo completado a grande busca, o buscador tornou-se um conhecedor, o aprendiz de um sábio.
É, nesta fase, tendo respondido sua própria pergunta, a confusão do mundo solicita ser esclarecida.
Tendo aliviado seu próprio sofrimento, tendo minimizado os próprios motivos egoístas, o desejo de contribuir torna-se central e instigador.
Então a jornada é inversa:
Ele se afastou da sociedade para mergulhar em si mesmo, e agora retorna a ela, entrando no mundo externo.