Padrinho Wilson Santo Daime

Padrinho Wilson Carneiro de Souza

Nasceu em Tarauacá. Chegou em rio Branco em 1951. Acreano de coração, de família cearense, como uma grande parte dos imigrantes do Nordeste que vieram para a Amazônia pela época da borracha. Wilson Carneiro foi discípulo do Mestre Irineu, que chegou a lhe entregar a missão de um pronto socorro para atender os doentes na cidade do Rio Branco. Depois da passagem do Mestre, seguiu o Padrinho Sebastião, de quem foi um dos principais seguidores, inclusive ficando responsável pela Colônia Cinco Mil, após a ida do Padrinho Sebastião para o Rio do Ouro.

Era um homem de muita fé no Daime e no Mestre, conhecido pelo seu extraordinário dom de curas. Só com a idade muito avançada se permitiu usar remédios convencionais. Gostava de contar as inúmeras doenças que ele se curou espiritualmente.

Depoimento do Pad. Wilson dado na Revista do Centenário do Mestre:

Conheci o Mestre, fui criação dele, mas não dei valor à Doutrina. Aí, quando em julho de 1954, eu adoeci, sofri oito anos, fui desenganado pela medicina. Todos os médicos me desenganaram. Brasileiro, colombiano, japonês. Me disseram: “Vai no Mestre Irineu”. Eu tossia muito, estava intoxicado de tantos remédios que estava tomando. Meu filho mais velho adoeceu também. Com dois meses de doença ficou prostrado e não teve nenhum médico de Rio Branco que desse jeito. Quando eu não tinha mais dinheiro, entrei nas macumbas. Insistiram muito para eu ir na casa do Mestre e levar meu filho. Assim no dia 23.07.1962, tomei Daime pela primeira vez. Não me curei, porque eu era muito cheio de maldade, mas meu filho curou-se.

No segundo Daime que eu tomei, fui operado espiritualmente. Vi quando me operaram, assisti tudo. Passei vinte anos sem sentir nada. Então adoeci do estômago. Tudo que eu comia, me fazia mal. Chegou um ponto que meu intestino parou de funcionar. Adoeci em 1979, e vim a me curar em abril de 1982. Foi um serviço tão bem feito, que parece que tiraram o intestino velho e botaram um novo. Já se passaram dez anos e ele continua a funcionar normalmente.

Quando eu estava com quatro anos de serviço, o Mestre me depositou o pronto-socorro. Muitos se curaram. Aquele velhinho se curou da congestão; a Glória recebeu três operações espirituais; a Cristina, uma argentina, curou-se de câncer. Minha missão é essa. Quando o Mestre me entregou, ele disse: a quem procurar não negue.

Antes de tomar Daime, eu fiz amizade com o Mestre Irineu. Sempre eu ia até lá para visitá-lo e a gente conversava muito. Quando eu passei a tomar o Daime e tinha algum tempo de serviço ele me disse:

– Seu Wilson, eu vou lhe dar um Daime especial.

No dia do aniversário do seu Leôncio, eu tomei. Era um Daime muito forte. Esse Daime tinha muita luz, muita cura e muito amor. E disciplina… Quando foi no outro dia de manhã , ele disse:

– Wilson, o senhor não vai para casa. O senhor vai tomar café e almoçar comigo.

Quando eu terminei o café, fiquei lá fora com ele.

– Que tal, meu filho, o Daime?

– Bom. O Daime tem muita saúde. O Daime tem tudo de bom.

– Finalmente o senhor está acreditando.

Então eu guardei esse dia. Fez 25 anos, no dia 10 de fevereiro. O Mestre, naquele dia, me deu um Daime muito especial. Esse Daime tinha uma finalidade. Então eu passei a pedir a Deus para me mostrar o dia de eu desencarnar, para tomar o Daime. Um dia eu sonhei que tinha que tomar aquele Daime de duas doses. Tomar a primeira dose, depois a segunda e viajar.

Eu fui bem tratado pelo Mestre. Um dia, eu perguntei a ele:

– Mestre, eu queria saber que merecimento eu tenho, porque quando eu viajo, eu não levo nem rede, nem roupa e nem rancho e eu nunca dormi no chão e nunca passei fome.

– Você acredita na lei cármica?

– Acredito sim.

– É porque na vida anterior você soube fazer o seu terreno e nunca negou uma dormida, nunca negou uma comida. Então você já está recebendo. Meu filho, o terreno a gente prepara é em vida, não pense que é depois que morre não. Assim você já está colhendo.

Eu sempre visitava o Mestre, fora os trabalhos. Quando eu peguei amor por ele, eu ia lá e levava uma sacolinha. Eu levava almoço, e almoçava com ele. Na mesa, Mestre Irineu não dava uma palavra.

Eu não alcancei ele bailando, mas alcancei ele dançando. São Pedro era festa dançante. Aniversário dele tinha também festa dançante.

Um dia, eu disse a ele:

– Mestre, eu tenho tanto que fazer… É obrigado a vir em todos os trabalhos?

– Não senhor. Eu exijo dos oficiais que venham nos trabalhos oficiais.

– E quais são os trabalhos oficiais?

– Da Família Sagrada: São José, São João – que era primo de Jesus, Nossa Senhora da Conceição, a data de nascimento de Jesus Cristo; os Santos Reis; Semana Santa; Finados; e o aniversário do presidente – o sr. Leôncio.

– O senhor falou de todos os trabalhos oficiais, mas não falou do aniversário do seu nascimento.

– Desse dia eu não sei de nada, fico bem pequenininho…

Aí me veio a compreensão que o aniversário dele, não era ele que fazia. Eram os discípulos.

Perto da passagem do Mestre, ele recebeu um hino avisando. A primeira crise que ele teve, eu estava lá. Nesse tempo eu estava fraco, com medo do Daime que fazia dó. E o Mestre me disse:

– No ponto que o senhor está, muitos correm. O senhor diminua o seu Daime, para não correr. Seu Daime deve ser bem pouquinho, só para fechar o corpo. E não se preocupe, que quem vai devagar também chega.

Depois disso, veio o hino que fala: “Me mandaram eu voltar / Eu estou firme vou trabalhar”. Ele ficou contente. Pouco depois veio o “Pisei na terra fria”. Ele convocou uma reunião e esclareceu:

– Esse hino não é só para mim. É para todo mundo. Todo mundo que nasceu, tem que morrer.

Assim, ele conformou o povo.

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