O lado oculto das peles

Por Erica de Souza

Aproximadamente três milhões e meio de animais (martas, chinchilas, raposas, lobos, linces, coiotes, castores, lontras e outros) são anualmente mortos nos EUA para comercialização de suas peles.

Animais presos em armadilhas adoecem e permanecem em sofrimento durante dias um em cada quatro animais apanhados em armadilhas foge roendo a própria pata; algumas vezes acaba por morrer devido à perda de sangue, febre, gangrena, ou apanhados por um predador.

Todos os anos milhares de cães, gatos, répteis e outros animais são mortos ou ficam incapacitados através de armadilhas.

Para matar os animais sem danificar a pele, criadores estrangulam, batem ou pisam-os até a morte. Outros são eletrocutados ou envenenados com estricnina, e, por estes métodos não garantirem a morte, alguns animais são esfolados ainda vivos.

O que você pode fazer ?

  • Conscientizar as pessoas que usam peles, da crueldade.
  • Não use artigos de peles, existem outras opções para esquentar o seu inverno, menos cruéis.

Na Rússia milhares de bebês foca são abatidos para venda de peles para o mercado da moda.

O texto abaixo é extraído do site do Instituro Nina Rosa: http://www.institutoninarosa.org.br

Os animais passam suas vidas em pequenas gaiolas, ao ar livre, expostos às variações climáticas. Confinados a um espaço reduzido, os animais adquirem comportamentos neuróticos como auto-mutilação e canibalismo. O nível de stress elevado fragiliza o sistema imunológico dos animais, levando-os, em cerca de 20 % dos casos, à morte. Os animais criados em quintas sofrem de consangüinidade e conseqüentemente nascem com deficiências como deformação dos órgãos sexuais, hemorragias internas e sofrem de espasmos no pescoço. A dieta artificial administrada a esses animais é causadora de problemas digestivos. Depois de passarem a vida em condições deploráveis, os animais são eletrocutados, asfixiados, envenenados, gazeados, afogados ou estrangulados. Nem todos os animais morrem imediatamente – alguns chegam a ser esfolados ainda com vida! Muitas raposas desenvolvem comportamento psicótico, batendo com força nas paredes da gaiola durante todo o dia, movendo-se furiosamente para um lado e para o outro. Algumas desenvolvem problemas nas patas por ficarem vários meses em pé sobre uma estrutura de arame. Em algumas fazendas, as raposas têm a língua cortada e são deixadas a sangrar até à morte. Os criadores recorrem a esses métodos de matança para que as peles fiquem intactas.

Mais Fatos

Em alguns países usam-se armadilhas, embora sempre digam que os animais foram criados em fazendas. Desprovido de alimento, água e qualquer tipo de proteção dos predadores, pelo menos 1 em cada 4 animais rói a própria pata na tentativa desesperada de se libertar. Os que o conseguem fazer acabam por morrer pouco depois, em conseqüência da perda de sangue, de infecção, de fome ou caçados devido à vulnerabilidade face aos predadores. Os animais que não conseguem escapar, aguardam em sofrimento durante vários dias ou até mesmo semanas, até que o caçador volte para verificar a sua armadilha. Para não estragarem a pele, os asfixiam com os pés. Muitas vezes, os animais não resistem à espera prolongada e morrem de fome, de frio, de desidratação ou atacados por predadores. Pelo menos 5 milhões de animais como cães, gatos, pássaros, esquilos e até mesmo animais de espécies em vias de extinção são acidentalmente apanhados, mutilados e mortos nas armadilhas.

Fonte: PEA – Projeto Esperança Animal

Uma Investigação sobre o Comércio de Pele de Cães e Gatos : http://www.apasfa.org

Uma investigação sigilosa de dezoito meses, expôs um dos mais repulsivos segredos da indústria global de peles: o assassinato cruel e brutal de animais de estimação (cães e gatos). A investigação foi um esforço conjunto da Humane Society dos Estados Unidos/Humane Society Internacional (HSUS/HIS) e Manfred Karremann, um jornalista alemão independente.

Os investigadores estimam em mais de 2 milhões de cães e gatos mortos, anualmente. E para que ? Para confecção de casacos curtos e longos, jaquetas, vestimentas com detalhes em peles, chapéus, luvas e acessórios decorativos. Até mesmo bichinhos de brinquedos, são feitos com pele de cães e gatos. Cães e gatos, em nada diferente dos nossos de estimação, cruelmente mortos para fazerem produtos vendidos a consumidores desavisados, que geralmente não têm como saber o quê estão comprando. As investigações seguiram uma pista sangrenta até as fontes. Eles testemunharam, em primeira mão, o assassinato de cães e gatos domésticos, sendo que alguns cresceram em fazendas de criação de raças, outros foram capturados na rua, e alguns que ,obviamente , eram de estimação e teriam sido, provavelmente, roubados. Eles documentaram a venda de peles em casas de Leilão na Europa; vendas efetuadas para compradores de diversos países, incluindo os Estados Unidos. Pelo caminho eles encontraram assassinos, vendedores, intermediários e compradores. E onde o “caminho da morte” termina? No público comprador de peles em todo mundo.

E claro que milhões de outros animais são mortos todo ano para satisfazer vaidades, incluindo mink, raposas, racoons e mais de uma dúzia de outras espécies. De alguma maneira, consumidores, estilistas, atacadistas e compradores de lojas, pensam ter conseguido se manter à distância da crueldade e morte desnecessária, que são partes integrantes de toda fábrica de roupas e acessórios de peles, por vários motivos:

a. por considerar que animais usados para extração de pele são menos sensíveis a sofrimentos do que animais de estimação.

b. por falsamente sugerir que donos de fazendas que criam animais para uso das peles empregam métodos que protegem e cuidam dos animais enquanto estão vivos e proporcionam uma morte humana e indolor; até mesmo por considerar que alguns animais, como o mink, por exemplo, são espécies menos “simpáticas” ou não têm um “apelo emocional” forte, por isto, menos dignos de preocupação ou cuidados. Nenhum destes argumentos pode ser cogitado sobre mercado de peles de cães e gatos, que nós constatamos ser nada menos do que horrível e insensível. A documentação sobre esta investigação, incluindo várias horas de gravação em vídeo e centenas de fotos, mostra que os métodos de abrigo, transporte e abate de cães e gatos não possuem paralelos em termos de crueldade.

A Origem da Crueldade

Em um número considerável de países, incluindo Mongólia, Coréia, Austrália e Inglaterra, já houve relatórios esporádicos sobre cães e gatos sendo mortos por causa de sua pelagem. Esta investigação foi focada na China, país considerado o maior fornecedor de pele de cães e gatos, assim como nos representantes do comércio destas peles, onde pudemos desenvolver guias e conexões, que nos propiciaram acesso com sigilo.

Investigadores visitaram companhias estaduais em Beijing e nas províncias de Hebei, Heilongijang and Henan para descobrir informações detalhadas do manufaturamento e comércio de peles de cães e gatos. China também tem um negócio próspero com carne de cachorro; carne de gato é reportada apenas em Canton.

Nós descobrimos que os cachorros e os gatos normalmente são criados em fazendas de criação de raças, a maioria no norte da China, onde o clima mais frio aumenta a qualidade e espessura dos pelos dos animais. Em qualquer lugar, de 5 a 300 cães podem ser mantidos em “estoque” nas fazendas de cães e até 70 gatos podem ser mantidos em fazendas de gatos. Muitas vezes, cães e gatos mortos não vem de uma operação formal de criação de raça. Uma família chinesa pode simplesmente manter alguns gatos, ou um ou dois cachorros, e, durante o inverno, quando a estação anual de abate começa, a família mata os animais e leva as peles ao mercado. Muitas vilas têm mercados de peles ao ar livre, que servem como pontos de coleta de peles de cães e gatos, mortos no local.

Investigadores visitaram uma fazenda de cães que fica há muitas horas da cidade de Harbin. Eles documentaram cães vivos em locais sem aquecimento durante inverno rigoroso, rodeados pelos corpos de cachorros mortos, pendurados em ganchos. Alguns dos cães vivos eram destinados para serem vendidos e comidos em Harbin e suas peles vendidas ao mercado. Os cães eram empacotados em sacos e transportados por um veiculo motorizado para o lugar de abate: uma jornada de várias horas.

Em Harbin, investigadores testemunharam cães mantidos em um prédio escuro e sem aquecimento, no frio de Fevereiro, sem água nem comida. Eles estavam amarrados por finos fios de metal. Foi dito aos investigadores que o “açougue”‘ naquele lugar ,matava de 10 a 12 cães por dia, vendendo sua carne e couro, e que sua esposa freqüentemente traz os cães de fazendas de criação no norte.

Para alguns dos cachorros trazidos para Harbin a viagem ainda não tinha terminado. Como alguns restaurantes (normalmente Coreanos) querem realmente carne fresca, alguns destes infelizes cães são enfiados novamente em sacos e levados ao destino final. Em um restaurante, o investigador assistiu quando um cão foi tirado do saco. Os outros foram deixados presos, sobre um chão gélido. A cada cão que era retirado e morto, os outros podiam ouvir seus gritos e choros. De acordo com o investigador, o primeiro cão reagiu como qualquer outro que tivesse sido libertado: ele demonstrou sua confiança abanando o rabo. O abanar do rabo parou quando o açougueiro o pendurou com um fio de metal, de forma que ele quase não conseguia se mexer. O cão começou a entrar em pânico e tentar escapar. Mas o açougueiro levantou a pata traseira o golpeou na virilha O sangue começou a jorrar. O cão uivava de dor e se debatia mais. A cada movimento, o fio cortava seu pescoço.

Os cães na China sofrem inenarrável terror e sofrimento antes de serem mortos por pele ou para servirem de comida. São enfiados em sacos para serem transportados, são deixados no frio, sem água, sem comida, até serem cruelmente abatidos. Nem memso os filhotes bem novinhos são poupados.

Depois de alguns minutos (…) o açougueiro começou a tirar a pele. Quando se achava que esta cena já estava suficientemente horrível, ela se tornou pior. Um investigador reportou que ele viu cães sendo esquartejados que ainda estavam conscientes quando o escalpo começou. E investigadores filmaram um Pastor Alemão piscar os olhos enquanto tiravam sua pele.

Um pastor alemão em Harbin (China) é amarrado a uma grade com um uma corrente e depois é furado na virilha. Seu sangue corre sobre a neve. Quando a pele começa a ser retirada, o animal pode ainda estar vivo e consciente. Sua carne é vendida para restaurantes e sua pele, para o mercado global de comércio de peles.

Na China, investigadores viram alguns cães mortos por sua pelagem que pareciam mistura de raças de pelagem grossa, talvez mistos com Chow Chow. Mas a maior parte de cães criados e mortos para o comércio de peles são Pastores Alemães, a mesma raça nobre e corajosa que guia cegos, resgata vitimas de desastres e patrulha nossas ruas em parceria com oficiais de policia por toda América e em várias partes do mundo.

( Tradução até este trecho feita por Denise Villas Andreis )

Gatos

Gatos não têm melhor sorte que cães, na China. Em um próspero mercado de peles, 480 quilômetros ao norte da cidade de Jinan, na província de Hebei, investigadores localizaram fazendas de criação de gatos e uma fábrica que transforma gatos em peles. De acordo com relatos de pessoas do mercado de peles e da fábrica, os gatos são mortos por enforcamento. Ou então, dependurados por um fio enquanto se introduz água em sua garganta com uma mangueira até que eles se afoguem. A seguir, uma abertura é feita no estômago do animal, o couro é aberto e a pele é puxada em direção à cabeça. Os peleiros dizem que os gatos ainda podem ainda estar vivos enquanto estão sendo esfolados. O que é importante para os peleiros é que a pele do gato seja o máximo possível preservada em uma só peça para otimizar sua utilidade. Esta sala de exposição na China exibiu dúzias de casacos de pele de marta (mink) e de raposa ao lado de casacos longos feitos de pele de cachorro e de gato.

Esse showroom na China exibe dezenas de casacos de mink e raposa, ao lado de longos casacos feitos com pele de cães e gatos.

Trabalhadores da fábrica organizam peles de gatos pela cor. Os investigadores foram informados que mais de 100.000 peles de gatos estavam armazenadas apenas naquela fábrica. Ironicamente, gatos de pêlo longo são queridos como animais de estimação na China. Já os gatos de pêlo curto, especialmente os cinza e laranja malhados, são mantidos fora de casa, geralmente amarrados e criados por causa da pele. Estima-se que cerca de meio milhão de gatos sejam mortos a cada estação, de outubro a fevereiro.

Morte em números

Uma companhia chinesa informou aos investigadores que tinha 50.000 peles de gatos e 50.000 peles de cachorros em estoque. Em apenas um leilão na Alemanha, 10.000 peles de cachorros coreanos estavam disponíveis para os compradores. Uma remessa de uma companhia chinesa para a República Tcheca, de acordo com informações do Exército Tcheco, continha 5,329 toneladas de jaquetas e peças de pele de gato ,o que representa o massacre de 40.000 a 55.000 animais. Uma fábrica de peles chinesa declarou aos investigadores que tinha 100.000 peles de gatos em seus armazéns. Documentos que detalham a exportação de jaquetas e peças de pele de gato de uma empresa da cidade de Beijing para uma empresa na República Checa indicam que o número de gatos mortos para apenas uma remessa alcançava de 40.000 a 55.000 animais, possivelmente mais (o cálculo é feito baseado no peso total das peles). Uma remessa da China para a Itália foi apreendida por falta de documentação legal. No navio havia 4,7 toneladas de peles de cachorros.

( Tradução deste trecho feita por Pedro – Green Deva / Animais Abandonados )

A Conexão Européia

Posto que os mesmos países que matam gatos e cachorros para a produção de artigos de vestuário feitos de pele, o sucesso do comércio de peles depende de sua exportação para outros países. Investigadores encontraram evidências do uso e venda de pele de cachorro e gato na Alemanha, Itália, e França. A partir desses países, os produtos feitos de pele são distribuídos pelo mundo inteiro.

Alemanha – Notícias na imprensa européia mostraram expressivas importações de pele de gato e cachorro na Alemanha. Os investigadores entraram em contato com os exportadores, fabricantes, e autoridades de leilões em uma tentativa de localizar o uso das peles de cachorro e gato. Eles descobriram que a pele de cachorro, conhecida na Alemanha como GAE-lobo (gae-wolf), está amplamente disponível em jaquetas e casacos, particularmente na zona mais baixa do mercado de pele alemão. Não está claro, porém, se os consumidores entendem que gae-lobo significa “cão doméstico”.

Os investigadores acharam artigos de vestuário de gae-lobo à venda na Internet em um site alemão. Eles também souberam que em uma única venda em abril de 1997, uma casa alemã de leilão de peles ofereceu 10.000 roupas coreanas feitas com peles de gae-lobo. De acordo com as autoridades do leilão, as peles eram de cães mortos nos meses de novembro e dezembro anteriores. A maioria das peles de cachorro vendidas no leilão foram arrematadas por um comerciante belga de peles. Provando mais uma vez que as peles de cão e gato são simplesmente uma parte da indústria global de peles, os investigadores observaram que outras peles disponíveis no mesmo leilão eram de raposa (110.000), marta (85.000), e um sortimento que incluía rato almiscarado, lince, texugo, e rato-do-banhado. Funcionários da casa de leilão disseram que alguns de seus clientes vêm dos Estados Unidos, entretanto a maioria são da Grã Bretanha, Alemanha, Itália, e Espanha.

Os investigadores também encontraram-se com o dono de uma empresa alemã atuante no comércio de pele de gato. A empresa obtém as peles de gato da China e obtém artigos de vestuário de pele de gato fabricados na Grécia. O proprietário calculou que pelo menos meio milhão de peles de gato mudam de mãos a cada ano no comércio internacional de peles. A empresa usou pele e couro de gato para luvas, coletes, agasalhos para os pés, e uma variedade de produtos para o tratamento de reumatismo, inclusive bandagem , cobertores e mantas.

Itália – Durante anos a Itália importou pele e couro de cachorro da China e em um outro lugar fabricava os forros das peles e palmilhas para sapatos e botas, e outros produtos. Nos anos 90, uma empresa italiana de equipamentos para esqui, Técnica S.p.A., ganhou notoriedade por usar pele de cachorro importada da China nos forros das botas. Estas botas eram vendidas nos Estados Unidos. Pelo menos um fabricante italiano de artigos de couro foi identificado pelos investigadores como importador de peles de cachorro da China.

França – A França pode ser um país de amantes de cachorro, mas os investigadores descobriram que as peles de cachorro importadas da China são usadas para fazer jaquetas, vendidas principalmente nos Alpes franceses. A documentação mostra que uma empresa francesa tinha 2.000 peles de cachorro disponíveis, e estava esperando a chegada de outras 1.000 no mesmo mês. Uma lista de preços da empresa mostra que além de pele de cachorro (que é chamada de loup d’Asie, ou “lobo da Ásia”), a companhia oferece peles e couros de cabra, pônei, rena, e antílope.

* O Preço do Sofrimento (em dólar)*

Em um leilão alemão, uma pele coreana de cachorro (pastor alemão) custava $9. Em uma companhia chinesa que negocia em “subproduto animal” um “pacote” com 6 a 8 peles de gatos cinza ou alaranjados pode ser comprado por $21. Dois “pacotes” fazem uma jaqueta curta. Três, fazem um casaco. Isso quer dizer que 12 a 16 gatos sofrem e morrem para cada jaqueta e de 18 a 24 gatos são mortos para cada casaco. “Pacotes” de cabeça de gato também estão disponíveis neste estabelecimento, 36 cabeças de gato por “pacote” custam $15.

Uma companhia de Beijing declarou sua capacidade de exportar 20.000 couros de gato como também 20.000 peles de cachorro entre janeiro e março de 1998. Em janeiro a companhia teve em estoque as peles de 50.000 gatos e 50.000 cachorros. Peles de gato cinza e alaranjado custavam $2,60 cada; peles de cachorro cinza e amarelo custavam $8,50 cada. Peles de gato cinza e alaranjado em uma companhia chinesa, tiveram o preço de $2,60 cada; peles de cão cinza e amarelo custavam $8,50 cada. Um prato de pele de 6 a 8 gatos foi avaliado em $21 em uma companhia chinesa. Em uma fábrica chinesa, uma pele de gato custa $50; e em outra, $2,09; em Beijing, $2,15.

( Tradução deste trecho feita por Maria Regina Rezende )

( Pesquisa feita por Noeli Santisteban )

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