Eneagrama – Oscar Ichazo

Oscar Ichazo – Eneagrama

Romeo Graziano Filho – Matéria para a “Planeta” em janeiro de 1997

O Eneagrama é uma figura geométrica à qual têm-se atribuído propriedades tais como a de ser um poderoso instrumento de análise das funções psíquicas.Elaborador da teoria eneagramática, Oscar Ichazo explica como é possível compreender os movimentos ciclicos da mente e transcender o ego utilizando o ferramental que desenvolveu.

O movimento do eneagrama vive a sua hora da verdade com a iniciativa de divulgar ao público os esclarecimentos definitivos sobre-as origens modernas de todo material que hoje é usado em nome da sabedoria deste símbolo antiqüíssimo. O deflagrador deste acontecimento histórico é o periódico americano Enneagram Monthly, que está publicando uma longa entrevista'” Com o filósofo Oscar Ichazo, criador da Teoria Arica para o desenvolvimento espiritual e a iluminação do ser humano. A Escola Arica é uma nova tradição.ocidental, prestes a completar 27 anos de existência, e cujos métodos evolutivos se baseiam em apurados estudos do eneagrama.Este fabuloso diagrama é mais conhecido como instrumento de interpretação da personalidade, e no Brasil vem atraindo o interesse de numerosos grupos desde o início dos anos 90. Com isto, literatura e trabalhos de diferentes naturezas têm surgido em meios terapêuticos e na área de recursos humanos, acompanhando a tendência norte-americana de abrir o conhecimento eneagramático a segmentos cada vez maiores. O problema é que essas poderosas informações, quando não desvirtuam as verdades originais do eneagrama, enfocam apenas partes desconectadas de um sistema muito mais abrangente e complexo. Assim, o que serve para produzir autoconhecimento e auto-realização pode se transformar em causa de dano psíquico.

O mérito da entrevista realizada pelo Enneagram Monthly, um porta-voz da comunidade do eneagrama, deve-se à oportunidade de Oscar Ichazo desfazer crenças erradas e explicar conceitos fundamentais da sua teoria, deixando claro os limites que a diferenciam de outros autores os quais, no fundo, plagiaram o seu trabalho com um ardiloso toque pessoal e objetivos materialistas. Tal fato já foi reconhecido nos tribunais da Suprema Corte dos Estados Unidos, em meados dos anos 80, quando se admitiu que Ichazo é o autor exclusivo das palavras de todos os 108 eneagramas utilizados no Sistema Arica.

Sobre as origens do eneagrama, que foi comparado à Árvore da Vida da cabala, sabe-se que os seus registros mais antigos datam de 3500 a.c., e o vinculam à tradição sumério-acadiana, onde era conhecido como “selo caldeu”. Pitágoras utilizou-o em sua geometria sagrada, e o ocultista russo-armênio Gurdjieff, falecido em 1949, relacionou-o com os dias da semana e as notas musicais. Oscar Ichazo explica na referida entrevista que “a completa compreensão deste selo envolve meditações baseadas em transcendência mística e metafísica, a qual é um elemento do novo Treinamento Velocidade Arica que está para ser apresentado em 1997.

Ao descobrir as palavras de cada ponto dos vários eneagramas, após longa investigação, análise e estudo cuidadoso de teologia, filosofia e misticismo, e mais o seu conhecimento científico de física, biologia e medicina, Ichazo tinha completado o mapeamento de todas as manifestações possíveis do ser humano, definindo de modo inédito os parâmetros da psique. Seu percurso, contudo, começou na década de 50 na Bolívia, sua terra natal, de onde ele viajou três vezes ao Oriente em busca da confirmação dos seus estudos. Em 1956, formulou os princípios da Trialética (as leis lógicas da mente em processo de tornar-se e os ciclos da realidade), dos quais se originaram a teoria da Protoanálise, a doutrina das Fixações do ego e a estrutura da psique humana como nove esferas de ser. Nessa mesma época, formaram-se grupos de pessoas em cidades sul-americanas para estudar suas teorias filosóficas e a sua profunda abordagem da psique. No ano de 1970, Ichazo conduziu um treinamento intensivo de dez meses em Arica (Chile), com a participação do psiquiatra chileno Claudio Naranjo e mais 44 pessoas.

Depois disso, em 1971, foi fundado o Instituto Arica em Nova York, que atualmente possui cerca de 500 instrutores espalhados por todo o mundo, ensinando e oferecendo vários cursos para o público. Falando a Andrea Isaacs e Jack Labanauskas, editores do Enneagram Monthly, Ichazo reafirma o rompimento do acordo de sigilo, em torno das informações passadas no treinamento de Arica, como a causa do surgimento de autores que se apropriaram do seu trabalho, adaptando-o às suas próprias visõe e conveniências. Claudio Naranjo, Patrick O’Leary, Don Richard Riso e Helen Palmer ão alguns deles, cujos livros inauguraram um questionável estilo de abordagem do tipo de personalidade.

“Os tipos que se tornaram populares são “jogos mentais” sem nenhum fundamento, e como eu disse, e como Cláudio observou em sua entrevista com vocês (Claudio Naranjo também deu entrevista ao Enneagram Monthly) essas descrições de ‘personalidade’ se encaixam muito mais dentro de uma tipologia astrológica do que na visão proposta pela Protoanálise,que está bem fundamentada sobre uma lógica de transcendência, uma metafísica das causas primordiais e uma ontologia do ciclo humano como um todo. Portanto, deve-se entender.baseado nessa informação acerca da teoria protoanalítica, que os tipos são tomados totalmente fora de contexto e empregados erroneamente”. diz Ichazo em resposta à questão de haver diferentes descrições dos tipos entre o autores e o material Arica.

Protoanálise é um neologismo que significa a “análise da psique humana de acordo om o protótipo humano arquetípico”. De fato, ainda não surgiu nada tão preciso como o eneagrama para desvendar o que somos em essência, para além de todas as vozes que falam dentro de nós. Por isso, o tema da personalidade é um dos pilares das ciências de estudo do comportamento. Os profissionais da área têm por referencial o Manual de Diagnóstico e Estatística das Desordens Mentais, ou DSM-III, que classifica a existência de 11 possíveis distúrbios psíquicos. No enfoque da protoanálise, tais distúrbios aparecem no contexto da Fixação que se agrava, levando o desequilíbrio psíquico a uma desordem de personalidade. Isto já foi interpretado inclusive à luz do eneagrama, mas o que nos importa saber aqui é onde começa a Fixação.

A Fixação é um padrão de comportamento, um ponto de vista subjetivo que domina os pensamentos e as ações de uma pessoa, que define uma abordagem inflexível diante da vida e produz contradições internas e estresse, A preocupação intelectual com esta falsa identidade drena muito da nossa energia vital; a sua correta identificação, porém, expande a compreensão de nós mesmos e dos outros, abrindo-nos a uma nova perspectiva de vida. A Teoria Arica localiza o surgimento da Fixação na criança entre 6 e 9 anos de idade, quando uma experiência traumática a faz desenvolver pensamentos compulsivos, de modo que ela passa a pensar a realidade em vez de vivê-Ia. Normalmente, isto determina o seu carater pelo resto da vida.

eneagrama

 

Há treinamentos específicos que nos auxiliam a transcender a Fixação, feitos através de exercícios e meditações, e métodos operativos para identificar seus efeitos em nossa existência. O eneagrama das Portas de Compensação é um deles, e nos mostra qual é a válvula de escape usada para aliviar o bloqueio de energia causado pela Fixação. Essas “portas” podem ser a toxicomania, as doenças psicossomáticas, o sobre-esforço, o delito, as fobias, o pânico, a glutoneria, a crueldade ou a sensualidade. A utilização frequente e prolongada de qualquer uma dessas portas indica uma área de maior tensão a ser trabalhada. Fixado e sem contato com a vida emocional harmoniosa, o indivíduo também vai compensar sua situação desenvolvendo as Paixões, As Paixões são de natureza emocional e opostas às Virtudes.

Confrontando cada Paixão com a Virtude, temos: Raiva-Serenidade; Orgulho-Humildade; Engano- Veracidade; Inveja-Equanimidade; Avareza-Desapego; Medo-Coragem; Glutoneria-Sobriedade; Luxúria-Inocência; e Ociosidade-Ação.

A personalidade nessas condições encontra no eneagrama dos Princípios Divinos da Consciência a idéia divina que lhe falta para superar a Fixação. Assim, o perfeccionista necessita do Não-efeito; o independente, da Liberdade; o exibido, do Equilíbrio; o raciocinador, da Igualdade; o observador, da Interação; ‘o aventureiro, da Não-contradição; o idealista, da Não-posição; o moralista, do Não-tempo; e o buscador, da Consciência Total.

Quando dizemos que o ser está parado compulsivamente na sua Fixação e Paixão, é preciso esclarecer que estamos nos referindo à artificialidade do ego que, embora exerça forte influência em nossa vida, existe com o dilema de nunca saber a quem servir, e reage prontamente para defender a sua posição como quem tem um medo terrível de ser aniquilado. O tema da superação do ego, presente em todas as tradições de trabalho espiritual, é um dos pontos fortes do caminho Arica, que gradativamente retira as energias de sustentação dessa falsa entidade para devolver o ser humano à sua verdadeira essência superior, conduzindo-o à iluminação prístina – Theosis ou o estado de perfeita união com o Divino. Já que a maioria das pessoas investem, quase toda sua energia e tempo de vida nas tramas do ego, o mais lógico a fazer é partir daquilo que não somos para resgatarmos o que somos. Assim, é muito importante que as palavras lidas nos eneagramas sejam fiéis ao conteúdo de cada ponto, com objetiva precisão de significado: a simples leitura delas produz uma reação interna que bem pode ser um início do indispensável processo de auto-observação requerido pelo trabalho interior.

Oscar Ichazo é considerado o originador da teoria eneagramática. São de sua autoria os termos que aparecem nos 108 eneagramas da Escola Arica, e sua classificação dos tipos de personalidade foi adotada por muitos profissionais da área de psicologia, não sem certas distorções. O resultado acabou sendo o surgimento de diversos trabalhos com o eneagrama voltado apenas a personalidade, desconhecendo que o processo Arica é muito mais abrangente com todas as suas informações inter-relacionadas.

Explicando o processo de fixação, Ichazo diz: “Pelo fato de um dos pontos de um dos instintos é o primeiro a se fixar, é classificado como a Fixação ou tipo maior ou principal, e pelo fato de que os outros doisC também têm um ponto fixado, eles são classificados como Fixações menores ou co-egos (Subtipos). Vamos deixar bem claro aqui: cada um dos instintos tem um ponto fixado, isso dá a cada pessoa três Fixações, uma das quais é a Fixação maior e as outras duas são Fixações menores (Co-egos ou Sub-tipos)

O Eneágono Básico dos Tres instintos (Figura F) se compõe do Instinto de Conservação (pontos 8,9,1), do Instinto de Relação (2,3,4 e do Instinto de Adaptação (5-6-7). Estes instintos podem ser empregadosaos seus respectivos números por causa da questão inata proposta por cada instinto e a inter-relação entre entidade-ego fixada e os dois Co-egos. Os dois impulsos, o espiritual e o sexual, são representados pelos seus próprios eneagramas separados. Além dos três instintos e dos dois impulsos (pólos), a Protoanálise explica a existência de quatro funções que sãoi caracterizadas como quatro campos possíveis onde a energia dos instintos, em cominação com as funções, pode se manifestar na realidade. As quatro funções são a Função de Espaço e Propriedade, a Funçãode Tempo e Poder, a Função de Expressão e Fama e a Função de Coordernação e Honra. Sem uma referência às quatro funções e seus resultados psicológicoscaracterísticos, qualquer análise dos tipos psicológicos ficados torna-s totalmente inadequada, porque é como uma equipe de beisebol sem as quatro bases do campo de diamante para jogar. Tamém é necessário insistir que os tipos fixados, sem uma análise correspondente com os impulsos sexual e espiritual, limitam totalmente o processo, eliminando os impulsos que, na análise final, nos dão o nosso sentido primordial de vida (o pólo sexual) e o nosso sentido primordial de significado e valor (o pólo espiritual)”, informa Ichazo, dando-nos uma idéia da superficialidade com que se está aplicando o eneagrama nesta época tão permeável a coquetéis místicos.

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