Mulher Lakota: Rito de iniciação- Ishna Ta Awi Cha Lowan

Mulher Lakota: Rito de iniciação- Ishna Ta Awi Cha Lowan

O rito de iniciação mulher lakota – ishna ta awi cha lowan, «estão cantando sobre você» se realizam depois do primeiro período menstrual; neste momento a moça se converte em mulher; deve compreender o significado desta mudança e deverá ser instruída nas obrigações que deverá cumprir a partir de então. É necessário que se dê conta de que a mudança produzida nela é algo sagrado, porque desde agora será como a Mãe Terra e poderá trazer filhos, que deverão ser educados conforme os caminhos do Grande Espírito. Além disso, deve saber que a cada mês, quando vem seu período, ela leva uma influencia com a qual há de ter cuidado, porque a presença de uma mulher neste estado pode tirar o poder de um homem santo.

Portanto, deve observar com cuidado os rituais de purificação que vou descrever, e que nos foram dados pelo Grande Espírito em uma visão. Antes de receber a revelação deste rito, era costume que durante o período menstrual, a mulher ou a moça se retirasse para um pequeno tipi fora do círculo do acampamento; uma mulher lhe levava a comida e ninguém mais podia se aproximar da tenda.

Quando uma moça tinha seu primeiro período menstrual, uma mulher mais velha que ela lhe instruía nas coisas que toda mulher deve saber, inclusive na arte de confeccionar mocassins e roupas. Esta mulher de mais idade, é quem purifica a moça com a ajuda da fumaça aromática, deve ser uma pessoa boa e pura, porque suas virtudes e seus costumes passam para a moça a quem purifica. Antes que lhe fosse permitido regressar com sua família, a jovem tinha de se purificar na cabana inipi.

Mas agora quero lhes contar como recebemos nossos novos ritos de preparação ao estado de mulher casada.

Faz muitíssimo tempo, um lakota chamado Tatanka Hunkeshni – Bisão Lento – teve uma visão: uma mãe bisão limpava uma pequena bisão, sua filha. Graças ao poder desta visão, Bisão Lento se converteu em um homem santo (wichascha wakan), e compreendeu que lhe havia sido revelado um rito para as jovens de sua tribo. Uns meses depois de que Bisão Lento recebera sua visão, uma moça de quatorze anos, chamada A Mulher Bisão Branco Aparece, teve suas primeiras regras, e seu pai, Pluma Na Cabeça, se recordou imediatamente da visão de Bisão Lento; pegou um Chanumpa cheio de tabaco e o ofereceu a Bisão Lento, que aceitou o Chanumpa, dizendo:

Hi ho! Hi ho! Porque razão me traz este Chanumpa sagrado?

Pluma Na Cabeça respondeu:

Tenho uma filha que tem suas primeiras regras, e quero que a purifique e a prepare para seu papel de mulher, porque sei que teve uma visão muito poderosa na qual aprendeu um modo mais eficaz e mais santo de fazer o que temos seguido até agora. Certamente, farei o que deseja, respondeu Bisão Lento. O povo dos bisões, foi instruído pelo Grande Espírito e que nos deu este rito, está perto dos homens; ele é nossa fonte de vida em muitos aspectos

Na origem, a Mulher Bisão Branco nos deu nosso muito santo Chanumpa, e desde então temos sido irmãos dos quadrúpedes e de tudo quanto se move. Tatanka, o bisão, é o parente mais próximo que temos entre os quadrúpedes; vivem como uma tribo, igual a nós . É vontade de nosso Avô Wakan Tanka que seja assim; e sua vontade é que este rito se realize entre homens na terra; é por isto que agora queremos estabelecer este rito, que será muito proveitoso para o povo. É certo que os quadrúpedes e todos os povos que se movem no Universo possuem este rito de purificação, especialmente nossos parentes os bisões. Vi que eles também purificam a seus filhos e os preparam para levar fruto.

Há que recordar que os índios, como todos os povos de espírito primordial, vêem, em primeiro lugar, não o plano de existência que limita, mas sim a essência que atravessa os planos de existência: o bisão visível «é» o Bisão Principio, mas o é em um determinado nível de manifestação cósmica. Os peles vermelhas não «adoram», evidentemente, ao animal bisão, visto que o matam; sem duvida, jamais esquecem o «gênio» da espécie, no sentido mais elevado do termo.

Será um dia sagrado quando fizermos isto, e agradará ao Grande Espírito e a todos os povos que se movem. Primeiro deverá por em teu Chanumpa todos estes povos e a todos os Poderes do Universo para que, junto com eles, possamos enviar uma voz ao Grande Espírito. Vou preparar um local consagrado para tua filha, que é pura4 e que está a ponto de se converter em uma mulher, A aurora, que é a luz de Wakan Tanka, estará neste lugar, e tudo será sagrado. Amanhã deverá levantar uma tenda, fora do círculo de nosso acampamento; deverá ter um caminho de acesso protegido, exatamente como o rito do parentesco; e deverá reunir os objetos seguintes: um crânio de bisão, um copo de madeira, umas quantas cerejas, água, erva aromática, salvia, um Chanumpa, um pouco de tabaco trançado dos arikara, tabaco kinnikinnik, uma faca, um machado de pedra, pintura vermelha e azul. Pluma Na Cabeça deu a Bisão Lento cavalos e outros presentes, e foi preparar todas as coisas para o dia seguinte.

No dia seguinte tudo estava pronto na tenda ritual, e toda a população se reuniu ao seu redor, com exceção das mulheres que preparavam o festim que poria fim ao ritual. Bisão Lento estava sentado a Oeste do tipi; diante dele havia se escavado o solo e neste local se colocou uma brasa. Erguendo a erva aromática por cima da brasa, Bisão Lento pronunciou esta reza: Avô e Pai Wakan Tanka, Te ofereço tua erva sagrada. Avó Terra, da que viemos, e Mãe Terra que trás muitos frutos, escuta! Vou fazer uma fumaça que penetrará nos Céus e que chegará inclusive até nosso Avô Wakan Tanka, se estenderá por cima de todo o Universo e tocará todas as coisas. Depois de por erva aromática sobre a brasa, Bisão Lento purificou o Chanumpa e todos os objetos destinados ao ritual.

Depois disse:

Tudo o que hoje se fará, será realizado com a ajuda dos Poderes do Universo. Que nos ajudem a purificar e a tornar wakan – sagrada – a esta moça que agora vai se converter em mulher.

Encho este Chanumpa de mistério e, ao fazê-lo, ponho nela todos os Poderes que hoje nos ajudarão.

Bisão Lento se purificou primeiro ele mesmo no fumaça5, e depois, erguendo o Chanumpa com a mão esquerda pegou uma pitada de tabaco com a mão direita e rezou: Avô Wakan Tanka, vamos enviar uma voz para Ti mediante nosso Chanumpa. Este é um dia eleito, porque vamos purificar esta moça.

A Mulher Bisão Branco Aparece.

Há um lugar neste Chanumpa para todos os Poderes do Universo; tenha, então, piedade de nós e aceita nossas oferendas! Ó Poder de onde se põe o sol, que guarda o Chanumpa, e que aparece de modo tão terrível para purificar ao mundo e seus habitantes6, queremos oferecer este Chanumpa ao Grande Espírito e necessitamos tua ajuda e tuas águas purificadoras; estamos preparados para purificar e santificar não só uma moça, mas também a toda uma geração. Ajude-nos com teus dois dias bons, vermelho e azul! Há um lugar para Ti no Chanumpa.

Bisão Lento colocou este tabaco no Chanumpa e, erguendo um pouco de tabaco para o lugar de onde vêm os ventos purificadores, rezou:

Ó gigante Wazia, Poder do Norte, que preserva a saúde da tribo com teus ventos e que purifica a terra branqueando-a: Tu és quem guarda o caminho por onde caminha nosso povo, ajude-nos hoje com teu influxo purificador; vamos santificar uma virgem, A Mulher Bisão Branco Aparece; dela sairão as gerações de nossa tribo.

Há um lugar para Ti neste Chanumpa; ajude-nos com teus dois dias bons!

O Poder do Norte foi posto no Chanumpa; depois, erguendo um pouco de tabaco na direção de onde vem a luz, Bisão Lento continuou rezando: Ó Huntka8, Ser e Poder do lugar de onde vem a aurora do dia e a luz do Grande Espírito, Tu que és de grande alento e que da o conhecimento aos homens, dá hoje um pouco de tua sabedoria a esta virgem, A Mulher Bisão Branco Aparece, que vai ser purificada.

Ajude-nos com teus dois dias vermelho e azul! Há um lugar para Ti no Chanumpa.

Depois de por o Poder do lugar de onde vem a luz no Chanumpa, e erguendo um pouco de tabaco na direção do lugar para onde sempre nós voltamos, rezou:

Ó Cisne Branco, Poder do lugar para onde sempre nos voltamos, que controla o caminho das gerações e de tudo quanto se move, vamos purificar uma virgem para que suas gerações futuras possam caminhar de um modo conforme ao mistério pelo caminho que Tu controlas.

Há um lugar para Ti no Chanumpa.

Ajude-nos com teus dois dias vermelho e azul!

O Poder do Sul foi posto no Chanumpa e, dirigindo uma pitada de tabaco para o céu, Bisão Lento continuou:

Ó Wakan Tanka, Avô, veja! Vamos Te oferecer o Chanumpa.

Depois, dirigindo o tabaco para a terra:

Ó Avó, sobre quem as gerações da tribo tem caminhado, que A Mulher Bisão Branco Aparece, com suas gerações futuras, caminhe sobre Ti conforme ao mistério nos invernos vindouros! Ó Mãe Terra, que dá frutos sem conta, e que é como uma mãe para as gerações, esta virgem que está hoje aqui será purificada e consagrada; que seja igual a Ti, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, caminhem pelo caminho sagrado em conformidade com o mistério.

Ajude-nos, ó Avó e Mãe, com teus dias vermelho e azul!

A Terra, em sua qualidade de Avó e Mãe, estava agora no tabaco e se encontrava no Chanumpa; e Bisão Lento elevou ainda uma pitada de tabaco para os céus e rezou: Ó Wakan Tanka, nos veja! Vamos Te oferecer este Chanumpa. Em seguida, e dirigindo o mesmo tabaco para o crânio do bisão: Ó parente quadrúpede, vocês que entre todos os povos quadrúpedes é o mais próximo a nós, também deves ser posto no Chanumpa, porque nos ensinou como limpas a teu rebento, e ao purificar a, A Mulher Bisão Branco Aparece queremos imitar tua maneira de fazer.

Te dou como oferenda, ó quadrúpede, água e pintura, suco de cerejas, e também erva. Há um lugar para Ti no Chanumpa; ajude-nos! Deste modo o povo quadrúpede dos bisões foi colocado no Chanumpa, e Bisão Lento elevou pela última vez um pouco de tabaco para o Grande Espírito, e pediu: Ó Wakan Tanka e todos os Poderes alados do Universo, nos vejam! Te ofereço este tabaco, Chefe de todos os Poderes, Tu que és representado pela Águia Pintada que vive nas profundidades dos Céus, e que guarda tudo quanto há neles. Vamos purificar uma moça que logo será mulher. Proteja as gerações que sairão dela!

Há um lugar para Ti no Chanumpa; ajude-nos com teus dias vermelho e azul! O Chanumpa, que agora continha o Universo, foi apoiado no pequeno secador, com o pé tocando o solo e a boca olhando o céu9. Bisão Lento começou então a preparar o local ritual, e só os parentes próximos de A Mulher Bisão Branco Aparece foram admitidos na tenda; os ritos que iam acontecer a seguir não eram para todo mundo. O Grande Espírito – disse Bisão Lento – deu aos homens um parentesco quaternário: seu Avô, seu Pai, sua Avó e sua Mãe. Estes são sempre nossos parentes mais próximos.

Visto que todo o que é bom se faz de um modo quaternário, os homens passarão através de quatro idades; assim, se assemelharam a todas as coisas. Nosso parente mais próximo entre os quadrúpedes é Tatanka, o bisão; quero dizer que ele estabeleceu um parentesco comigo. Me disponho a preparar um local consagrado para esta virgem, A Mulher Bisão Branco Aparece, e recebi do bisão o poder para faze-lo. Todas as coisas e todos os seres foram reunidos aqui para que sejam testemunhas disto, para nos ajudar.

É assim! Hechetu welo!

Se fez fumaça com a erva aromática e Bisão Lento, purificou a todo seu corpo. Antes de preparar o lugar sagrado, era necessário que Bisão Lento demonstrasse possuir realmente um poder do bisão, por isto cantou o canto de mistério que ele lhe ensinou: Venham ver isto! Vou fazer um lugar que é sagrado. Venham ver aquilo! A Mulher Bisão Branco Aparece Esta sentada de uma maneira sagrada. Todos venham a vê-la!

Quando terminou este canto, Bisão Lento emitiu um grande huh, semelhante ao mugido do bisão, e de sua boca saiu um pó vermelho, igual como faz uma bisão fêmea quando tem um bezerro.

Bisão Lento fez isso seis vezes e lançou a fumaça vermelha sobre a moça e depois sobre o lugar consagrado; todo o tipi estava cheio deste pó vermelho; os meninos que espiavam por uma abertura da porta se assustaram e fugiram depressa, porque era um espetáculo verdadeiramente aterrorizador.

Bisão Lento pegou então seu machado de pedra, e depois de purificá-lo na fumaça de erva aromática, golpeou o solo no centro da tenda e fez uma cavidade semelhante a um leito de bisão; com a terra que tirou fez um pequeno monte a Leste da cavidade. Em seguida pegou um pouco de tabaco e depois de dirigi-lo para o céu o colocou no centro do local ritual; depois traçou com tabaco uma linha que ia de Oeste a Leste e outra que ia de Norte a Sul, formando uma cruz.

Todo o Universo se encontra agora contido neste espaço de mistério. Por último, Bisão Lento pegou um pouco de pintura azul e depois de dirigi-la ao céu tocou com ela o centro da cruz; depois colocou pintura azul sobre as linhas de tabaco, primeiro em direção Oeste-Leste e depois em direção Norte-Sul. O uso desta cor azul é muito importante; sua santidade é evidente quando se compreende seu significado, porque, como já disse, o poder de uma coisa ou de um ato reside na compreensão de seu significado.

O azul é a cor dos céus; ao por o azul sobre o tabaco, que representa a terra, unimos o céu e a terra, e tudo fica unificado.

Bisão Lento colocou então o crânio do bisão sobre o montinho, com o rosto virado para o Leste; depois pintou um círculo vermelho ao redor do crânio e uma linha reta da mesma cor desde a parte superior da cabeça – entre os chifres – até a frente, e colocou umas bolas de salvia nas órbitas; por último colocou o copo de madeira cheia de água na frente da boca do bisão. Então colocou as cerejas na água; deviam representar os frutos da terra, que são semelhantes aos frutos dos homens

A cereja que vês é o Universo, e se estende desde a terra até o céu; os frutos que leva a árvore, e que são vermelhos como nós, os homens, são como os frutos de nossa Mãe Terra; e é por isto – e por mais razões que não poderia enumerar – porque que esta árvore é para nós muito wakan – muito sagrada. Bisão Lento confeccionou um pequeno nó com ervas aromáticas, casca de cereja e pelos de um bisão vivo. Estes pelos são sagrados porque provêem de uma árvore viva11; já vemos que o povo dos bisões também têm uma religião: esta é a oferenda que fizeram para a árvore12. Então A Mulher Bisão Branco Aparece teve de se levantar, e Bisão Lento, erguendo o pequeno nó de substancias misteriosas sobre a cabeça dela, falou assim:

O que está encima de tua cabeça é como o Grande Espírito, porque, quando está de pé, te estendes da terra para o céu, e tudo o que há por cima de tua cabeça é como o Grande Espírito. Você é a árvore da vida. Agora será pura e santa; que tuas gerações levem muito fruto! Onde quer que pousem teus pés o solo será santificado, porque desde agora levará contigo um influxo poderoso.

Que os quatro Poderes do Universo te ajudem a se purificar, porque no mesmo momento em que eu pronunciar o nome de cada Poder, salpicarei cada lado de teu corpo de cima abaixo com este pequeno nó.

Que as águas purificadoras do lugar onde se põe o sol desçam para te purificar! Que seja como a neve purificadora que vem do lugar onde vive Wazia! Que o luzeiro da aurora te dê sabedoria quando a aurora do dia descer sobre ti! Que o Poder do lugar para onde sempre voltamos te purifique, e que os povos que caminharam por este caminho reto e bom te ajudem a se purificar! Que seja como o Cisne Branco que vive no lugar para onde olhas, e que teus filhos sejam tão puros como os filhos do Cisne!

A moça se sentou, e Bisão Lento contou para a assistência como, em sua visão, havia recebido seu poder do bisão:

Vi uma grande tribo que levantava seu acampamento e se preparava para partir. Dirigia-me para lá quando rapidamente se agruparam em círculo, e me encontrei em meio a eles.

Conduziram uma menina até o centro e me disseram que esta menina havia de ser purificada segundo o costume de sua tribo. Então prepararam um local ritual em forma de leito de bisão e colocaram nele a menina, depois me pediram para assoprar sobre ela para purificá-la. Soprei sobre ela, depois me disseram que queriam me ensinar sua maneira de fazêlo, que é melhor, e imediatamente se transformaram em bisões, e chegou um grande bisão e soprou, desprendendo um pó vermelho, sobre o pequeno bezerro que estava no centro; e estando o bezerro ali estendido, todos os bisões vieram e o lamberam, e cada vez que o lambiam respiravam ruidosamente e uma misteriosa fumaça vermelha saía de seus narizes e suas bocas.

Me disseram que assim é como purificam a seus filhos, e que o pequeno bezerro, agora que já estava purificado, continuaria vivendo e levaria fruto santamente, e que, continuando sua vida, chegaria ao final das quatro idades.

Esta menina, disseram, iria pelo caminho sagrado sendo guia de seu povo e ensinaria a seus filhos a caminhar de uma maneira santa pelo caminho do mistério. Depois de me mostrar isto estabeleceram um parentesco comigo; me mostraram um bisão adulto e me disseram: Ele será teu avô; e me mostrando um mais jovem, me disseram: Ele será teu pai; depois me mostraram um bisão fêmea e me disseram: Ela será tua avó; e por último me mostraram um bisão fêmea mais jovem e me disseram: Ela será tua mãe.

Disseram que eu devia regressar para junto meu povo com este parentesco quaternário e lhe ensinar o que havia aprendido. Isto é o que eu vi e isto é o que estou fazendo ao purificar deste modo a uma moça de minha própria tribo; esta virgem, A Mulher Bisão Branco Aparece, é o pequeno bezerro que vi.

Agora quero lhe deixar beber água sagrada, e esta água é a vida. Bisão Lento cantou então outro canto de mistério: Estes povos são sagrados. De todas as partes do Universo vem ver isto. A Mulher Bisão Branco Aparece Está sentada aqui de uma maneira sagrada. Todo vem vê-la.

Bisão Lento levantou o crânio de bisão pelos chifres, e enquanto cantava saiu fumaça vermelha pelo nariz do crânio; depois, fazendo como se fosse um bisão, se colocou a investir na moça com o crânio, empurrando-a para o copo cheio de água; uma vez ali, a jovem se agachou e bebeu quatro goles, e ao ver isso todos os presentes se alegraram.

Então deram um pedaço de carne de bisão a Bisão Lento, e depois de purificá-lo na fumaça de ervas aromáticas e de oferecê-lo para as seis Direções, o ergueu na frente da moça e disse:

Ó A Mulher Bisão Branco Aparece, tens rezado ao Grande Espírito; de agora em diante caminharás entre a tribo segundo o mistério e serás um exemplo para eles. Amarás as coisas que no Universo são mais sagradas; serás como nossa Mãe Terra, humilde e fecunda.

Que teus passos e os passos de teus filhos sejam firmes e respeitosos! Assim como o Grande Espírito foi misericordioso contigo, também você será misericordiosa com os demais, sobre tudo com as crianças sem pais. Quando uma destas crianças vier a tua tipi, mesmo só tenhas um pedaço de carne que tenhas posto já na boca, o retirará e o dará a esta criança. Será assim de generosa!

Quando por esta carne em tua boca nos recordaremos todos da misericórdia do Grande Espírito que atende a nossas necessidades; do mesmo modo, você atenderá as necessidades de teus filhos. Bisão Lento colocou a carne na boca da moça; em seguida, o copo de água com as cerejas deu a volta e todo mundo bebeu um gole dela.

Depois Bisão Lento pegou o Chanumpa que estava apoiado no secador, e, erguendo a haste para o alto, disse quatro vezes: Hi-ey-hey-i-i, e pronunciou esta reza: Avô Wakan Tanka, no veja! Este povo e todas as gerações futuras são Tuas. Veja esta virgem, A Mulher Bisão Branco Aparece, que foi purificada e honrada neste dia feliz. Que tua luz que nunca se apaga esteja sempre com ela e com todos os seus parentes!

Avó e Mãe Terra, a tribo caminhará sobre Ti; que ela siga o caminho de mistério com a luz, sem a escuridão da ignorância! Que se recorde sempre de seus parentes das quatro Regiões, e lembre que é parente de tudo quanto se move no Universo, e antes que ninguém do bisão, que é o chefe dos quadrúpedes e ajuda a criar a tribo!

Ó Wakan Tanka, ajude-nos e tenha misericórdia de nós, para que vivamos de uma maneira feliz e santa!

Tenha misericórdia de nós para que vivamos!

Então todos exclamaram: Hi ho! ¡Hi ho e se alegraram.

Levaram a, A Mulher Bisão Branco Aparece para fora da tenda e as pessoas se precipitaram a tocá-la com as duas mãos, porque agora ela era mulher e o ritual que se havia realizado para ela, lhe haviam conferido muita força misteriosa. A tribo estava em festa; as pessoas lhe deram muitos presentes e todos ficaram contentos por causa do grande acontecimento daquele dia.

Assim foram instituídos os ritos de preparação de uma moça ao estado de mulher; que têm sido fonte de muita força espiritual, não só para nossas mulheres, mas também para toda a tribo.

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