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A magia está dentro de nós mesmos. Só a busca interior, nos faz entender os processos que retardam a nossa caminhada, para que possamos efetuar as transformações necessárias para seguirmos no "Caminho da Beleza" (veja mais)
Léo Artése



lojinha

Tempo Indígena

Rosane Volpatto
Eles marcam reuniões sem o Calendário Gregoriano, e chegam no prazo combinado”. J. A. Peret

Toda a cosmografia Tupi no que se refere aos fenômenos cosmológicos era baseada na observação empírica das variações das estações, dos ventos, das chuvas, etc. As estrelas Urubu, Surã, Iapuicã e as constelações Simbiare-rajeiboare e Seichujurá, por exemplo, indicavam a vinda das chuvas.

A principal unidade de tempo dos Tupinambás eram as lunações. Por meio de lunações conseguiam uma unidade de tempo correspondente ao nosso mês. Thevet nos informa que as perguntas sobre a idade, os acontecimentos tribais, tudo era respondido por seu intermédio:

- “há tantas luas eu nasci....”

A eficiência do sistema total de demarcação do tempo Tupinambá, pode ser apreciada em relação com o nosso. Abbevile, que fez tal comparações, chegou a conclusões interessantes:

1) O movimento do Sol de um trópico ao outro e vice-versa, dava-lhes uma noção de tempo correspondente ao ano europeu.

2) A delimitação das épocas de chuvas e de ventos ou do tempo dos cajus, dava-lhes uma noção de tempo correspondente ao mês europeu.

3) Os movimentos da estrela "seichu", que aparecia antes das chuvas para desaparecer em seguida, davam-lhes um conhecimento empírico do interstício, ou seja, do tempo decorrido de um ano a outro.

4) Pela correlação entre as fases da lua e dos movimentos das águas, obtinham uma nova noção de tempo.

Para exemplificar toda esta teoria, escolhemos um sacrifício ritual, onde pode-se visualizar mais facilmente a regularidade destes fenômenos naturais.

O prisioneiro deveria ser conservado com vida por algum tempo. Neste caso, precisavam determinar a data da execução em quatro ou cinco luas, "verbi-gratia". Colocavam então, em seu pescoço um colar constituído com um número correspondente de certos frutos redondos. Outras vezes, o número de luas era computado por intermédio de pequenos colares, também colocados no pescoço do prisioneiro. Cada lua que passava tiravam uma conta do colar ou um pequeno colar do pescoço. Quando chegavam a última unidade, o prisioneiro deveria ser executado e todos os preparativos fundamentais para as festas e cerimônias se achavam prontos.

A guerra contra seus inimigos também eram marcadas com antecedência regular. Neste caso, podiam referir-se a certo número de luas. Mas se utilizavam também de outro processo. Como era conhecida a época da colheita de certos produtos agrícolas ou época da desova dos peixes, escolhiam uma delas como ponto de referência. Para esse fim escolhiam o milho, por exemplo ou então o caju. Na época do amadurecimento do milho ou no tempo do caju, realizavam o ataque.

Segundo informações cedidas pelo indianista João Américo Peret:

“Eles marcam reuniões sem o Calendário Gregoriano, e chegam no prazo combinado:

Os Karajá contam:

Maybã (é tempo de milho verde), corresponde a Janeiro;

Baebara (o rio parou de encher) mês de Fevereiro;

Tubyraçó (começou a vazante) mês de Março;

We-ra (já tem praia de fora) Abril;

Rarado--uebto (as árvores tem flores que alimentam os animais) Maio;

Rarado-sí (as árvores tem frutos) Junho;

Kotu-sí (o tracajá pões ovos) Julho;

Bederá (começaram as queimadas para fazer roçado) Agosto;

Kotuni-sí (as tartaruga já pões ovos) Setembro;

Baé-bã dereká (iniciaram as chuvas e o rio começa a encher) Outubro;

Kotuni-reioré (as tartarugas estão nascendo) Novembro;

Baorá (o rio está enchendo) Dezembro.

Outros índios contam o tempo: pelo verão, inverno, outono e primavera; nos quartos da lua; quando começa a florir o Ipê (pau d´arco), o pequizeiro; quando certos frutos amadurecem; no repiquete (cabeça d´água em que o rio enche e vasa em seguida); na enchente e na vazante; em quantos dormir (noites), quando o sol estiver nesta posição.”

Algumas tribos, como a dos guaranis, conheciam duas estações: do Sol (coaraci-ara) e das chuvas (almana-ara). Os caingangues, no Sul do Brasil, contavam até dez dias passados ou futuros, usando os dez dedos das mãos. "Ningké" significa "mão" e "ten" quer dizer "com". Reunidos esses ordinais com a palavra Sol, obtinham os dias da semana, e com a palavra Lua, as semanas.

Dias caingangues

1 - pir
2 - lenglé
3 - tektong
4 - vaitkanklá
5 - petigare
6 - ningkéntenyrn
7 - ningkéntenyrnlenglé
8 - ningkéntengrutektong
9 - ningkéntyrukenkta
10 - ningkévaitklitp

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