Parto com Santo Daime – O uso do daime entre as mulheres grávidas

Trago aqui um relato comovente da minha querida irmã espiritual Vera Fróes, contando o Parto de sua filha Veraluz, no livro em que escreveu com Marco Imperial, seu marido na época: Santo Daime – Cultura Amazônica, livro esse que recebeu o Prêmio Suframa de História 1983 em primeiro lugar.

Segue o texto na íntegra:

“Na Colonia Cinco Mil impressionava-me o fato das crianças pequenas e também as mulheres grávidas tomarem o Daime. Ajudar as crianças a nascerem num parto com Daime foi para mim uma experiência marcante.

O parto se realiza da seguinte maneira ; o Daime é servido à parturiente em doses de um pouco mais de meio copo e em quantidade menor para as duas ou tres mulheres que acompanham o trabalho. Imediatamente as acompanhantes começaram a cantar o hino Sol,Lua,Estrela do Mestre Irineu até se completar o nascimento, quando o bebe é colocadosobre a barriga da mãe até que o cordão umbilical para de pulsar para que seja cortado. Para a placenta sair, é rezando uma oração específica acompanhada de uma massagem na região da barriga.

Estive presente em casos em que a criança estava sentada e não conseguia nascer e quando a mãe tomava o Daime, a criança desvirava e nascia na posição correta. Outra mulher, que se tornou muito minha amiga, Vera Viana, teve duas filhas de cesariana e grávida do terceiro filho optou por um parto normal. Depois de tres dias tomando Daime, Vera foi recompensada com um belo garoto, considerado o filho do milagre, porque os médicos consideravam impossível e de alto risco um parto normal. Judá, nome que o menino recebeu de uma miração que seu pai teve com o Santo Daime, foi batizada pelo Padrinho Sebastião.

Todas essas vivências me incentivaram a tentar em mim mesma o parto normal com o Daime, quando estava morando em Boca do Acre no Amazonas e era Diretora da Casa da Cultura do Municipio, colaborando na administração geral do seringal Céu do Mapiá.

Há 14 anos atrás fiz uma cesariana de minha filha Luciana; os médicos achavam que eu tinha a bacia muito estreita, que não dava passagem para um nascimento normal. Sofri muito com a anestesia, além de não participar em nada do sucesso de ser mãe.

Relato agora o que para mim se tornou a experiência mais importante e emocionante que tive com o Santo Daime.

No dia 22 de dezembro de 1986, exatamente às cinco horas da manhã, me surpreendi ao acordar e notar que a bolsa de água tinha arrebentado. Tínhamos combinado, eu e Marco, meu marido, que tomaríamos o Daime, mas devido aos meus antecedentes e por precaução iríamos para o hospital, por sinal o único que existia no local.

Comecei a ingerir o líquido às sete horas da manhã, e a partir daí de meia em meia hora uma nova dose.Lembro que tomei quase um litro, sempre deixava um pouco no copo, no que obrigava Marco a tomar comigo todas as doses.

Sentia as contrações se acelerarem paulatinamente, nunca tinha sentido aquilo, de forma que as duas horas da tarde, já sofrendo muito, me aliviava com as mirações. Tinha a impressão de que iria abandonar o corpo e não voltar mais, a visão de várias pessoas da minha família que já tinham morrido e principalmente meu pai falecido há 26 anos, me assombravam com medo da morte. O consolo veio ao me lembrar do que o Mestre Irineu dizia :

– Mulher que toma Daime não morre de parto

O daime parecia que tinha reunido as perssoas certas para me darem assistência, a começar pelo médico Dr. José, diretor do Hospital, pessoa espiritualizada e competente, a amiga Dorinha que muito me massageou, Sônia, a dentista do hospital que em minhas mirações parecia irradiar raios laser pelos seus olhos azulados, sua assistente Benízia que ficou de prontidão desde as primeiras horas de sofrimento, e naturalmente meu incansável companheiro Marco, que sempre me encorajava a tomar mais Daime, a fim de levarmos a experiência até o fim.

As enfermeiras do hospital olhavam assustadas ao me verem tomar aquele líquido de cor amarelo-pardo. Naquele dia o Hospital stava deserto nenhum doente dando entrada, nem mulher para dar a luz; a festa era só para mim. às 16:00 hs. o médico já não acreditava que o Daime resolvesse o parto, ele conversou com Marco para me preparar para uma cesariana. Marco então não vacilou, chegou para mim com uns tres dedos de Daime e disse:

-Vera se você não tomar, vai entrar na faca.

Nessa hoora eu já não aguentava mais as dores e disse que era impossível pois estava mirando demais, os objetos dançavam na minha frente e tudo brilhava. Ao mesmo tempo as palavras de ” entrar na faca ” me transportaram para 14 anos atrás o horror da cesariana, mas não tinha coragem de tomar nem mais uma gota. Nesse momento tive uma miração com Nossa Senhora me entregando o copo e dizendo :

– Tome minha filha, que é a sua última dose.

Acreditando no que via e ouvia, peguei o copo e tomei. Logo em seguida entrei em trabalho de parto e a criança começou a coroar. Era chegada a hora, Marco cantava o hino Sol,Lua, Estrela, queria me ajudar, mas só dependia de mim. Havia uns ferros perto de minhas pernas e a orientação era puxar os ferros e fazer força na hora que viesse a dor. Na primeira tentativa vomitei o Daime que saiu como um jato pela boca e nariz, logo me retraí sentindo a cabeça da criança indo e vindo.

A miração aumentava: ví a sala se enchendo de gente ( espíritos ), e uma legião de anjos flutuando. eu me encontrava presente e distante ao mesmo tempo, me sentia equilibrando numa corda fina que puxava para lados opostos, de um lado a vida e do outro a morte, alguém me soprava no ouvido :

– Dê a vida, vamos, é agora !

Naquele instante prometi tudo a Nossa Senhora da Conceição, imagem que me acompanhava, pedia para ter força para atravessar, pois toda a vez no meio da contração forte, vomitva o Daime e me retraia.

De repente a sala se encheu de luz, parecia que o próprio Sol nascia alí dentro. Outra vez ouví :

É dessa vez, vamos !

Então botei força e lá veio a dor rasgando por dentro, impressão de que meus ossos estavam quebrando. Era um momento doloroso e maravilhoso, principalmente quando sentí a cabeça da criança sair, estimulada pela voz do Dr. José, que me parecia “atuado”, conduzindo o pequeno ser pelas suas mãos :

– Atenção que teu filho está nascendo, é o teu filho que está chegando, mais um pouco de força, Vera, ela está nascendo !

Foi o tempo de vomitar o último Daime para a criança vir ao mundo, nesse momento ví que todos os espíritos que estvam me assistindo se perfilaram e assistiram o espírito que ia encarnar na criança, um facho de luz invadiu tudo e o nenen chorou, sentí uma felicidade indescritível, estava em harmonia total com o mundo, flutuando em nuvens de luz. Assim nasceu Veraluz.

Marco emocionado, fotografava tudo e assim que a criança saiu da sala, pingou gotinhas de Daime em sua boca, conforme costume do Povo Juramidam. Fiquei em estado de graça por dois dias, não tinha fome ou sono, tinha a sensação de plenitude e a certeza de que o daime realizava verdadeiros milagres no parto das mulheres.

Posteriormente travei amizade com Frederico Arruda, professor de farmacologia da Universidade do Amazonas que juntamente com a psicóloga Luíza Garnello e outros membros de sua equipe, realizaram experiências com o Daime em ratinhas prenhas. Verificaram que de fato, as ratinhas que tomavam Daime tinham um parto mais rápido e os filhotes nasciam mais espertos do que as ratinhas que não tomavam Daime. Naturalmente isso não me surpeendeu, mas comprovou cientificamente os efeitos benéficos do Daime no caso de gravidez. “

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