Entrevista com a pedagoga, psicóloga e terapeuta Carminha Levy

Carminha Levy – A mãe do Neo-xamanismo do Brasil

Léo: Gostaria que você falasse um pouco da infância da Carminha…

CL- A minha infância começa com eu nascendo com aquela película, empelicada (uma película que cobre o corpo no nascimento:um dos primeiros sinais de iniciação xamânica). Desde cedo eu via os seres da natureza, morei no sertão. Nasci em Pernambuco, há 73 anos atrás. Tive uma vida, realmente muito cheia de amor, muito amor mesmo. Minha mãe, foi uma mãe plena, vivi no sertão, depois fui para Recife, vivi na praia. A infância foi cheia de brinquedos, uma infância normal; só que eu morria de medo do que eu via.

O que você via?

CL- Eu via fadinhas, bruxinhas, passando…via um reizinho, que anos depois apareceu como uma ……eu era íntima do reizinho (risos).

Eu tinha muito medo, e daí acontecia uma coisa muito engraçada por que eu ia para a cama da minha mãe, isso quando eu tinha 4 anos…e dizia para minha mãe…que dia é hoje mãe?

E ela dizia:Hoje é quarta-feira e eu repetia quarta-feira, quarta-feira, quarta-feira…O que é isso menina?

E eu dizia:Não é nada não, mas a minha intenção era ficar repetindo para que ela não dormisse para me fazer companhia e daí começou a preocupação que eu tivesse algum problema mental. Por que eu via coisas e passava a noite repetindo frases; alguma coisa devia estar errada.

Desde cedo eu tive uma ligação muito grande com os Orixás, sem saber que eram orixás. Tive uma babá que lá em Recife chamavam ela de Xangô, por que ela era filha de xangô no Catimbó. Então eu com 6 anos ouvia os tambores chamando o tempo todo, essa já era a ligação que eu tinha com esse universo.

Casei muito nova, com 19 anos….aí já é outra parte….

Nos fale um pouco sobre sua juventude, aventuras, amores e casamento.

CL- Minha juventude foi extremamente alegre, em Recife. Eu participava daqueles carnavais antigos de Recife, entrava nos bailes no comecinho e saia com a orquestra, dançando frevo, não bebia uma gota de álcool e isso eu fazia 4 noites. Dormia pouquinho porque tinha que aproveitar o curso da cidade. Era inteiramente guiada por um fogo interno, que hoje eu uso para outras coisas. Tive muitas paqueras, isso lá em Recife não era muito recomendável e eu sempre lancei novidades.

Fui fundadora do Bandeirantismo lá, eu tenho como meu forte o xamã visionário. Estou sempre fazendo coisas novas. E me apaixonei perdidamente, paixão assim que até o relógio parava. Quando se diz que o tempo não anda quando a gente ama, isso é verdade.

Me apaixonei por um aviador lá em Recife, que era do Rio Grande do sul, casei-me com ele aos 19 anos, tive minha filha com 20 e no dia seguinte que fiz 21 anos ele morreu. Foi uma tragédia enorme, foi de acidente aéreo.

Eu tinha um bebê de 3 meses, então eu me vi com 21 anos inteiramente voltada para o prazer da vida, o amor, a aventura…Eu viajava muito com ele, escondida. Era proibido naquela época levar parentes no avião da FAB, por isso eu ia escondida. Eles diziam que não pode levar material “alijável”, ou seja, aquele que em uma situação de pânico tem que jogar fora e não dá para você jogar sua mulher fora (risos). Então eu viajei muito, tive grandes momentos, passei um ano e meio só casada.

E hoje eu não sei quem era esse homem, não sei mesmo. Casei apaixonada, ele morreu e me deixou apaixonada. Você sabe que essa não é a realidade.

Três anos depois eu casei com meu amigo de infância e neste ano (2.008) fazemos 50 anos de casados. O primeiro dia que meu marido saiu comigo, me pediu em casamento. Eu estava com uma roupa toda prateada, usava cabelo prateado. Isso há 50 anos, no Rio de Janeiro! Primeiro eu contei tudo o que eu sofria como viúva jovem e eu era viúva de verdade, sacramentada. Fomos jantar! E eu não fumava, mas usava uma piteira para fazer pose, o cigarro só ficava queimando, era tudo para fazer pose.

Aí meu marido me pediu em casamento. Eu joguei fora a piteira, cigarro e levei o maior susto. E disse: Mas como??? Eu não quero casar agora….

E ele falou: Mas como não?! Você acabou de dizer que quer dar um pai para sua filha!!!!

E aí começou a insistência! Ele morava aqui (SP) e pegava um avião, ia no sábado de tarde .encontrar-se comigo no Rio e sempre insistindo no pedido de casamento. E eu dizendo: Não! Por que eu não lhe amo…

E ele disse: Bom vamos fazer uma coisa…Meu dinheiro está acabando…diga sim ou não, por que eu não posso ficar vindo toda semana, te levando nos melhores lugares….Pode deixar que eu vou lhe ensinar a me amar….

E é isso o que ele vem fazendo a vida toda!!! Ele é o meu grande escudeiro.

Na sua juventude você já se sentia diferente das demais moças?

CL- Completamente!!! Eu já dizia que não morava em Recife, não suportava a mentalidade machista dos homens. E anos depois eu encontrei uma amiga que me disse: Você nunca mais voltou? E eu disse: Ahhh…mas eu não aguento aquela cabeça dos homens de lá….

Ela disse: Não mas agora está tudo diferente!!! Agora, meu marido me deixa fazer tudo!!!

Então continuava imperando! O “deixa” tinha que vir do meu amo e senhor….

Só quero contar uma coisa muito engraçada de quando eu era viúva no Rio, eu estudava pedagogia que era a psicologia que existia; e eu era loira. E estavam na moda uma mechas azuis no cabelos.Só que eu não tinha dinheiro para ir no cabeleireiro fazer mecha nenhuma por que eu vivia da pensão do meu marido aviador.

Então, eu comprei azul de metileno e passei no cabelo! O que aconteceu? Fiquei com o cabelo todo verde. Isso aconteceu há 53 anos, eu inovei a cor dos cabelos.Tem um personagem da Isabel…..que tem o cabelo verde…A sorte é que era no Rio pois pegava o ônibus todo dia para ir para faculdade com o cabelo verde.

Enfim…fale da mulher Carminha, mãe e avó…Da Virgem à Anciã.

Eu tenho 6 filhos e perdi uma filha, que foi a grande prova da minha vida. Tive uma filha do primeiro casamento, 4 filhos do segundo casamento e uma filha que fez a passagem. Essa filha nos deixou, um grande presente que é o neto que nós criamos. É impressionante, agora falando como avó, como um neto (que os avós tem a responsabilidade de criar) realmente traz uma vida nova a todo psiquismo, ao nosso consciente, ao inconsciente; dá um sentido de vida.

Eu tenho a Paz Géia que é meu grande motivo de vida, a minha missão de alma. Para meu marido a perda, que eu não digo que foi igual a minha, deixou-o sem chão. Eu tive que continuar trabalhando, lutando e ele ficou completamente perdido. O neto nós trouxemos para cá com concórdia do pai, 5 meses depois, o neto é a alegria dele. Ele se renovou, tem prazer em estudar com o neto, ensinar inglês…

E isso é um tema, inclusive eu falo para os avós, que quando chega uma certa etapa do casamento, onde vários assuntos terminaram, os avós devem se voltar para os netos, que a vida começa a reviver através dos assuntos do neto. É uma razão de existir o elos. Muitas vezes, em um casamento antigo nem existe o elo, e não falo do elo sexual, mas falo do carinho, da amizade, o partilhar das coisas e a criança traz isso de volta. É como se fosse um objeto intermediário, como dizem os psicodramatistas, para fazer a ligação dos antigos companheiros. Tá percebendo? No objeto intermediário a gente lança nossos desejos, nosso afeto.Em caso de terapia, nossa raiva, serve de intermediação ao outro lado. Então, o neto, serve de intermediação a reflorescer a alegria de viver. Elos no sentido da alegria de viver dos avós.

Quando você começou sentir uma inclinação para o xamanismo?

CL- Lembra-se que na infância eu via os seres da natureza? Hoje tenho íntima ligação com eles através dos elementais e naquele chamado eu já ouvia os tambores. Quando eu fiquei viúva fiz pedagogia. Quando eu me casei a segunda vez, quis voltar a trabalhar, a clinicar e não podia porque antigamente a pedagogia era a psicologia. Então eu fui fazer de novo psicologia, tornei-me arte-terapeuta, fiz um monte de cursos. Como eu tinha um monte de dispensa de matérias, nessas janelas eu usava para fazer especializações. Então me tornei arte-terapeuta, comecei a trabalhar com dança dos orixás. Achei maravilhoso mas um perigo por que o toque do tambor na mão de uma pessoa que não é do santo…!

E eu sempre fui uma pessoa muito criteriosa em manter os limites e o cuidado com o grupo. Devido a isso, então, fui a “ESALEM” em busca de um trabalho que pudesse usar o conhecimento da natureza, dos animais, com segurança, sem mexer no inconsciente brasileiro.

Os Orixás chamados ou não chamados, estão presentes e precisam ser reverenciados. Então, eu fiz com o Michael Harner, o curso de Xamanismo, depois voltei e fiz um curso avançado com ele e depois eu fundei a Paz Geia.

Sempre naquela linha de pioneirismo, criei uma escola diferente. E olha que sincronicidade maravilhosa, isso tudo aconteceu, no primeiro curso, há 28 anos quando eu voltei, tive um aneurisma cerebral, quase morri, como você sabe. Passei pela noite escura da alma e foi a morte que o xamã sempre passa. Com isso eu voltei com uma força muito grande, daí que surgiu a escola Paz Géia como instituição. Agora a escola de Michael Harner em Portugal, que está espalhada pelo mundo todo, está me convidando para dar o curso da Madona Negra lá. Eu estou radiante e torcendo. Como minhas coisas dão sempre certo, sem eu ter as condições materiais, elas aparecem. Que essas condições se materializem e eu possa ir em maio para lá!

Então forma um círculo, uma aceitação da minha escola, que é o Xamanismo Matricial, a introdução da Madona Negra – A Grande Mãe, nesse universo xamânico e dos primórdios da origem da história da consciência.

E como foi sua iniciação com o Michael Harner? Qual foi a experiência que você passou com ele?

CL- Não teve nada de muito excepcional. Ele dá um xamanismo muito profundo no sentido da antropologia, tudo com o toque do tambor. O ambiente em ESALEM que é profundamente transformador. Todos os dias nós íamos tomar banho nos hot tubs (tubos quentes) no maior frio. São banheiras onde tomamos banho sem roupa. Os brasileiros adoravam. Isso foi há 28 anos.

Os Hots tubs são para levar à estado alterado de consciência ? Como a tenda do suor dos índios norte-americanos?

CL- É para levar ao estado alterado. É dos índios de Esalem. Ali era uma comunidade. Aliás, eu vou fazer um parênteses aqui, e dizer isso aqui que é muito interessante!

Lá era uma terra indígena, sagrada, um local somente para rituais. Os espanhóis atacaram os índios para tomar a terra deles quando estavam todos dentro desses hots tubs naturais.No Pacífico, são aquelas rochas escavadas cheias de água quente que vem do fundo. Como eles estavam todos em estado alterado de consciência, ali dentro, foram todos dizimados.

Então, nasceu Esalem. Os americanos não sabiam disso! Depois que uma pessoa que fez esse diagnóstico. O Gaspareto passou muito tempo lá, fazendo limpezas. Tinha muito ódio lá, porque eles foram traídos, foram dizimados mesmo. Então, Esalem nasceu como uma forma de pedir perdão àqueles índios e é o lugar até hoje, onde se pensa melhor nos Estados Unidos. Uma abertura para tudo. Lá eu conheci o Timothy Leary. Quando eu cheguei lá era proibido tomar LSD. Eu fiz curso também com Stanislav Grof. O curso foi o de respiração holotrópica (hiperventilação)ele não usava mais o LSD. Fiz com ele e a mulher dele, a gente usava a respiração e depois desenhava uma mandala. Essa era a parte arte-terapeuta conduzida pela mulher dele: a Christina Grof.

Nessa mandala é pintada a experiência, então nosso consciente, nosso ego, segura a experiência. De vez em quando saia alguém surtado, porque é muito forte a experiência. Veja bem, todo dia dentro desses hot tubs, no espaço todo sagrado. Tem o local do fogo, o ritual do fogo, o ritual da água no Atlântico gelado.Nós fazíamos um ritual de 3 horas andando no espaço.Do jeito que eu faço aqui. Só que eu faço num local mais amplo, na praia.

Então as minhas experiências, eram mais nesse sentido, eu estava em estado alterado de consciência, sem nenhuma substância.

Ahhh…eu estava contando dos brasileiros…

As brasileiras, assim que chegavam, eram levadas em primeiro lugar os hots tubs, porque só podia entrar nu, (risos) e era um constrangimento. Eles diziam: Vocês têm que passar por aqui primeiro!!! Eu voltei com o meu marido para mostrar Esalem. Agora é permitido de tomar banho com o maiô. Mas naquela época, imagina, o Timothy Leary, fazendo. Sempre tinha gente.

Você conheceu, praticamente, os fundadores do movimento transpessoal

CL- Isso mesmo

Qual foi o fato espiritual mais marcante na sua vida?

Deixe-me ver… porque são muitos. É que tem uns que são secretos! Um secretíssimo! Vou pedir licença para contar!!!

Todos os dias, quando estou na praia, abro a janela e as portas. Hoje eu tenho uma torre que foi construída numa pedra, dedicada à Xangô, com um quarto redondo que era o meu sonho: A minha torre. Então abro a janela, entra Sol por tudo quanto é lugar. E eu saio e faço uma ligação direta com o Sol, com o “EU SOU”. Num dos dias, respirando, numa fração de segundos, ouvi uma voz de preto-velho dizendo:

Então, filha, você já sabe agora aonde ELE mora! A ligação era o Sol e meu coração. ELE com letra maiúscula.

Eu fico toda arrepiada e pedi licença, porque isso eu nunca tinha revelado a não ser para pessoas do santo.

Bom…o xamã tem o mito do curador curado, o curador ferido! Você já teve experiências fortes em relação a isso. Você pode falar um pouquinho sobre isso?

CL- Quando eu voltei de Esalem, na segunda vez quando eu fiz o curso avançado, passei por várias experiências, sempre com o toque do tambor, entrei numa morte, fui na caverna dos antigos xamãs, vi a cabeça ser cortada, os olhos lavados. A cabeça fica vendo o desmembramento do corpo e quando eu voltei, eu passei por isso concretamente.

De Esalem fui para o Peru-Macchu Picchu e depois ao México. E eu comecei a passar mal em Macchu Picchu, e quando eu cheguei ao Brasil, dois meses depois eu tive uma dor de cabeça muito forte, e a massagista fez o que não devia. Fez bastante massagem aonde eu tinha um aneurisma, na base do cérebro, no cerebelo. Dois dias depois eu estava tendo um orgasmo, que era o rompimento do vaso. Eu juntei um momento pleno de vida com um momento de morte. A minha sorte é que eu não fiquei inconsciente. Fiquei com uma lado paralisado. Eu estava em Ibiuna. Meu marido telefonou ao pediatra dos meus filhos, era nosso clínico geral, e ele disse:

Carminha teve uma aneurisma e ela não pode ser mexida.

Meu marido disse: Nós estamos em Ibiuna.

O médico disse: Então arruma uma forma dela vir sem mexer a cabeça. E era uma dor tremenda porque eu fiquei consciente. Então eu vim no banco de trás do carro.Fui direto ao hospital e me internaram. Passei 21 dias para eles diagnosticarem, porque não tinha as condições que temos hoje. Geralmente, esses aneurismas afetam um lado ou outro; o meu afetou no meio, na base do cerebelo. Hoje em dia sei que é um lugar que se faz abertura para, nós curadores, entrarmos.

Depois de 21 dias resolveram operar porque não achavam. Depois fizeram uma tomografia mais precisa e acharam o diagnótico.

Eu fui fazer a operação com 90% de chance de morrer, só 10% de chance para viver e 1% de sair ilesa. E estou eu aqui, com 73 completamente curada, graças a Deus, cumprindo minha missão.

Tem uma passagem que eu acho uma grande declaração de amor do meu marido. Eu amo os meus cabelos, e ele pediu, como ia ser tudo aqui na base; para que não raspassem minha cabeça. Então, separaram meu cabelo e rasparam só uma pequena parte.Eu saí de uma operação de cérebro com cabelo.

Ele fez uma grande encenação com os médicos e enfermeiras. Fiquei cega de um olho, iam limpar o sangue que tinha derramado do olho, não operar o cérebro.Eu dizia que preferia morrer do que operar o cérebro…balela (risos)

Você não enxerga com um dos olhos?

CL- Sim…enxergo! Voltou tudo! E quando voltou foi uma coisa maravilhosa, 3 meses depois. Eu fui vendo, primeiro as formas…eu enxergava com um olho..

E essa operação durou 12 horas, foi realmente uma coisa extremamente difícil e foi tudo maravilhoso. Eu recomecei a trabalhar 3 meses depois e um dos primeiros clientes novos que chegou, foi uma psicóloga encaminhada por um ser de luz que mandou um recado para mim assim:Fui eu que enviei a mão do médico que lhe operou.

Quer dizer, essa moça não me conhecia, não sabia que eu tinha sido operada, até cabelo eu tinha. Ela trouxe a mensagem. São os pleidianos que me protegem até hoje. Aqueles eu via desde quando tinha 4 anos de idade.

Você teve câncer também. Não é?

CL- Tive câncer na mama, oito anos e foi uma experiência. Isso para mulher…..Eu tenho os dois seios, eu fiz quadrectomia. É uma experiência terrível, como também tirar o útero. Também tirei o útero, não por causa de câncer, mas por causa de miomas. Mexe com a nossa feminilidade mesmo.

Você não chegou a extrair o seio?

CL- Não!O seio ficou perfeito.. Meu único problema com a operação foi posteriormente. Eu fiz só radio, era um câncer que eles dizem ser insignificante. Eu fiquei com um pânico de morrer, mas aí fiquei amiga do meu Eu Básico. Ele relembrou a operação do aneurisma e o que me tirou disso foi fazer 4 anos de Psicanálise Kleiniana 3 vezes por semana.

O que é uma Psicanálise Kleiniana?

CL- Melaine Klein descobriu, que o ser o humano é regido pelo tânatos, morte, eros e vida. Ela lida muito com a inveja e o medo da morte. Além de ser medo da morte, associa a coisas extremamente primárias, como se estivessem ligadas aos arquétipos. Uma briga interna do instinto de morte com o instinto de vida. É como se o instinto de morte tivesse inveja do instinto de vida. Então.. os ataques do medo. Agora, eu estou fazendo um trabalho muito profundo, para a transmutação do medo em abundância.

Você sofreu algua pressão do CRP por ser psicóloga e xamã?

CL- Nunca ninguém, mexeu comigo. Nunca! Eu tenho um trabalho, provando que o xamã é um arquétipo e como tal ele pode ser trabalhado com a visão Junguiana. Agora aqui no Brasil, o CRP, não reconhece a psicologia transpessoal, por incrível que pareça. Então, eu já tenho esse trabalho pronto, tudo baseado em Jung.

Nos outros países é reconhecido?

CL- Em todos os outros países, menos no Brasil. Mas eu nunca tive o menor problema.

Você introduziu o conceito do Xamanismo Matricial. Pode falar sobre isso?

CL- Eu criei esse conceito do Xamanismo Matricial. Na época do aneurisma eu tive um sonho. A minha vida é muito regida por sonhos. Esse sonho eu já escrevi, já falei várias vezes dele. Mas recordando é assim :

Eu estou com meu marido no Vaticano. No centro redondo do Vaticano, ou seja, como uma mandala onde ia ser celebrada uma missa de Ação de Graças, para o filho de uma prima, e atravessa aquele centro quatro leões e um deles é negro.

E eu falo: Nossa quatro leões soltos, em pleno miolo de Roma

E meu marido diz: É só ninguém mexer com eles que eles não mexem com ninguém.

E a gente vai para missa que é no centro daquela redoma do Vaticano, daquela rotatória. É um auditório rebaixado e lá fazendo a missa está o Papa. O Papa era mero figurante. Quando ia começar a missa, se transformou em Anchieta. Então, a missa era Anchieta escrevendo, desenhando um botão de rosa em forma de leque. Quando ele estava pronto, Anchieta tocava com uma varinha e as rosas se abriam. A platéia dizia: Ahhh…que espanto….E eu dizia para meu marido: Essa minha prima é sempre gosta de espetáculos.

No nível de um consciente mais superficial eu estava falando do espanto que ia ser a minha cura no nível profundo, estava falando da minha missão. Eu trabalho com a roda na abertura do coração. A rosa, o leque que é de Oxum, e o animal negro que me levou ao xamanismo Matricial. Quando eu sái do hospital, comecei a procurar que animal negro é esse. Ninguém conhecia. O Michael Harner disse que era magia negra. E eu disse: Não! não! não é magia negra; isso faz parte de uma de uma coisa sagrada.

Na capa da Revista Planeta, há anos saia uma foto da grande mãe negra cercada de animais negros. É o séquito da Madona Negra. Fui pesquisar a Madona Negra, cheguei na Grande Mãe, cultuada no matriarcado e tem toda uma elaboração. Tenho um livro escrito, através de 20 anos de pesquisa, onde relato que o Matricial é o casamento do matriarcado com o patriarcado. E é o que nós queremos, a união do feminino com o masculino: a matriz. Esse nome não é criado por mim, é pela Riane Eislerr, que é uma grande estudiosa do matriarcado e da maciça violência do patriarcado, e a necessidade interna de homens e mulheres chegarem a um casamento, que começou na década de 60.

Fale um pouco sobre os seus livros…..

CL- Eu tenho dois livros. Um que eu estou esperando ardentemente uma editora, que é o Sabedoria do Animais, com o Alvaro Machado que foi o co-autor. E o outro, está até aqui, é as Cartas da Madona Negra e do Divino Espírito Santo onde eu conto sobre essa trajetória de vida, falo sobre a pesquisa da Madona Negra, introduzo o Xamanismo e ofereço um jogo para as pessoas. Um oráculo semelhante ao IChing. As pessoas tiram de manhã, quando vai começar o seu dia, podem fazer uma consulta para ver o que é que a Madona Negra está aconselhando, assim como o Divino Espírito Santo. Eu coloquei no site da Paz Géia, todas as lâminas e interpretações.http://www.pazgeia.org.br/arquivos/textos/oraculo-%20cartas%20MN.htm

Bom…Madona Negra, ela seria Kali, Yemanja, Nossa Senhora, ou todas juntas?

CL- Todas juntas! É o arquétipo de Maria como chama Mãe Cósmica, na sua vertente do negro da luz. Por que temos que ter essa polaridade. O negro e o claro, é o negro da luz, tão poderoso, quanto a luz do cosmo.

No início dos anos 90, só você dava cursos de xamanismo em São Paulo, eu te fiz uma visita com o Romeu da Revista Planeta e te apresentei o meu trabalho. Passado agora, todos esse tempo (18 anos) tenho uma curiosidade…O que você pensou naquele dia ?

CL- Então Léo, primeiro eu fiquei extremamente grata e surpresa, por que você foi de uma integridade fantástica. Você foi o ínico xamã que me veio falar de seu trabalho e da seriedade dele. Quer dizer, você teve um tremendo respeito por mim e por você também. O que eu vejo, é que você expandiu tudo o que você é, tudo o que eu escrevi lá no seu livro (Vôo da Águia). E você está chegando ao auge de sua missão de alma que é esse seu projeto comunatário e ecológico, uma Eco-Vila.

Eu vejo também, que você foi guiado como eu fui e sou, por uma força maior que não é nossa. Nós somos guiados. Você também passou pelas mortes, (estou toda arrepiada falando nisso), e eu tenho uma admiração por você, porque você é íntegro. Você jamais saiu do caminho, o que inúmeros xamãs muitas vezes saem; porque se confudem com o poder.

O poder do xamanismo tem que ser extremamente bem cuidado, porque nós somos canais. E como é muito poderoso, muitos se apossam desse poder, passam para eles, para o ego deles.

E você sempre foi um canal dessa manifestação sagrada.

Léo: Na verdade eu vim pedir uma benção para você que já estava há muito mais tempo do que eu. E te reconheço como a Mãe do Neo-xamanismo do Brasil.

Como você vê esses novos caminhos, desafios pelos quais o xamanismo passa? Como está vendo esse movimento todo que nós acompanhamos também no primeiro Encontro Brasileiro de Xamanismo, levando 64 condutores de xamanismo de várias partes do Brasil?

CL- O caminho que o xamanismo está passando agora está me preocupando um pouco porque tem muitas pessoas que não sabem nada. Esse é um instrumento profundamente delicado por ser, como eu te falei, profundamente poderoso. Então, tem pessoas que fazem um cursinho de xamã e se arvoram de xamã. Paralelamente a isso, tem uma abertura real do xamanismo, principalmente por essa ligação que o pessoal da ecologia despertou para o valor do xamanismo. Eu não sei se você concorda com isso, mas o que a gente pregou sempre sobre a Mãe-Terra, estão falando agora. Somos ou não somos os visionários?

Então, pessoas que estão trabalhando seriamente com o Xamanismo, estão tendo suas bençãos vivendo concretizar seus ideais. Agora a preocupação realmente é que tem muita gente fazendo como se fosse um instrumento fácil para ganhar a vida. Isso é profundamente lamentável. Não sei se você concorda com esse pedaço, mas isso é uma parte que me preocupa muito.

E o que a gente pode esperar do futuro do xamanismo?

CL- Como eu te falei, eu vou muito a Portugal dar curso da Madona Negra e de outras coisas de xamanismo. O xamanismo que eu pratico é diferente, porque eu junto a psicologia e trato do ego. Eu fortaleço o ego da pessoa, para até ela mesma ser esse canal.

Estive na França, e como você sabe, o francês tem uma cabeça dura para qualquer tipo dessa proposta, coisa mais espiritual digamos assim. Vou voltar esse ano, participar de um congresso pela paz, no sul da França. Cada um fica trabalhando com sua ferramenta e eu é claro vou trabalhar com a força da Madona Negra. Então, eu vejo um reconhecimento, inclusive do Brasil, lá fora; e uma preocupação de nos levarem…Quando eu falo lá fora, estou falando mais da Europa, porque os Estados Unidos já tem muito isso. Há uma preocupação muito grande em acolher os xamãs e trazer essa expansão de consciência, por que é o que está faltando.

O ser humano está inteiramente desiquilibrado, porque falta a parte animal. Nós rejeitamos que somos um animal humano e o xamanismo traz essa esperança, principalmente com a força dos animais. Vou fazer uma festa para os animais aqui, que eu estou chamando de “micareta dos animais” Vai ser dia 25 de março.

Tudo o que eu faço aqui tem um sentido espiritual, que rege o trabalho todo. Nós honramos e agradecemos os animais. Nós chamamos o animal, mas não os cultuamos, como cultuamos a Grande Mãe, como fazemos com o panteão de cada um. O animal vem,ele está a serviço, ele é nosso irmão. Eu acho que o despertar desse animal humano que nós somos, vai ser fundamental nesse momento de passagem; que começou desde a convergência harmônica e tem esse seu ponto máximo em 2012. Nós estamos recebendo informações e agilizações de muitas coisas que tem que ser feitas. Essa expansão da consciência do nosso lado animal, instintual, cérebro direito, está mais do que na hora de ser feita.

Como você vê a fusão do Xamanismo com outras práticas como o reiki, yoga, e outras práticas que vão usando elementos do Xamanismo?

CL- Eu não sou uma purista, mesmo porque eu juntei Candomblé, Orixá, culto à Grande Mãe, Xamanismo, Psicologia. Meu mestre inicial, não admite nada a não ser Xamanismo Clássico e a visão antropológica. E no entanto estão abrindo as portas para mim, via escola de Portugal. Eu acho que as pessoas; isso é coração de mãe que fala, tem seus dons, tem suas formas de manifestá-lo. Se conseguirem colocar com dignidade, com respeito no trabalho com Xamanismo, está perfeito. É a forma de cada um usar sua ferramenta de curador.

Dentro dessa pergunta, como o Cristianismo e outras religiões podem conviver com o Xamanismo? Alguns irmãos do xamanismo que não aceitam o Cristianismo no Xamanismo, argumentando ser uma prática puramente pagã. O que você pensa à esse respeito? Poder ser xamã e cristão ao mesmo tempo? Eu sou cristão com muito amor!

CL- Claro!!! Principalmente, porque não é só o Cristo que está nessa grande aventura de consciência. Tem Buda e vários avatares que vieram antes. O Cristo é o que está mais próximo de nós, até mesmo há 2.000 anos só.

O que o Cristianismo em si ensina, pratica, não é o que a religião católica ou os protestantes que também são cristãos. A religião prediz uma coisa, pratica uma coisa e o Cristianismo do Cristo…..O Cristo foi uma grande xamã, eu sinto isso como uma grande verdade…Não sente quem acha que Xamanismo é só Paganismo.

O Xamanismo vem dos primórdios, onde o Deus era visto sem dogmas. Todas essas religiões, que infelizmente também trazem toda essa confusão e brigas por causa do “Meu Deus” que é único e verdadeiro. Isso é criação do lado humano e te digo mais, é do lado sombra.

Existe uma teoria dos pleidianos, que eu concordo plenamente, que quando você libera sua sombra,a fofoca e falar mal dos outros é um tremenda arma de sombra. Eu corto qualquer conversa de fofoca, eu corto e corto grosseiramente. A sombra vai sendo formada dessas pequenas coisas, vai aumentando e junta a sombra individual com a sombra familiar, com a coletiva, com a do país e forma-se uma grande sombra que está envolvendo a Mãe-Terra.

Essa sombra impede que a luz do Cosmos venha e chegue até nós para que a nossa luz atravesse, tem uma grade mesmo. Atravesse essa grade e chegue ao cosmo. Quando a gente está no caminho da consciência, vai conhecendo a sombra e vai tomando conta dela. Quando não, você solta ela o tempo todo, haja visto tantos filmes de violência e tudo o que se passa;

Então, o que é que é necessário?

É trazer tudo o que é genuinamente cristão, o que o Cristo veio trazer em todas as em todas as áreas de atuação, de conhecimento, de filosofia de vida para que essa sombra se dissolva.Eu não sei se eu te respondi, por que eu fico muito empolgada…..

Léo: Respondeu sim…No Peru, por exemplo, vemos xamãs usando crucifixos, fazendo preces cristãs. A Maria Sabina, a sábia dos cogumelos do México, era católica, ia na igreja todo domingo. No xamanismo eu costumo dizer que não é que a gente mistura as coisas; na verdade a gente não separa. E dentro disso a gente também vê religiões de fundo xamânico. O que a gente pode chamar de dogmas, na verdade são normas ritualísticas. Por que eu não sei se você concorda, eu queria ouvir a sua opinião …o Xamanismo não existe independente da religião que está exercendo no local, ele se insere dentro da religião da comunidade. Não é assim… a comunidade tem uma religião e o xamã prega uma coisa diferente. Não!!! Ele está inserido dentro da religião que está no local. Parece até que o preconceito típico de alguns cristãos, agora passaram para os pagãos! Você concorda com isso?

CL- Plenamente!!! E, eu acrescento o que você está falando, que existe uma frase na torre de Jung que é assim:

Chamado ou não chamado, Deus está presente.

Quer dizer…você pode ser ateu que Deus está lá. Então, eu passo para uma versão xamânica: Acreditando ou não acreditando, o xamã está permeando!!!

Existem algumas religiões como, por exemplo: a Native American Church, o Santo Daime, Umbanda, o Candomblé, Catimbó, os Rastafaris e outras. Nós podemos considerar essas manifestações como um Xamanismo coletivo?

CL- Eu considero….

Léo: E são práticas que tem todos os fundamentos do Xamanismo. Ao invés de serem vistas como dogmáticas, elas na verdade, tem normas de rituais que se inserem numa determinada crença, assim como o xamanismo tribal. Depende da interpretação. Não é?

CL- E se a gente analisar a missa…O que é o sacrifício?

Eu escrevo isso bem detalhadamente no meu livro. Quando o homem no primeiro ano, ganhou a consciência que foi o encontro com Deus no quinto nível da grande corrente dos seres; ele encontrou Deus tomado pela idéia da divindade. Então, ele voltou, pois saiu em espírito, voltou ao corpo e começou acordar a humanidade para divindade.

Então, esse primeiro homem ao trazer a divindade, que naquela época se fazia até sacrifícios humanos; ele substituiu o sacrifício de sangue pelo auto-sacrifício. Não é matar o ego, é você conhecer o seu ego. O seu ego continua sendo desde sempre o instrumento para gente manifestar a divindade. O nosso trabalho é o nosso auto-sacrifício e o nosso conhecimento. Quanto mais você se conhece, mais amplia sua consciência e mais informações recebe dos planos mais altos.

Ao criarmos a Abrax, a Associação Brasileira de Xamanismo, percebemos que ainda falta uma maturidade para que esse movimento se organize. Você acredina na possibilidade do Xamanismo vir a ser um movimento mais organizado ou sente que é cada um na sua mesmo, cada um dentro da sua tribo e da sua aldeia? Como que você vê isso?

CL- Eu acredito que se nós trouxéssemos a energia da parceria, usando a energia do feminino com o masculino, nós conseguiríamos um Xamanismo parceiro. Com respeito mútuo e norma ampla que seria exatamente o amor ao próximo, o respeito a forma de cada um ser.

Em relação à Abrax, eu acho que houve excesso do lado patriarcal. Eu acho que falou muito forte o que o lado patriarcal tem de negativo. Está faltando uma harmonia, está faltando trazer uma concórdia que é exatamente essa parceria do Matricial. Eu ainda tenho esperanças que a gente chegue lá.

Xamanismo é coisa de índio?

CL- Desculpe, mas não é.Todos os estudos que eu fiz, todas as pesquisas levam ao início da história da humanidade. Então, quando você vê as pinturas rupestres, tem uma célebre, que é um xamã dançando com uma roupa ele está fazendo um ritual para chamar a caça. Eles estão se comunicando para que o animal venha servir para um propósito. Olha que coisa interessante!

Os aborígenes tem essa mesma prática ainda hoje, na Austrália. Como entra o índio aí? Na Atlântida, no último afundamento da Atlântida, toda sabedoria e todos os segredos que precisavam ser mantidos, tem uma linha que fala que está no tarô. Os pleidianos ensinam que essa sabedoria foi entregue as sacerdotisas que conseguiram imigrar para onde hoje é o Havaí, e guardaram essa sabedoria, que hoje, os Kahunas são os detentores.

Assim como os Kahunas, os índios foram os detentores, e tem um conhecimento que num determinado tempo, essa sabedoria seria liberado para o branco, para aqueles que chegam de fora. Nos EUA, estavam aguardando o nascimento do Búfalo Branco para liberar a sabedoria para toda a humanidade. Pela ordem, os conhecimentos xamânicos estão sendo gradativamente passados . Então qual é a grande função do índio ? Ser o guardião dos segredos.

Quais são os cuidados que um iniciante deve tomar ao procurar locais para praticar xamanismo?

CL- Seriedade do local. Que o local tenha uma história, tenha uma memória. Por isso que tenho investido tanto em resgatar a memória da Paz Geia. Nós aqui temos uma escola, o curso tem 2 anos de duração, tem estágios para a pessoa aprender o que pode ser feito.

E quem não tiver o compromisso com a qualidade daquilo que faz, acaba. O que posso pedir para essas pessoas é que tenham cuidado pois vão mexer com seres humanos. Um ser humano que quebra a perna, tem um ortopedista que conserta, Mas um xamã que entorta um psiquismo…como é que vai ser? Então tem que se ter essa consciência de que as pessoas que estão trabalhando nesse local e que estão oferecendo formação, tenham primeiramente uma formação. Para ensinar xamanismo não é só pegar as técnicas, tem que conhecer o histórico do xamanismo, tem que conhecer bastante o lado antropológico, e não sair interpretando ou rotulando as pessoas.

Muitos falam da criança ferida, junto da criança ferida tem tantas outras crianças que a gente tem que tomar conta, por exemplo: a criança birrenta, Então tem que ter consciência de que naquele ensinamento por trás tem outros ensinamentos. E a pessoa tem que ter a consciência de fazer somente aquilo que tem certeza de que não irá prejudicar o outro.

Tenho uma amiga que vinha aqui e o seu trabalho era só a vivencia do animal guardião, pois ela achava que era só o que ela tinha qualificação para fazer, que era tocar o seu tambor e fazer a chamada dos animais. E se a pessoa quisesse adentrar para o mundo xamânico ela indicava a Paz Geia que era o lugar em que ela trabalhava, pois ela mesma, se limitava a isso. Esse tipo de consciência é muito importante. Você pode ter imenso prazer em fazer ou buscar determinada dádiva, mas cuidado até onde você vai

Como você orientaria a pessoa que querem aprender xamanismo?

CL- Bom (risos), eu posso orientar que venha para a Paz Geia. Um conselho bem Leão-Leão (risos)

Nós somos tão cuidadosos, que começamos com uma introdução ao xamanismo. O histórico do xamanismo, animais de poder, tudo bem ligth. Se a pessoa gosta tem um segundo módulo de introdução para conhecer as técnicas xamânicas de cura (também mais superficialmente). Se interessa-se em aprofundar no xamanismo matricial, vai estudar meu livro, aprender as cartas, e está pronto para iniciar a formação.

Na formação iniciamos com estudo do Caminho Quádruplo e damos uma seqüência no sentido da pessoa sempre ir estudando o xamanismo, estudando os arquétipos, pois há uma confusão muito grande entre vidas passadas e arquétipos, e o xamã por ser um arquétipo ele tem o dom de poder trabalhar com os arquétipos. O arquétipo da criança ferida também tem uma sombra, assim como a criança impertinente e teimosa. Então nós oferecemos esse estudo semanal, oferecemos as jornadas iniciáticas, que são feitas em Almada, as pessoas tem que fazer uma monografia, depois oferecemos estágio onde acompanham as professoras atendendo com terapia xamânica, sempre com alguém já formado, e a pessoa fica como assitente. E daí, fica liberada para poder trabalhar com xamanismo. Nós da Paz Géia temos a consciência de que essa pessoa pode exercer a função de dar aulas e ser curador no xamanismo. O tempo todo nós trabalhamos na ética e no desenvolvimento da consciência. Depois de tudo isso, entro de novo para fazermos os cursos avançados de xamanismo. Eu também abro para qualquer buscador que já tenha um caminho sério percorrido.

Para encerrar, vamos tirar umas cartas da Madona Negra e do Divino espírito Santo que sintetizem esta entrevista?

CL- Está aqui vamos lá ?! Tres cartas !

Primeira, a carta dos Animais : O seu animal representa o seu Eu.

A entrevista foi regida por qual força animal? Pode tirar a carta!

CL- Animal Dourado – é dele o poder do nosso mental, que no xamanismo, trabalha regido pelo coração. Ele representa todas as conquistas mentais que acumulamos e que não devemos rejeitar e sim sacralizar

Veja que é a Águia Dourada que faz parceria com meu Leão Dourado. A mente associada ao coração. Muito bom, significa que chamamos o pensamento das pessoas (leitores) com o coração.

CL- Agora tire a carta da Madoana Negra:

A Concórdia! Maravilha ! Essa é a minha carta predileta. A concórdia diz que 2 pessoas de fé são levadas a uma mesa de negociação e chega-se à concórdia. As mãos generosas da Madona Negra seguram o globo terrestre, integrando aspectos positivos e negativos, deixando surgir uma terceira via de soluções.Quando regido pela energia da Concórdia obtem-se a solução

CL- Agora tire a carta do Divino Espírito Santo : o Fogo Criador Permanente

Saiu a carta: Milagre .

Carta : um ser humano forte e poderoso purifica-se no fogo do Espírito Santo, se preparando para um portal antigo que concede “O Milagre”, através da Graça Divina, disponível a quem tem Fé. Confie e entregue, seu Milagre já está sendo concedido.

Maravilha, nossa entrevista pode produzir muitos milagres.

AXÉ

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