Jogos indígenas: Tapa Wanka Yap – O jogo de bola dos Lakotas

Jogos indígenas: Tapa Wanka Yap – O jogo de bola dos Lakotas

Até estes últimos tempos se praticava entre nós um jogo de bola com quatro equipes e quatro metas situadas nas quatro Regiões. Hoje em dia muito poucos dos nossos compreendem por que este jogo é sagrado ou o que era na origem, em um passado distante, quando não era um simples jogo, e sim um de nossos ritos mais importantes.

Hoje vou a descrever este rito; é o sétimo e último que o Grande Espírito nos deu naquela época, em uma visão.

Este jogo representa o transcurso da vida humana, vida que deveria estar consagrada a cuidar de pegar a bola, porque esta representa o Grande Espírito, ou o Universo, como explicarei mais adiante. Tal como se pratica atualmente o jogo, é difícil ficar com a bola, porque todas as possibilidades – que representam a ignorância – estão contra um, e só uma ou duas equipes podem pegar a bola e marcar.

Mas no rito original todos podiam se apoderar da bola, e se pensamos no que esta representa, veremos que este feito encerra uma grande verdade. Foi um lakota, Washkan mani – Se Move Caminhando -, quem recebeu este rito em uma visão, faz muitos invernos.

Não falou delo a ninguém durante muito tempo, até o dia em que um lakota chamado Alto Chifre Oco viu em um sonho que Se Move Caminhando havia recebido um rito que tinha que pertencer a todos. Por esta razão, Alto Chifre Oco construiu uma tenda sagrada, segundo nossa tradição, no círculo do acampamento, encheu o Chanumpa segundo o rito e, acompanhado de quatro homens santos, foi ver a Se Move Caminhando, a quem ofereceu o Chanumpa. Hi ho Hi ho Hechetu welo! Está bem!

Disse Se Move Caminhando, o que deseja de mm?

Eu soube por um sonho – disse Alto Chifre Oco – que você recebeu um rito cheio de mistério, que será o sétimo que a Mulher Bisão Branco nos prometeu a principio.

A tribo espera que agora realize este rito. Assim é, respondeu Se Move Caminhando. Anuncie a todo mundo que amanhã será um dia santo, e que devem pintar os rostos e por suas melhores roupas. Teremos este rito que o Grande Espírito me enviou através do bisão. Se Move Caminhando elevou então o Chanumpa para o Céu e rezou:

Ó Avô, Wakan Tanka, nos veja! Nos deste este Chanumpa para que nos aproximar de Ti.

Com o Chanumpa temos caminhado pelo caminho sagrado durante este tempo. Temos feito tua vontade na terra e agora queremos Te oferecer uma vez mais este Chanumpa.

Nos dê um santo dia vermelho e azul!

Que seja sagrado; que todos se alegrem!

Se Move Caminhando disse então a Alto Chifre Oco e aos outros quatro homens santos que deveriam reunir os objetos seguintes: um Chanumpa; kinnikinnik; erva aromática; uma pena de águia pintada; uma faca; um machado; salvia; uma bola de pelos de bisão coberta por uma pele de bisão; um saquinho cheio de terra; pintura vermelha e azul; um crânio de bisão; um secador de carne pintado de azul.

Os cinco lakotas se foram a fazer os preparativos para o dia seguinte. Já havia se agrupado muitas pessoas ao redor da tenda-sagrada.

Um homem disse:

Deve ser o sétimo rito, porque até agora não temos tido mais que seis, e creio que se trata de um jogo que representa a vida. Me parece que se lançará uma bola, porque acabo de ouvir que no equipamento deve haver uma. Amanhã será um grande dia!

Durante toda a noite as pessoas falaram do que ia acontecer no dia seguinte, e todos eram felizes, porque o que prometeu a Mulher Bisão Branco ia se cumprir inteiramente.

Antes da aurora todo estava pronto.

Havia se esparramado salvia pelo solo da tenda; e no instante preciso em que ia sair o sol, Se Move Caminhando se aproximou com passos lentos do local sagrado, chorando, porque havia pensado nos seis ritos que seu povo já possuía, e sabia que a Mulher Bisão Branco estaria de novo entre eles. Muitos saíram para ir ao encontro de Se Move Caminhando, e também eles choravam ao se aproximar da tenda sagrada. O profeta foi o primeiro a entrar e se sentou na direção do sol poente; depois escavou o solo frente a si com uma faca e pediu aos ajudantes para trazer uma brasa.

Pegou erva aromática, que ergueu sobre a fumaça, e rezou:

Avô Wakan Tanka, sempre foi e sempre será. Tu criaste todas as coisas; não há nada que não Te pertença. Conduziste o povo vermelho para esta ilha, e nos deu o conhecimento para que saibamos todas as coisas. Sabemos que é tua luz a que chega com a aurora, e sabemos que é o Luzeiro da aurora quem nos da à sabedoria. Tu nos deste o poder de conhecer aos quatro Seres do Universo e de saber que em realidade estes quatro Seres são Um.

Vemos sempre os céus sagrados e sabemos o que são e o que representam. Este será um grande dia, e tudo quanto se move na terra e no Universo se alegrará. Neste dia ponho tua erva aromática neste fogo que Te pertence, e a fumaça que desprende se estenderá por todo o Universo e se elevará até as profundidades do céu.

Se Move Caminhando baixou o braço para por a erva aromática sobre a brasa, se detendo quatro vezes; depois purificou o Chanumpa, a bola, o crânio de bisão e todos os apetrechos.

Ó Wakan Tanka, Avô, rezou o profeta, fiz uso de tua erva aromática e a fumaça se estendeu por todo o Universo. Quero edificar aqui o lugar do mistério, e o dia que se aproxima o verá. Olhar-se-ão cara a cara. Ao fazer isto cumpro com tua vontade.

Este é teu lugar, ó Wakan Tanka!

Estará aqui conosco!

Quando os primeiros raios penetraram na tenda, Se Move Caminhando pegou um machado de pedra, o ofereceu ao Grande Espírito, e golpeou no centro do local consagrado que havia escavado frente si. Ofereceu o machado ao Oeste e golpeou para esse lado, e do mesmo modo golpeou o solo das outras três Regiões; e depois de dirigir o machado para a Terra golpeou de novo no centro.

Depois pegou a faca e tirou lentamente a terra do lugar que havia escavado, e a colocou ao Leste; depois pegou um punhado desta terra purificada e, depois de oferecer um pouco ao Poder do Oeste, a colocou no lado Oeste do lugar consagrado. Da mesma maneira, colocou terra nas outras três Direções e no centro. Depois, com a terra que havia amontoado ao Leste, fez um montinho no centro e a esparramou cuidadosamente por todo o local sagrado, para nivelá-la finalmente com uma pluma de águia.

Se Move Caminhando pegou então um pau pontiagudo1 e depois de oferece-lo ao Grande Espírito, traçou na terra lisa uma linha que ia de Leste a Oeste, e, depois de oferecer o bastão aos céus, traçou outra linha de Norte a Sul. Finalmente, o altar estava pronto com duas linhas de tabaco sobre os dois caminhos desenhados na terra, e em seguida este tabaco foi colorido de vermelho. Assim, este altar representa o Universo e tudo o que há nele, e em seu centro reside o Grande Espírito.

Ele está realmente presente neste altar, e esta é a razão pela qual é feito com tanto cuidado e segundo os ritos precisos. Enquanto procedia deste modo, o profeta canto o canto do Chanumpa sagrado – o channonpa wakan olowan—, ao mesmo tempo em que outro homem tocava o tambor rápida e suavemente:

Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Se fizer isto, teu Avô te verá.

Quando estiver de pé no círculo sagrado, Pensa em mim ao por o tabaco no Chanumpa. Se fizer isto, Ele te dará tudo o que pedir.

Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Se fizer isto, teu Avô te verá.

Quando estiver de pé no círculo sagrado,
Envia tua voz a Wakan Tanka.
Se fizer isto, Ele te dará tudo o que deseja.

Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Se fizer isto, teu Avô te verá.

Quando estiver de pé no círculo sagrado,
Com gritos e lágrimas, envia tua voz a Wakan Tanka.
Se fizer isto, terá todo o que deseja.

Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Amigo, faz isto!
Para que teu Pai te veja.

Quando estiver de pé no círculo sagrado,
Eleva tua mão para Wakan Tanka.
Faz isto, e Ele te concederá tudo o que deseja.

Há um grande poder neste canto, porque nos foi dado pela Mulher Bisão Branco
quando nos trouxe o Chanumpa muito santo.

Este canto é praticado sempre em nossos dias, e reanima meu coração cada vez que o canto ou o ouço.

Enquanto o profeta e grande homem santo Se Move Caminhando construía cantando o altar, uma moça que tinha que jogar um papel importante no rito foi introduzida na tenda por seu pai; depois de dar a volta na tenda no sentido do movimento do sol, se colocou a esquerda do grande sacerdote. Seu nome era Wasu Sna Win, Mulher Granizada Ruidosa, e era filha de Alto Chifre Oco.

Se Move Caminhando pegou a bola ritual feita com pelo e couro curtido de bisão. A pintou de vermelho, a cor do mundo, e marcou as quatro Direções com quatro pontos azuis, a cor do céu; depois pintou dois círculos azuis ao redor da bola, formando assim dois caminhos que unem as quatro Regiões.

Com estas linhas azuis, que rodeavam completamente a bola vermelha, os Céus e a Terra foram unidos nela, o que lhe conferiu um caráter eminentemente sagrado. O grande homem santo colocou erva aromática sobre uma brasa e purificou o Chanumpa na fumaça, depois levantou o Chanumpa para o céu e rezou:

Ó Wakan Tanka, veja este Chanumpa que vamos Te oferecer.

Sabemos que Tu és o primeiro e que sempre o foi.

Queremos caminhar pelo caminho sagrado da vida com o Chanumpa de mistério

que Tu nos deste em uma mão e com os nossos filhos na outra.

Assim, as gerações virão e irão, e viverão segundo o mistério.

Este é Teu dia sagrado, porque neste dia estabeleceremos um rito que completará o número de ritos do Chanumpa.

Ó Wakan Tanka, dirige Teu olhar para nós enquanto Te oferecemos o Chanumpa. Neste dia os quatro Poderes do Universo estarão conosco.

Ó Poder do lugar onde se põe o sol, que controla as águas, vamos oferecer este Chanumpa; ajude-nos com teus dois dias bons, ajude-nos!

O tabaco destinado ao Oeste e aos demais Poderes ou Direções foram postos no Chanumpa com estas palavras:

Ó Poder de onde vive o Gigante, que purifica com teu sopro branco; e Tu, Ser alado que guarda este caminho reto:

Te colocamos neste Chanumpa, ajude-nos, com Teus dois dias vermelho e azul! Ó Poder do lugar onde sai o sol; e Tu, Luzeiro da aurora, que separa as trevas da luz, dando sabedoria aos homens; contigo queremos oferecer este Chanumpa; ajude-nos com teus dois dias bons!

Ó Poder do lugar para o qual sempre olhamos, de onde as gerações vem e vão; ó Cisne Branco que guarda o caminho de mistério; há um lugar para Ti neste Chanumpa que vamos oferecer ao Grande Espírito.

Ajude-nos com Teus dois dias bons!

Ó Ser alado dos céus azulados; Tu que possui asas poderosas e olhos que vêem todas as coisas: Tu vives nas profundidades dos céus; Tu estás muito próximo do Grande Espírito.

Vamos oferecer este Chanumpa; ajude-nos com Teus dois dias vermelho e azul! Ó Avó, de quem provêem todas as coisas terrestres, e Tu, Mãe Terra, que trazes todos os frutos e os alimentas: veja e escute! Sobre Ti há um caminho sagrado pelo qual caminhamos pensando no mistério de todas as coisas. Sobre Ti será santificada esta virgem jovem e pura, Granizada Ruidosa, porque ela estará no centro da terra erguendo a bola ritual.

Ajude-nos, ó Avó e Mãe com Teus dois dias felizes, agora que oferecemos este Chanumpa ao Grande Espírito! Durante esta reza o Chanumpa foi carregado e apoiado no pequeno secador azul; este era formado por três paus, dois dos quais estavam cravados no solo e sustentavam ao terceiro.

Se Move Caminhando pegou então a bola e a ofereceu para a moça lhe dizendo para que ficasse em pé, que erguesse a bola na mão esquerda e que levantasse a direita para o céu. Depois se colocou a rezar, tendo o Chanumpa na mão esquerda e elevando a direita para os céus:

Ó Avô Wakan Tanka, Pai Wakan Tanka, veja-nos!

Veja a Wasu Sna Win que está aqui de pé erguendo o Universo em sua mão. Tudo o que se move sobre esta terra hoje se alegrará. Os quatro Poderes do Universo, assim como os céus, estão na bola. Tudo isto, Wasu Sna Win vê.

A aurora do dia com a luz do Grande Espírito está agora com ela. Ela vê suas gerações futuras e a árvore da vida no centro. Vê também o caminho sagrado que leva do lugar ao que sempre olhamos até o lugar onde vive o Gigante.

Vê a sua Avó e Mãe Terra e a todos os seus parentes nas coisas que se movem e crescem. Ela está ali de pé com o Universo na mão, e ali todos os seus parentes são realmente Um. Ó Avô Wakan Tanka, Pai Wakan Tanka, é por tua vontade que tua luz brilha nesta moça.

Hoje sentimos todos a Tua presença. Sabemos que está aqui conosco. Por isto e por tudo o que nos deste, Te damos graças! O grande homem santo se colocou frente ao crânio de bisão e lhe falou assim: Espírito Huntka, hoje te deram uma cor que ponho sobre ti, porque é parente de nosso povo bípede e vivemos graças a ti. Quando tiver posto esta pintura sagrada sobre ti, sairá com esta moça e comunicará teu agradecimento a todos os seres. Depois o profeta e grande homem santo pintou o bisão traçando uma linha vermelha ao redor de sua cabeça e uma linha reta que baixava por entre os chifres até em meio das órbitas.

Quando terminou foi sentar-se próximo de Wasu Sna Win e lhe disse: Wasu Sna Win, está aqui sentada de um modo sagrado. Está bem, porque os espíritos dos bisões vieram te ver. Vou te revelar, por tanto, a visão que tive.

Nela, me dirigia ao lugar onde vive o Gigante, e vi um grande povo em marcha. Tinham sua guarda, seus chefes e seus homens santos, exatamente como nós. E quando cheguei mais próximo se detiveram, e um de seus chefes avançou para mim e disse:

Homem, veja estas gentes, que são celestes. Vão ensinar uma moça muito estimada a andar, e em sua vida verá quatro idades. Trouxeram uma menina de aspecto frágil. Se sentou e vi que era um bisão fêmea jovem. Se levantou e começou a andar, mas deu um falseada e caiu. Sua tribo, que agora eu via como um povo de bisões, se reuniu ao seu redor, e um bisão fêmea assoprou sobre ela, despendendo um hálito vermelho; e quando o pequeno bisão fêmea caiu pela segunda vez, vi que havia se transformado em um bisão branco muito pequeno.

Sua mãe continuou lançando seu sopro vermelho e a empurrou com o focinho; e quando o pequeno animal se levantou pela segunda vez, vi que novamente havia mudado e era agora um bisão maior. Se deitou, e quando se levantou já se havia ficado adulta de tudo; então fugiu por detrás da colina, e todos os bisões assopraram ruidosamente até o ponto do Universo se estremecer. Percebi então uns bisões nas quatro Regiões, mas se transformaram em homens e vi a menininha de pé no centro com uma bola na mão.

Lançou a bola para o lugar onde se põe o sol, e todos se precipitaram e a devolveram ao centro. Do mesmo modo, a menina lançou a bola para o lugar onde vive o Gigante, depois para o lugar onde sai o sol e depois para o lugar ao que sempre olhamos, e cada vez a bola era devolvida ao centro, para a menina. Por último, a lançou ao ar e nesse instante todos voltaram se transformar em bisões, de modo que nenhum deles pode pegar a bola porque os bisões não têm mãos como nós. A menina, que de novo era um pequeno bisão, lançou a bola para mim, e o chefe dos bisões me disse:

Este Universo pertence, na verdade, aos homens, porque os bisões quadrúpedes não podem jogar com a bola; por isto é necessário que você a pegue e regresse a teu povo e lhe explique o que aqui te ensinamos.

Se Move Caminhando explicou então o rito a Wasu Sna Win e a todos os que estavam ali reunidos:

O bisão tem quatro idades, como eles me mostraram em minha visão. Wasu Sna Win e o bisão representado por este crânio sairão juntos desta tenda, e ela lançará a bola como nos foi explicado em minha visão. É vontade do Grande Espírito que assim seja. Não se esqueçam que a bola é o mundo, e que é também nosso Pai Wakan Tanka, porque o mundo – ou o Universo – é sua morada. Por isto, aquele que se apodera da bola receberá uma grande benção. Vocês devem tratar de pega-la e Wasu Sna Win será a jovem bisão do centro. Agora vai sair e se deterá quatro vezes, e cada um de seus passos será em beneficio de seu povo.

Toda a tribo havia se reunido ao redor da tenda para ouvir o que ali se dizia; todos haviam posto suas melhores roupas e estavam contentes. Alto Chifre Oco, com o Chanumpa, foi o primeiro a sair da tenda; depois dele saiu sua filha Wasu Sna Win, que levava a bola na mão direita; seguiu Se Move Caminhando, que carregava o crânio e resfolegava, e empurrou quatro vezes a Wasu Sna Win com o crânio, e cada vez saía deste uma fumaça vermelha. Enquanto tanto cantava um de seus cantos de mistério: De uma maneira sagrada, de todas as direções, Vêm para te ver.

Wasu Sna Win tem estado sentada de um modo sagrado. Todos vêm para vê-la! Finalmente, quando se detiveram pela quarta vez, Alto Chifre Oco e Se Move Caminhando se colocaram cada um de um lado da menina, virados os três para o lugar onde se põe o sol.

Wasu Sna Win lançou a bola para o Oeste e um dos homens a pegou e, depois de beijá-la e a oferecer para as seis Direções, a devolveu para a menina, que estava no centro. Da mesma forma, os três se voltaram para o lugar onde vive o gigante Wazia, e a bola foi lançada nesta direção; todos se atropelaram para estar com ela, e a pelota foi devolvida ao centro.

Em seguida foi lançada para o lugar onde sai o sol, e depois para o lugar ao qual sempre olhamos; todos os que tiveram a sorte de agarrá-la receberam um cavalo ou algum outro presente valioso. Na quinta vez a bola foi lançada para cima e houve um grande rebuliço, até que, finalmente, um homem pode pega-la e devolve-la ao centro. Quando o lançamento da bola terminou, Alto Chifre Oco ofereceu o Chanumpa ao profeta; este dirigiu a haste para o céu e começou a enviar uma voz ao Grande Espírito.

Hi-ey-hey-i-i, gritou quatro vezes.

Te envio uma voz, ó Wakan Tanka, a Ti que sempre tem sido e que está por cima de tudo. Pai Wakan Tanka, Tu és o Chefe de todas as coisas; tudo é Teu, porque Tu és quem criou o Universo. Tu colocas-te nosso povo nesta grande ilha e nos deu a sabedoria que revela todas as coisas. Tu nos fizeste conhecer a lua o sol, os quatro ventos e os quatro Poderes do Universo. Sabemos que as gerações vêm do lugar ao qual olhamos, e que regressam a ele; e temos caminhado santamente por este caminho reto e vermelho que leva ao lugar onde vive o Gigante.

E, por cima de tudo, sabemos que nossos quatro parentes mais próximos são sempre nosso Avô e Pai Wakan Tanka, e nossa Avó e Mãe Maka, a Terra.

Ó Wakan Tanka, veja hoje a Wasu Sna Win, que tem na mão a bola que é a Terra. Ela tem na mão o que dará força para as gerações que amanhã herdarão a Terra que é Tua; e os passos que darão serão firmes, e serão libertas das trevas da ignorância. Mulher Granizada Ruidosa está aqui em pé, erguendo teu Universo, e a partir deste dia a bola pertencerá às gerações futuras, e marcharão alegres segurando as mãos de seus filhos.

Ajude-os a caminhar sem ignorância pelo caminho sagrado. Que os céus nos contemplem e tenham misericórdia de nós! Avô Wakan Tanka, Pai Wakan Tanka, que sempre conheçamos e cumpramos tua vontade!

Ó Wakan Tanka, tenha misericórdia de mim para que meu povo viva! Então todos os presentes fumaram ou tocaram o Chanumpa; os homens que haviam tido a sorte de pegar a bola sagrada receberam cavalos ou peles de bisão; o povo inteiro estava em festa e todos estavam cheios de alegria, porque o que Ptesan-Win, a Mulher Bisão Branco, prometeu no principio se havia realizado. Eu, Alce Negro, devo lhes explicar agora algumas coisas deste rito que vocês podem não compreender. Vejamos porque é uma menina e não uma pessoa adulta a que está no centro e lança a bola.

Assim deve ser, porque o Grande Espírito é eternamente jovem e puro, e assim é esta pequena que apenas acaba de chegar de Wakan Tanka; é pura e sem obscuridade. A pelota é lançada desde o centro para as quatro Regiões, do mesmo modo que o Grande Espírito está em todas as Direções e em todos os rincões do mundo; e a bola cai sobre o povo, igual ao Poder do Grande Espírito é recebido por poucos homens, sobre todo nestes últimos tempos.

Sem duvida vocês se deram conta de que o povo quadrúpede dos bisões não era capaz de jogar este jogo, e por esta razão o deu aos bípedes. Isto é muito justo, porque, como disse anteriormente, de todas as criaturas do Universo, só os bípedes, se purificam e se humilham, e podem chegar a ser uno com Wakan Tanka, ou podem lhe conhecer.

Nestes tristes tempos em que nosso povo tem mergulhado, corremos atrás da bola, e alguns nem sequer tentaram pega-la; e choro quando penso nisso. Mas sei que a bola logo será pega, porque o fim se aproxima rapidamente, e então se voltará a lhe colocar no centro, e com ela estará nosso povo. Minha reza é para que assim seja; e é para contribuir para este restabelecimento da bola que eu quis fazer este livro.

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