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Hinário o Cruzeiro- Mestre Irineu – Sr. Luís Mendes

Hinário o Cruzeiro- Mestre Irineu – Comentários do Sr. Luís Mendes

Estrela D’alva

Eu me lembro de uma história bem acentuada, inclusive eu tenho muito carinho pela Estrela D’Alva, até porque desde a primeira vez que eu vi ele contar esta história, eu fiquei impressionado e sedento de poder alcançar também algo assim, que fosse diretamente a Estrela D’Alva.

Isso se deu, ele contava pra nós, entre ele e o Germano Guilherme. Primeiro foi com ele. Ele sentado no ponto de trabalho dele, divisou a Estrela D’Alva. Umas oito horas da noite em determinado ponto. Aí, ele olhou para ela e pensou consigo: Qualquer dia desses, eu vou tomar um Daime e vou naquela estrela.

Ficou nisso, quando em um determinado dia justamente, ele tomou Daime. Ora, não deu trabalho. Foi lá. Chegou lá, ela toda de vidraça, a coisa mais linda do mundo. Agora só com o direito de avistar o que estava lá dentro. Tudo ornamentado, atapetado, a coisa mais linda. Uma morada muito bonita dentro da Estrela D’Alva.

Ele disse que era tão verdade ela ser de vidraça, que ele passava a mão apalpando e sentia que era vidro. Aí a gente pergunta: e o invisível se pega? Pega, invisível também pega, porque ele pegou, ele apalpava. Aí ele perguntou à mãe dele: Minha mãe, me diga uma coisa: porque é que uma coisa excelente dessa, uma morada bonita como essa, eu procuro um morador, alguém que esteja habitando, e não vejo?

Ela disse: Meu filho, como essa aí, tem muitas e muitas outras esperando um filho com uma capacidade que mereça realmente vir habitar.

Ele disse: Sim Senhora, muito bem…

Aí constatou tudo isso, e retornou.

Agora o Germano era ‘buraco’ (corajoso, destemido), como diz o caboclo. A primeira pessoa com o qual o Mestre conversou, que contou essa história, foi para o finado Germano, mas contou assim, a meio termo, e bem meio termo mesmo, e disse, parece que olhando para a Estrela D’Alva de novo: Olha maninho (mutuamente, eles se tratavam como maninho, era bonito mesmo, eu ainda conheci), tu me acredita numa coisa?

-Sim maninho, não é tu que vais contar?

-Tu acredita que eu fui naquela estrela?

-Acredito, o senhor não está dizendo?

E a conversa ficou só até aí. Ele deu ciência que foi até a estrela, e ‘PT saudações’. Germano por si, também desejou nesta hora, e afirmou consigo:

-Eu também vou tomar Daime e vou lá!

Ora, não deu outra; quando foi em determinado dia, ele tomou Daime e foi bater lá! Constatou tudo direitinho. Terminada a constatação, ele voltou e foi levar a notícia para o Mestre: Maninho, tu me disseste que foi naquela estrela, não foi?

-Fui Germano!

-Não é que eu também fui!

-Então tu me conta como é lá.

Então o Germano deu toda descrição, do jeito que o Mestre viu. O Mestre disse: Tu foi mesmo, é sim!

O Mestre Irineu sempre contava isso. A Estrela D’Álva. Então, naquele momento, ela ainda se encontrava assim, vazia.

Rogativo dos mortos

O Mestre Irineu profetizou a hora da sua passagem. Nove horas da manhã. Você pode ver que o hino só vai até às nove horas da manhã. Pois justamente, às 9 horas da manhã do dia 6 de julho de 1971, o nosso Mestre deixou este mundo.

A minha mãe é a Santa Virgem

Bom, a gente começa a interpretar logo por ser o Mestre. O Mestre se é Mestre mesmo, sabe tudo. O Mestre sabia tudo, até tocar. Porque uma vez, ele mirando, chegou uma senhora com um acordeom. Muito bonita, depositou nas pernas dele e mandou ele tocar. Ele disse para ela que achava impossível porque ele não sabia tocar, mas ela insistiu tanto, dizendo ele sabia, que ele conseguiu mexer na sanfona, porque ela disse para ele que bastava ele puxar. Quando ele abriu a sanfona, já foi tocando e cantando: A minha mãe é a santa virgem/ Ela é quem vem me ensinar/ Não posso viver sem ela/ Só posso estar onde ela está.

Begê

Quem foi que veio a terra para ensinar a verdade, a não ser o próprio Mestre? Eu acho que termina sendo é ele mesmo o Begê, o mesmo ser.”

Seis horas da manhã

O Mestre era um assíduo prático; é aquilo que eu tenho dito, duvido que o nego que chegasse na casa do Mestre às 6 horas da manhã, e o Mestre não tivesse no pontinho dele. Não era outra coisa não, já era saudando o sol.

Sol, Lua Estrela e devo amar aquela Luz

Logo que o Mestre recebeu ‘Sol, Lua, Estrela’, ele já passou a abrir o seu hinário cantando primeiro este hino. Quando, a seguir, ele recebeu ‘Devo Amar Aquela luz’, ele também anexou este Hino na abertura do Cruzeiro.

A febre do amor

Completei o meu Cruzeiro com cento e trinta e duas flores. Aí, muitos entendem que ele já estava predizendo a quantidade de hinos que fariam parte do Cruzeiro. Não! Ele não previu isto. Isso foi na sucessão dos hinos que se chegou a 132. Quando ele recebeu este hino, ele cantou assim: Completei o meu Cruzeiro / Com cinqüenta e duas flores / Se tiver alguma de mais / Vós acrescente o meu amor. Quando ele recebeu o próximo, Virgem Mãe Divina, Ele cantou: Completei o meu Cruzeiro / Com cinqüenta e três flores / Se tiver alguma de mais / Vós acrescente o meu amor. E assim sucessivamente, até chegar a cento e trinta e duas flores.

As estrelas

Muitas perguntas foram feitas ao Mestre, e elas não ficavam no vazio porque ele sempre respondia. Aí, a pergunta foi do compadre Chico Grangeiro acerca do hino As Estrelas. O Granjeiro perguntou: Padrinho, e esses espinhos e pontas agudas?

Ele disse: Chico, são as línguas!

Ele apontou para a dele e disse: É isso aqui, é a língua, são as línguas!

Então subentende-se que cada linguada do linguarudo é um espinho. E é serra. Serra de espinhos. Ponta da língua, falatório. É caracterizado como espinhos de pontas agudas. Então daí a interpretação. Pergunta do compadre Chico Grangeiro e resposta do Mestre.

Eu vim da minha Armada

O Granjeiro explicava para nós, que ele conversando com o Mestre, o Mestre falou para ele que ele também passou os altos e baixos dele. Até no ponto de vista de até querer renunciar este trabalho, se afastar. Aqui e acolá, por força das incompreensões. Então quando saiu Eu Vim da Minha Armada, ele estava numa passagem de descontentamento, e com vontade, assim, de fechar a sessão. Saiu o Hino. Eu vim da minha armada / Trazer fé e amor. Porque a contemplação desta estrofe, aí já é a rainha, dizendo para ele. Ele diz: Eu vim da minha aramada / Trazer fé e amor. Aí ela diz na frente: Não despreza os teus irmãos / Mostra tua luz de amor.

Sexta-feira

Quando eu cheguei na sessão, o feitio já era na direção do Chico Grangeiro. Agora o Chico Grangeiro determinava umas dietas mesmo. Isso depois, deu foi um rebu danado, rapaz. Que a gente deu um certo cumprimento, deu. Eu pelo menos cumpri em parte, mas cheguei a cumprir, dieta sexual… Até três meses, ia a trinta dias e chegava a três meses. Aí foi onde entrou os questionamentos, deu um rebu. Quer dizer, depois de uma temporada que se cumpria isso aí, porque eu fiz bonitas vezes um mês, depois outros asseguravam que faziam. Fizeram. Sei lá. Mas isso chegou a um ponto vulgar. Começaram a brigar, até briga de casal e conversa e tal, e julgamento. Quem tirou a dieta, quem não tirou; virou assim, uma farofa. Aí, pronto, caiu nos pés do Mestre. Então ele pronunciou: Não gente! Não é isso não. Agora vai mudar. Agora é três dias antes e três dias depois.

Batalha

Na verdade, antes do golpe eram dois partidos que influíam na época. Isso quando passou a ser eleição. Aí, era o PSD e o PTB. O PSD era o partido do Mestre. Ele tinha partido, PSD. Então o partido do Mestre perdeu as eleições (1962) e ele cantou Batalha, já confortando. Rapaz, se você visse assim, o contentamento do Mestre tão transparecido, quando ele cantava este hino, pelo menos a primeira vez que eu ouvi e vi, ele dançava! Isso é um xote. Ele chamou a comadre Peregrina, que ela dança bem. Aí, mandou a turma cantar e dançar na sala ao som do “Batalha”. Dá um xote que é uma beleza!

Todos querem ser irmãos

Realmente, o padrinho recebia esses Hinos e tinha toda satisfação de apresentar. Os que moravam com ele eram os primeiros, mas também apresentava para quem vinha chegando, como era meu caso. Ele tinha aquela satisfação. Aí, num dado momento eu apareci lá, ele disse: É Luiz, tem hino novo aí! Você quer ouvir?

Eu disse: Com toda satisfação.

Ele chamou a comadre peregrina, a Maria Zacarias e ordenou: Cantem esse hino aí para o Luiz ouvir.

Mas daí, neste ínterim, vinha chegando o nosso irmão Júlio Carioca, que também tomou parte. Foi subindo, foi tomando benção para ao padrinho e o padrinho foi dizendo para ele: Júlio, eu tinha pedido aqui para as meninas cantarem um hino novo para o Luiz, mas aí você chegou… Então também é para você. Que ouvir?

Ele disse que sim, e começaram a cantar o hino. Cantaram uma, duas, três vezes. Quando terminaram, ele perguntou para nós: Que tal o hino?

Aí o Júlio Carioca avançou: Ô Padrinho, mas o hino é bonito! Mas o hino é maravilhoso!

Então o padrinho disse: Dobre a língua. O hino não é tão bonito assim como você está dizendo não. Não é essa maravilha como você está dizendo não. Sabe o que é bonito do hino? É fazer o que o hino diz. Isso sim, é bonito.

Aí, rapaz, eu fiquei… Puxa vida, mas me tirou duma! Porque eu ia responder a mesma coisa do Júlio. Não ia dizer diferente. Mas estava guardado era para o Júlio mesmo (risadas).

Marchinha

Ele recebeu este hino e este hino tinha palavras. Ele tinha palavras, só que ele guardou para si e apresentou só a parte musical. Um dia eu chego lá e ele perguntou se eu queria escutar uma música. Sempre que ele recebia um hino e eu chegava lá, ele anunciava para mim e perguntava se eu queria ouvir. Ora, quem não queria? Aí, esse foi um. As meninas solfejaram, solfejaram, solfejaram, solfejaram…

Quando terminou, ele disse: É isso aí!

O pessoal que estava lá começou a sair, a se dispersar, e em dado momento, só estava ele e eu. Ele virou-se assim para mim e disse: Luiz, tem as palavras, tem as palavras, só que eu não tenho condição de divulgar, porque não existe preparo, portanto eu vou ficar com elas e deixe que seja só musicado.

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