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Como o Sol chegou aos animais -Livro das Virtudes II, índios norte-americanos.

Como o Sol chegou aos animais -Livro das Virtudes II, índios norte-americanos.

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Muitos ensinamentos do xamanismo são passados através das estórias.

Extraí essa lenda do Livro das Virtudes II, vem dos índios norte-americanos.

Há muitos anos o mundo era todo escuro. Os animais viviam se esbarrando uns nos outros e nunca sabiam onde estavam naquela escuridão. Resolveram se reunir em conselho para decidir como resolver o problema.

– Precisamos de luz ! – disse a Coruja. Ela presidia o conselho porque enxergava no escuro melhor que os outros bichos. – Muito bem ! Apoiado ! – gritaram todos – Mas como vamos arranjar luz ?

– Não vai ser fácil – avisou a coruja – Dizem que existe luz no outro lado do mundo, mas é muito longe. A viagem é perigosa. Quem for lá pode nunca mais voltar.

– Então, quem deve ir ? gritaram todos a uma só voz – Quem vai se arriscar na viagem ?

Houve um longo silêncio. No escuro, todos os bichos encolheram os ombros. Por fim ouviu-se uma vozinha :

– Posso tentar – disse a Toupeira – Minha cauda é longa. Se eu achar a luz, posso pegar, esconder nos pelos da cauda e trazer para cá.

E lá se foi a Toupeira a caminho do leste. Andou dias e dias pela terra escura, sem saber bem aonde estava, até que viu uma pequena claridade no céu. Correu em direção à luz, que se tornava cada vez mais forte. Aluz cresceu e ficou tão brilhante que o bichinho tinha que franzir os olhos para não ficar cego. Até hoje quando a gente vê uma toupeira, repara nos olhos fechadinhos e pensa que ela está dormindo. Andando até o outro lado do mundo, a Toupeira finalmente achou o Sol. Pegou um pedacinho, rápido como quem furta, embrulhou na cauda peluda e tomou o caminho de casa. Mas a viagem de volta era longa e o pedacinho de Sol era muito quente para a pobre Toupeira carregar. O Solzinho queimou todo o pelo de sua cauda, que caiu no chão. Por isso é que hoje, quando a gente vê uma Toupeira, repara no rabo pelado que ela tem.

– A Toupeira tentou e fracassou – disseram os bichos – Nunca mais teremos luz !

– Eu vou tentar – disse o Corvo – Talvez essa viagem seja para quem tem asas.

O Corvo voou para Leste e chegou ao Sol. Deu um mergulho na luz e arrancou um pedacinho com suas garras afiadas.

– A Toupeira tentou trazer o Sol n cauda e não deu certo – pensou o corvo – Vou levar a luz na cabeça.

O Corvo pôs o pedacinho de Sol na cabeça e tomou o rumo de casa, mas o Sol era quente demais e queimou as penas da sua cabeça. O Corvo ficou tonto e começou a voar em círculos, até que o pedacinho de Sol caiu. É por isso que os corvos não tem penas no alto da cabeça e estão sempre voando em círculos.

– Agora não tem mais jeito ! – lamentaram os animais – A Toupeira tentou, o Corvo tentou, e ninguém conseguiu.

– Podemos tentar mais uma vez – disse uma vozinha sumida- Dessa vez eu vou.

– Quem ? – perguntaram os bichos – Quem falou ? – Eu, a Velha Aranha. Sei que sou muito pequena, muito lenta, mas talvez eu consiga.

Antes de partir, a Velha Aranha, apanhou um punhado de argila e, com as oito mãos, fez um potinho. Depois teceu um fio e prendeu numa pedra, dizendo :

– A Toupeira e o Corvo ficaram cegos com a luz do Sol no caminho de volta. eu vou seguir esse fio.

E se pôs a caminho do leste, desenrolando o fio à medida que andava. Quando chegou ao Sol, pegou um pedacinho e colocou no potinho de barro. Brilhava tanto que ela mal podia enxergar, mas, segurando o fio estendido, pegou o caminho de casa. A Velha Aranha viajou toda iluminada, parecendo o próprio Sol. Até hoje sua teia brilha como se guardasse a luz do Sol.

Quando afinal chegou em casa, todos os bichos puderam ver o mundo pela primeira vez. Olharam para a Aranha, tão pequenininha, imaginando como ela pudera fazer a viagem sózinha. Quando viram o potinho de barro com o pedacinho de Sol dentro, aprenderam a fazer potes de argila e por ao Sol para secar.

Mas a Velha Aranha também sofreu com o Sol. Por isso é que até hoje ela tece a teia nas primeiras horas da manhã antes do Sol esquentar.

A mensagem que esta lenda pode nos trazer é que se aproveitarmos as pequenas oportunidades para ajudar, estaremos prontos para agir nas situações que exigem sacrifício. Muitas pessoas vêem que os melhores momentos da vida foram aqueles em que doaram, ajudaram e amaram. Ajudar sinceramente traz uma satisfação real

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