Benzedeiras, mulheres de fé, rezas e terços

Benzedeiras, mulheres de fé, rezas e terços

Revista Raízes, Matéria sobre as benzedeiras  Dezembro -2005

A primeira vez que ouvi falar em benzedeiras foi quando minha mãe disse que só dona Maria poderia dar jeito no meu medo de sair de casa. Eu era então uma menina de dez anos, que gostava de brincar pelos quintais e praças de São Caetano. De repente, sem saber o porquê, deixei de gostar de sair e passei a ter medo de brincar na rua. Foi então que nos indicaram uma benzedeira. Ela morava a duas quadras de casa, no Bairro Santo Antônio. Quando cheguei lá, percebi que a mulher tinha muitos santos católicos distribuídos pela casa e um olhar terno de avó. Ela pediu calmamente para que eu me sentasse em uma poltrona diante dela e ficasse de olhos fechados. Fiquei parada, mas dei uma leve olhada e a vi rezando, com um pequeno santo nas mãos. Percebi que ela fazia o sinal da cruz com um terço em minhas costas e senti uma sensação de tranqüilidade. Foi assim e não sei explicar o motivo: simplesmente deixei de ter medo de brincar na rua. Mais tarde ouvi falar de dona Angelina, uma senhora italiana muito simpática que benzia com carinho quem lhe procurasse. Quando cheguei a sua casa, encontrei-a sentada em
uma poltrona. Semblante tranqüilo, olhos claros e aparência de uma daquelas nonas italianas. Dona Angelina, 85 anos, continuava benzendo, mas andava doente, por isso estava parando com o oficio. Com Regionais e Artigos

Priscila Gorzoni

A mulheres de fé, palavras mágicas, rezas, terços, santos e a sabedoria ancestral das benzedeiras mantêm viva uma tradição que recebemos dos antigos colonizadores europeus e africanos. Essas mulheres de fé doam-se em uma corrente de energia, ajudando milhares de pessoas….
Dona Dolores passa os dias benzendo as pessoas que chegam de várias partes da cidade e de regiões vizinhas

Segundo o artigo escrito por Manoel Cláudio Novaes no livro Nostalgia, nos primeiros 30 ou 40 anos de sua fundação São Caetano não contava com médicos nem farmácias. Por isso, muitas vezes, a população buscava
nas benzedeiras, rezadeiras e um alento para suas doenças. Nessa época, as pessoas recorriam a ervas, a óleos de cozinha, a banha de animais: tudo com base em receitas – transmitidas via tradição oral – de suas avós e bisavós. Mas a voz suave e uma certa dificuldade em ouvir, ela contou um pouco de sua história antes de me benzer. Foi seu pai, um fazendeiro italiano, quem lhe ensinou a arte ainda na Itália. No início, ela o observava de longe enquanto ele benzia; depois, com sete anos de idade, também passou a benzer.
Naquele tempo não tinha médico, então nós ajudávamos as pessoas. Quando alguma criança ia nascer, chamavam o meu pai, que benzia a mãe e o bebê nascia, conta. Foi assim que dona Angelina deu continuidade à arte do pai, interrompida por doença decorrente da idade. Depois que terminou de contar a sua história, dona Angelina olhou para mim com olhar atento, como se visse algo além, e disse: Preciso te benzer.
Você tem muita facilidade em pegar olho gordo. Pediu, então, para que eu me sentasse diante dela e começou a fazer
suas orações. Durante alguns momentos rezou e fez com as mãos o sinal da cruz. Terminada a reza, levantei-me, sentindo-me melhor. Os anos se passaram e, muito tempo depois, dona Maria já falecida, perdi o contato com dona Angelina; porém, descobri outras mulheres com os dons nas mãos e nas palavras. Entre elas está Dolores Avalo Canhedo, uma espanhola de 94 anos, conhecida nas redondezas do Bairro Santo Antônio por suas bençãos infalíveis. Dona Dolores vive há mais de 85 no Brasil, dos quais 50 em São Caetano do Sul com sua filha Terezinha. Antes de visitá-la, resolvi telefonar para sua filha, que me explicou como chegar à casa de dona Dolores. Quando cheguei a sua simpática casa, de imediato me recordei dos velhos tempos.
Contudo, antes de entrar na história de dona Dolores, é preciso voltar um pouco no tempo e resgatar as lembranças
das primeiras benzedeiras de São Caetano, Celestina De Nardi entre elas. (Ela não media esforços para ajudar quem
a procurava. Fazia chás para socorrer as crianças que precisavam de ajuda.) Outra pioneira, mais conhecida, foi Flávia Coradini Veronesi.
Nos primeiros tempos em São Caetano, Dona Flávia travou uma grande luta contra o Mal de Simioto, nos primeiros tempos de São Caetano, e salvou milhares com rezas e carinho

Dona Celestina, entre as benzedeiras,  socorria as crianças com chás e rezas, Dona Dolores tem com certeza uma vida que daria o enredo de um filme. Vinda para o Brasil com os pais aos dez anos, a espanhola morou em várias cidades do interior de São Paulo antes de descobrir São Caetano. Inicialmente, estava previsto que somente o pai da benzedeira viria, pois pretendia arranjar emprego aqui e começar uma vida nova.
Lá na Espanha não tinha serviço para ninguém, pois o país passava por uma grande crise econômica. Então meu pai
nos disse: Ou vamos todos para o Brasil ou irei sozinho para a Argentina. Como queríamos ficar juntos, resolvemos vir. Viajamos de barco. Naquela época todos esses medicamentos naturais vinham acompanhados de rezas
e bençãos, pois se tinha a ideia de que a doença é um castigo de Deus. Alguns problemas, como o mijação; e o quebrante, (segundo relatos do texto Medicina Caseira, de Henry Veronesi), nas primeiras décadas imediatamente
posteriores à fundação de São Caetano do Sul, eram tratados apenas com bençãos específicas e, muitas vezes, usados como desculpa para outras finalidades.
O quebrante, diziam, era causado pelo mau-olhado. Isto serviu de pretexto para que os portugueses, após o século XVI, motivados pela ganância do enriquecimento da realeza portuguesa, viessem a confiscar bens e propriedades
de brasileiros, condenando-os por crime de deitar mau-olhado em criança[1].
Curiosamente, outra doença muito comum nessa década, o Mal de Simioto, só era curada, segundo os velhos
moradores de São Caetano, se houvesse benzimentos e rezas.
Em São Caetano poucas pessoas tinham esse dom, porque tal qualidade era transmitida de pai para filho, tendo se diluído no tempo em razão da extinção de muitas gerações familiares, escreve em seu texto Henry Veronesi [2]. A respeito desse assunto, o próprio autor foi testemunha de um benzimento contra Mal de Simioto feito
por sua mãe, Flávia Coradini Veronesi, em 1939. Depois desse benzimento, dona Flávia tornou-se conhecida e salvou
milhares de crianças que sofriam do mal com muita reza, carinho e fé. Atualmente, algumas mulheres preservam a tradição do benzimento, embora um dos problemas maiores das benzedeiras seja encontrar pessoas interessadas em dar continuidade a essa arte. Apesar de o benzimento ser um legado rural, católico, nas metrópoles ele acabou sendo
diluído entre outras religiões; no entanto, o objetivo continua sendo o mesmo: auxiliar nas dificuldades espirituais e
físicas. Aqui, como na maioria das cidades grandes, as benzedeiras se concentram em bairros mais afastados do
centro, locais onde existem poucos hospitais e postos de saúde. Nesse lugares elas são mais requisitadas. Mas
existem exceções. Uma delas é dona Dolores, que vive no centro da cidade e nos relata uma vida cheia de aventuras.

A viagem era sofrida e diferente: os homens ficavam de um lado do convés e as mulheres do outro, conta. Chegando ao Brasil, a família de dona Dolores partiu de trem para o interior do Estado e lá, durante anos, viveu na roça.
Nos primeiros anos sofremos bastante. Minha avó não se acostumava com a comida. Ela estranhava muito o arroz branco, a mandioca (…) Entender o português também era bem complicado, explica a espanhola. Como a maioria dos imigrantes, a família de dona Dolores foi trabalhar na lavoura de café.
Meu pai e eu apanhávamos café e minha mãe cuidava da comida. A mãe levantava às quatro horas da manhã para buscar lenha, conta. Nessa época, a miúda velhinha ainda não sabia que teria uma grande missão na vida: a de benzer. As rezas e os benzimentos entraram na vida de dona Dolores (quando ela contava com 17 anos de idade) através das mãos de sua tia Carmem, que já benzia e se ofereceu para lhe ensinar a arte. Dona Dolores tinha facilidade para aprender e, por isso, logo absorveu as rezas em espanhol. Depois de pouco tempo começou a receber pessoas. Eu rezo e benzo cobreiro, erisipela, quebrante, mau-olhado. Antes de morrer, o meu filho dizia que eu deveria benzer até o fim. Então é isso o que farei.
Gosto muito de ajudar os outros, relata dona Dolores. Todas as rezas são feitas em espanhol e devem ser repetidas três vezes, evitando-se os domingos e dias santos.
Converso muito com quem chega. Se vejo que é um caso de reza, eu rezo, mas sempre indico a visita ao médico, relata.
Todos os dias a sua casa fica cheia de pessoas. Elas vêm de toda parte da cidade e de regiões vizinhas. São mães com
crianças no colo, mulheres com dor de cabeça e até homens com problemas no joelho.
Vêm pessoas inclusive do interior do estado. Tem vezes que nem dou conta, mas tenho que atender a todos, diz.
Quando a criança ou o adulto está com mau-olhado, só de olhar dona Dolores já percebe o problema. Começo a bocejar. Mas isso logo sai, porque eu sempre estou rezando. Nada de ruim fica em mim, ressalta a espanhola, que pretende benzer até o dia de sua morte. Junto de dona Dolores outras mulheres de fé trazem alento aos doentes. Entre elas estão dona Pia e dona Sílvia.
Sílvia Ribeiro Gonçalves, 62 anos, de Ribeirão Pires, começou a benzer há 20 anos, por pura necessidade. Eu sempre
morei afastada dos centros e naquela época não havia tantos postos de saúde. Por isso, para tratar dos problemas de
meus filhos comecei a benzer. Mas o aprendizado foi puramente intuitivo. Comecei por necessidade…
Dona Sílvia começou a benzer para curar os filhos. Depois também passou a receber os vizinhos.

Dona Pia, 92 anos, veio da Itália com nove anos, morou durante muito tempo em São Caetano e hoje vive na divisa da cidade. Nunca conseguiu entender por que motivo, ao chegar perto de uma criança, consegue fazer com que
ela melhore de quebrante ou mal-estar. Ela aprendeu o benzimento (alguns anos depois que se converteu ao espiritismo), por um acaso, um dia, com uma vizinha sua. Ela chegou até mim e disse: Estou ficando velha e preciso passar os meus benzimentos para você continuar. Então me ensinou a benzer quebranto, lombriga. Às vezes
a vizinhança sabia que eu benzia, então trazia a criança. Mas não precisa, eu benzo a distância. Mentalizo e faço
a prece do quebrante. Se, ao jogar o óleo dentro da água, ele se espalhar, é porque é quebrante bom; do contrário, é ruim.
Mas é preciso fé e ter pensamento bom, conta. Segundo dona Pia, qualquer pessoa pode benzer: é só ter fé e convocar
a proteção divina. Sem entender como curava as pessoas, um dia resolveu perguntar ao seu mentor, que lhe explicou:
Só de pensar em benzer já se faz o bem.  Adepta do espiritismo há mais de 33 anos, mediante essa religião ela aprendeu a compreender a vida. Nada é por acaso. Se não for fruto daqui é de outro local. Você encontra as respostas para tudo. Lá me encontrei. Acho normal benzer, ninguém me ensinou, conta. No início, dona Sílvia preparava chás, com ervas de seu quintal, para as crianças com dores. Depois, percebeu que a eficácia dependia de algo mais: a reza e a fé. Eu dava o chá e pedia pelo meu anjo da guarda, rezando o Pai Nosso e a Ave Maria. Não dava nem uma hora e a criança já estava bem, lembra. Com o tempo, a fama da benzedeira foi se espalhando e, além de seus filhos, apareciam outras crianças com problemas. Hoje Sílvia estuda o esoterismo e se utiliza dele também para curar as pessoas.
Antes eu não usava nenhum elemento simbólico. Agora uso faca, adaga e o punhal para cortar as más energias que afetam a pessoa. São elas que trazem as doenças, explica. Ela benze qualquer um que aceite e não diferencia o
benzimento de criança do de adulto. Para todos antes é preciso fazer uma limpeza energética e depois o benzimento para determinado problema, ensina. As ervas e as rezas são escolhidas em função da doença.
Só de olhar numa pessoa já sei se ela está com energia negativa. Isso é o que traz os outros males, sentencia. Para se proteger, Sílvia usa o pentagrama e o cordão mágico (um terço com 100 contas e mais 11 pedras).
Depois do benzimento, costumo rezar nele. Vou ao quintal e faço também um escalda-pés. Afinal, ninguém é de ferro, finaliza.

Benzimentos em família

Dona Pia, benzedeira,  começou a benzer por acaso, quando uma vizinha quis lhe passar a continuidade da missão.

A energia da fé das benzedeiras

Benzedeiras como dona Dolores, Sílvia e Pia são procuradas diariamente por milhares de pessoas em busca de ajuda para a resolução de problemas emocionais e de saúde. Nas sociedades ocidentais, a existência de benzedeiras
revela uma busca pela compreensão do mundo espiritual. No entanto, para a magia funcionar é necessária a existência de três pontos: o feiticeiro, o enfeitiçado e toda uma coletividade que dê respaldo ao processo. Por isso, geralmente, as benzedeiras não são pessoas quaisquer, mas personalidades reconhecidas nas comunidades.
Elas ocupam uma posição especial e estabelecem relações de reciprocidade pelos seus saberes e poderes, relembra
Sônia Weidner Maluf, antropóloga da Universidade Federal de Santa Catarina e autora do livro Encontros Noturnos:
bruxas e bruxarias na Lagoa da Conceição: Ed. Rosa dos Tempos.
A maioria das benzedeiras é católica, vinda da roça, com conhecimentos místicos absorvidos de outras áreas no intuito de obter aceitação nos meios urbanos. Num primeiro momento, pode-se pensar que a benzedura seja um resíduo de tempos passados, reflete Alberto M. Quintana, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Santa Maria do Rio Grande do Sul e autor de A Ciência da Benzedura: Edusc. Seu papel é fundamental nessas sociedades, pois elas criam um vínculo com a natureza e proporcionam alentos às doenças mais diversas.
As benzedeiras são mulheres que aprenderam com os seus antepassados rezas para curar quem precisa. Elas adquirem esse conhecimento oralmente e o empregam para tratar os males físicos, emocionais e psicológicos, reflete o dr. José Antipa Ward, médico e pesquisador de benzedeiras. Segundo Ward, em São Caetano, atualmente, elas se concentram nos bairros Nova Gerti, Cerâmica, Prosperidade e São José, onde existem mais nordestinos.
Na década de 60 muitos vieram para São Caetano trazendo seus saberes populares, entre eles o uso de ervas, rezas e curas [3].

As benções, curas e magias das benzedeiras

Os benzimentos e rezas são, sem dúvida alguma, algumas das formas de cura mais antigas do mundo. O conjunto
desses conhecimentos remonta aos curandeiros antigos, nos primórdios da humanidade, há pelo menos 30 mil anos.
Os xamãs de todos os continentes usavam ervas, rezas e invocações para curar. Todos os benzedores receberam
influências da tradição xamânica, especialmente os das regiões norte e centro-asiática e os das Américas do Norte, Central e do Sul. No Brasil, a imagem do xamã equivale à do pajé, e as benzedeiras são originárias dessa tradição
secular passada de mãe para filha. Os benzimentos são praticados por várias culturas, de formas o mais diferentes
possível, e contam com o auxilio dos elementos da natureza e da religião. No entanto, todos visam às mesmas coisas:
abençoar, curar e proteger os seres das forças negativas do universo. Na maioria das religiões, as bençãos são  praticadas com o objetivo de pedir proteção e boas energias.

Bençãos das benzedeiras em outras culturas

Entre os judeus é comum os pais abençoarem seus filhos pedindo a Deus que os proteja antes das refeições, das
sextas-feiras e nas noites de festas. A benção das meninas evoca as boas qualidades das quatro matriarcas do povo
judeu: Sara, Rebeca, Raquel e Léa. Para os meninos, as bençãos de Jacó para os 3 netos Efraim e Menashe. Entre os hindus, existe o Sadhu, ou homem santo hindu, comum em cidades e aldeias da Índia. Tal homem apresenta uma marca horizontal na testa, que simboliza ser ele um seguidor de Shiva. No pescoço carrega um rosário de contas sagradas; no corpo, roupa em cor-de-açafrão, considerada sagrada. Ele abandona todas as suas posses para dedicar a vida às orações e meditações. Os Sadhus caminham pela cidade recebendo oferendas de alimentos e dinheiro das pessoas. Em troca, agradecem com benções. Por outro lado, em várias culturas ancestrais encontramos semelhanças entre o poder das benzedeiras e o dos feiticeiros. Entre os azandes, das fronteiras do Congo, a crença nos feiticeiros é tão forte que se acredita sejam eles os responsáveis pelos infortúnios, acidentes, doenças e mortes.
Assim como as benzedeiras, os feiticeiros recebem o dom da magia hereditariamente – dom esse que curiosamente
é identificado no interior de seu intestino. Os feiticeiros e os curandeiros, na maioria das culturas, são os intermediários entre os seres terrenos e os divinos. Por essa razão, têm a capacidade de curar as enfermidades da terra. Também se costuma dividir a magia entre branca e negra. A primeira é direcionada para o bem; a segunda, ao contrário, para o mal. Existem feiticeiros que trabalham para os dois lados. As benzedeiras e rezadeiras, porém, estão do lado da magia branca, pois tradicionalmente recorrem a Deus, aos anjos e aos espíritos para conseguir o
poder de que precisam. Nas sociedades primitivas, a magia branca sempre esteve associada a uma extensa variedade de atividades. Tanto que o mago das comunidades rurais atuava, inclusive, como veterinário, tratando das doenças
dos animais com palavras, rezas e ervas.
Por isso, a posição hierárquica do mágico era elevada dentro dessas comunidades. Mas nem sempre foi assim.
As benzedeiras viveram momentos sombrios durante a história. Na Idade Média, elas foram perseguidas e queimadas em praça pública, relata Mário Luís Cabrálio da Silva, terapeuta filosófico e autor de Filosofia como terapia, do Centro de Ciências Clínicas de Campinas. Isso porque o seu poder passou a competir com o da Igreja Católica, que também praticava rituais de exorcismos e prestava assistência no campo da saúde. Mesmo assim, naquela época, em algumas regiões seus serviços continuaram a ser usados, especialmente nas zonas rurais, onde
faltavam recursos médicos. A noção de doença continuava associada ao castigo divino: daí a importância das rezas.

Sensação do bem

É comum irmos às benzedeiras e voltarmos curados. Se não voltamos assim, pelo menos ficamos melhor do que
quando fomos. Podemos dizer que a cura é um efeito de fé, boa energia, fenômeno de sugestão ou inspirada por bons
espíritos. As benzedeiras são pessoas de Deus e isso já é um grande fator para curar os males, relembra Léo Artése,
xamã e autor de O Vôo da Águia: Editora Roka. Por outro lado, os benzimentos só farão efeito se a comunicação entre benzedeira e paciente for feita.
A eficácia de seus serviços está em sua linguagem mágico-simbólica, muitas vezes só compreendida por quem está aberto aos seus serviços, exemplifica o terapeuta filosófico. Essas palavras também funcionam como mantras.
Elas têm um toque mágico que a gente não sabe explicar. São como os mantras, relata Ward. Por outro lado, as benzedeiras possuem uma energia psíquica muito acentuada, e por isso suas atividades surtem tanto efeito.

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