Surf havaiano- Origens xamânicas

Surf havaiano- Origens xamânicas

Pesquisa Léo Artése

Há registros de que as primeiras ocorrências conhecidas do surf estão ligados à antiga tradição havaiana dos Kahunas, porém há um pensamento controverso de que o surf poderia ser originado no Peru, na Ilha de Uros. Alguns velhos nativos do Havaí acreditam que seus ancestrais seriam descendentes dos Incas. A prática era chamada pelos polinésios de “He’e Nalu” (deslizar sobre as ondas) uma celebração permanente de adoração ao Oceano.

He’e : templo, Lugar Santo Nalu : onda, meditação / “Na”: paz, serenidade

Nalu indica a interação com as ondas, que através do equilíbrio interior encontrar o equilíbrio exterior e as divindades, que se expressam nas erupções vulcânicas (Principalmente a Deusa Pele), ciclones, marés fortes. O “He’e Nalu” é uma invocação que faz o mundo um heiau “(um templo, um lugar sagrado) que reúne os” Manas “(energia vital) para alimentar a aumakuas” (centelha divina)

Os Kahunas acreditavam que a energia Mana ( energia vital ) é recebida do céu através da prece. Deveria-se rezar constantemente e enviar preces para Aumakua, o espírito guardião do passado. O Aumakua vivendo no céu, olha por sua criança da Terra e intercede através do seu Divino poder espiritual.

Iniciava-se com a escolha da árvore para ser transformada em prancha. O “kahuna”, invocava os espíritos escolhia uma árvore onde percebia o “mana” entoando canções de poder honrando e pedindo perdão ao espírito da árvore pelo sacrifício. Com um machado de pedra abria-se um buraco entre as raízes para ser colocada uma oferenda (peixe) e orava-se para os Deuses

Conta-se que além da cerimônia religiosa de corte da madeira, também havia uma cerimônia para a confecção das pranchas e acabamento, feito pelos mestres artesão. Para escurecer e dar brilho a madeira era usada a planta TI e óleo de nozes. Seu nome científico é Cordyline Terminalis . Entre suas varias cores, as mais comuns são a vermelha e verde. Ti, como é conhecido nas ilhas, e uma das plantas típicas do arquipélago havaiano. Faz parte da vida e da cultura do povo. No Brasil, e encontrada nos jardins como planta ornamental.

No passado, os havaianos usavam as folhas de Ti para cobertura e construção das rústicas cabanas. Nas oferendas aos deuses, costume que se pratica nos dias atuais , o Ti envolve pedras vulcânicas, frutas etc., deixadas pelos nativos nos templos (Heiau) em presentes oferecidos a Deusa Pele, no vulcão Kilauea. Os Kahunas, utilizavam as folhas de Ti em rituais de magia e banhos de purificação que serviam para afastar entidades astrais inferiores. Atribuíam ao Ti o poder de proteger contra influências espirituais negativas. A planta ainda e usada em cerimônias para livrar dos ataques de magia negra.

Os kahunas (xamãs) eram solicitados para invocarem as ondas do mar, através de cânticos. Contam-se casos em que as invocações produziam altas ondas. Parece inexplicável como os antigos polinésios navegavam milhares de extensões através do oceano com canoas sem nenhuma aparelhagem, se não acreditarmos nessa especial conexão deles com seus espíritos. Eles não tinham um estudo minucioso das ondas ou do tempo, interpretavam intuitivamente. Os polinésios cantavam quando viam as altas ondas o pohuehue. Se as ondas estavam muito baixas eles vibravam folhas de pohuehue, batendo nas águas, para atrairem as ondas.Eles usaram a mesma técnica para evocar condições de oceano perigoso para matar seus inimigos em canoas.

Pohuehue (Ipomoea pes-caprae – Morning Glory – encontrada nas praias de Santa Catarina, conhecida como salsa-da-praia, cipó-da-praia ), cresce ao longo das prais e dunas de areia até 16 metros de comprimento, acima da linha dágua e absorve a agua salgada. As folhas têm a forma de coração invertido. As floreses tendem a abrir pela manhã. A planta é usada em rituais afro-brasileiros de iniciação. As folhas, maceradas são usadas para berber e tomar banhos. Nos tempos antigos, os surfistas, balançavam as videiras em torno de suas cabeças e traziam para baixo com força na água e cantavam para as grandes ondas se levantarem. Em pequenas quantidades as raizes eram usadas como alimento e como ingrediente em preparações para pessoas com problemas pulmonares, entorses e para limpar o sangue. Brotos eram comidos por mulheres grávidas e as hastes eram batidas nos seios de mulheres que acabavam de dar a luz. A seiva era a ajuda do Deus Ku e Deusa Hina para aumentar o leite materno.

Havia uma grande relação com o oceano, por si só uma enorme fonte de “mana”. O fato de estar imerso nele já propiciava um bem-estar ao corpo e à alma do surfista. O Ali’i, ou chefe do povo havaiano, possuía suas orações e pranchas especiais, de maneiras especiais. Também ia a praias privadas onde surfavam apenas com pessoas do seu mesmo grau. Eles tinham excelente forma física e conheciam os ritos religiosos e cânticos tradicionais e canalizavam a maioria das canções.Os cânticos tinham a ver com surf e efeitos físicos e metafísicos s na mente e corpo. Eles inspiravam o surfar na vida social e espiritual dos antigos praticantes havaiano.

Nos primórdios o surf no Havaí era um acontecimento profundamente espiritual, a arte de deslizar nas ondas, a rezar para surfar bem, Para os havaianos, o surf era uma coisa sagrada e envoltos numa complexa rede de obrigação e tabu (kapu). Havia competições individuais de habilidade nos grandes festivais religiosos, como a Lono Makahiki ( festival de quatro meses) que celebravam plantas cultivadas, alimentos, a desova dos peixes, e fertilidade em geral

Através de petroglifos de surfistas, esculpido na paisagem de pedras vulcânicas, e cânticos que contam as histórias dos grandes feitos surf, ao longo das gerações, alguns acreditam que o surf pode ter começado muito antes da cultura polinésia.

O sistema Kapu também determinou como, porquê e com que materiais deveriam ser feitas pranchas. Conta-se que após a chegada do homem branco (Capitão Cook), final do séc.XVIII, a cultura foi desmantelada. Chegaram os missionários, colonizadores, comerciantes um número crescente de estrangeiros, exploradores interessados em terras que só desrespeitavam as antigas tradições.Até o início do séc. XIX, o surf estava se extinguindo, voltando à popularidade no final do séc.XX

Surf não era apenas um ato religioso e passatempo para velhos líderes, servia como um exercício destinado a manter os chefes em condição física superior e como um sistema de resolução de conflitos.Através do surf as pessoas alcançavam adquiriam um status. Os surfistas renomados desfrutaram privilégios especiais em reuniões

Na prática pode-se aprender a mergulhar ao eu, a seguir o fluxo, ter a humildade e a confiança de se deixar levar. Aguça a intuição e a concentração, dá a coragem para vencer os limites do medo e do desconhecido, os sentidos ficam apurados.

Alguns praticantes afirmam que surfar é a coisa mais próxima de voar que o ser humano pode alcançar. Os momentos nunca se repetem, as ondas não são iguais, o movimento muda, o oceano dá as regras

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