O ritual da carne – Como são tratados os animais?

“A grandeza de uma nação pode ser avaliada pela forma como são tratados os animais”

(Gandhi)

Respeitando o direito de cada um comer o que sente que seu corpo precisa, não quero tratar da opção alimentar, e sim da forma que os alimentos de origem animal chegam para seus consumidores.

As aves ficam em ambientes extremamente apertados, não podendo se mexer, levando-as ao desespero. Chega um momento que enlouquecidas atacam-se uma às outras com bicadas, levando a sangramentos, chegando até a devorar partes do corpo.

Os porcos são agrupados em baias, ou em jaulas individuais. Seu sensível olfato é agredido pelo odor brutal das fezes, machucam os pés devido a superfície de metal. Alguns morrem imóveis recusando-se a comer e beber, outros se atacam, mutilam os rabos dos outros. (muitos criadores já cortam o rabo para torna-los mais dóceis)

Na pecuária intensiva, evita-se que o animal se movimente, para melhorar a qualidade da carne.

A produção do famoso *babybeff * obriga bezerros desde o primeiro momento do seu nascimento, a ficarem separados das mães, desprovidos do leite materno e presos em locais onde só comem ração. Desesperam-se por não poderem sugar, o mais forte instinto nos primeiros meses de vida de todos os mamíferos. Algumas indústrias oferecem uma chupeta de borracha instalada na baia.

Para manterem a carne tenra, os pecuaristas os imobilizam, para não enrijecerem os músculos. É impedido de andar, brincar, suas celas apertadas não permitem que nem lambam seu corpo para se coçar, deitar, espreguiçar. Correntes prendem o pescoço impedindo-os de virarem a cabeça para o lado ou para trás. E na proporção que crescem, engordam, e quanto mais isso acontece, mais agrava o seu sofrimento. Para ficarem com a carne branca, são alimentados por uma dieta pobre em ferro, alguns não resistem e chegam a morrer antes do abate. Uma verdadeira tortura até chegarem por volta de cem quilos, o que geralmente acontece após quatro meses de sofrimento.

O gado leiteiro ingere hormônios, para produzirem mais leite. As vacas são apartadas de seus filhotes, e o leite é extraído por máquinas de sucção. Depois de um período suas tetas inflamam, sangram, e assim vão passando resíduos de pus e sangue que será pasteurizado. Más condições de existência levam as vacas a terem uma existência de cinco anos, quando o normal é vinte e cinco.

Milhões de frangos, perus, patos, gansos, bois, carneiros, cabritos porcos, e etc, são diariamente mortos sem piedade para atender exigências do mercado da carne. Pesquisas dão conta que em 1997, só nos EUA, nove milhões eram abatidos por dia.

Em alguns chamados “abatedouros modernos”, os animais são deixados em jejum por 24 horas, com direito a água.

No dia do abate, passam por um corredor que vai se estreitando e termina num local chamado ponto de dessensibilização. O animal recebe um disparo com uma pistola pneumática (estilete ou agulha) que corta a medula espinhal, quando desmaia e cai. Em abatedouros menores essa dessensibilização e realizada com golpe de marreta na testa do animal.

Após caído, é suspenso por trás por uma corrente, e cortam sua veia carótida (sangramento) depois é feita a insuflação de ar sob o couro, para facilitar sua retirada, e depois seu abdômen é aberto, retirando as vísceras, e dá inicio ao corte.

O sangue coletado é utilizado para fazer a farinha de sangue para alimentar animais.

Nos abatedouros de suínos a dessensibilização é feita por choque elétrico. Os suínos ficam em jejum para limparem o sistema digestivo. Passam por um corredor que se afunila e os molha totalmente. No final do túnel recebem um choque elétrico na cervical e depois suspensos e sangrados.

As aves recebidas em gaiolas, também ficam em jejum, são dependuradas de cabeça para baixo, recebem o choque elétrico (alguns usam gás carbônico) são sangradas no céu da boca.

O famoso perú de natal (colaboração Beatriz Medina), que somente no Reino Unido são abatidos 16 milhões no período de natal, é criada de forma intensiva. São engordados em criadouros sem paredes ou em gaiolas para frangos em abrigos sem janelas e mal iluminados. Usa-se pouca luz para reduzir a agressividade de uma com as outras. Pelo pouco espaço, recebem ferimentos no joelho, doenças de quadril, úlceras nos pés e bolhas no peito. Estima-se a morte em 7% deles, 20% têm o bico arrancado para reduzir os ferimentos, com uma lâmina em brasa. São retirados dos caixotes e pendurados de cabeça para baixo em ganchos de uma linha de montagem. Os perus que pesam até 28Kg, são suspensos pelos pés durante uns seis minutos e depois atordoados com banho de água eletrificada. Após o atordoamento corta-se a garganta das aves, que são mergulhadas num tanque de água fervente para soltar penas e serem depenadas. Pesquisas revelam que a cada ano cerca de 35.000 perus vão para a água fervente ainda vivo.

O patê de fígado de ganso (foie gras) que satisfaz os paladares refinados é o responsável pela tortura e morte de aproximadamente dez milhões de gansos e patos por ano. Eles são submetidos a vários dias de alimentação forçada em pequenos compartimentos. Os funcionários das indústrias do patê agarram as aves pelo pescoço e inserem funis e tubos metálicos de alimentação na sua garganta, de vinte a trinta centímetros, indo até o estômago. Daí acionam uma alavanca que bombeia ração de milho cozido, que às vezes, inclui gordura de poro ou de outros gansos com sal. São três quilos e meio de ração, o equivalente para nós, de comermos 13 quilos de macarrão por dia. Em alguns casos colocam um anel elástico apertado no pescoço da ave para o caso dela regurgitar a ração.

Após quatro semanas de alimentação forçada, os patos e gansos são abatidos. Na maior parte seus fígados estão inchados de seis até doze vezes o tamanho normal. Nos momentos finais as aves mal conseguem andar ou respirar.

Um grupo de veterinários em Nova Iorque (EUA), assinaram uma declaração de a produção desse patê deveria ser banida, pois o foie grãs, segundo eles, é uma doença hepática, além de ser uma extrema crueldade. A produção do patê, já foi paralisada na Alemanha, Dinamarca, Noruega e Polônia.

Apenas os machos são utilizados para fazer o patê, por produzirem fígados maiores. As fêmeas são entulhadas em sacos de nylon e jogadas em latões com água escaldante. As sobreviventes são mortas tendo suas cabeças esmagadas contra as bordas dos latões.

Trata-se de uma indústria cruel, sustentada por pessoas que dizem ter um “fino paladar“.

Segundo a lei, os bois devem ser abatidos por processos humanitários, baseado na dessensibilização antes da morte. Um dos mais utilizados é a pistola de ar comprimido. A legislação leva em conta o fato dos animais pressentirem sua morte através do cheiro de sangue de sua espécie e sentirem medo. Nem todos obedecem, esse mínimo de consideração.

Existe um ritual chamado Kosher, forma religiosa de abate usada por judeus e advinda de épocas antes do nascimento de Cristo, onde o boi é dependurado vivo por grilhões nas patas traseiras, e se debate freneticamente de terror, geralmente quebrando suas pernas, até ser degolado com uma só facada, e segue-se todo um ritual para análise se o boi foi morto com o corte certo, caso contrário o boi é descartado.

No Vietnan cães são escolhidos por donas de casa, crianças e são abatidos na hora. Eles são escolhidos e retirados de uma gaiola com um pau com gancho na ponta, espetando o animal pelo pescoço. Em seguida são jogados em água fervendo e suas peles são arrancadas com eles vivos. Cães são vendidos em mercados e restaurantes. Acreditam que sua carne é afrodisíaca. Estima-se que são abatidos 500 cães e gatos por dia.

Na China existem restaurantes que servem cães São Bernardo, especialmente o “ Fondue de Cachorro” o que está gerando fortes protestos internacionais. Os criadores de São Bernardos vem crescendo a cada anos, pois é quatro vezes mais lucrativo do que criar porcos, vacas ou galinhas.

No Japão mais de 500 baleias são mortas todos os anos, o que contraria a Comissão Baleeira Internacional, o país alega “ fins científicos”, porém sabe-se que são vendidas como especiarias alimentares.

O que fazer?

Muitos tem experimentado mente mais clara e vida espiritual mais profunda, quando eliminaram carne de suas refeições. Membros da Sociedade Vegan e outras que seguem o vegetarianismo por causa da crueldade na matança dos animais. Sem contar o que a industria da carne causa ao meio ambiente.

Uma das grandes contradições de todo o desenvolvimento é a de que milhares de seres humanos morrem de fome. De outro lado, o que se gasta para alimentar o gado, daria para alimentar toda a população com fome em nosso planeta. Não precisaríamos destruir florestas para transformá-las em pastos, preservando mais o nosso meio-ambiente.

Para se produzir 450 grs. de carne de vaca, são necessários 3Kg de sementes. Estes, por sua vez requerem 3.000 litros de água. No mundo inteiro é cada vez maior a quantidade de água usada em porcos e galinhas, em vez de serem empregadas na irrigação das plantações destinadas ao consumo direto. Uma grande solução para um planeta com fome, seria transformar os pastos em campos de agricultura.

Um psicólogo comprou um bezerro e um boi num matadouro em Chicago,EUA e levou-os para presenciarem a matança de 150 bois. Logo em seguida foram levados para um pasto. Por dois anos,o boi ficou sozinho e o bezerro foi incorporado a um rebanho e recebeu duas grandes marcas na orelha.

Patfield, o psicólogo, chamou cinco dos abatedores daquela matança após dois anos. Quando os homens desceram do carro, o boi se assustou, e se enfureceu, quebrou o estábulo, jogou-se contra a cerca de arame até cair ferido. Ele gemia e urrava ao ver que os homens se aproximavam, demonstrando pavor.

No pasto, o bezerro marcado foi o único a fugir quando os cinco homens se aproximaram, desembestou em pânico, e só foi encontrado após cinco dia à 190 km de distância e se juntado a um rebanho estranho, e ainda perdido cinqüenta e cinco quilos de seu peso. Os animais têm memória?

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