Entrevista com Eugenio Musak, médico, educador e escritor

Léo Artese

Tive a honra e o prazer de entrevistar o Prof. Eugenio Mussak. Médico, educador, escritor e um dos palestrantes mais solicitados pelo mundo corporativo.Desenvolve projetos de educação corporativa, palestras e workshops por todo o país e sua principal tese: é preciso desenvolver pessoas melhores para criar empresas melhores.

Com 40 anos de magistério, Prof. Eugenio dedica-se aos temas do comportamento organizacional, como liderança, desenvolvimento e autodesenvolvimento, trabalho em equipe, mudanças, desafios, autonomia, excelência, equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Formado em Medicina na UFPR com especialização em Fisiologia Humana, é professor da FIA-USP e da Fundação Dom Cabral

Membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Recursos Humanos

Autor de vários livros, entre os quais Metacompetência, Liderança em Foco, Caminhos da Mudança e Pensamento Estratégico para Lideres de Hoje e Amanhã

Colunista das revistas Você S.A. e Vida Simples da Editora Abril, do portal UOL e comentarista da Rádio Eldorado

Além de tudo uma pessoa extremamente agradável, simpática e humana. Passaria muitas horas conversando com ele

 

Uma visão filosófica da espiritualidade nas empresas

Saudações Prof. Eugênio.

Léo: A espiritualidade, um tema quase sempre restrito às religiões é hoje um assunto debatido em congressos no mundo corporativo. Como o sr. vê esse tema nas empresas?

Prof. Eugênio:

Eu vejo isso com muita naturalidade. Percebe-se uma evolução dos temas tratados dentro das urbanizações. Imaginando que as empresas são instituições relativamente modernas no mundo pois elas começaram a ganhar corpo de fato, como instituição, no inicio do século XX quando começaram a surgir as primeiras grandes empresas que tinham uma gestão coordenadas , objetivos definidos, etc, isto tudo começou recentemente e coincidiu com o inicio de uma ciência nova chamada administração. A gestão não tinha caráter de ciência até o início do séc. XX, até que alguns empreendedores e pensadores começaram a se debruçar sobre isso. Começa com Ford, um grande empreendedor e um pensador chamado Frederick Taylor.

Assistimos durante esse séc. que passou um conjunto de mudanças significativas, a começar pela percepção de que não se pode fazer gestão de pessoas do mesmo jeito que se faz gestão de coisas. As pessoas são muito mais complexas!

Léo: Como o sr. sabe, trabalhei durante muitos anos como gerente de marketing regional de uma multinacional e na época dizia-se: Quando você entrar por esta porta…esqueça todos os seus problemas pessoais.

Prof. Eugênio:

Exatamente! Era uma visão absolutamente “fordista”! Ford acreditava nisso, ou seja: Você não está aqui para ser feliz e sim para trabalhar. Vá ser feliz na sua vida pessoal.

Tanto é que até hoje nos EUA usa-se a expressão “Work-life balance”. Uma expressão consagrada que significa o equilíbrio entre a vida pessoal …aliás na verdade é o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Como se o trabalho não fizesse parte da vida.

Léo: Sinto que o processo de coaching está buscando isso atualmente, correto ?

Prof. Eugênio:

Exato! Hoje se você pensar em gestão de pessoas…quem foram os grandes responsáveis pelos departamentos de recursos humanos das empresas brasileiras ao longo do séc passado? Primeiramente foram os engenheiros, que eram os empreendedores, que tem o pensamento bastante lógico e até porque as primeiras grandes empresas foram as industrias. Os engenheiros cuidavam das pessoas.

Daí chegaram as leis trabalhistas na época do Getúlio Vargas e o departamento de recursos humanos foi entregue para os advogados, que se preocupavam em proteger as empresas contras as demandas trabalhistas. Depois que organizaram a parte legal dos recursos humanos, eles entregaram para os administradores que estavam surgindo no Brasil na década de 60. O primeiro curso de administração do Brasil foi em 1954. Então nos anos 60 começaram a surgir profissionais especializados em administração de empresas que passaram a ser os responsáveis pela gestão de pessoas.

Os administradores perceberam que não podiam fazer gestão de pessoas como se faz gestão de coisas, porque as pessoas têm pensamentos, sentimentos, ansiedades, sonhos…Enfim. Daí, eles chamaram os psicólogos, que foram os grandes responsáveis pela mudança e elevação de patamar dos recursos humanos e eles por entenderem o grande o nível de complexidade da alma humana, chamam outros profissionais para participar, como, por exemplo, os educadores, pois a gestão passa pelo desenvolvimento de pessoas . Atualmente os educadores têm um papel direto..E foi quando entrei. Comecei a trabalhar com recursos humano há uma década e nunca fui um executivo de RH e nem tenho formação nessa área. Minha formação é em educação, minha grande experiência é na área educacional.

Léo : O sr. é medico também!

Prof. Eugênio:

Originalmente sim! Sou formado em medicina, mas sempre fui ligado na educação. Fui proprietário de Colégio, sou professor há 40anos, ajudei a fundar muitas escolas, universidades. A minha carreira é toda ligada a educação. E assim acabei entrando na educação corporativa, que tem uma interface muito grande com Recursos Humanos.

Léo: Antigamente as empresas tinham uma preocupação em fazer testes de QI (Quoficiente de Inteligência para a admissão de funcionários).

Prof. Eugênio:

É evidente que as pessoas tem que ter um QI. Mas este teste, para se ter uma idéia, foi desenvolvido por um psicólogo Francês Chamado Albert Binet em 1903 e ele analisava basicamente a capacidade de raciocínio lógico da pessoa.

Léo: Virou museu, não é professor?

Prof. Eugênio:

Eu diria para você que ele sofreu algumas mudanças e em alguns lugares ainda é empregado. Eu não acho errado, desde que você tenha a necessidade de selecionar pessoas que precisam, de fato, ter um raciocínio lógico muito elevado. Então dependendo da função da pessoa é natural que se faça. Apesar de que eu acho que acaba sendo desnecessário, porque se precisar de alguém que tenha pensamento lógico, certamente irá contratar pessoas da área da lógica. Não irá contratar um filósofo ou professor de língua portuguesa para desempenhar um trabalho técnico de lógica matemática. Irá contratar um matemático, um engenheiro, que naturalmente tem um pensamento lógico desenvolvido. Portanto acho esse teste bastante questionável hoje, principalmente depois do livro do Goleman , e também no livro do Gardner que traz a ideia das inteligências múltiplas. A única coisa que o teste de QI mede é a inteligência lógico-matemática, o que é uma das inteligências, mas atualmente, na maior parte dos trabalhos, não é a mais importante.

Hoje as duas inteligências mais valorizadas para selecionar um executivo ou um profissional de qualquer área é a inteligência interpessoal e intrapessoal. É a pessoa conhecer-se, saber ter noção das suas potencialidades, das suas forças, das suas fraquezas, saber o que quer da vida, quais são os seus sonhos…Enfim isto está ligado com a inteligência intrapessoal. E, a capacidade de se relacionar, trabalhar em equipe, ter e aceitar liderança, que é a inteligência interpessoal.

Léo: E também é importante desenvolver as habilidades de comunicação.

Prof. Eugênio:

Então você está falando da inteligência interpessoal e da inteligência linguística também. Que significa saber usar bem as palavras, harmonizar as palavras para criar frases inteligíveis e agradáveis. Isso realmente é o que interessa hoje. A parte técnica é muito mais fácil de corrigir se você tem um profissional que tem uma deficiência técnica, os programas de treinamento da empresa corrige. O duro é corrigir temperamento, personalidade, comunicação, harmonia humana, sociabilização. E quando você fala em espiritualidade, o que se entende por espiritualidade nas empresas é uma coisa que está ligada a isso. Com exceção das empresas que tem uma religião por trás e isso vejo principalmente nas empresas cujo fundador é um pentecostal. Por exemplo, um dia desses estava em Alagoas, num hotel, e tinha na fachada uma frase escrito com letras grandes com cunho evangélico, então você percebe que ali é importante a vinculação religiosa . Isso é um viés da espiritualidade, que não é a espiritualidade que as empresas buscam hoje

Léo: Claro! E o sr. tem recebido convites para palestrar sobre esse tema?

Prof. Eugênio:

Especificamente não! E se me pedem o meu escritório já encaminha para outros profissionais que já falam sobre esse tema Agora é comum que me peçam que durante a minha fala sobre liderança, mudanças, resiliência, comportamento organizacional, eu acabo atendendo pois faz parte do grande capitulo de comportamento organizacional.

Léo : Responsabilidade social, ecologia, por exemplo!

Prof. Eugênio:

Sim! Por exemplo, eu abri o Primeiro Congresso de Sustentabilidade da Bahia de Todos os Santos, lá em Salvador. Imagine que lá é um lugar onde a espiritualidade é forte! Tem muitas igrejas católicas, muitas terreiros de umbanda e candomblé e também uma grande quantidade de igrejas evangélicas.Lá esse tema é muito forte. Então fui lá falar com eles sobre respeito humano. Enfim, acabei dando a ideia, que eu pessoalmente gosto muito, que é ter um viés espiritual, mas que a fonte está na filosofia. É uma visão aristotélica. Aristóteles era filósofo, mas também astrólogo, e um dia ele se referiu ao fato de que uma das diferenças que está entre os homens e os animais é a de que os animais não tem nenhuma preocupação em tentar entender ou quanto mais explicar ou justificar sua própria existência. O bicho só quer viver um dia após o outro. Agora nós seres humanos temos uma coisa chamada dilema existencial que busca a resposta para: O que estamos fazendo aqui? A busca pelo sentido da vida. E o ponto de vista de Aristóteles é a de que estamos aqui por duas razões: a primeira para evoluir. Quando falamos de evolução inclui-se a evolução espiritual. Agora, o que é espírito vai variar de acordo com a crença, com a área do conhecimento que você usa como referencia. Se você perguntar para Freud o que é espírito, ele responderá que é a mente. Se perguntar para o Dalai Lama ele dirá que é a alma, que se recicla, que vai e volta , na crença da reencarnação. Então depende da crença ou da base teórica que você utiliza. Mas Aristóteles já falava nisso, que estamos aqui para evoluir espiritualmente. E a segunda missão que nós teríamos seria a missão de deixarmos esse mundo melhor. A minha existência no planeta se justificaria (Aristóteles = para que o homem existe), se eu deixar esse mundo melhor do que era antes do meu nascimento.

Léo A necessidade da contribuição de cada um.

Prof. Eugênio:

Isso, o legado! Esse mundo melhorou porque eu existi. E, posso deixar esse mundo melhor por algumas maneiras. Uma delas é exercendo bem o meu ofício. Todos nós temos um trabalho, um ofício, uma missão laborativa e quanto melhor fizer esse trabalho, fazer o que os outros esperam que eu faça, estou colaborando com o mundo. Um médico cura pessoas, um engenheiro constrói casas, o advogado legisla, o cozinheiro produz alimentos, o agricultor planta, o professor ensina, o motorista de táxi transporta pessoas…a pessoa tem uma missão profissional que através do seu exercício colabora com o mundo. Eu devo procurar fazer isso da melhor maneira possível, mas não é só nisso que ajudamos o mundo a ficar ,melhor, também colaboramos com a melhoria do mundo através de nossas ações que podem estar dentro ou fora do trabalho, que dizer se eu vejo alguém jogando um copo plástico na rua e eu junto esse copo e jogo no lixo é uma ação minha que colabora com o mundo . Se eu colaboro com a limpeza, planto uma árvore, se ajudo uma pessoa com dificuldade, produzo arte…Qualquer coisa que eu faça dentro ou fora do trabalho que esteja colaborando com o outro estará ajudando o mundo a ficar melhor.

E a terceira maneira para fazermos um mundo melhor, e nisso Léo você é um grande especialista, são as nossas palavras, a maneira como falamos, porque eu sou absolutamente convencido que há palavras que destroem relações e ideias. E ao contrário existem palavras que constroem. Então a ideia é que você não profira palavras que, de alguma forma, possam destruir relações, esperanças, ideias.

Portanto através dessas ter maneiras: o trabalho, ações e palavras, estará ajudando o mundo a ficar melhor e a cada vez você também estrá melhorando e evoluindo espiritualmente. Então é uma visão maravilhosa, porque desta forma nos deslocamos um pouco a visão da espiritualidade e não precisaríamos de “grandes tempos, pois o mundo seria o nosso tempo. O planeta e a natureza seriam nosso tempo. Nos não precisamos de muitas orações, precisamos de atitudes, precisamos de ações concretas.Voce certamente conhece pessoas que se dedicam a orar e depois…

Léo : Chutam o primeiro cachorro que aparece na frente…

Prof. Eugênio:

Isso! São incoerentes com as suas propostas de orações.

Léo: Conheço grandes ateus também!

Prof. Eugênio:

Tenho certeza de que você conhece excelentes ateus que estão ajudando o mundo a ficar melhor . Então essa visão de espiritualidade no trabalho que eu acredito mais, ou seja nas ações.

Léo: Que na verdade o conceito é esse, ou seja, não tornar a espiritualidade no trabalho em mais uma religião.

Prof. Eugênio:

E de fato não é ! E sim a visão de melhorar o mundo através de suas ações, dessa maneira, com certeza, as pessoas estarão num caminho de evolução.

Léo: Como o sr. vê o capitalismo no futuro?

Prof. Eugênio:

Eu não acho que as coisas são incompatíveis. O capitalismo é um sistema social e político que não é incompatível com a espiritualidade, basta que saibamos separar as coisas. Já que estamos falando de espiritualidade isso está na Carta aos Corintios: Ele é questionado se o povo deve pagar impostos ao César e ele responde de forma brilhante : Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Eu diria que um dos maiores temas que permeiam as discussões administrativas , políticas, hoje talvez a maior representante desse discurso seja Marina Silva, pois ela prega que é possível promover o desenvolvimento com sustentabilidade . E o que significa isso? Nos podemos produzir riquezas…mas parar de agredir o meio-ambiente.

Léo: Na verdade o modelo seri um novo capitalismo, correto?

Prof. Eugênio:

Um novo capitalismo! E eu não creio que haverá outra alternativa. Por um motivo óbvio, os recursos são finitos e a ambição humana é infinita . Nós teremos que aprtender a compatibilizar essas coisas , Não vai ter como, porque os recursos irão se esgotar. Ou desenvolvemos novas tecnologias ou diminuímos dramaticamente nossa ambição …o que é impossível. O ser humano não vai diminuir sua ambição e aténem ébom que faça , o que promoveu o desenvolvimento tecnológico, social, cientifico, econômico foi a ambição humana. A ambição não é ruim. Só é ruim quando ela é egoísta e se volta apenas para o acumulo de dinheiro e ai se comfunde com a ganância . a principal ambição que eu vejo que as pessoas devem ter é como ser uma pessoa espiritualizada. Eu estou aqui para deixar esse mundo melhor

Minha filha Débora é designer, estudo em Milão na Itália, e ela esta desenvolvendo um projeto, um site que fará um comercio eletrônico de estampas . para quem não é da area não significa nada, mas é um negócio de grandes proporções porque há um grande mercado de estampas no Brasil, e a maior parte é comprada no exterior ela está promovendo o mercado nacional . Aproximando os artistas inclusive ela, das confecções, das industrias.

Léo: Muito inteligente!

Prof. Eugênio:

Mas a empresa dela tem uma visão e uma missão. A visão dela é deixar esse mundo mais belo.

Léo: Uma visão sustentável, professor!

Prof. Eugênio:

Sim! E a missão, que é a forma de realizar a visão, é a de promover o mercado brasileiro dos artistas de estamparia, que não são valorizados no Brasil. Há muitos artistas de estamparia, que por não serem empreendedores, não sabem como chegar às confecções. E quando conseguem chegar são explorados. O que ela fez? Partiu de uma visão de deixar esse mundo mais belo. Eu não tenho a menor dúvida de que ela irá ganhar muito dinheiro. Só que o dinheiro será a consequência da missão e da visão. Então eu acho que este é o novo capitalismo a que você se refere. Termos visão de um mundo melhor e missões de como que através de minha empresa, produto ou serviço vou conseguir fazer esse mundo melhor , mais confortável, mais seguro, mais belo, feliz, terno culto, ou seja, tudo o que é melhor. Isso Léo, é uma visão espiritualizada porque sai um pouco de que uma empresa somente existe para ganhar dinheiro. Dinheiro é mera consequência.

Léo O Sr. esteve com Fritjof Capra?

Prof. Eugênio:

Eu tive a felicidade de conhecer o Capra num congresso de depois fomos juntos para o Pantanal, no Mato Grosso, e eu quase morri de vergonha porque ele me perguntava o que é isso? Eu respondia jacaré, tuiiuiu e aquilo ali: Bom aquilo é uma garrafa pet boiando. Morri de vergonha! Eu e minha esposa Luciana estivemos com ele inclusive, fomos para Berkeley onde ele mora , almoçamos, ele é uma pessoa muito agradável.

Léo: Ele tem uma abordagem holística da empresa ?

Prof. Eugênio:

Sem dúvida, se você ler o livro a “Teia da Vida”, percebe isso com clareza, ele fala muito da echo-literacy, uma expressão criada por ele que significaria algo como literacy=alfabetização. Quando a criança vai para o colégio ela começa sua formação pela literacy ou seja echo-literacy seria a alfabetização ecológica. As pessoas devem entender isso, o conjunto de causas e efeitos que passam despercebidos pelo planeta

Léo: De suas conversas com ele o que destacaria como um dos pontos mais interessantes?

Prof. Eugênio:

Eu diria para você que é exatamente essa reflexão da teia da vida, o conceito de que tudo está ligado a tudo. Para mim é o livro mais importante dele, ainda que ele tenha sido mais famoso pelo Ponto de Mutação , eu gosto muito dessa visão ecológica dele, que não se limita à natureza, é tudo, como se relacionar com os seus vizinhos, o que fazer co,m seu lixo, como você consome, se é um consumo consciente, quanto tempo leva para tomar um banho etc.

Chegando lá em Los Angeles, aluguei um carro elétrico. Na verdade um carro híbrido, o tal do Prius (Toyota), um carro de motor elétrico só que ele precisa ser recarrega e para isso tem um outro motor a gasolina Com isso ele faz algo em torno de 25 km por litro de gasolina. É um carro mais econômico e evidentemente loquei esse carro. E quando chegamos em Berkeley, ele tinha o mesmo carro. Pela condição dele poderia ter um Mustang ou algo assim, mas ele tinha um carro econômico. Ele é bem coerente com aquilo que fala. E anda bastante, usa pouco o carro. Enfim uma pessoa maravilhosa, foi um ótima oportunidade que eu tive de conhecer um dos grandes pensadores da era moderna

Léo: Como o sr. poderia classificar uma empresa holística ?

Prof. Eugênio:

Eu sinto que é exatamente a empresa que conserva a consciência de que ela não está desconectada do mundo, do planeta em que ela está inserida. Ela tem uma conexão direta com a sociedade que ela costuma chamar de mercado onde a sociedade está inserida num complexo maior do que todos os aspectos ecológicos . a natureza que nos sustenta e que depende de nós para ser sustentável.

Léo: E no âmbito dos negócios, como o sr. vê isso?

Prof. Eugênio:

Vejo tudo absolutamente sincrônico. Veja que na eleição para presidentes tivemos uma candidata que é representante dos movimentos ecológicos e seu vice um dos homens mais ricos do Brasil, um empresário extremamente bem sucedido e proprietário de uma empresa que tem como fundamento a sustentabilidade. A Natura nasceu com esse principio. Eu a conheço bem, já trabalhei bastante com a Natura e sei que ela sse notabilizou por essa visão ecológica. Aproximou o produtor de castanha da Amazônia com a socialite aqui de São Paulo que irá usar o creme que produzido baseado no produto que é trazido de lá, com total respeito não só a floresta mas com os povos da floresta. Conheço bem o Guilherme, sempre converso com ele, é um empresário que como os outros também está preocupado com o business, lucro, market share…Todas as preocupações que um empresário nacional, mas ele também tem uma preocupação com o outro lado, com a natureza.

Tem o caso do Fábio Barbosa, presidente do Santander que era presidente da ABN um banco menor que foi comprado pelo Santander e conseguiu um dos raríssimos casos em que um presidente da nova empresa era o presidente da empresa comprada. Isso aconteceu porque ele criou uma cultura muito forte da preservação, do respeito, pelo banco não financiar projetos que não sejam sustentáveis, não abre conta de uma empresa que notoriamente está agredindo a natureza. Tudo isso faz com que ele perca o dinheiro. Pelo contrário ele está estimulando outras empresas a serem ecologicamente sustentáveis.

Léo: Quais as competências que esse líder da Nova Era tem que desenvolver ?

Prof. Eugênio:

Eu publiquei um livro em 2003 livro chamado meta-competência. Meta-competência é uma expressão, um neologismo que não significa uma competência a mais e sim uma visão holística das competências. Vamos falar de meta-competência quando prestamos atenção em quatro tipos de competência que são:

Competência Técnica. Evidentemente todo o profissional e toda a empresa deve ter, Por exemplo, a Natura tem que saber fazer cosméticos. Você Léo como acupunturista, tem que conhecer a técnica da acupuntura que é parte da Medicina Tradicional Chinesa. Tem que conhecer os meridianos, os pontos. Então tuodo tem um lado técnico. Mas esse lado técnico já não se sustenta, ele precisa de outros tipos de competência.

Competência Prática. – na verdade aqui são todas as competências do mundo da gestão. A capacidade de administrar, fazer planejamento, estratégias, controles, estabelecer conexões com outras empresas e tudo o que é preciso para exercer a competência técnica. Certa vez estava jogando tênis em um Hotel e dei um mal jeito nas costas e meus amigos me recomendaram uma clinica de acupuntura e eu fui e deu uma melhorada dramática. O tibetano me aplicou as agulhas e depois eu fiquei um tempo lá deitado, depois recebi uma massagem, ou seja foram vários aspectos técnicos que me fizeram melhorar imediatamente. Mas para ele ter a aquela clínica ele tem que ter secretária, telefone, agenda, espaço físico, fazer propaganda ou seja um conjkunto de fatores práticos que permitam exercer a sua competência técnica. E é onde o pessoal se perde. Eu conheço um médico brilhante na parte técnico mas na parte prática ele não consegue ter uma boa carreira. A área de empreendedorismo é uma competência prática.

Competência Ética. Que são as competências de relacionamento com outrs pessoas, clientes, funcionários, fornecedores, com a imprensa, com a natureza, etc. Então ai entram os fatores de respeito, iniciativa, sustentabilidade, cuidado e todas as competências que melhorem as relações do profissional ou da empresa com o mundo que o rodeia.

Competência Estética. Que são as competências do belo. Claro que nós somos atraídos pelo belo, gostamos de estar em ambientes belos, por isso nós fazemos arte, arquitetura, design, moda e eu coloco também a comunicação…

Léo: Puxa…professor eu estava esperando por isso(risos)! Eu espera puxar essa brasinha para o meu lado.

Prof. Eugênio:

Eu sei! Eu considero a comunicação uma competência essencial. Eu coloco no conjunto das competências estéticas e é engraçado porque você poderia argumentar que é uma competência prática. E é, mas eu coloco aqui pelo seguinte, tem gente que fala e você não entende. Tem gente que fala e você entende. Mas tem gente que fala e você se encanta.

Léo: É Verdade!

Prof. Eugênio:

Quando uma pessoa fala e você se encanta você estará vendo uma grande competência pela formulação das frases, pela escolha das palavras, pela sensibilidade no falar. Você não tem vontade de parar de falar com essa pessoa. Eu conheço algumas pessoas assim!

Léo: Aí entra a empatia!

Prof. Eugênio:

Empatia, capacidade de saber ouvir. Você sabe muito bem Léo, enfim a comunicação entra, é claro, como um capitulo importantíssimo das competências humanas, para que possamos desempenhar bem o nosso trabalho e para que as empresas possam ter sucesso naquilo que se propõem.

Então veja que nessas competências a espiritualidade entra. Eu colocaria entre as competências éticas você ter uma visão espiritual.

Léo: Há um palestrante e escritor nos EUA, o Zig Ziglar, que coloca uma frase que faz muito sentido para a Espiritualidade nas Empresas: Se você quer obter seus resultados, ajude as pessoas a conseguir aquilo que elas querem!

Prof. Eugênio:

É isso ai! A minha visão é essa também. Eu não tenho outra, e acho que estamos aqui para isso. E é essa a visão que gosto de passar para as empresas que me contratam . Não importa se a empresa é privada ou pública. Todos nós estamos aqui para trabalhar para dar o melhor de nós.

Léo: Aliás de sucesso o sr. pode falar à vontade. O sr é um dos palestrantes mais procurado pelas empresas. Qual é a receita?

Prof. Eugênio:

Existem vários palestrantes competentes e bem sucedidos no mercado. Muitos deles são meus amigos pessoais. Não me considero o cara (modéstia), eu pertenço a um grupo de pessoas de sucesso.

Agora ser bem sucedido nessa área, não é diferente do que ser bem sucedido em qualquer área. O sucesso não vem do nada e sim de um caminho a ser percorrido, uma experiencia a serem adquiridas, um conhecimento a ser desenvolvido. E isso tudo leva tempo. Eu sou palestrante há menos de 10 anos e tenho sessenta anos de idade, com uma experiência de quarenta anos de magistério acumulada, aproximadamente 20.000 horas de sala de aula . Não tem formula mágica! Depende de uma experiência de vida. Os bons palestrantes são pessoas de experiência de vida. Isso é ponto pacífico! Eles desenvolvem uma idéia inovadora do mundo, mas com experiência de vida. Você não vê palestrantes muito jovens. Acredita-se mais em pessoas com experiência de vida que tem uma serenidade maior. Os palestrantes jovens são muito focados, eles falam, por exemplo sobre vendas, marketing, principalmente essas áreas mais técnicas. Mas aqueles que falam sobre comportamento humano são todos mais velhos. O aprendizado da vida não dá para abreviar.

É claro que também o desenvolvimento de competências da comunicação, da organização lógica dos temas tratados, de compreender bem a necessidade do cliente, falar sobre o te3ma de forma que faça sentido para as pessoas e para completar ter uma visão de mundo e uma missão . A minha visão é ajudar o mundo a ficar melhor através da atividade empresarial. Minha missão é o desenvolvimento de pessoas nas organizações. Trazer o lado comportamental da educação corporativa.

Então quando você pede para eu falar de espiritualidade, na verdade estou falando de espiritualidade o tempo todo.

Léo : Agradeço professor, pelo tempo dedicado à nossa entrevista .

Prof. Eugênio:

Para mim foi uma honra.

Para solicitar palestras e treinamentos com o Prof. Eugênio Mussak acesse o site: http://www.sapiensapiens.com.br/

Na Luz das Virtudes

Léo Artese

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