Vernon Foster, Xamã Lakotas de Sedona (EUA) ( Movimento Indígena Americano )

Vernon Foster, Xamã Lakotas de Sedona (EUA)

( Movimento Indígena Americano )

 

 Entrevistei o “Chefe Wakia Um Manee”, dos Lakotas de Sedona (EUA) que veio ao Sítio Lua Cheia, para fazer vivências com o Chanunpa (Cachimbo Sagrado) e Inipi (Tenda-do Suor) além de outros ritos nativos norte-americanosEle também fez atendimentos individuais no ESPAÇO – A Kiva Urbana

Vernon Foster é uma das grandes lideranças indígenas atuais nos EUA. Seu nome indígena lakota : é Wakia Un Manee que significa “Aquele Que Anda Com o Trovão”. Ele tem sido um ativista para o povo indígena norte-americano desde 1968 e é o diretor regional do movimento indígena no sudoeste americano

Vernon é um curandeiro que usa métodos de cura indígena seculares.

Ele também ajudar a desenvolver programas culturais e educacionais como professor e conferencista (http://www.indigenouspeoplesresourcefoundation.org/Home_Page.php )

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Vivência e atendimentos com Vernon Foster no centro de estudos de Xamanismo Voo da Águia numa produção conjunta com o espaço cerimonial e terapêutico Nawi Ollinkan

NÃO PERCA ESSA OPORTUNIDADE! VAGAS LIMITADAS!

DIA 02 DE OUTUBRO NO SÍTIO LUA CHEIA

Léo Artese : Saudações Mr. Vernon,

Há mais de 20 anos estudo e venho realizando praticas xamânicas aqui no Brasil, adaptadas aos nossos costumes e ao tempo em que vivemos. Sou dirigente de uma comunidade espiritual chamada Céu da Lua Cheia. Hoje temos um portal de Internet que recebe 60.000 visitas por mês de várias partes do Brasil e do Mundo e que possui o maior conteúdo de xamanismo da Internet mundial. Tive a honra de participar de uma inipi com Wallace Black Elk em 1998. Além disso, passei por vários ritos e cerimônias nos EUA com os Taiacs (Sundance), navajos (Peyote Tipi) e membros da Reserva de Rosebud, Cherokees, etc. Considero-me um apaixonado pela espiritualidade nativa norte-americana.

Quero, antes de mais nada, humildemente oferecer um canal desse portal para o seu povo se expressar, transmitir sua sabedoria e passar orientações, pois aqui no Brasil existem muitos admiradores da espiritualidade nativa norte-americana. Será uma grande honra poder recebê-lo em nosso humilde espaço.

Fale-nos um pouco de sua infância.

Vernon:

Eu fui tirado de meus pais biológicos quando tinha 5 anos, assim eu cresci em muitos lares tutelados que não eram para indígenas. Eu fiquei separado de meu povo até a idade de 10 anos quando fui colocado de volta com os índios. Este foi o meu primeiro contato com a cultura indígena. Quando jovem me tornei interessado pelos costumes nativos e comecei a participar de cerimônias diferentes.

Eu fui aceito por muito líderes indígenas muito conhecidos e iniciei meu aprendizado nas cerimônias. Quando jovem eu havia perdido minha identidade e quando participei das cerimônias eu comecei a recuperá-la e continuei fazendo isto pelo resto de minha vida.

Léo: Quem era o líder espiritual da Tribo na ocasião e quem conduzia os rituais sagrados?

Vernon:

Na ocasião haviam vários chefes famosos e também líderes espirituais. Eu fui guiado por Deveere Mathew, Two Bulls e Stanley Smart, Dennis Banks, Clyde Bellecourt, Frank Foolscrow que era o mais famoso feiticeiro ( médico ) de Lakota na ocasião.

Léo: Como era sua vida na tribo e quais eram os rituais de passagem para levou Lakota a se tornar um líder?

Vernon:

Primeiramente foi muito difícil porque eu não fui criado entre o povo mas quanto mais eu participava mais eu me tornava aceito. E os meus rituais de passagem continuavam na Vision Quest ( Procura da Visão ) e participação no Sundance.

Léo: Fale nos sobre sua comunidade, quais são as condições atuais de sobrevivência, suas crianças e jovens ( educação, espiritualidade, etc )

Meus filhos estão 1000 anos na minha frente, o que significa que eles nasceram e foram criados na tradição e quanto a mim eu só fui encontrar a tradição anos mais tarde, mas meus filhos tiveram a sorte de nascer dentro dela. A vida na Reserva é uma batalha continua contra a influência da Sociedade. Nós desenvolvemos muitos programas para ampliar os ensinos de nossa cultura e a lidar com problemas do cotidiano. A Comunidade esta começando a se voltar para antigas tradições e o processo de pensamento que acompanha isto.

Léo: Como é a sua vida na Reserva?

Sou reconhecido como líder da comunidade bem como em nível nacional. Eu encontrei satisfação em auxiliar a estabelecer programas que trouxeram o renascimento da cultura nativa.

Léo: Como é o relacionamento com o Governo Americano?

Vernon:

Continua a ser uma dura batalha e o relacionamento nunca foi muito seguro porque nos tivemos que desenvolver nossas próprias leis e tentamos torna-las leis americanas para proteger nosso modo de vida e rituais. Por exemplo, em 1977 nos constituímos a Lei Native American Freedom of Religious Act ( Lei de Liberdade Religiosa dos Índios Americanos ) para proteger e preservar nossas cerimônias. Também neste mesmo ano tivemos que estabelecer a Lei Child Welfare Act ( Lei do Bem Estar Infantil ) para evitar que nossas crianças fossem retiradas de nosso convívio. Em 1979, criamos a Lei Sacred Sites and Graves Protection Act ( Lei dos Sítios Sagrados e Sepulturas ) para proteger nossos cemitérios. E recentemente implantamos a lei Native Artesian Act ( Lei do Artesão Indígena ) para proteger nossos bens sagrados e evitar que eles fossem copiados e vendidos como artigos indígenas legítimos. Criamos também a Lei Repatriation Act ( Lei de Repatriação ) que forçou os museus e indivíduos que possuíam artesanatos indígenas a devolve-los ás tribos de onde foram retirados.

Léo:Você poderia falar rapidamente sobre os 7 rituais sagrados de Lakota e se eles continuam sendo praticados pelos índios contemporâneos?

Visto que o mundo começa a se interessar pelo nosso modo de vida é importante que estes 7 rituais sagrados sejam bem compreendidos. O motivo principal é que estes rituais são a marca da fundação de nosso povo. Estes rituais tem muitas interpretações diferentes que são partilhadas com o mundo, as vezes são exploradas indevidamente e outras são mantidas exclusivamente dentro da tribo.

Léo: O seu povo ainda guarda raiva dos brancos com relação as maldades que fizeram com vocês no passado?

Vernon:

Em 1969 os povos indígenas ainda não tinham uma voz e assim criamos um movimento político e a confrontação política de uma voz a ser ouvida na sociedade americana. Na época havia muitos motivos para ficarmos aborrecidos ( com o homem branco ) mas os nossos curandeiros nos orientaram a mudar de atitude e nos passamos a entender o que a espiritualidade desejava de nós. Sim, relembramos o passado e não entendíamos porque nossos povos tiveram que passar por tantas provações, mas agora sabemos que tudo isto não foi em vão graças ao nosso conhecimento espiritual. Agora, no século XXI o mundo começa a se voltar para os índios a procura de respostas para encontrarem a paz e harmonia mútua.

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Léo: Como vê a compaixão

Vernon:

Existem inúmeros valores que os indígenas seguem e um dos maiores valores é o da Compaixão. Os povos indígenas tiveram batalhas entre as tribos mas isto não foi com o intuito de vingança e de se ferirem. Mesmo quando da morte de um guerreiro, frequentemente o vencedor cuidava da esposa do falecido e lhe oferecia residência na tribo. Ela seria cuidada e tratada como um membro da tribo. Este é um grande ato de compaixão do guerreiro vencedor pois o provedor da viúva se foi e ela não teria como se manter. Na história, quando da chegada dos primeiros europeus assim que os mesmos desembarcavam nas praias da América estavam doentes, enjoados, mal nutridos e frequentemente mortos e os indígenas mostravam compaixão por eles oferecendo lhes abrigo nas aldeias e hospitalidade.

Hoje aquela compaixão é importante para o índio porque a doença continua presente no mundo atual e por isto enfatizamos que o nosso ensino mais poderoso é aquele da compaixão pelo próximo mas também por você mesmo.

Léo: Conte um pouco sobre a implantação da AIM American Indian Movement ( Movimento Indígena Americano )

Vernon:

Em 1968 os índios trazidos para as cidades acabaram doentes devido aos modos de comportamento da Sociedade Americana. Muitos não suportaram viver fora da reserva e frequentemente se ficavam alcoolizados como uma espécie de fuga e acabaram indo parar no fundo do poço das distorções desta sociedade. A AIM estava cansada de observar a brutalidade policial contra os indígenas e ai se tornou uma ONG para acompanhar atuações policiais. Indígenas eram apanhados pela policia e levadas ate um rio, onde eram surrados e colocados nos porta malas das viaturas e depois jogados na cadeia.

Quando a AIM começou a protestar e ate mesmo fisicamente contra os abusos da policia isto acabou de vez. Este movimento trouxe notoriedade nacional e ai então quando os indígenas ouviam falar da AIM eles pediam ajuda e a AIM os auxiliava onde eles tiveram problemas. Hoje a AIM continua a ser a voz dos indígenas e o movimento espiritual não pára de crescer. A AIM tornou-se uma organização reconhecida.

Léo: O que vem a ser o tal de Buffalo Heart Project ?

Vernon:

O Projeto Coração de Búfalo foi fundado por mnha esposa e eu como um programa sem fins lucrativos. É um lugar onde as pessoas vêem e aprendem a cultura indígena experimentando o poder das mãos. Por exemplo, ajuda-los a organizar uma maneira de ficar em um lugar onde aprendem a colher plantas, preparar comidas silvestres, fazer remédios de plantas, participar de cerimônias diárias pelo tempo que desejarem e hospedados por nossa família em um ou dois hectares em frente a um rio em nossa propriedade no Arizona.

Léo: Fale sobre as estações e como elas influenciam a humanidade.

Vernon:

Os indígenas foram guiados pelas estações para saber quando plantar e saber quando colher, saber quando realizar certas cerimônias, partilhar certas estórias de modo que as estações funcionam como um calendário natural para os índios. Como profecia eu diria que as estações hoje estão em desequilíbrio . Ao reconhecer isto, os indígenas se adaptaram a esta mudança e continuam a seguir o seu ciclo de estações.

Léo: Quais são as grandes necessidades do homem?

Vernon:

Isto é muito simples na tradição indígena que vê sempre 4 necessidades para o homem. A primeira é a espiritual e a necessidade de acreditar em algo. A segunda é a necessidade social de se comunicar e socializar, equilibrando assim o papel seriado da vida. A terceira é a necessidade é o nosso emocional, a necessidade de compartilhar sentimentos de dor, raiva, felicidade, tristeza e luto. A quarta é a física, a necessidade de tocar e sentir, a necessidade de tocar e ser tocado

Léo: Explique o significdo do Circulo ( Medicina da Roda )

Vernon:

O circulo é o nosso guia para a vida onde não há inicio ou fim. O circulo é o movimento natural da energia, o ciclo da vida e das coisas vivas. Os quatro pontos do circulo representam os 4 elementos do universo. A roda da medicina atinge 4 áreas que convergem para o centro do equilíbrio.

Léo: Você tem acompanhado a expansão das praticas dos índios americanos pelo mundo?

Vernon:

Sim estou a par e comecei a viajar para outras partes do mundo e descobri que a influencia indígena existe e está florescendo. Hoje as práticas dos índios americanos não só ficaram populares mas a vida esta mudando para muita gente mundo afora.

Existem até grupos ou pessoas usando nomes nativos e que se consideram legítimos descendentes índios de vidas passadas. Houve um tempo quando todos tinham uma princesa Cheroke como avó. Como tudo na cultura há uma conexão sagrada de quem realmente somos e os vocábulos são sagrados. Os nomes foram dados em cerimônias sagradas de consagração de nomes e uma pessoa que usar este nome teria que ser merecedora do mesmo. Quando um nome é dado você o utiliza somente na cerimonia e isto mantem o mesmo no ciclo sagrado. O seu nome que lhe foi dado somente Wakan Tanka reconheceria quem é você quando você se apresentar para a prece.

Hoje em dia as pessoas usam nomes indígenas para elas que as vezes são ridículos e não tem sentido lógico, são tolas. Como qualquer outra coisa os nomes foram herdados e não comprados ou dados a si mesmo. Os índios continuam batalhando contra a exploração de nossas cerimônias culturais, encontros, danças, linguagem e nomes

Léo: O que você acha do Brasil?

Vernon:

É um pais muito amigo onde há muita vida como em todas as partes do mundo. As pessoas estão novamente famintas de conexões emocionais, físicas, sociais e espirituais. O Brasil esta aberto para estes ensinamentos e é importante para aqueles que vivem do lado de fora das florestas para reconhecer , entender e abraçar a cultura indígena dentro da floresta. Se eu não tivesse um lar eu não pensaria duas vezes em tornar o Brasil o meu lar.

Léo: Seja bem-vindo Vernon. Mitakuye Oyasin

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