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Fala sagrada dos Guaranis

A fala sagrada dos Guaranis

Pierre Clastres, foi o antropólogo que escreveu o livro ” A Fala Sagrada ” , Mitos e Cantos Sagrados dos Índios Guaranís – Ed. Papirus . Ele diz que os índios guaranís denominam as palavras que lhes servem para se dirigir a seus deuses de “Belas Palavras”.

Bela Linguagem, Fala Sagrada é agradável aos ouividosdos divinos, que as consideram dignas de sí. Rigor de sua beleza na boca dos sacerdotes inspirados que as pronunciam; embriaguez de sua grandeza no coração de homens e das mulheres que os escutam.

Essas ñe´ë porä, essas Belas Palavras, ecoam ainda nos lugares mais secretos da floresta que, desde sempre a, abriga aqueles que, autonomeando-se, Ava, os Homens, se afirmam assim depositários absolutos do humano. Homens verdadeiros portanto, e axacerbados por um orgulho heróico, eleitos dos deuses, marcados pelo sinal do divino, esses que se dizem igualmente os Jeguakava, os Adornados.

As plumas das coroas que ornam suas cabeças murmuram ao ritmo da dança celebrada em homenagem aos deuses. A coroa reproduz a chamejante cabeleira do grande deus Ñamandu.

O desejo de eternizar o povo, procurou seu encaminhamento no aprofundamento da Palavra. O desejo guaraní de transcender a condição humana ultrapassou por sua vez a história, e conservando intacta sua força através do tempo, investiu totalmente no esforço do pensamento e de sua expressão falada.

Linguagem de um desejo de supra-humanidade, desejo de uma linguagem próxima da dos deuses : os sábios guaranís souberam inventar o esplendor solar das palavras dignas de serem dirigidas somente aos divinos.

Sabe-se que quas todos os guaranís conhecem e sabem contar os mitos da tribo. Mas só uma minoria de homens sabe falar com os deuses e receber suas mensagens : os sábios são os senhores exclusivos das Belas Palavras, detentores respeitados do arandu porä, o belo saber.

Uma embriaguez verbal toma conta do orador, de quem se pode dizer então que, literalmente, não é ele quem fala mas, através dele, os deuses.

Linguagem da qual nos comprazemos em imaginar o eco longínquo do discurso dos antigos profetas, sobre quem os índios diziam que eram ñe´ë jara, os mestres das palavras. Segue abaixo um trecho traduzido :

Ele ergueu-se :

de seu saber divino das coisas,

saber que desdobra as coisas,

o fundamento da Palavra, ele o sabe por sí mesmo.

De seu saber divino das coisas,

saber que desdobra as coisas,

o fundamento da Palavra,

ele o desdobra desdobrando-se,

ele faz disso sua própria divindade

Ñamandu, pai verdadeiro primeiro

Conhecido o fundamento da Palavra futura,

em seu divino saber das coisas,

saber que desdobra as coisas,

ele sabe então por sí mesmo

a fonte do que está destinado a reunir

A terra não existe ainda,

reina a noite originária,

não há saber das coisas;

do saber que desdobra as coisas,

ela sabe então por sí mesmo

a fonte do qual está destinado a reunir.

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