Hinários e Bailado do Santo Daime

A forma tradicional com que se abre a maioria dos nossos trabalhos espirituais consta do sinal da cruz seguido de um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e Chave de Harmonia, no caso de rituais que comecem com a Oração; e de três Pai Nossos e três Ave Marias no caso de hinários oficiais. Em seguida, em ambos os casos, lê-se a Consagração do Aposento. Todos os hinários de farda branca são abertos com o Terço.

INTERVALOS

Nos hinários oficiais os intervalos devem ser de uma até duas horas no máximo. Durante esse período os fiscais designados devem permanecer atentos no Salão para ajudar os irmãos que ainda estão em trabalho e garantir o clima de silêncio e harmonia

O TERÇO

Diferenciamos dois tipos de Terços dentro de nossos trabalhos espirituais, a saber:

1- O Terço com que se abrem os hinários oficiais de farda branca, rezado 30 minutos antes da abertura do hinário, com os participantes em pé em torno do Santo Cruzeiro. Em geral é puxado pela comandante feminina. Abre-se o Terço com um Credo, um Pai-Nosso, três Ave-Marias e “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio e por to¬dos os séculos do séculos, amem”. A cada seqüência de dez Ave-Marias e um Pai-Nosso, repete-se estas mesmas palavras.

2 -O Terço das Almas, que é rezado todas as primeiras segundas-feiras de cada mês, e na abertura do ritual da Missa. É realizado de farda azul, na igreja, estrela, capela ou cemitério.

O Terço é rezado da mesma forma, acrescentando entre os Pai-Nossos e Ave-Marias a oração: “Oh! Meu Jesus perdoai-nos! Livrai-¬nos do fogo do Inferno! Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem!.

DISTRIBUIÇÃO DO SACRAMENTO

A distribuição da nossa bebida sacramental tem três importantes aspectos a serem observados:

1) O responsável pelo despacho. Sendo esse um dos momentos mais importante da nossa eucaristia, quem está realizando esse trabalho deve estar concentrado e oferecer o nosso sacramento com reverência e todo respeito. Ele toma a dose que for indicada pelo dirigente do trabalho e, em seguida, procede ao despacho. A dose obedece a um padrão que depende do tipo de trabalho e do grau da bebida. É bom que o responsável seja familiarizado com todo o processo de feitio.

De uma forma geral, a dose deve ser igual para todos, mas o responsável pelo despacho deve ter experiência e sensibilidade para saber eventualmente quem precisa tomar mais ou menos Daime. Também deve estar informado pela recepção ou pelo grupo de cura dos casos de doentes, grávidas ou outros que podem requerer um procedimento diferenciado. Deve zelar pelos utensílios, limpeza dos copos e manter sempre acesa uma vela no ponto de despacho;

2) É tão importante a forma de consagrar e comungar o nosso sacramento que o Mestre Irineu o denominou Daime (do verbo dar, dai-me). Frisava com isso o caráter de invocação e rogativa interior com os quais todos devem se aproximar dessa Santa Bebida, pedindo que Ela nos conceda “a realização das nossas aspirações mais íntimas” a cura dos nossos males físicos, mentais e espirituais e um maior discernimento sobre a nossa vida.

Faz-se o sinal da cruz, recebe-se o copo e toma-se a dose oferecida até o final.

3) A aplicação da dose pelo dirigente deve basear-se no padrão oficial do Mestre Irineu, levando-se em conta a graduação do Daime. É importante destacar que a maestria na direção de um trabalho espiritual nem sempre é decorrente de doses elevadas, mas principalmente do conhecimento e da correção do dirigente, a harmonia e o equilíbrio de sua atuação e a força das suas chamadas.

Os Hinários

O principal trabalho da nossa Doutrina são os hinários do calendário oficial. Após a consagração do Sacramento (Santo Daime), são formadas filas de bailados.

O bailado se apresenta em três tipos básicos: valsa (compasso 1 por 1), marcha (2 por 2) e mazurca (ternário). O bailado inicia-se após a primeira estrofe do hino, a partir do movimento do comandante que dá o primeiro passo à esquerda.

A corrente é a força espiritual do trabalho. É o esforço em­pregado por cada um para que a comunhão de todos com o sacramento se revista de um profundo resultado espiritual. O bailado e a música geram uma energia que é canalizada pelas vibrações do maracá. Tudo isso propicia um trabalho interior de elevação espiritual e expansão de consciência que sustenta as mirações, os insights e diversos aprendizados que ocorrem durante o trabalho com cada membro da corrente.

Os hinos guiam a nossa jornada ritual. Alertam, encorajam, aconselham e nos instruem para que possamos realizar nosso mergulho interior, sempre dentro da proteção da corrente. A firmeza da corrente repousa na firmeza e consciência de cada irmão e na sua obediência às regras do trabalho.

O Bailado

Os fardados devem atender a chamada para a abertura do despacho do Santo Daime. Depois devem se dirigir aos seus locais de baile, enquanto os fiscais e demais encarregados dos turnos de serviço vão para os seus setores. Devem ser formadas filas de fardados por ordem de altura, os homens à esquerda e a mulheres à direita. Em seguida, os não-fardados e os visitantes.

Depois dos fardados, os paisanos tomam o Santo Daime e ocupam seus lugares, seja nos bancos ou nos últimos lugares da fila do baile, atrás dos fardados.

Todos devem permanecer em seus lugares. O fardado só poderá se ausentar do Salão durante o período de três hinos. A ausência deve ser comunicada ao companheiro da direita na fila. Se possível, esperar o final do hino para se retirar. Prolongando-se a ausência além desse prazo, a fila deve ser preenchida da esquerda para direita.

Os ritmos do bailado são marcha (2 por 2), valsa (1 por 1) e mazurca (ternário) e o movimento iguala-se ao balanço do mar. O bailado inicia-se após a primeira estrofe do hino, a partir do movimento do comandante que dá o primeiro passo à esquerda.

O bailado deve acompanhar o compasso da música, sem arrastar nem acelerar. Ele se caracteriza pela ordem, não há improvisos, nem coreografias frenéticas. O conjunto harmônico de todos os participantes forma uma corrente mágica, que nos inspira ao movimento do Cosmos. Deve se evitar trejeitos e movimentos exagerados que destoem do padrão apresentado pela corrente. Ele é a vitrine do trabalho espiritual de cada um.

O bailado é acompanhado pelo ritmo de batidas de “maracá ” feitos com pequenas latas contendo esferas e cabo de madeira. O maracá deve estar afinado convenientemente. Todo o fardado deve ter um maracá, faz parte da farda. O fardado deve ter consciência, que no trabalho espiritual, o maracá é um instrumento de poder, não deve deixa-lo no chão, ou joga-lo em qualquer lugar. O fardado deve saber tocar o maracá adequadamente, dentro do ritmo exigido pelo hino. Não deve ser posicionado para baixo, e sim para cima, na altura do peito, tocando levemente na outra mão, marcando melhor o ritmo da batida

É necessário que haja tolerância acompanhada de instrução para a adaptação dos novatos.É fundamental que os fiscais tenham tolerância para instruí-los de forma delicada e amorosa.

Pela separação energética e complementar entre homens e mulheres, sente-se o Tão (o yin e o yang) numa grande circulação de energia em movimento.

Através da dança nos conectamos com o Cosmos, formamos um único corpo, harmonizamos o transe, formando uma mandala humana e no centro a força do Altar, do Cruzeiro.

As filas de bailado são dispostas de acordo com a altura dos participantes, com os membros fardados ocupando as filas da frente.

As posições nas filas de bailado não devem se tornar pontos de afirmações de ego ou símbolo de poderes especiais. Todos devem compor-se em seus lugares de acordo com os critérios que forem estabelecidos.

O lugar vago na corrente dever ser imediatamente preenchido e o retorno feito após a conclusão do hino.

Todo membro fardado, na corrente, é um Soldado da Rainha, que tem a responsabilidade de um trabalho de muita seriedade. Deve cantar e bailar durante todo o hinário, salvo impedimento justificado.

OS VIVAS

Os vivas sempre são dados pelo comando do trabalho ou pessoa previamente designada para tal. Para dar-se vivas é importante saber o momento de dá-lo trabalho e sempre em linha com o dirigente do trabalho.

Quem os dá deve estar de pé, preferencialmente de frente ao Cruzeiro. Com ele saudamos o festejo do dia. (Todos podem responder aos vivas, especialmente o lado masculino). Devem ser evitados: nos trabalhos de cura e Concentração, durante os hinários antes de ser cantada a Confissão e na Quinta-feira Santa e Dia de Finados. Pode-se saudar os elementos da natureza, o dono do hinário que esteja sendo cantado, igrejas ou comunidades, visitantes e aniversariantes.

SEQÜÊNCIA OBRIGATÓRIA DOS VIVAS:

O Divino Pai Eterno, a Rainha da Floresta, Jesus Cristo Redentor, o Patriarca São José, todos os Seres Divinos, o Nosso Mestre Império, toda a Irmandade, o Santo Cruzeiro.

A sequência ritual é :

  • Viva o Divino Pai Eterno I
  • Viva a Rainha da Floresta !
  • Viva Jesus Cristo Redentor !
  • Viva o Patriarca São José !
  • Viva todos os Sêres Divinos !
  • Viva Nosso Mestre Império !
  • Viva Toda a Irmandade!

Depois o repique :

  • Viva o Santo Cruzeiro !

Opcionalmente :

  • Viva o Dono do Hinário !
  • Viva ……(Santo que se comemora)
  • Viva o Padrinho Sebastião !
  • Viva a Madrinha Rita !
  • Viva o Céu do Mapiá !
  • Viva o Céu do Jurua !
  • Viva o Padrinho Alfredo !
  • Viva a União de Todas as Igrejas !
  • Viva o nosso feitio !
  • Viva o nosso festival !
  • Viva o Amor !
  • Viva a alegria !
  • Viva os visitantes !
  • Viva os aniversariantes !
  • Viva os Novos Fardados !
  • Viva os Noivos !
  • Viva as Crianças !

E outros que possam ser dados, congruentes com o nosso ritual !

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