Entrevista com Roberto Mancini, jardineiro e paisagista

Entrevistei Roberto Mancini. Jardineiro e Paisagista vive sua vida para as plantas e conheceu o Maha Lilah em Alto Paraíso de Goiás há 19 anos e desde então vêm estudando e pesquisando este jogo em busca de uma versão para Brasileiros.*Tem uma maneira única de interpretar o jogo,pois se baseia no que está acontecendo aqui e agora e como podemos encontrar o Divino dentro de nós durante o encerramento do jogo, para poder despertar a auto-consciência*

Maha Lilah, Leela ou simplesmente Lila é uma pratica que provém da cultura védica e se seu nome original é Gyan Chaupad (Gyan = conhecimento, Chaupad = jogo de dado), e é conhecido também como o jogo do auto-conhecimento, ou Grande Jogo.

Seu propósito é ajudar o jogador a obter a habilidade para ser um melhor “jogador”, em todos os sentidos.

Uma vez dentro do jogo e assumida a identidade pessoal, ouvindo a essência de que és um jogador, o jogo e seus movimentos são decididos pela lei de ação e reação.

Gyan Chaupad é o verdadeiro nome deste Jogoráculo…houve uma época em que a humanidade desfrutou de uma plenitude em que a Paz reinava sobre a Terra e as pessoas evoluíam naturalmente em contato com as Forças Telúricas e Divinas da Vida.A ausência de domínio do homem sobre o homem fazia tudo prosperar…mas a ganância e o egoísmo conseguiram iludir os seres humanos e começaram a surgir pessoas que se tornavam líderes para poder dominar outras pessoas…surgiu a religião, enquanto instituição,e pouco a pouco, as pessoas foram perdendo o contato com o Deus Interior e passaram a venerar o Deus Exterior…naquela época existia uma casta de sábios na India que se dedicavam a educação e cultura das pessoas, eram conhecidos por Rishis…tinham como missão de vida manter o Plano Divino sobre a Terra…quando perceberam que a humanidade estava caminhando para o idolatrismo resolveram criar uma forma de preservar o auto-conhecimento para garantir que gerações futuras pudessem conhecer a Verdade de se viver neste planeta.

Diz a lenda que criaram este jogo para preservar a pratica da autoconsciência. O nome Maha Lilah foi adotado como um disfarce, pois Gyan Chaupad significa Sabedoria num jogo de dados e Maha Lilah significa Suprema Diversão. Entre sabedoria e diversão, foi adotada esta segunda opção, pois poucos iriam perseguir uma brincadeira…tanto é que 3 mil anos se passaram e poucas pessoas sabem da existência deste jogo.

O conhecimento foi passado de pessoa p/ pessoa sem grandes divulgações para não cair na vulgaridade

O Maha Lilah proporciona o despertar da atenção sobre si mesmo, com isso fazendo com que cada um se responsabilize por tudo que lhe aconteça. No mundo do livre-arbítrio a cada ação se produz uma reação, causa e efeito são as regras básicas do jogo da vida real.

 

Maha-Lilah – A Suprema diversão

Léo Artese: Primeiramente conte-nos um pouco sobre sua infância, seus estudos, até chegar ao Maha-Lilah.

Roberto Mancini:

Sou filho de pais que viveram suas vidas para fazerem os filhos felizes. Tínhamos uma industria de fogos de artifício que depois com o tempo se transformou em industria de arvores e enfeites de natal. Ocupava uma área grande em Leme-SP, minha cidade natal, onde tínhamos um pomar enorme e meu avô cultivava uma linda horta orgânica lá. Cresci cheio de mimos e cuidados. Meu pai era umbandista, minha mãe espírita kardecista, minha vó católica e meu avô ateu. Tínhamos uma harmonia nessa diversidade religiosa onde nunca um queria convencer o outro sobre seu ponto de vista . Meu pai dizia que religião e time de futebol não se discutia. Estudei em Leme até completar o ensino médio, me formei técnico em contabilidade para fazer a vontade do meu pai, mas não trabalhei com isso. Entrei para a saúde pública em 1982 e fui trabalhar na área epidemiológica com tuberculose e hanseníase, onde o interesse em ajudar os outros despertou em mim. Em 1985 me mudei para Alto Paraíso de Goiás para trabalhar em prol de comunidades alternativas e em 1987 conheci o Maha Lilah por lá.

Léo:O que significa realmente Maha Lilah e qual a sua origem?

Roberto:

Literalmente, Maha Lilah significa Suprema Diversão. Surgiu na Índia a milhares de anos atrás, segundo o que eu ouvi, antes de qualquer escrito sobre filosofia e religião. É um método de autoconsciência na forma de um jogo, estruturado em um tabuleiro numérico que obedece uma ordem cardinal que vai do numero 1 ao 72. Subdivididos por oito planos ordinais, de baixo para cima, contendo nove números em cada plano.

Léo:Como o jogo chegou ao ocidente?

Roberto:

Pelo conhecimento que eu tive, foi Harish Johari, um indiano que o levou para a Europa por volta de 1940 ou 1950, não sei ao certo. Sinceramente, não tive interesse pessoal em pesquisar sua origem, filosofia e cultura , de imediato, meu interesse foi usar esse método ou jogo comigo mesmo e com as pessoas que eu encontrava. Aprendi os nomes das casas e planos e fui atrás de comprovar sua eficácia na pratica.

Léo:O que o jogo pode trazer ao jogador? Quais são os ganhos?

Roberto:

O jogo pode trazer autoconsciência sobre o comportamento do jogador, o exercício do dialogo consigo mesmo e a clareza do caminho interior a percorrer na busca pela felicidade pessoal. Os ganhos com isso é poder desfrutar de uma paz interior e uma clareza de pensamentos e sentimentos, que a pratica desse jogo proporciona.

Léo: Cite um jogo que marcou muito na sua trajetória?

Roberto:

Foi minha primeira vivência em grupo ou workshop, tive a ideia de fazer as pessoas andarem num tabuleiro gigante, aconteceu em 21-9-1990 na Universidade Holística de Brasília. Foi maravilhoso o resultado obtido, até então inédito esse procedimento aqui no Brasil, por isso que me marcou.

Léo: Como o jogo se constitui?

Roberto:

Basicamente é um jogo de trilha, conduzido por um dado. Começa-se na casa 6 e tem como meta chegar na casa numero 68. A cada casa que se passa no tabuleiro numérico traz uma mensagem ao jogador(a) sobre seu comportamento ou algum conselho sobre a atitude a ser tomada . Como o jogo representa a vida real onde a cada ação produz-se uma reação, boas atitudes para consigo e com os outros geram ascensão e más atitudes geram quedas.

Léo:Explique os símbolos do tabuleiro?

Roberto:

Na dinâmica do jogo existem símbolos da espada e da serpente. Podemos definir as espadas como escadas e as serpentes como escorregadores. Sempre ao pararmos no punho da espada, subimos para a casa onde está a ponta dela. Ao pararmos na casa onde está a cabeça de uma serpente, descemos para casa onde se encontra a ponta de sua cauda.

Léo: Como o jogo termina?

Roberto:

O jogo termina quando conseguimos parar na casa 68 que se chama Consciência Plena

Léo: Porque um jogo e não um oráculo?

Roberto:

O termo jogo é mais fácil de ser compreendido pelo ocidental, na verdade é um jogoráculo, uma combinação de ambos. Como espelho de expressão, ele reflete aquilo que o jogador ou consulente está evidenciando, enquanto expressão, no momento de jogar o dado.

Léo: Como ele pode ser comparado com os oráculos conhecidos?

Roberto:

Através da sincronicidade matemática de sua estrutura, ele possibilita agregar todo tipo de ciência, filosofia e religião , na interpretação de um caminho pelo tabuleiro ou num jogo. Ele desperta o dialogo interno do eu inferior com o eu superior. Ele possibilita o contato com o mundo interno de quem o usa, por isso que pode ser assimilado também com os outros oráculos.

Léo: Além do Maha Lilah, você também tem uma habilidade especial com as plantas. Fale um pouco sobre isso.

Roberto:

Desde criança, incentivado pelos meus avós e mãe aprendi a plantar e cultivar e no decorrer do meu caminho fui me familiarizando cada vez mais com essa atividade que acabou se transformando em minha profissão. Hoje em dia, desfruto de uma experiência e familiaridade com as plantas que me permite criar e co-criar recantos e lugares dentro de um paisagismo ecológico e muitas vezes auto-sustentável.

Roberto:

Léo:Sempre ouvi falar da importância espiritual de um jardim bem cuidado, um grande Feng Shui vivo. Como você vê isso?

Eu vejo um jardim como um amuleto em um ambiente. Por esse lado, podemos concluir que é um grande Feng Shui vivo, que necessita de harmonia e beleza para irradiar equilíbrio nas formas, cores e aromas. Trabalhar a harmonização dos elementos da natureza em um jardim possibilita a saúde do ambiente domestico ou profissional.

Léo: Você presta esse serviço de harmonização de jardins para as pessoas que se conscientizam disso, mas não possui tempo e nem habilidades?

Roberto:

Sim, foi como me estabeleci profissionalmente nesses últimos 28 anos nessa área. Atualmente, primeiro com trabalho o jardim interno da pessoa com o Maha Lilah e depois posso atuar com mais eficácia no jardim externo.

Léo: Muito se fala atualmente sobre “agricultura urbana, como implantá-la na prática? Você presta essa consultoria também?

Roberto:

Meu trabalho no decorrer desses anos sempre foi voltado para harmonizar composições decorativas com utilitários. É possível, por exemplo, ter em um apartamento onde haja incidência solar, uma horta ou herbário junto com plantas ornamentais, isso pra mim é agricultura urbana, ou seja, otimizar as possibilidades de cada ambiente e explorar ao máximo sua área. Quando não há espaço horizontal, criamos condições em jardins verticais. Então se houver uma parede ensolarada, já podemos compor um cantinho de agricultura urbana. Na cidade o uso de vasos e jardineiras ajudam a compor essa presença das plantas em diferentes e até inusitados espaços. Basta usarmos a criatividade e coerência nessas composições. Em espaços maiores, como quintais, é totalmente possível introduzir a biodiversidade dos alimentos em áreas que não necessariamente precisam ser grandes. Vivemos em uma época que quanto mais plantas comestíveis tivermos em casa, menos precisaremos comprá-las.

Léo: Como é realizado e quando tempo dura um atendimento de Maha Lilah?

Roberto:

Atualmente, o Maha Lilah é realizado no Espaço Kiva Urbana com a possibilidade de usarmos um tabuleiro de 3 X 4mts. Onde a pessoa caminha por ele. A duração oscila entre 1 ou 2 hs. em cada atendimento e é gravado e enviado após consulta por email. Atendo a domicilio, no caso da pessoa não poder se deslocar até o Espaço.

Léo: Além do atendimento individual, o Maha Lilah pode ser jogado em grupos?

Roberto:

Sim, na minha opinião, é a melhor maneira de desenvolver o espírito comunitário nas pessoas, compartilhando suas questões pessoais como uma terapia de grupo. Tenho grande experiência com grupos, infantis, infanto-juvenis, famílias, casais, empresas, etc. Meu tabuleiro comporta grupos de até 10 pessoas.

Léo: Como marcar entrevistas e contatá-lo?

Roberto:

Por email: Beto@mahalilah.org e pelo celular (vivo) 11-84905107

Léo: Onde você vê o lado xamânico/espíritual de seu trabalho?

Roberto:

O despertar da Consciência Plena proporciona uma limpeza na ignorância karmica sobre si mesmo. Meu trabalho consiste em fazer as pessoas se harmonizarem consigo mesma e valorizarem seus potenciais criativos e espirituais. Aceitando a realidade tal como se apresenta, ajudo-as a encontrarem os meios para se atingir os seus ideais. Meu trabalho em síntese é de limpeza mental, emocional e espiritual de quem me procura.

Léo:Considerações finais:

Roberto:

Acessem www.mahalilah.org onde todo esse jogo ráculo está detalhado e disponível a todos gratuitamente. Grato sou Léo pela oportunidade de servir e por desfrutar de sua amizade no dia a dia. Que todos os Seres sejam felizes, que todos os Seres sejam ditosos e que todos os Seres vivam em Paz. Por todas as nossas relações, NAMASTÊ

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