O adeus do Padrinho Sebastião

O adeus do Padrinho Sebastião

REVISTA CÉU DO MAPÍA 20 ANOS / Fotos: Marco Imperial

Já fazia alguns anos que a insuficiência cardíaca abalava a saúde do Padrinho Sebastião. Por duaz vezes em 1986 e 1988, ele havia sido levado para o Rio de Janeiro para receber tratamento médico – o que não o impediu de continuar sofrendo crises terríveis, a mais forte delas bem na véspera de seu aniversário de 69 anos, em outubro de 1989. E, vez de participar do hinário em sua comemoração, ele seguiu de helicóptero para Rio Branco – onde tomou o avião para novamente se tratar na cidade carioca.

Desta vez, porém, não voltaria vivo : faleceu lá mesmo, no Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1990 (mesma data do falecimento do Guru Osho), Dia de São Sebastião

Houve dois velórios: em no Céu do mar, oureo no Céu do Mapiá. em ambos, como não poderia deixar de ser, foram cantados os seus dois hinários, “OJusticeiro” e “Nova Jerusalém” – que juntos, formam uma amratona musical e poética de mais de 10 horas de duração, onde está gravado para sempre o testemunho espiritual de Sebastião Mota de Melo.

O amazonense Sebastião Mota de Melo nsceu em 6 de outubro de 1920 e viveu até os 37 anos dentro da floresta, em um seringal às margens do rio Juruá, próximo ao município Eurinepé. Alí, aprendeu a fazer de tudo: foi caçador, mateiro, agricultor, seringueiro e construtor de canoas. Alí também conheceu Rita Gregório com quem se casou e tece os filhos Waldete, Alfredo, José, Pedro, Maria das Neves, Isabel, Nonata e Marlene.

O padrinho contava que, desde os 8 anos de idade, tinha visões, fazia viagens astrais e sentia comunicação com os espíritos. Mais tarde, com um companheiro kardecista do seringal, aprnedeu a trabalhar como médium nos trabalhos de mesa branca espírita. No final da década de 50, mudou-se com a família para a periferia de rio Branco, num loteamento chamado Colônia Cinco Mil, onde seu cunhado fixara residência.

Atacado por uma misteriosa doença, procurou por todo tipo de tratamento até bater à porta do Mestre Irineu, onde em 1965, foi curado em sua primeira sessão de Santo Daime. Com isso tornou-se um discipulo dedicado ao Padrinho e Mestre Irineu, não hesitando em caminhar mais de três horaas para ir de sua colônia até o centro do Mestre.

Após o falecimento do Mestre, Sebstião acabou criando sua própria igreja na Cinco Mil, onde reuniu todo um povo em torno do sonho de levar uma vida comunitária e espiritualizada dentro da Mata Amazõnica. Nessa época, contava ele, tinha repetidas vezes a mesma visão: a floresta toda pegava fogo e apenas o lugar onde ele estava permanecia verde.

Mesmo analfabeto ele encantava a todos com palavras de grande sabedoria e simplicidade. Costumava acordar às três da manhã, hora em que vizinhos e visitantes chegavam para ouvir sua prosa sentados extasiados em volta da mesa da cozinha.

Nas três viagens que teve que fazer ao sul por motivo de saúde, o Padrinho Sebastião teve uma das maiores alegrias de sua vida: finalmente conhecer o mar. Isso sem contar a oportunidade de cohnyhecer pessoalmente centenas de afilhados que não tinham condições de viajar ao Mapiá e que assim, podiam também ter a alegria de vê-lo e ouví-lo de perto. Volta e meia, ele dizia que aquela vilazinha escondida na floresta seria uma especie de capital mundial do Santo Daime, destinada a receber pessoas de todo o mundo – mas a fragilidade do coração não o deixou ver a profecia se cumprir.

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