Folhas, raízes, cactos (peiote) – plantas mágicas do índios

Folhas, raízes, cactos – plantas mágicas do índios

Rosane Volpatto

Para que suas armas de caça e utensílios de pesca mantenham suas propriedades mágicas, costumam banhá-las com água de uma planta do igapó, denominada “jasmim de lontra”, depois de cuidadosa maceração. A vassourinha é usada, com cachaça, em fricções, para combater dores reumáticas. Caferana, com cachaça, cura feridas brabas.

Não obstante ridicularizarem os civilizados que, entre eles, procuram obter plantas afrodisíacas, os velhos Maué utilizam o miatã ou miura ou “muyra” itã, científicamente denominada “Caesalpinia ferre”, e vulgarmente denominada pau-ferro.

Barbosa Rodrigues nos descreve a muyra itã como uma grande árvore cujo cerne é vermelho quase preto, de folhas pintadas, com oito folíolos pequenos, de flores amarelas em racemos. A madeira é empregada em construções e, medicinalmente, o cozimento, contra feridas, e em xarope, nas afecções catarrais. O nome de pau de jucá, vem do emprego que os tupis davam ao lenho, isto é, dele fabricavam as duras clavas com que matavam os prisioneiros, outros davam o nome de muyra itã ou pau-ferro. Não obstante haverem autores omissos em relação às propriedades afrodisíacas da muyra itã, os velhos Maué nos asseguram que ela lhes dá yêp ou potência.

As raízes da “muirapuama” (Viagra do Amazonas) são conhecidas em toda a Amazônia por suas virtudes terapêuticas e mágicas pelos índios.

A muirapuama é científicamente denominada “Ptychopetalum olacoides”. Ela é um tônico neuromuscular de primeira ordem e a raiz é empregada em banhos e em fricções contra a paralisia e o beribéri. Internamente o extrato produz efeitos notáveis na debilidade, na impotência (neurastenia sexual), na ataxia locomotriz, no reumatismo crônico, nas paralisias faciais, na gripe, e nas astenias (cardíaca e gastrointestinal). O princípio ativo do muirapuama seria um alcalóide análogo à “Yohimbina” encontrada no “Johimbine”, do Cameroun, no Coryanthus johimbe e outras plantas africanas, um dos mais notáveis afrodisíacos.

O poder do peiote

A lenda índia do peiote é deveras interessante: conta-se que algumas tribos de Sonora, os Guachichiles, ocupavam um imenso território dos Estados de San Luis Potosí, Zacatecas e Coahuila, quando um profeta chamado amajakuagy se rebelou ao tentar mudar os costumes seculares. Foi então perseguido e torturado e seu utensílios mágicos foram jogados na água. Então Majakuagy suplicou aos deuses e estes compadecidos, transformaram seus utensílios em uma planta maravilhosa dotada de poderes sobrenaturais, que tinha a virtude de colocar quem as usasse ao abrigo da fome e da sede por tempo considerável.

Posteriormente, Majakuagy impulsionou um costume de perigrinação a Rhaitomuany para que fosse realizado o cerimonial ou ritual do peiote.

Para Ullu Temay, um xamã dos índios huichol, do México, seus verdadeiros poderes são revelados através de visões provocadas pelo peiote. Imagens caleidoscópias aparecem depois que o xamã come os botões, ou topos, do cato alucinógeno. Através da visão, o xamã sai da realidade e entra em um mundo interior, onde os espíritos revelam os segredos de sua onipotência e o ensinam como usar e expandir seus poderes.

Enquando come o peiote, o xamã segura um disco multicolorido onde visões anteriores estão reproduzidas. Estes discos o auxiliam a evocar alguma promessa feita aos deuses durante uma visão precedente; a oferenda do disco também é uma maneira de cumprir com este dever.

Os discos coloridos também são considerados recompensas dos deuses pela obediência a um voto ou trato e supostamente, contêm a essência dos deuses. O xamã cria também uma outra ferramenta de poder prendendo penas de aves a setas. As aves são os mensageiros das divindades. As varas são então, usadas em associação com os discos, craindo um canal para troca de mensagens com os deuses. Estes instrumentos, guardados em uma cesta trançada, são usados em quase todos seus rituais xamânicos.

Nos últimos tempos, há uma grande difusão do peiote entre as reservas indígenas dos Estados Unidos, especialmente entre os Delaware de Oklahoma.

Os efeitos do peiote são parecidos com os do LSD: produz alterações em todos os sentidos, visões em coloridos abstratos, como um caleidoscópio, figuras de monstros, acarretando também, pertubações em sentido do tempo.

O Doutor-índio

Muito se deve ao conhecimento indígena sobre ervas, mas não se pode desconhecer a oculta ou aberta oposição que os médicos já fizeram por vezes a estes seus concorrentes. Verdade ou lenda, o episódio do Doutor índio lembra esta hostilidade. Acusado de exercício ilegal da arte médica, entregue ao intendente médico da capital azteca e no ponto de ser condenado por imperícia, o pobre curandeiro pediu para que seus juízes cheirassem o perfume de uma erva que lhes presenteou. Todos foram imediatamente atacados de uma violenta hemorragia e o acusado desafiou-os a sustá-la. Mas todos os remédios que aplicaram não deram resultado até que o índio lhes apresentou aos narizes um outro vegetal que estancou o sangue como que por encanto.

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