Carnaval e Xamanismo

Léo Artese

Alguns estudiosos, como Lynne Guitar, Ph.D. História, acreditam que as origem do “Carnaval” estão na Grécia Antiga e na Itália, antes do cristianismo:

Os pagãos tinham suas celebrações centradas nos ciclos da natureza (estações do ano) e não quiseram desistir dessas cerimonias e então a Igreja católica adotou o calendário substituindo e sobrepondo-os com significados cristãos.

 

Lynne cita um festival chamado Saturnalia, dedicado a Saturno, o deus da agricultura, e ao deus do Vinho, Baco, costumava ser celebrado em torno da mais longa noite do ano (17 de dezembro sob o calendário velho), tornou-se Celebração do Natal em 25 de dezembro e a celebração foi adiada até a semana anterior ao início da Quaresma, no equinócio da primavera (Hemisfério Norte) . Essa nova celebração da primavera veio a ser chamada Carnaval ou carnival, oriunda da palavra latinas carnis (carne) e Levare (“deixar fora”). Portanto, imediatamente após o festival de carnaval vem o tempo da Quaresma, 40 dias solenes de penitência e sacrifício, que incluíam não comer carne, bem como a renúncia de outros prazeres da carne.

À medida que o cristianismo se espalhava, também a celebração do carnaval em toda a Europa e para as Américas. Os europeus que foram às Américas encontraram os índios (Cristóvão Colombo chamou equivocadamente de “índios”, acreditando que tivesse alcançado ilhas ao largo da costa da Índia)

Dentro de uma visão xamânica o carnaval pode assim ser considerado como um rito de passagem da escuridão para a luz, do inverno ao verão: uma festa de fertilidade, a primeira festa de primavera do ano novo. O corre que os europeus que vieram para o Brasil, consideraram a data e não a estação do ano, portanto aqui praticamos os ritos invertidos. Que confusão! Considerava-se o inverno como o reino dos espíritos do inverno, que precisavam ser expulsos para que o verão voltasse.

As pessoas usam máscaras e trajes durante muitas dessas celebrações, permitindo-lhes perder a sua individualidade cotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social. Sem dúvida é um tempo de convivência entre luz e sombra…os desfiles mostram demônios e anjos, políticos e heróis, reis e rainhas, orixás, santos, divindades orientais, as belezas da natureza, as mazelas da vida e todos os arquétipos que constituem a grandeza da consciência humana numa grande alegria!

Xamanicamente, carnaval é Mitakuye Oyasin…A união de todas as nossas relações. Precisa ser compreendido como essa liberação dessa energia selvagem que todos possuímos e adiante nos entregarmos à mais sublimes. O Sagrado e o Profano!

Enfim, como você vê o carnaval? Veja se consegue uma leitura sem maniqueísmos!

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