Dúvidas nas palavras

 Dúvidas mais frequentes da língua portuguesa

Índice

A

A / HÁ (em função do espaço de tempo)

A (preposição): “Ela voltará daqui a meia hora.” (tempo futuro)

(verbo haver): “Ela saiu há dez minutos.” (tempo decorrido)

ABAIXO-ASSINADO / ABAIXO ASSINADO

O documento coletivo, de caráter reivindicatório, chama-se “abaixo-assinado” e deve ser escrito com hífen. O plural é “abaixo-assinados”. Exemplo: Os empregados da empresa entregaram um abaixo-assinado, reivindicando aumento de salário. Escreve-se “abaixo assinado”, sem hífen, quando se faz referência a cada uma das pessoas que assinam o documento. Exemplo: João da Silva, abaixo assinado, reconhece que…

ACATAR / ACOLHER

Acatar: obedecer; Exemplo: Os empregados acataram a ordem do chefe.

Acolher: aceitar, receber. Exemplo: O juiz não acolheu a nossa ação

AO AGUARDO DE ou NO AGUARDO DE?

Em verdade, as pessoas ficam “à espera”, e não “na espera” de alguém ou de alguma coisa. Assim, o correto é dizer que “alguém está ao aguardo de…”

A CERCA / ACERCA / HÁ CERCA

– A CERCA: significa “a uma distância de”. Exemplo: Este restaurante fica a cerca de 20km daqui.

– ACERCA (locução prepositiva): igual a “sobre, a respeito de”. Exemplo: Ele falou na reunião acerca de informática.

– Há CERCA DE: equivalente a “existe, ou faz aproximadamente”. Exemplos: Há cerca de cem candidatos para cada vaga neste concurso. Não vejo aquele professor há cerca de dez anos. Observação: A expressão “cerca de” quando indicar uma quantidade aproximada, deve ser acompanhada de um número arredondado, nunca de um número preciso. Faz sentido dizer “Cerca de 300 (ou qualquer número redondo) pessoas estavam na conferência”. Quando se sabe o número exato, dispensa-se o “cerca de”: “Na conferência havia 321 pessoas.”

À CUSTA DE / AS CUSTAS DE*À CUSTA

no singular, significa “por meio de”, “na dependência de”. Exemplos: Ana já tem mais de trinta anos e ainda vive à custa do pai. Antônio conseguiu sua fortuna à custa de muito trabalho.

AS CUSTAS: no plural, tem sentido jurídico específico, significando “despesas feitas com um processo criminal ou cível”. Exemplo: Pedro foi obrigado a pagar as custas do processo de seu divórcio.

ADIAMENTO

Adia-se somente eventos. Datas são trocadas. Exemplos: A festa foi adiada para domingo (e não a data da festa); A data da reunião passou de 15 para 18 de julho (e não a reunião). Observação: Já PRAZOS podem ser ampliados ou encurtados, nunca adiados.

ADJETIVOS PÁTRIOS E GENTÍLICOS

Muitos gramáticos chamam os adjetivos que nomeiam o local de nascimento das pessoas de adjetivos pátrios ou gentílicos. No entanto, existe diferença de significado entre os termos:

– Pátrio: refere-se a cidades, estados, países e continentes;

– Gentílico: refere-se a raças e povos.

Exemplos:

Israelense = adjetivo pátrio, referente a Israel;

Israelita = adjetivo gentílico, referente ao povo de Israel.

UM AGRAVANTE ou UMA AGRAVANTE?

A palavra “agravante”, como substantivo, é do gênero feminino.

Exemplo: O fato de João dirigir alcoolizado é uma agravante no caso de um acidente.

O mesmo acontece com a palavra “atenuante”.

Exemplo: O advogado alegou a existência de algumas atenuantes, para justificar o pedido de redução de pena de seu cliente.

AO ENCONTRO DE / DE ENCONTRO A

AO ENCONTRO DE: significa “a favor de, para junto de”. Exemplos:

Esta sua decisão veio ao encontro das minhas pretensões. Ana foi toda feliz ao encontro do namorado.

– DE ENCONTRO A: equivalente a “contra, idéia de choque, de oposição”. Exemplos:

Naquela questão, as idéias do PT vieram de encontro às do PSDB. O carro foi de encontro ao poste.

No antológico “Samba da bênção”, Vinícius dizia: “A vida é a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida.” Tinha razão o poeta. Quando você quer uma coisa e ela acontece, ela vem ao encontro dos seus interesses, e não de encontro. (P.C.N.)

A FIM / AFIM

– A FIM: igual a “finalidade”. Exemplo: Ari estava a fim daquela garota.

– AFIM: equivalente a “semelhante”. Exemplo: Meu gosto não é afim ao seu em matéria de comida.

AO INVÉS DE / EM VEZ DE

AO INVÉS DE: significa “ao contrário de”. Exemplos:

Maura, ao invés de Alice, resolveu se dedicar à música. (opções de estudo contrárias) Entrou à direita ao invés de entrar à esquerda. (Direita e esquerda se opõem)

– EM VEZ DE: igual a “em lugar de”. Exemplos:

Em vez de Pedro, Paulo foi o orador da turma. (Um tomou o lugar do outro) João foi à praia em vez de ir ao jogo.” (Ir à praia e ir ao jogo não são coisas opostas, e sim lugares diferentes).

ALEIJADO ou ALEJADO?

Deve-se dizer e escrever “aleijado”.

AMAZONA ou CAVALEIRA?

De fato as gramáticas costumam trazer “amazona” como feminino de “cavaleiro”, mas é bom saber que os dicionários registram também a forma “cavaleira”.

À MEDIDA QUE / NA MEDIDA EM QUE

– À MEDIDA QUE: significando “à proporção que”. Exemplo: Senhas eram distribuídas aos candidatos à medida que eles entravam nas filas de inscrição.

– NA MEDIDA EM QUE: equivalente a “no momento, no instante em que”. Exemplo: Terás muito mais força e resistência na medida em que deixares de fumar e beber tanto.

ANARQUIA/AUTARQUIA/OLIGARQUIA

– Anarquia: Ausência de governo;

– Autarquia: Auto (= si mesmo) + arquia (= governo);

– Oligarquia: governo de poucos.

ANEXO / EM ANEXO

Com as formas “anexo”, “anexa”, “anexos” etc., temos aí mais um particípio que freqüentemente se usa como adjetivo. Como tal, deve ajustar-se ao substantivo que modifica: “O/s comprovante/s segue/m anexo/s”; “A/s fotocópia/s segue/m anexa/s”. É importante observar que, nos exemplos dados, a alteração na ordem não afetaria os mecanismos de concordância: “Seguem anexos os comprovantes”; “Seguem anexas as fotocópias”. Em textos da correspondência comercial, são mais do que comuns frases (duplamente erradas) como “Segue anexo os comprovantes” ou “Segue anexo as faturas”. Há um erro de concordância verbal (o verbo está no singular, mas deveria ficar no plural) e um de concordância nominal (o adjetivo “anexo” deve concordar em gênero e número com o substantivo que modifica).

Por fim, convém dizer que alguns autores rejeitam a expressão “em anexo”, de uso mais do que vivo (e compreensível) na língua. Numa frase como “As fotocópias seguem em anexo”, por exemplo, “anexo” funciona como substantivo e forma com a preposição “em” uma expressão adverbial. O professor Evanildo Bechara é um dos gramáticos que registram o uso regular de “em anexo”. Em sua “Moderna Gramática Portuguesa”, o autor dá estes exemplos: “Vai em anexo a declaração”; “Vão em anexo as declarações”. Publicado em 2001, o “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, da Academia das Ciências de Lisboa, registra a locução adverbial “em anexo”, que dá como equivalente a “em apenso”, “em forma de aditamento”. O exemplo é este:

“A errata vai em anexo”.

Em resumo: o adjetivo “anexo” varia (“As notas seguem anexas”; “Os comprovantes seguem anexos”); a expressão “em anexo” não varia (“As notas seguem em anexo”; “Os comprovantes seguem em anexo”).

A NÍVEL DE ou EM NÍVEL DE?

Em verdade, a forma “a nível de” está incorreta. Deste modo, devemos usar a expressão “em nível de”, mesmo assim somente quando houver “níveis”. Exemplos:

Este problema só poderá ser resolvido em nível de diretoria (assessoria, secretaria…). As decisões tomadas em nível federal (estadual, municipal) poderão ser definitivas.

Observação: Quanto ao mar, é aceitável dizer “ao nível do mar” ou “no nível do mar”.

ANTÁRTICA ou ANTÁRTIDA?

Veja o que dizem alguns dicionários sobre o adjetivo Antártico:

1. “Oposto ao pólo ártico, o pólo meridional do mundo” (Caldas Aulete);

2. “Oposto ao pólo ártico, do pólo sul” (Aurélio);

3. “Do pólo sul, oposto ao pólo ártico, relativo à Antártida” (Luft).

Assim sendo, a região é antártica, temos o Oceano Glacial Antártico e o Círculo Polar Antártico. Tradicionalmente, o nome do continente é “Antártida”, porém pelo seu emprego constante, tanto na linguagem falada quanto na escrita, a forma “Antártica” já

AONDE / ONDE / DE ONDE

– AONDE: com verbos que indicam movimento, um destino, como o verbo ir. Exemplos:

Aonde você vai? Aonde você quer chegar?

– ONDE: com verbos que indicam permanência, como o verbo estar. Exemplos:

Onde você está? A casa onde moro é muito antiga.

– DE ONDE ou DONDE: com verbos que indicam procedência. Exemplos:

De onde você saiu? Donde você surgiu?

ESTOU A PAR ou AO PAR DO ASSUNTO?

Apesar de alguns registros de “a par de” e “ao par de” como equivalentes a “ao corrente de”, a expressão mais recomendada e abonada é “a par de”. O dicionário “Aurélio” diz que “ao par de” é “forma menos preferível”; o “Dicionário Prático de Regência Nominal”, de Celso Luft, dá as duas expressões como equivalentes. O “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, da Academia das Ciências de Lisboa, e o de Caldas Aulete, entre outros, só abonam a expressão “estar a par do assunto”.

AO PERSISTIREM… / A PERSISTIREM…

Analisemos duas construções que se ouvem e lêem, atualmente, em peças publicitárias de medicamentos: “Ao persistirem os sintomas, o médico…”/”A persistirem os sintomas, o médico…”. Qual é a melhor? Ou tanto faz? Raciocinemos juntos. Quando se diz “Ao sair, apague a luz”, quer-se dizer algo equivalente a “Quando sair, apague a luz”. A idéia predominante em orações introduzidas por “ao” é a de tempo: “Ao chegar, telefone” (“Quando chegar, telefone”); “Ao ouvir o sinal, não cruze a linha férrea” (“Quando ouvir o sinal, não cruze a linha férrea”). Então a frase “Ao persistirem os sintomas, o médico…” equivale a “Quando persistirem os sintomas, o médico…”. Essa construção não é incorreta, mas será que é exatamente isso o que se quer dizer, ou seja, será que a idéia predominante é a de tempo (“Quando persistirem os sintomas, o médico…”)? Ou é a de condição (“Se persistirem os sintomas, o médico…”; “Caso persistam os sintomas, o médico…”)? Se a intenção é dizer que o médico deverá ser consultado no caso de persistirem os sintomas, deve-se trocar o “ao” por “a”: “A persistirem os sintomas, o médico…”. Não custa lembrar duas coisas. A primeira é que, se a opção for por “se”, a forma verbal é “persistirem”; se for por “caso”, é “persistam”.

A segunda é que nem sempre a troca de “a” por “se” deixa intacta a forma verbal. Nesses casos, a preposição “a” põe o verbo no infinitivo (“A manter a calma, resolverá tudo em pouco tempo”), enquanto a conjunção “se” o põe no subjuntivo (“Se mantiver a calma, resolverá tudo em pouco tempo”). E por que no caso de “persistir” a forma não muda (“A persistirem”/”Se persistirem”)? Porque o verbo é regular, o que significa que o futuro do subjuntivo tem formas semelhantes às do infinitivo. Veja outros exemplos: “A continuar assim, será excluído”/”Se continuar assim, será excluído”; “A aceitar nossas condições, será contratado”/”Se aceitar nossas condições, será contratado”. Veja agora o que ocorre com verbos irregulares: “A ser convocado, partirá imediatamente”/”Se for convocado, partirá imediatamente”; “A haver o perdão…”/”Se houver o perdão…”. Por fim, resta dizer que as construções condicionais com o “a” são eruditas. Comuns em textos clássicos, ainda se encontram em obras jurídicas ou filosóficas, e também em ensaios literários. (P.C.N.)

A PRINCÍPIO / EM PRINCÍPIO

– A PRINCÍPIO: significa “inicialmente, no começo, num primeiro momento”. Exemplos: A princípio, havia dez operários trabalhando naquela obra. A princípio, o casamento de Vera e Filipe ia bem.

– EM PRINCÍPIO: igual à “em tese, antes de qualquer consideração, teoricamente”. Exemplos: Em princípio, sou contra a presença de políticos nessa festa. Em princípio, sou a favor do Parlamentarismo no Brasil.

Assim, quando se quer dizer que “num primeiro momento” se é contra alguma coisa, deve-se FALAR “a princípio”. Agora, seNDO-SE contra ALGUMA COISA só “em tese”, é preferível se dizer “em tese”, para maior clareza do enunciado: “Em tese, sou contra a pena de morte.”

DECISÃO ARBITRADA ou ARBITRÁRIA?

Segundo a maioria dos nossos dicionários, devemos fazer a seguinte distinção:

a) “Uma decisão arbitrada” é aquela que foi julgada por um árbitro. Arbitrar é decidir na qualidade de árbitro; sentenciar como árbitro. Árbitro é o juiz nomeado pelas partes para decidir as suas questões.

b) “Uma decisão arbitrária” é resultante de arbítrio pessoal, ou sem fundamento em lei ou em regras. Portanto, uma decisão

ARREBALDES ou ARRABALDES?

As duas palavras existem e constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras.

AO REDOR DE / DE REDOR DE

Quando se está em volta de algo, pode-se usar não só estas duas expressões como também: “ao redor de”, “em redor de”, “em torno a”, “em torno de”. E existe ainda a expressão “em derredor de”. Exemplo: “Os meninos quedos e taciturnos olhavam em derredor de si com tristeza”. O trecho é de “O Seminarista”, de Bernardo Guimarães, citado no dicionário Aurélio. “Quedo” é sinônimo de “quieto”; “taciturno” significa “silencioso, calado, sem palavras”.

ATERRISSAR / ATERRIZAR / ATERRAR

O velho dicionário Caldas Aulete só registra a forma “aterrissar”. No entanto, a forma “aterrizar” já está devidamente registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa , publicado pela Academia Brasileira de Letras, e por vários dicionários, entre eles o “Michaelis” e o “Aurélio” .

Além das formas “aterrissar” e “aterrizar”, existe também o termo “aterrar”, com o mesmo significado. Pode-se dizer, então, que o avião “aterrissou”, “aterrizou” ou “aterrou”.

Não foi por acaso que, em seu inesquecível “Samba do Avião” (maravilha o compositor Tom Jobim empregou “aterrar” (“E vamos nós aterrar”).

Também são três os substantivos: “aterrissagem”, “aterragem” e “aterrizagem” (este registrado no “Aurélio” e no dicionário da Academia de Lisboa; o “Houaiss” e o vocabulário da nossa Academia não o registram).

Nota: aterrizar (ou aterrissar, ou ainda aterrar) significa pousar na terra; pousar no mar é “amerissar”; e na lua, “alunissar”.

ARTIGO DEFINIDO

Numa frase em que haja uma relação de itens, ou se precede todos com o artigo definido ou nenhum deles. Exemplos:

Os líderes do PT, PSDB, PDT E PMDB estão se reunindo hoje. (errado)
Os líderes do PT, do PSDB, do PDT e do PMDB estão ... (correto) 
Os líderes de PT, PSDB, PDT e PMDB estão... (correto)

AS PARTÍCULAS “ATÉ” E “NEM”

“Até” é uma partícula que traz a idéia de inclusão. Exemplo: Até o diretor estava presente no show dos alunos.

“Nem” deve ser usado quando houver idéia de exclusão. Exemplo: “Nem mesmo os jornalistas credenciados puderam entrar no camarim da Madona.”

À TOA / À-TOA

O Dicionário “Aurélio”, o “Michaelis Melhoramentos”, o de Antenor Nascentes e o de Caldas Aulete, entre outros, informam que a palavra “toa” vem do inglês “tow”. Todos dão como primeiro sentido de “toa” o de cabo ou corda com que se reboca uma embarcação, e incluem a expressão “à toa” no verbete “toa”. Quando tem valor adverbial, a expressão “à toa” se grafa sem hífen, ou seja, em duas palavras. Esse valor se verifica quando a expressão significa “a esmo”, “sem razão”, “irrefletidamente”: “Gosto de andar à toa”; “À tarde, ele passa horas à toa”; “Briga à toa, com quem quer que seja”.

Quando significa “desprezível”, “sem importância”, “irrefletido”, ou seja, quando tem valor de adjetivo, a palavra “à-toa” é composta, grafada com hífen: “Foi um gesto à-toa”; “É um homem à-toa”, “Cantou uma música à-toa”. Convém salientar que, nesse caso, a expressão “à-toa” não varia, isto é, tem plural e singular iguais: “Um homenzinho à-toa”; “Vários homenzinhos à-toa”.

EMPREGO DA LOCUÇÃO PREPOSITIVA “ATRAVÉS DE”

Silva diz que nas “normas escritas” em seu trabalho se empregava “através de” com o sentido de “por intermédio de” ou “por meio de”, mas recentemente esse uso foi abolido. Até 1998 os dicionários brasileiros só davam à expressão “através de” com o sentido de “pelo meio de”, “por dentro de”, “de um lado para o outro”, etc.

Exemplos: “Ele escapou através da janela do banheiro.” “Os pássaros voavam através dos galhos das árvores.”

Apesar do largo uso (oral e escrito) de “através de” com o sentido de “por intermédio de” ou “por meio de”, nossos dicionários insistiam em não registrar esse valor da expressão. Salvo engano, é da última edição do “Aurélio” (“Novo Aurélio Século XXI”, publicada em 1999) o primeiro registro de “através de” com o sentido de “por intermédio de”. O “Houaiss” (lançado em 2001) registra a expressão com o sentido (classificado de “figurado”) de “por meio de”, “mediante”, com estes exemplos: “Educar através de exemplos.”

“Conseguiu o emprego através de artifícios.”

O “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, lançado em 2001 pela Academia das Ciências de Lisboa, não faz cerimônia e dá à locução “através de” o sentido de “por meio de”, com estes exemplos: “Conseguiu o seu intento através de um estratagema.” “Soube a notícia através dela.”

O recém-lançado “Dicionário de Usos do Português do Brasil”, do professor Francisco S. Borba, também registra exemplos do emprego de “através de” com o sentido de “por meio de”.

Exemplo: “O encantamento se faz através da magia e do mistério”, de “O Lobisomem e Outros Contos”, de H. Sales.

O que não ganha legitimidade ou registro é esta extravagância, comum em textos do jornalismo esportivo: “O gol do Fluminense foi marcado através de Romário”. Alguém teria coragem de dizer que o gol do Fluminense foi marcado por intermédio (ou “por meio”) de Romário? Se alguém pensou em dizer que sim, é bom desistir. O gol não foi marcado “por intermédio” ou “por meio” de quem quer que seja, por uma razão muito simples: o gol foi marcado por (simplesmente “por”) Romário. O que temos aí é uma expressão (“por Romário”) que indica o agente do processo expresso pela expressão verbal passiva “foi marcado”. Alguém diz que a mercadoria foi roubada “através de um homem alto, magro, calvo”? Certamente, não. Se dizemos que a mercadoria foi roubada “por um homem alto, magro, calvo”, nada de dizer “gol marcado através/por meio/por intermédio de Romário”. No uso

AUMENTOS “ENTRE …% A…%” ou “DE …% A …%”?

Quando se deseja dizer, por exemplo, que as vendas de um produto tiveram um aumento de 15%, ou 16%, ou 17%, ou qualquer fração entre 15% e 17%, deve-se preferir a expressão “as vendas aumentaram de 15% a 17%. Utilizando-se a expressão “entre 15% a 17%”, parecerá que o aumento foi de 16% ou qualquer fração entre 15% e 17%

B

BASTANTE / BASTANTES

“Bastante”, literalmente, Significa “que basta”. Assim “dinheiro bastante” nada mais é do que “dinheiro que basta”. Essa palavra é formada com a terminação “-nte” (de origem latina), presente em um sem-número de palavras da nossa língua: “pedinte”, “dormente”, “cintilante”, “extenuante”, “cortante”, “crente”, “ouvinte”, “sobrevivente”, “fluente”, “entorpecente”, “servente”, “amante”, “distante”, “poente”, “flagrante”, “oponente”, “existente”, “falante”, “tangente”, “dependente”, “delinqüente” etc. Que é um “delinqüente” senão aquele que delinqüe (do verbo “delinqüir”), ou seja, age de forma criminosa? Essa forma “-nte” vem da terminação latina do particípio presente, de que resultaram, em nossa língua, inúmeros substantivos e adjetivos que encerram a idéia de “aquele que executa determinado processo” (“pedinte” significa “que pede”, “caminhante” equivale a “que caminha”, “distante” corresponde a “que dista” e assim por diante).

Em relação à concordância, age-se com a palavra “bastante” como se age com qualquer adjetivo, ou seja, faz-se sua flexão de acordo com o substantivo modificado: “Não há público bastante para que o espetáculo comece”; “Não há deputados bastantes para que a sessão se inicie”. Na prática, porém, é pouco comum entre nós o emprego da forma “bastantes”. É raro ouvir-se, por exemplo, um jogador de futebol ou alguém do jornalismo esportivo dizer que o time perdeu “bastantes oportunidades”. O que se ouve mesmo é “bastante oportunidades”, o que talvez se explique pelo fato de que ao falante parece desnecessária a flexão de “bastante”, uma vez que sua carga semântica (de significado) é de algo copioso, abundante, isto é, de plural. Não custa repetir: quando modifica substantivo, “bastante” tem flexão de número (“Não há livros bastantes nesta biblioteca”). Convém lembrar que “bastantes” pode equivaler a “muitos/muitas” ou “suficientes”. Quando modifica adjetivo, advérbio ou verbo, ou seja, quando funciona como advérbio (de intensidade), “bastante” não varia, como não variam os demais advérbios que exercem esse papel: “As atletas estavam muito/bastante nervosas”; “Eles ficaram muito/bastante contrariados”; “Elas escrevem muito/bastante bem”, “Os torcedores sofreram muito/bastante com a derrota da equipe”.

BÊBADO / BÊBEDO

As duas formas desta palavra estão corretas. Assim, tanto faz escrever: “Ele saiu bêbado da festa”, como “ele saiu bêbedo da festa”.

BENVINDO ou BEM-VINDO?

A forma correta é “bem-vindo”. Não existem as formas “benvindo” e “ben-vindo”, porque o advérbio “bem” é com “m”, e por serem duas palavras autônomas, formando uma palavra composta, são escritas separadamente e ligadas por hífen.

BENEFICENTE ou BENEFICIENTE?

O termo correto é “beneficente”, e não “beneficiente”. Assim também, deve-se dizer “beneficência”, ao invés de “beneficiência”. Exemplo: No domingo, aquele clube vai promover um almoço beneficente para ajudar as crianças carentes.

BEM-QUISTO ou BENQUISTO?

A forma correta é “benquisto” que significa bem-visto. Exemplo: Aquele policial é muito benquisto pela vizinhança.

BIMENSAL / BIMESTRAL / BIENAL

- BIMENSAL: o que acontece ou aparece duas vezes no mês; 
- BIMESTRAL: quando o intervalo é de dois meses; 
- BIENAL: intervalo de dois anos.

BUJÃO / BOTIJÃO DE GÁS

As duas palavras existem e constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL.

C

CABEÇADA / CABECEADA

– CABEÇADA (substantivo). Exemplos:

Zico deu uma cabeçada muito forte na bola. Sandra andava pela rua distraída e deu uma cabeçada no “orelhão”.

– CABECEADA (particípio do verbo CABECEAR).

CABELEIREIRO ou CABELEREIRO?

O termo correto é “cabeleireiro”, derivado de “cabeleira”.

CALEFAÇÃO / CALAFETAÇÃO

– Calefação: aquecimento;

– Calafetação: ação de calafetar, tapar, vedar.

CAMINHONEIRO ou CAMIONEIRO?

Diz-se corretamente “caminhoneiro”. Do mesmo modo deve-se falar também “caminhonete”.

CARANGUEJO ou CARANGUEIJO?

A forma correta é “caranguejo”.

CASAS GERMINADAS ou GEMINADAS?

Casas duplicadas, feitas aos pares, devem ser chamadas de “casas geminadas”. “Geminadas” e “geminar” são palavras da mesma família. E “geminado” é sinônimo de “gêmino”: casas gêminas ou geminadas.

CATACLISMA ou CATACLISMO?

A forma correta é “cataclismo”, que significa “Grande inundação, dilúvio”. Figurativamente, pode significar “convulsão social, revolta”. E ainda “grande desastre, derrocada”. Na prática, a palavra é quase sempre empregada com este último sentido.

CESÁREO / CESARIANO (em relação a parto)

Devemos dizer que o parto é “cesáreo” ou “cesariano” e a cirurgia é “cesárea” ou “cesariana”. Exemplos:

Aquele médico só faz uma cesárea (ou cesariana) por dia.

CHINELAS / CHINELOS

As duas formas estão corretas.

CHOPARIA ou CHOPERIA?

As duas formas podem ser consideradas corretas, pois para a ABL é “choparia”; para o “Aurélio” , “choperia”.

CÍRCULO ou CICLO VICIOSO?

A expressão correta é “círculo vicioso”.

COMERCIALIZAR / VENDER

– Comercializar: comprar, vender, alugar, emprestar…; Exemplo: Esta empresa comercializa automóveis e caminhões em todo o país.

– Vender: é uma das atividades da comercialização de um produto. Exemplo: O Vectra está sendo vendido por um preço bem em conta.

COMPANHIA

A forma correta desta palavra é “companhia”, e não “compania”, significando tanto “empresa”, “firma”, quanto “presença de uma pessoa”, “convívio com alguém”.

COMPLEMENTAÇÃO / SUPLEMENTAÇÃO

– Complementação: segunda parte, o que completa. Exemplo: A etapa complementar daquele jogo foi melhor que o primeiro tempo.

– Suplementação: extra, adicional. Exemplo: Para dar o aumento salarial, foi necessária uma verba suplementar .

COMUNICAR / INFORMAR

A regência padrão do verbo comunicar é: “Alguém comunica algo a alguém” ou “Algo é comunicado a alguém”. Exemplos:

O Governador comunicou os fatos ao Presidente da República (voz ativa) 
Os fatos foram comunicados ao Presidente da República pelo Governador (voz passiva)

Como se vê, na língua padrão o que se comunica é a coisa, o fato, e não a pessoa. São cada vez mais comuns, no entanto, construções como “Alguém comunica alguém de algo” (“O secretário comunicou o governador da rebelião”), na voz ativa, e “Alguém é comunicado de algo por alguém” (“O governador foi comunicado da rebelião pelo secretário”). Essas construções ainda não são registradas nos dicionários de regência ou de sinônimos.

Esse uso (freqüente) de “comunicar” certamente se explica pela influência da regência de sinônimos, entre os quais se destaca “informar”, que na língua padrão ocorre com as construções “Alguém informa alguém de algo” (“O secretário informou o prefeito dos fatos”) e “Alguém informa algo a alguém” (“O secretário informou os fatos ao prefeito”).

COM RESERVAS / RESERVADAMENTE

– Com reservas: com cuidado, com restrições. Exemplo: Tratou do assunto com reservas. (= Não abriu o jogo, não disse tudo que sabia)

– Reservadamente: sigilosamente, confidencialmente. Exemplo: Tratou do assunto reservadamente. (= a sós, confidencialmente)

CONFERÊNCIA (Palestra)

Pessoas não “dão” uma conferência nem uma palestra, e sim as “fazem” ou as “proferem”. Exemplo: Dr.ª Luzia fez (proferiu) uma conferência (palestra) sobre direito do trabalho ontem. Observação: No entanto, pessoas “dão recitais”.

CONFISCAR / DESAPROPRIAR

– Confiscar: apreender algo, privar alguém de um bem sem indenização. Exemplo: A Justiça Federal confiscou os bens daquele juiz corrupto.

– Desapropriar: privar alguém de alguma coisa, mas com indenização. Exemplo: Para a construção do metrô, vários imóveis foram desapropriados.

CONSIDERAR

O correto é dizer que “fulano foi considerado o melhor”, e não “como o melhor”. Exemplo: Guga foi considerado o melhor tenista do mundo.

CONTAR COM…

Esta expressão significa “ter a favor”; portanto, não se deve dizer que “uma idéia conta com as objeções de outra pessoa”, mas sim que “sofre as objeções de alguém”.

Exemplo: A proposta de realização de uma Olimpíada no Rio conta com o apoio de todos os hoteleiros e sofre as objeções de quem teme atentados terroristas.

CONTACTO / CONTATO

As duas formas estão presentes no “Novo Aurélio” e no “Vocabulário Ortográfico”. Estranhamente, o “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” não registra “contacto”, embora o “Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos” registre “contacto” e “contato” como equivalentes.

Assim também com: “contactar / contatar”, “corrupção / corrução”, “aspecto / aspeto”, “estupefacto / estupefato”. Já a forma “aficcionado” não existe. O certo é “aficionado”, com a pronúncia igual a “acionado”. Exemplo: Ele é um aficionado em cinema.

(Ver também “detector/detetor”; “veredicto / veredito”.)

CONTESTAR

Deve-se empregar este verbo em relação a acusações, argumentos, alegações. Para SE FAZER OPOSIÇÃO A pessoas, é mais indicado usar o verbo “enfrentar”. Exemplos:

Os alunos contestaram os argumentos apresentados pelos donos de escolas para o aumento nas mensalidades de seus cursos. Aquele jogador de futebol enfrentou o juiz por tê-lo expulso de campo.

CONVALESCENÇA ou CONVALESCÊNCIA?

O termo correto é “convalescença”.

CORPO-A-CORPO / CORPO A CORPO

Ocorrendo a substantivação da expressão “corpo a corpo”, esta deve ser escrita com hífen. Exemplo: Na reta final de uma eleição, é normal que os candidatos intensifiquem o corpo-a-corpo com os eleitores. (O composto “corpo-a-corpo” está nomeando o contato direto de um candidato com os seus possíveis eleitores)

Já a expressão “corpo a corpo” (sem hífen) não nomeia coisa alguma, ou seja, não tem valor de substantivo. Exemplo: De acordo com as pesquisas dos diversos institutos, os candidatos à Presidência da República “X” e “Y”continuam na briga, corpo a corpo, por uma vaga no segundo turno. (Neste caso, “corpo a corpo” designa o modo como ocorre a disputa pela vaga)

EXAME DE CORPO DE DELITO ou CORPO DELITO?

A expressão correta é “corpo de delito”. Significa o fato material usado como prova de um crime.

CRONOGRAMA / ORGANOGRAMA

– CRONOGRAMA: representação gráfica da previsão da execução de um trabalho, na qual se indicam os prazos;

– ORGANOGRAMA: representação gráfica de uma organização, na qual se indicam as unidades constitutivas, suas inter-relações, suas funções, seus limites.

CUECA / CUECAS

O dicionário de Aurélio Buarque diz que as duas formas são possíveis, desde que com o artigo adequado: “a cueca” ou “as cuecas”. Observação: A mesma regra pode ser aplicada ao par “calça / calças”.

D

DECOLAR / DESCOLAR

“decolar” e “descolar” são formas equivalentes, portanto “decolagem” e “descolagem” também o são. As formas “descolar” e “descolagem” são comuns em Portugal.

DEFENSIVO (adjetivo)

É incorreto dizer que alguém fica “na defensiva”. O mais indicado é falar que alguém FICA ou ESTÁ numa “posição defensiva” ou “na defesa”.

DE MAIS / DEMAIS

– DE MAIS: quando apresenta o sentido oposto à “de menos” (= após um substantivo ou pronome). Exemplos:

Para Ana, chegar a casa de madrugada não tem nada de mais. Há homens de menos para mulheres de mais.

– DEMAIS (= junto): é advérbio de intensidade (= muito) ou pronome indefinido (= o restante, os outros). Exemplos:

Rita fala demais. (= fala muito – advérbio) Uns vaiavam, os demais aplaudiam. (= o restante – pronome)

DENGUE

Esta palavra é um substantivo feminino, por isso deve-se dizer “a dengue”. Observe-se também a expressão “dengue do tipo hemorrágico”.

DEPRESSIVO / DEPRIMIDO

“Depressivo” é aquilo que causa depressão ou se relaciona com ela. Uma pessoa não fica “depressiva”, mas sim “deprimida”. Exemplos:

Poluição, violência, engarrafamentos e desemprego são alguns dos fatores altamente depressivos de uma cidade grande. Paulo, por ter perdido o emprego, anda muito deprimido.

DESALOJAR / DESAPROPRIAR

Pessoas são “desalojadas”; entretanto, bens são “desapropriados” ou “expropriados”. Exemplos:

Os favelados ficaram desalojados porque seus barracos foram destruídos pelas fortes chuvas. Todas as casas daquele quarteirão foram desapropriadas (expropriadas) para a passagem da “Linha Amarela”.

DESCOBRIDOR / INVENTOR

“Descobridor” é aquele que encontra algo cuja existência não era conhecida. Já o “inventor” cria algo que anteriormente não existia. Exemplos:

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. (terra que já existia antes de sua chegada) Santos Dumont inventou o avião. (aparelho criado, que não existia anteriormente)

DESCRIMINAR / LEGALIZAR

– Descriminar: inocentar de um crime. Exemplo: O projeto daquele deputado queria descriminar o usuário de maconha.

– Legalizar: tornar legal. Exemplo: Aquela discussão era para legalizar o jogo do bicho.

DESCULPA ou DESCULPE?

[Quando uma pessoa pede perdão, o correto é dizer “desculpe” ou “desculpa”? Assim como se pode dizer “Peço perdão”, que muitas vezes se reduz a “Perdão!”, pode-se dizer “Peço desculpa”, que se reduz a “Desculpa!”. Nesses casos, “perdão” e “desculpa” funcionam como interjeições.

Interjeição, como se sabe, é palavra ou locução com que se exprime sentimento de dor, alegria, tristeza, raiva, arrependimento etc. (“Cuidado!”, “Socorro!”, “Atenção!”).

A opção entre “desculpa” e “desculpe” se justifica quando se trata de escolher a forma de tratamento. Nessas situações, “desculpa” e “desculpe” são formas verbais e pertencem ao imperativo afirmativo. Na língua padrão (ou exemplar, como diz o professor Bechara), “desculpa” é da segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo, ou seja, usa-se para “tu”; “desculpe” é da terceira pessoa, isto é, usa-se para “você”, “senhor”, “senhora”. Há um detalhe, porém: quem usa o verbo “desculpar” para pedir desculpa certamente vai colocar o pronome “me”. Assim, quando se dirige a alguém a quem dê o tratamento de “tu”, poderá dizer isto: “Desculpa-me. Não imaginava que te ofendesses com isso..” Se o tratamento é feito na terceira pessoa gramatical (“você”, “senhor”, etc.), poderá dizer isto: “Desculpe-me. Não queria ofender a senhora.”

DESLEIXO ou DESLEXO?

A forma correta desta palavra é “desleixo”.

DESMITIFICAR / DESMISTIFICAR

– Desmitificar vem de mito, e significa “desfazer o mito, acabar com o mito”.

– Desmistificar vem de mística, e significa “acabar com a mística, desfazer a farsa, o engano”.

DESPOEIRAR ou DESEMPOEIRAR?

A maioria dos nossos dicionários só registra os verbos “empoeirar e desempoeirar”, sendo a forma “desempoeiramento” a mais recomendável. Entretanto, é importante saber que o neologismo “despoeiramento” e o verbo “despoeirar” já estão devidamente registrados no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado em 1999 pela Academia Brasileira de Letras.

DESINTERIA ou DESENTERIA ou DISENTERIA?

O mau funcionamento dos intestinos, a inflamação intestinal chama-se “disenteria”. O prefixo “dis” significa “dificuldade, mau funcionamento”. É o mesmo que aparece em “disfagia” (= dificuldade na deglutição, para comer); “dispepsia” (= dificuldade de digerir, na digestão); “dislalia” (= dificuldade na fala, na dicção); “dispnéia” (= dificuldade na respiração); “disritmia” (= distúrbio de ritmo).

Nota: o estudo do intestino e das suas funções é a “Enterologia” (do grego enteron = interior, intestino).

DESTRINCHAR / TRINCHAR

“Destrinchar” ou “destrinçar” significa “expor com minúcias, resolver, desenredar”. Exemplo: Na reunião, o diretor de vendas destrinchou todos os problemas da empresa.

“Trinchar” significa “cortar em pedaços”. Exemplo: Maria trinchou o frango todo.

DESVENDAR

“Desvenda-se” o segredo, ou o mistério, de um acontecimento, e não a pessoa responsável por ele. Exemplo: Neste fim de semana, aquele seqüestro foi finalmente desvendado, e os seqüestradores identificados (descobertos) e presos pela polícia.

DETETOR / DETECTOR

Para o “Houaiss” (lançado em 2001), é aceitável a forma “detetor”; para o “Novo Aurélio” (de 1999) e para o “Vocabulário Ortográfico” (também de 1999), essa forma não existe. O “Houaiss” registra “detector” e “detetor” como equivalentes; o “Novo Aurélio” e o “Vocabulário Ortográfico” só registram a forma “detector”.

DE TODA ERRADA ou …DE TODO ERRADA?

A expressão “de todo” é uma locução adverbial, portanto invariável. Significa “totalmente”, “completamente”. Exemplos:

Ao fazer aquela ACUSAÇÃO, Maria não estava de todo errada. Naquele episódio, eles não estavam de todo errados.

DIA A DIA / DIA-A-DIA

Como uma expressão adverbial, revelando uma circunstância de tempo e significando “diariamente”, não deve ser empregado o hífen.

Exemplo: Dia a dia, é lançada uma novidade no campo da informática. Sendo um substantivo composto, com o sentido de “cotidiano”, devemos empregar o hífen. Exemplo: O dia-a-dia das grandes cidades está cada vez mais violento.

DIGLADIAR ou DEGLADIAR?

A grafia correta deste vocábulo é “digladiar”.

DIGNITÁRIO ou DIGNATÁRIO?

O correto é se dizer “dignitário”.

E

EMBAIXADOR / EMBAIXADORA / EMBAIXATRIZ

o substantivo masculino embaixador possui dois femininos com significados diferentes:

– embaixatriz: é a mulher do embaixador;

– embaixadora: é a mulher que exerce o cargo de embaixador.

Exemplo: O embaixador e a embaixatriz da Inglaterra compareceram às festividades em homenagem ao Centenário da Academia Brasileira de Letras. Entretanto, a embaixadora da Polônia não pôde estar presente.

EM CORES ou A CORES?

Assim como se diz “filme ou TV em preto e branco”, e não “a preto e branco”, deve-se dizer igualmente “filme ou TV em cores”.

EM MÃOS ou EM MÃO?

O certo é escrever no envelope que será entregue pessoalmente a expressão “em mão”.

EM QUE PESE (Concordância Verbal)

Essa locução equivale a algo como “ainda que (isso) doa (a alguém)” e, por extensão de sentido, a “apesar de”, “não obstante”. Quando se usa essa expressão em relação a coisas, faz-se a flexão da forma verbal “pese”: “Comprou um automóvel novo, em que pesem as dívidas ( “apesar das dívidas”) que já tem e não consegue pagar”.

No entanto, quando se usa essa expressão em relação a pessoas, não se faz a flexão da forma verbal “pese”, que, nesse caso, é seguida da preposição “a”: “O presidente dos Estados Unidos quer evitar incêndios florestais derrubando árvores, em que pese aos ambientalistas ( “ainda que isso doa aos ambientalistas”)”.

É preciso tomar cuidado com o acento indicador de crase, quando a expressão se referir a seres femininos designados por termos que admitam o artigo: “Em que pese às atrizes, o roteirista do filme não pretende mudar o texto”.

ENCAPUZADO ou ENCAPUÇADO?

A grafia correta desta palavra é “encapuzado”, pois se origina do substantivo “capuz”.

ENFARTE / ENFARTO

Deve-se empregar as formas “enfarte” ou “enfarto”, tendo-se ainda a variante “infarto”; no entanto, a forma “infarte” é incorreta.

ENQUANTO

É inadequado empregar esta conjunção numa circunstância comparativa, posto que seu emprego, em geral, se caracteriza por uma circunstância de passagem de tempo. Exemplos:

A mulher, enquanto cidadã detentora de direitos e deveres… (errado) A mulher, como cidadã detentora de direitos e deveres… (correto)

ENTORNO

A última edição do “Aurélio” (1999) e o “Houaiss” (2001) registram essa palavra, definida como “o que rodeia”, “vizinhança”, “arredor”, “cercania”, etc. No “Aurélio”, um dos exemplos citados está numa portaria governamental publicada em 1981, o que demonstra que o emprego desse vocábulo não é tão novo entre nós, ou seja, que ele já não pode ser considerado exemplo de “neologismo”, apesar de os dicionários antigos (como o de Caldas Aulete) não registrarem esse vocábulo. Convém notar que edições recentes de três dicionários portugueses não registram essa palavra, que, ao que parece, é de uso exclusivo do português do Brasil.

ENTRE / DENTRE

A preposição “entre” só deve ser usada com “unidades” (entre elementos ou entre conjuntos). Exemplos:

A bola passou entre os jogadores da barreira. 
Ronaldinho, na foto, ficou entre Pelé e Zico. 
Andava tranqüilo entre as árvores da floresta. 
Todos desejam a paz entre as nações. 
Observação: Deve-se evitar o uso da preposição "entre" antes de palavras com idéia "coletiva". 
Exemplos: 
A bola passou entre a barreira. (errado) 
A bola passou "no meio da barreira", ou "entre a barreira e o juiz". 
(certo) 
Ronaldinho ficou "entre a dupla". (errado) 
Ronaldinho ficou "entre os dois craques", ou "entre a dupla e o 
troféu". (certo) 
Andava "entre a floresta". (errado) 
Andava "entre as árvores", ou "entre a floresta e o rio". (certo) 
Todos desejam a paz "entre a população". (errado) 
Todos desejam a paz "entre os homens, entre as pessoas, entre os 
habitantes, entre os povos"; ou ainda "entre a população e o governo". 
(certo)

Devemos usar a forma “dentre” (de+entre = do meio de) quando houver idéia de “movimento”. Exemplos:

Dentre os turistas, saiu uma criança correndo. 
Dentre os manifestantes, surgiu meu primo. 
Alguém dentre nós será retirado deste lugar.

ENTRE SI / ENTRE ELES

Usamos “entre si” sempre que o sujeito pratica e recebe a ação verbal. Exemplos:

Os alunos discutiam entre si. (Aqui, o sujeito (= os alunos) pratica e recebe a ação verbal. Os mendigos repartiram o pão entre si. Os jogadores brigavam entre si mesmos.

Usamos “entre eles” quando o sujeito é um e o complemento é outro. Exemplos:

Nada existe entre eles. (Nesse caso, o sujeito é “nada” e o complemento é “entre eles”. O prêmio foi repartido entre eles. O segredo ficou entre eles mesmos.

EPIDEMIA

A palavra “epidemia” tem o radical grego “demo”, que significa povo. Logo só podemos usar esta palavra para doenças que dão em seres humanos.

ESPONTANIEDADE ou ESPONTANEIDADE?

A forma correta é “espontaneidade”.

esteje ou esteja?

O certo é “esteja” (1ª e 3ª pessoas do singular do Presente do Subjuntivo do verbo ESTAR). Também não existe a forma “seje”, e sim “seja” (1ª e 3ª pessoas do singular do Presente do Subjuntivo do verbo SER.)

ESTÓRIA ou HISTÓRIA?

As palavras “estória” e “história” são aceitas por diversos autores, com significados distintos:

– estória: exposição romanceada de fatos imaginários, narrativas, contos, fábulas;

– história: para dados históricos, que se baseiam em documentos ou testemunhos.

Estas duas palavras constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Mas o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa recomenda simplesmente a grafia história, nos dois sentidos. E o dicionário de Caldas Aulete refere-se à forma estória como um brasileirismo, isto é, apenas um aportuguesamento da forma inglesa “story”.

ESTUPRO

Deve-se dizer “estupro”, e não “estrupo” ou “estrupro”.

EVENTUAL / POSSÍVEL / PROVÁVEL / POTENCIAL

- Eventual = ocasional, esporádico, ocorre de vez em quando; 
- Possível = tudo o que pode acontecer; 
- Provável = o que deve acontecer; 
- Potencial = o que pode vir a ser.

Assim:

- "Um problema eventual": é aquele que acontece de vez em quando; 
- "Um possível problema": é o que pode tornar-se um problema; 
- "Um provável problema": é o que tem de tudo para tornar-se um problema; 
- "Um problema potencial ": ainda não é um problema, mas pode tornar-se um.

EXPERIMENTA OU EXPERIMENTE?

Em termos de língua padrão, “experimenta” e “experimente” são flexões corretas do modo imperativo (afirmativo). A diferença fica por conta da pessoa gramatical, que, no caso de “experimenta”, é a segunda do singular (“tu”) e, no caso de “experimente”, é a terceira do singular (“você”, “senhor/a” etc.).

Parece conveniente lembrar o sistema de conjugação do imperativo afirmativo padrão. As duas segundas pessoas (“tu” e “vós”) vêm do presente do indicativo, sem o “s” final. Como a segunda pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “experimentar” é “(tu) experimentas”, a segunda do singular do imperativo afirmativo é “experimenta (tu)”. As demais pessoas do imperativo afirmativo vêm do presente do subjuntivo, sem alteração. De “que você experimente” (presente do subjuntivo) se faz “experimente (você)”.

Posto isso, podemos passar a outro aspecto da questão, o do modo imperativo da língua coloquial. Nesse caso, é fundamental levar em conta a região do país. No dialeto paulista, por exemplo, o pronome de tratamento usado entre pessoas íntimas é “você”; no imperativo, a flexão adotada é justamente a que a gramática normativa dá como pertencente à segunda pessoa (“tu”). Em outras palavras, os paulistas dizem “Anda logo, senão você vai chegar atrasado” ou “Mostra logo o que você comprou”, por exemplo.

Em outros dialetos (o baiano, por exemplo), o pronome “você” costuma ser associado à flexão de imperativo afirmativo que a gramática padrão dá como pertencente à terceira do singular. Em outras palavras, os baianos dizem “Ande logo, senão você vai chegar atrasado” ou “Mostre logo o que você comprou”, por exemplo.

Os redatores da propaganda certamente discutiram o assunto, ou seja, discutiram se seria melhor empregar “experimenta” ou “experimente”. Como se vê, preferiram a forma comum no dialeto da região mais rica do país. É bom que se diga que, em termos de língua padrão, a flexão “experimenta” seria associada, por exemplo, a formas como “Tu vais gostar” ou “Tu não te arrependerás”, enquanto a flexão “experimente” seria associada a formas como “Você vai gostar” ou “Você não se arrependerá”.

O assunto pode ser ilustrado por esta questão da Fuvest (de 2003):

“Entre as mensagens abaixo, a única que está de acordo com a norma escrita culta é:

a) Confira as receitas incríveis preparadas para você. Clica aqui. 
b) Mostra que você tem bom coração. Contribua para a campanha do agasalho. 
c) Cura-te a ti mesmo e seja feliz. 
d) Não subestime o consumidor. Venda produtos de boa qualidade. 
e) Em caso de acidente, não siga viagem. Pede o apoio de um policial".

A resposta é “d”. Nessa frase, as formas “não subestime” (do imperativo negativo, conjugado integralmente a partir do presente do subjuntivo) e “venda” (do imperativo afirmativo) estão na terceira do singular (“você”, “senhor/a”). (P.C.N.)

EXPLICAR / JUSTIFICAR

No dicionário Caldas Aulete, vemos que “Explicar” significa: tornar inteligível ou claro; justificar… E “justificar”, demonstrar a inocência de, dar ou reconhecer por inocente, desculpar…

No Michaelis temos: “Explicar”, tornar claro ou inteligível; aclarar; explanar; fazer-se compreender; justificar… E “Justificar”, declarar justo, demonstrar ou reconhecer a inocência de; absolver; desculpar; explicar com razões plausíveis… Pelo visto, os dois verbos até poderiam ser considerados sinônimos. Na prática, entretanto, é preferível fazer a conhecida distinção: se você quer esclarecer, explica; se você quer ser inocentado, justifica. Só assim podemos entender a tal história do “explica, mas não justifica”, ou seja, “dá para entender, mas não dá para desculpar”.

F

FACE À

O correto é empregar-se a expressão “face à”, e não “em face de”. Exemplo: Face a tantas divergências, encerramos agora esta reunião.

FACTÓIDE

Factóide (facto = fato, acontecimento, + óide = próximo, semelhante), é um fato, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo para gerar impacto na opinião pública. É um termo muito usado no meio político. O factóide é sempre divulgado de um modo sensacionalista, com o propósito deliberado de impressionar o povo.

FAX

“Fax” é a redução da expressão de origem latina “fac-símile”. O plural de “fax” é “fax” mesmo. Assim como o plural de outras palavras terminadas em “x” que não sofrem qualquer alteração: tórax, látex, ônix, xerox (ou xérox, tanto faz), etc.

FEMURAL ou FEMORAL?

Embora o osso da coxa seja o fêmur com “u”, o adjetivo a ele relacionado deve ser escrito com “o”, ou seja, o correto é dizer “osso femoral”.

FRONTEIRA / DIVISA / LIMITE

Embora nossos dicionários não sejam rígidos quanto a essa distinção, deve-se optar pelo seguinte esquema:

- Fronteira: divisão entre países; 
- Divisa: entre estados; 
- Limite: entre municípios.

G

A GRAMA / O GRAMA

Quando substantivo feminino, “GRAMA” significa “vegetação rasteira”, “relva”; como substantivo masculino, tem o sentido de “unidade de medida de massa”.

Exemplos:

A grama daquele campo de futebol está muito alta. 
O grama do ouro está com uma cotação bem atraente. 
Ontem, comi sozinho trezentos gramas de presunto!

Outros exemplos em que a mudança de gênero do substantivo implica também na mudança de seu significado:

A CABEÇA = parte do corpo; 
O CABEÇA = chefe, líder; 
A RÁDIO = emissora; 
O RÁDIO = aparelho receptor; 
A LENTE = vidro; 
O LENTE = professor, aquele que lê;

NOTA: Os substantivos a seguir costumam apresentar dúvidas quanto ao seu gênero. Assim, o correto é dizer: A ALFACE, O CHAMPANHA, O SOPRANO, A SUÉTER, A DERME, A DINAMITE, etc. Já a palavra CÓLERA pode ser empregada tanto no masculino quanto no feminino: A CÓLERA ou O CÓLERA; e o mesmo caso para DIABETES, que também pode ser empregada no singular ou no plural: O DIABETE(S), A DIABETE(S).

GREVE / LOCAUTE

“GREVE” é o movimento reivindicatório de empregados contra empregadores. Já quando os reivindicantes são os patrões, o movimento chama-se “LOCAUTE”.

H

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

Deve-se empregar a expressão “haja vista”, já que a palavra “vista”, neste caso, é invariável. Haja vista significa “por causa de, devido a, uma vez que, visto que, já que, porque, tendo em vista”. Compare: quando se usa a expressão “tendo em vista”, ninguém diz “tendo em visto”. Então, não esqueça: haja vista = tendo em vista.

Exemplos:

Haja vista o grande evento deste domingo. Haja vista os concursos deste ano.

HAVER POR BEM

O dicionário de Caldas Aulete informa que a expressão “haver por bem” era usada nos decretos e portarias com o sentido de “dignar-se”, “resolver” (“El-rei há por bem nomear…” é um dos exemplos do dicionário). O “Aurélio”, o “Houaiss” e o “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa” (de Lisboa) registram a expressão “haver por bem” como equivalente a “resolver”, “decidir”, etc.

Convém lembrar que, nesse caso, o verbo “haver” deve ser flexionado de acordo com o sujeito: “O presidente houve por bem…”; “Os senadores houveram por bem…”.

HILÁRIO ou HILARIANTE?

O dicionário Caldas Aulete só registra “hilariante”, entretanto a palavra “hilário”, usada como adjetivo (=que provoca o riso), aparece em outros dicionários (Michaelis, Larousse, Ruth Rocha…) e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL.

HOMBRIDADE ou OMBRIDADE?*

O certo é “hombridade”, com h, significando “nobreza de caráter, dignidade”.

HORAS: COMO ESCREVÊ-LAS

Existe uma convenção internacional, da qual o Brasil é signatário, que estipula o seguinte: o símbolo de hora é “h”; o de minuto é “min”.

Assim devemos escrever: “O jogo começará às 21h30min”, “A reunião começou às 7h”. Sempre com os numerais e letras juntos.

HUM / UM

Em português, o numeral é “um”, e não “hum”. “Hum” é interjeição: palavra ou expressão usada para expressar uma reação (dor, alegria, espanto, irritação, admiração, etc). Exemplos:

“Comprei um relógio de ouro para dar à minha namorada.” “Hum… você deve estar mesmo muito apaixonado!”

Observação: Assim também, o extenso de R$1.000,00 não é nem “um mil reais”, nem “hum mil reais”. É “MIL REAIS”.

I

QUANDO USAR AS TERMINAÇÕES “-IDADE” OU “-IEDADE”

Na formação de certos substantivos, usa-se “-idade” quando o adjetivo termina simplesmente em “-ar”. Exemplos:

elementar / elementaridade 
singular / singularidade

Usa-se a terminação “-iedade” quando o adjetivo termina em “-ário” e “-ório”.

Exemplos:

precário / precariedade 
contrário / contrariedade 
contraditório / contraditoriedade

ÍDOLO TEM FEMININO?* * Não se deve dizer “uma ídola”. Independentemente do sexo, deve-se dizer “UM ÍDOLO”. Exemplos:

Roberto Carlos é um ídolo de várias gerações. Vera Fisher é um ídolo nacional.

Outra palavra que se enquadra nessa mesma regra é “carrasco”. Assim como não existe a forma feminina “ídola”, também não existe a forma “carrasca”. Neste sentido, deve-se dizer: “Aquela mulher é um carrasco”.

ILEGAL

“Ilegal” é o ato, o comportamento, a situação, nunca a pessoa. O mesmo acontece com a palavra “irregular”. Exemplos:

Pedro estava ilegal vendendo mercadorias sem nota fiscal. (errado) 
Pedro sabia que era ilegal vender mercadoria sem nota fiscal. (correto)

IMPASSIBILIDADE

O estado do que é impassível é “impassibilidade”, e não “impassividade”.

IMPLANTAR / IMPLEMENTAR

– Implantar: dar início. Exemplo: É um sistema novo que ainda não foi implantado na empresa.

– IMPLEMENTAR: desenvolver, pôr em prática. Exemplo: Os projetos já estão aprovados. Falta só implementá-los.

INFORMAÇÃO

Deve-se dar ou pedir “mais informações”, “outras informações”, nunca “maiores”, já que se deseja ter mais quantidade ou detalhes de uma informação, e não saber o seu tamanho.

INVERTER / REVERTER / MODIFICAR

– Inverter: mudar para o oposto. Exemplo: O DNER deve inverter a mão desta estrada amanhã.

– Reverter: voltar ao que era antes. Exemplo: Os médicos tentam reverter o quadro daquele paciente que entrou em coma.

– Modificar: simplesmente mudar, alterar. Exemplo: É preciso modificar as regras do jogo político

J

JUNTO

Atualmente, está se empregando a palavra “junto” de maneira totalmente imprópria, como nos exemplos a seguir: “Ele está negociando um empréstimo junto ao banco”; “Ela está discutindo a questão junto ao Ministério da Fazenda”; “O Vasco comprou o jogador junto ao Flamengo”; “O clube está tentando junto ao jogador a renovação do contrato”. Nada disso é correto. “Junto” significa “pegado, anexo, unido, ao lado”: “Junto à minha rua havia um bosque, que um muro alto proibia…”. É o início de uma bela canção de Chico Buarque (“Até pensei”).

Nas frases do parágrafo anterior, o correto seria: “Ele está negociando um empréstimo com o banco”; “Ela está discutindo a questão com o Ministério da Fazenda”; “O Vasco comprou o jogador do (ou “ao”) Flamengo”; “O clube está tentando com o jogador a renovação do contrato”.

JUROS

“Juros” é plural de “juro”, assim como “óculos” é plural de “óculo”. Então, diga e escreva: “o óculo”, “os óculos”, “meus óculos”, “estes óculos”, “aqueles óculos”; “o juro”, “o menor juro”, “o juro mais baixo”, “juro baixo”, “os juros”, “os menores juros”, “os juros mais baixos”, “juros baixos”.

O mesmo processo vale para “saudade” e “ciúme”, palavras que, para muitos puristas, não deveriam ser usadas no plural. De qualquer maneira, diga “a saudade” ou “as saudades”; “o ciúme” ou “os ciúmes”.

K

A LETRA K

Na Língua Portuguesa, a letra “k” só deve ser usada em símbolos como:

K = potássio, Kr = criptônio;

e em abreviaturas:

kg = quilograma, km = quilômetro, kw = quilowatt (sempre em minúsculas e no singular).

L

LEGISFERAR ou LEGIFERAR?

A palavra certa é “legiferar” = fazer leis, legislar.

LENDÁRIO ou LEGENDÁRIO?

Segundo nossos dicionários, lendário e legendário podem ser usados como sinônimos. Está registrado no dicionário Michaelis: Legendário 1. Que se refere a legenda. 2. Que é da natureza das lendas; lendário.” Lendário é derivado de lenda (narrativa em que fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela invenção poética); legendário é relativo a legenda (inscrição, dístico, letreiro, vida dos santos, lenda).

Outra palavra que se enquadra nessa mesma regra é “carrasco”. Assim como não existe a forma feminina “ídola”, também não existe a forma “carrasca”. Neste sentido, deve-se dizer: “Aquela mulher é um carrasco”.

M

MADEREIRA ou MADEIREIRA?

A forma correta é “madeireira”.

MACÉRRIMO / MAGÉRRIMO / MAGRÍSSIMO

Macérrimo é um dos superlativos de “magro”. Uma pessoa macérrima é apenas uma pessoa muito magra. “Magro” vem do latim (“macer”) e pertence à mesma família de “macerar”, “macerado”, “maceração”, “macérrimo”, etc. Em todas essas palavras, existe a noção de “amolecer”, “enfraquecer”, “debilitar”, etc. Por se apoiar na raiz latina, “macérrimo” é considerada a forma erudita do superlativo absoluto sintético de “magro”. Outra flexão possível é “magríssimo”, que se apóia na forma portuguesa do adjetivo.

No Brasil, é muito comum o emprego de “magérrimo”. O “Aurélio” diz que essa forma é “anormal (…), apesar de muito comum”; o “Houaiss” diz que essa forma “vem sendo usada como se o étimo fosse mager, magris, e não macer, macris, macre , sendo, pois, menos recomendável”.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa , da ABL, registra somente duas formas: magérrimo e macérrimo.

MAIS BOM DO QUE MAU

Quando se intensifica uma qualidade de determinado ser, tem-se o adjetivo no grau superlativo absoluto, que pode ser analítico (“Ele é muito alto”) ou sintético (“Ele é altíssimo”).

Existem tambem outras formas de se intensificar um adjetivo. Pode-se fazê-lo com prefixos (“Ele é supersensível”; “Ela é ultracompetente”), com o diminutivo (“Ele joga uma bola redondinha”), com o aumentativo (“O chefe é distraidão”), etc. Na língua do dia-a-dia, não falta criatividade para intensificar o adjetivo (“podre de rico”, “chato de dar dó”, etc.).

Quando se destaca a qualidade de um ser em relação a um conjunto de seres da mesma espécie, o adjetivo é flexionado no grau superlativo relativo (“Ela é a mais alta da turma”; “Ele é o menos eficiente da família”).

O outro grau do adjetivo é o comparativo: “O Amazonas é mais extenso do que o Tapajós”; “Ele é tão aplicado quanto ela”. Com essa flexão de grau do adjetivo, pode-se comparar uma qualidade em dois seres, como se viu nos últimos exemplos, ou duas qualidades no mesmo ser (“Ele é mais honesto do que competente”).

E é justamente quando se comparam duas qualidades no mesmo ser que surge uma surpresa interessante. Sabemos que não se diz que uma casa é “mais grande” do que outra. Substitui-se “mais grande” por “maior”. Diz-se, portanto, que uma casa é maior do que outra. Mas suponha que se queira falar do tamanho e do conforto de determinada casa. A casa é grande, mas o espaço não foi bem aproveitado, ou seja, a casa é grande, mas é pouco confortável. Pode-se dizer que a casa é mais grande do que confortável. Sim, é mais grande; não é maior. Não se comparam duas casas; comparam-se duas qualidades que pertencem ao mesmo ser, já que se quer saber que qualidade predomina nessa casa.

Isso também pode ser dito a respeito de “bom” e “melhor”. Diz-se que Pedro é melhor do que Paulo, mas não se diz que Pedro é melhor do que mau. Diz-se que Pedro é mais bom do que mau, quando se acredita que em Pedro a bondade supera a maldade. Por falar em “mau”, tome cuidado com “mal”. A dica para evitar confusões é velha e conhecida: “mau” se opõe a “bom” (“Não é mau escritor”/”Não é bom escritor”); “mal” se opõe a “bem” (“Ele escreve mal”/”Ele escreve bem”).

Voltando às comparações, é bom lembrar que “mais pequeno” é construção comum em Portugal e também encontra registro em grandes autores brasileiros. O “Aurélio” dá estes exemplos: “Amo-te até nas coisas mais pequenas” (de Manuel Bandeira); “Quando era mais pequeno, metia a cara no vidro” (de Machado de Assis). Nos dois casos, também caberiam as formas sintéticas (“menores” e “menor”, respectivamente), talvez menos expressivas nos exemplos em questão, sobretudo no de Bandeira. Também é bom lembrar que são igualmente possíveis as formas “que” ou “do que” para introduzir o segundo elemento da comparação e fechar a estrutura: “Ele é mais alto do que eu” ou “Ele é mais alto que eu”; “Ela é mais calma do que você” ou “Ela é mais calma que vo cê”.

Por fim, uma informação importante para quem vai fazer qualquer concurso público formulado por examinadores que adoram as malditas “pegadinhas”. Quando se diz que uma casa é menor do que outra, o comparativo é de superioridade. Pode parecer estranho, mas é de superioridade mesmo, já que “menor” equivale a “mais pequeno” e, se é “mais”, é superior. Também em “Este carro é pior do que aquele” há comparativo de superioridade, já que “pior” substitui “mais mau”. Se é “mais”, é superioridade. O ideal seria que não se fizessem mais questões desse tipo, mas, como elas ainda são abundantes, é melhor prevenir-se.

O MAIS … (= ADJETIVO) POSSÍVEL (PLURAL)

Há duas possibilidades de se flexionar esta expressão:

1. Pode-se flexionar apenas o adjetivo que vem antes de "possível", sem a variação do artigo e da palavra "possível". 
Exemplos: Praias o mais belas possível. 
         Imagens o mais claras possível. 
         Mulheres o mais formosas possível.

Observação: Na verdade, a ordem pode ser alterada, desde que não se alterem as formas: “Mulheres o mais possível formosas”; “Mulheres formosas o mais possível”.

2. Pode-se flexionar todos os elementos. 
Exemplos: Mulheres as mais formosas possíveis. 
         Praias as mais belas possíveis. 
         Imagens as mais claras possíveis. 
Como se vê, neste caso não se deve deixar invariável a palavra "possível", ou seja, não se deve dizer ou escrever algo como "Mulheres as mais formosas possível".

O MAIS DAS VEZES / AS MAIS DAS VEZES

Estas são as duas formas que encontram registro na língua culta. Exemplo: Seus argumentos são, o mais das vezes (ou “as mais das vezes”), simples repetições do que dizem seus mestres.

MUITA VEZ ou MUITAS VEZES?

As duas formas são corretas. Nos textos clássicos, é comum o emprego de “muita vez” no lugar de “muitas vezes”, como se poderá observar em obras de Machado de Assis. Também causa dúvida a expressão “de quando em vez”, tão boa quanto “de vez em quando”.

MAIZENA ou MAISENA?

O certo é “maisena” (mesmo que na famosa caixa amarela apareça grafada com z).

MANTEGUEIRA ou MANTEIGUEIRA?

A forma correta desta palavra é “manteigueira”.

MAL-OLHADO ou MAU-OLHADO?

Na verdade, as duas palavras existem, mas apresentam significados diferentes:

- MAL-OLHADO (adjetivo): é o "que não é bem visto, malvisto; detestado, odiado" ( Dicionário Michaelis ). 
- MAU-OLHADO (substantivo): é a "qualidade que a crendice popular atribui a certas pessoas de causarem desgraças àquelas para quem olham".

Observação: O adjetivo “mal-olhado” não aparece no dicionário Aurélio, mas está registrado no dicionário Michaelis e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL.

CONCORDÂNCIA DA PALAVRA “MEIO”

De início, é preciso lembrar que essa palavra pode aparecer com diversos valores e significados. Em “Esse não é o melhor meio de resolver o problema”, por exemplo, funciona como substantivo e significa “método”, “modo”, “maneira”. Nesse caso, ela sofrerá apenas a flexão de número, pois sempre será empregada no masculino.

Outros exemplos: Acho o metrô o melhor meio de transporte de massa. “Os fins justificam os meios.” (Maquiavel)

Em “Comprei meio quilo de feijão”, é numeral fracionário e significa “metade de”. Nesse caso, concorda em gênero e número com o termo modificado: “duas meias porções de batatas”, “meia dúzia de laranjas”, “meio litro de água mineral”, “pegue aquela meia garrafa de vinho e encha meio copo para mim”, “ela só sabe dizer meias verdades”.

É nesse caso que se enquadram expressões como “meio-dia e meia”, “duas e meia”, “cinco e meia”, etc. Em todas elas, está implícito o substantivo feminino “hora”, com o qual concorda o numeral fracionário “meia”.

Atenção para quando se usar “meio” com valor de advérbio, com o sentido de “um pouco”, “um tanto”, “mais ou menos”. Sabe-se que advérbios não costumam apresentar variação de gênero (masculino/feminino) ou de número (singular/plural). Não se diz, por exemplo, algo como “Aquela mulher está muita cansada” ou como “A menina ficou muita nervosa”, muito menos algo como “Elas pareciam muitas inquietas”. Nos três casos, emprega-se a palavra “muito”, que modifica um adjetivo (“cansada”, “nervosa” e “inquietas”, respectivamente) e, por isso, tem valor de advérbio e não apresenta variação de gênero e de número. Quando modifica um substantivo, “muito” varia (“Havia muitas mulheres na sala”; “Revi muitos amigos nesse encontro”). Quando funciona como advérbio, “meio” deveria seguir o mesmo caminho que segue a palavra “muito”, ou seja, não deveria variar nos casos em que modifica um adjetivo: “Ela estava meio nervosa”; “Elas pareciam meio inquietas”. Na língua oral, no entanto, não é o que se costuma verificar; predomina o uso da forma flexionada (“Ela está meia nervosa”, “Ele fez uma jogada meia besta”), o que também se vê em alguns registros clássicos, como este, de Machado de Assis (citado no “Aurélio”): “A cabeça do Rubião meia inclinada”.

No português formal moderno, no entanto, parece mais do que estabelecida a invariabilidade de “meio” quando essa palavra é empregada com valor de advérbio, ou seja, com o sentido de “mais ou menos”, “um pouco”, etc. O dicionário “Houaiss” não menciona o que ocorre nos clássicos e dá estes exemplos de “meio” como advérbio: “Uma tarefa meio acabada”; “Hoje ela acordou meio tristonha”.

Lançado neste ano (2003), o “Guia de Uso do Português”, da professora Maria Helena de Moura Neves, diz que, como advérbio, “meio” tem o significado de “um pouco”, “um tanto” e “é invariável”. Em seguida, o “Guia” dá dois exemplos (“…eu estava meio indisposta” e “Os óculos de lentes já meio fracas…”), retirados do “corpus” em que se apóia a pesquisa da eminente professora da Unesp.

No “Dicionário de Usos do Português do Brasil”, do insigne professor Francisco S. Borba, também da Unesp, o exemplo de “meio” como advérbio é este: “A cacimba ficava meio escondida”. Lançado em 2001, o “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, da Academia das Ciências de Lisboa, também segue a linha do “Houaiss”: não menciona os clássicos e, a julgar pelo exemplário, dá o advérbio “meio” como invariável. Bem, ao que parece, não faltam documentos e fontes que atestam a predominância da invariabilidade do advérbio “meio” nas variedades formais do português moderno. Em outras palavras, quando se trata de língua padrão (ou “exemplar”, como diz o ilustre professor Evanildo Bechara), parece mais adequado optar por “meio” (no lugar de “meia”) em frases como “A economia do país ainda está meio debilitada” ou “A advogada parecia meio confusa”.

MENOR ou DE MENOR?

A expressão correta é simplesmente “menor”, não existindo assim a forma “de menor”. Isso também vale para “maior”. Exemplos:

Eu ainda sou menor. Ela já é maior.

MESMO (usado como pronome substantivo)

Para os gramáticos mais rigorosos, existe erro em usar o vocábulo “mesmo” para substituir termos expressos anteriormente numa oração. Só poderíamos usar a palavra “mesmo” como pronome de reforço. Exemplos:

Espera-se que os deputados empenhem-se nos trabalhos das diversas comissões , fazendo com que os mesmos sejam resolvidos o mais rápido possível. (incorreto) 
Eu mesmo (= eu próprio) fiz este trabalho. (certo) 
Ela mesma (= ela própria) resolverá o problema. (certo) 
Eles feriram a si mesmos (= a si próprios). (certo)

Atente-se, nessa circunstância, que a palavra “mesmo” varia de acordo com o termo modificado.

Outros exemplos: “Eles mesmos prepararam a refeição para os convidados”; “Elas mesmas compuseram a canção e fizeram o arranjo”.

Esse procedimento também se aplica quando se emprega a palavra “próprio”: “Eles próprios prepararam…”; “Elas próprias compuseram…”.

Entretanto, devido ao uso consagrado, muitos estudiosos da língua portuguesa já aceitam o uso do “mesmo” como pronome substantivo (substituindo um termo anterior).

É recomendável, porém, evitar o uso do pronome “mesmo” em lugar de algum termo já expresso. Ainda que não seja erro, caracteriza pobreza de estilo. Muitas vezes usa-se a palavra “mesmo” porque falta vocabulário ou porque não se sabe usar outros pronomes.

MESMO / IGUAL

– Mesmo: o próprio, análogo.

Exemplo: Estamos com o mesmo problema do ano passado. (= É um problema só. Significa que o problema do ano passado não foi resolvido)

– Igual: com o sentido de outro.

Exemplo: Estamos com um problema igual ao do ano passado. (= É outro problema, com as mesmas características do problema do ano passado)

META / OBJETIVO

Segundo nossos dicionários, as duas palavras poderiam ser consideradas sinônimas. No entanto, no meio empresarial faz-se diferença entre “meta” e “objetivo”; assim temos que:

– Meta: é um objetivo quantificado;

Exemplo:

"O objetivo é aumentar a venda dos nossos produtos." 
"A meta é aumentar em 20% a venda dos nossos produtos, ou 
vender mensalmente no mínimo x unidades do produto y." 
"O objetivo do governo é acabar com o analfabetismo no Brasil." 
"A meta é acabar com o analfabetismo até o fim do ano 2005."

MIOSOTES / MIOSÓTIS

As duas formas são corretas. Miosótis são pequenas flores azuis, também denominadas “não-te-esqueças-de-mim”. Observação: A palavra “miosotes” é paroxítona e não leva acento porque não há regra que o justifique. Todavia, a palavra “miosótis” também é paroxítona e é acentuada porque existe regra que justifique o acento: todas as paroxítonas terminadas originalmente em “i”, “is” são acentuadas. Exemplos: lápis, táxi(s), íris, cútis, etc.

MISSA DO SÉTIMO DIA

Deve-se dizer “missa do sétimo dia”, e não “missa de sétimo dia”, como vê-se publicado em muitos jornais.

MIXTO QUENTE ou MISTO-QUENTE?

Deve-se escrever “misto-quente” (com s e com hífen).

A MORAL / O MORAL

– A MORAL: referente a um “conjunto de regras de comportamento”. Exemplo: Diante de algumas denúncias, foi colocada em dúvida a moral daquele candidato a prefeito.

– O MORAL: relativo a “ânimo, disposição”. Exemplo: O técnico tentava, com suas brincadeiras, levantar o moral do time, após a terceira derrota seguida.

MORTANDELA ou MORTADELA?

O certo é “mortadela”.

MOZARELA / MUÇARELA / MOZZARELLA

O Dicionário Aurélio – Século XXI – traz as duas formas: mozarela e muçarela. A forma “muçarela” é preferível, porque é a pronúncia brasileira mais usual para a forma italiana “mozzarella”.

MÚSICO TEM FEMININO?

“Músico” é um substantivo sobrecomum, isto é, um substantivo uniforme, pertencente a um único gênero (masculino ou feminino), podendo designar os dois sexos.

Exemplos: a criança, a pessoa, a testemunha, o apóstolo, o ídolo, o carrasco, o indivíduo, o músico, etc. Assim, tanto podemos dizer que “Rafael é um músico excelente, como “Adriana é um músico excelente”.

N

NACIONALIDADE / NATURALIDADE

– NACIONALIDADE: país de nascimento, condição própria de cidadão de uma nação;

– NATURALIDADE: município ou estado de nascimento.

NEÓFITO

Este termo significa novato, principiante, noviço. O neófito, na igreja primitiva, era o indivíduo recentemente convertido ao cristianismo. O prefixo neo vem do grego e significa “novo”. Daí o tal de neoliberalismo (doutrina nova, em voga nas últimas décadas do século 20, que prega a redução do Estado na economia e na esfera social).

NUMERAIS

Existem quatro tipos de numerais:

1) CARDINAIS - aqueles que expressam quantidade: um, dois, três, quatro, cem, mil, etc. 
2) ORDINAIS - servem para expressar ordem: primeiro, segundo, terceiro, décimo-quinto, centésimo-nono, etc. 
3) MULTIPLICATIVOS - designam multiplicação: duplo, triplo, quádruplo... 
4) FRACIONÁRIOS - servem para designar as frações ou partes de um todo: meia, metade, terço, um quarto, um sexto... 
Por ser uma classe de palavra, nunca substitua os numerais pelos algarismos na hora de escrever, com exceção para as horas, as datas e as medidas (distância, peso, altura, etc.)

Exemplos:

Comprei três (e não 3) CDs, ontem, no shopping. 
Ali vão duas (e não 2) irmãs muito bonitas. 
Agora são 8 horas do dia25 de dezembro de 1997. 
São Paulo fica à cerca de 400km do Rio de Janeiro.

Normalmente, os numerais ordinais têm função de adjetivo e se antepõe ao substantivo: primeira edição, segundo caderno, oitavo passageiro, quinto ano, etc.

No entanto, existem alguns casos em que o numeral ordinal deve ficar obrigatoriamente depois do substantivo, como nas referências de soberanos, príncipes, reis, ou indicando a sucessão de papas, e que deve ser indicado com algarismos romanos: Príncipe Charles I, rei Dom João VI, papa João Paulo II…

Observação: Na pronúncia, deve-se usar o numeral ordinal até o número DEZ. Daí para frente, utiliza-se o numeral cardinal.

O

OCTAGÉSIMO ou OCTOGÉSIMO?

O termo “octagésimo” é um típico caso de contaminação. O ordinal relativo a quarenta é “quadragésimo”, o que se refere a cinqüenta é “qüinquagésimo”, o de sessenta é “sexagésimo”, o de setenta é “septuagésimo” (ou “setuagésimo”) e o de noventa é “nonagésimo”. Como se vê, todos os cardinais citados geram ordinais em que antes da terminação “-gésimo” aparece a letra “a”, fato que leva a maioria dos falantes a estender o sistema ao ordinal de oitenta e, conseqüentemente, dizer “octagésimo”. Isso explica, mas não autoriza o uso dessa forma, que não encontra registro em nenhum dicionário, nem no “Vocabulário Ortográfico”, da Academia Brasileira de Letras. A forma registrada é “octogésimo”, com “o” antes da terminação “-gésimo”. É bom lembrar que quem tem oitenta anos é “octogenário” (e não “octagenário”). Agora, o contraponto: um poliedro de oito faces é um “octaedro”, com “a” mesmo.

ÓCULO / ÓCULOS

Palavra que deve ser empregada sempre no plural, apesar de existir a forma singular “óculo”.

Exemplos:

Esqueci meus óculos no táxi em que viajei ontem. 
Ou ainda: Esqueci um par de óculos... 
Outras palavras que devem ser empregadas sempre no plural: BRUÇOS ("Dormir de bruços"), COSTAS ("Dor nas costas"), HEMORRÓIDAS, PARABÉNS, PÊSAMES.

Observação: Existem palavras que têm seu significado alterado quando passam para o plural, é o caso de: BEM = VIRTUDE – BENS = PATRIMÔNIO; FÉRIA = SALÁRIO – FÉRIAS = PERÍODO DE DESCANSO. Aliás, tanto faz dizer que “ela saiu de férias” ou “ela saiu em férias”. As duas formas estão corretas.

ÓTICO / ÓPTICO

Segundo o dicionário Aurélio – Século XXI – temos:

- Ótico: Relativo ou pertencente ao ouvido; 
- Ótico 2: v. óptico; 
- Óptico: Relativo à visão, ou ao olho; ocular.

Assim, o adjetivo “ótico” que deveria ser usado somente para o ouvido, por ser também uma forma variante de “óptico”, pode ser usado para a visão, para o olho. O adjetivo “óptico”, porém, só pode ser usado para a visão.

Quando relativo ao ouvido, o adjetivo “ótico” (de origem grega) pertence à família de que fazem parte palavras como “otite” (inflamação do ouvido), “otorrinolaringologia” (ciência que estuda o ouvido, o nariz e a garganta), “otalgia” (dor no ouvido), etc.

P

O PLURAL DE “PAI-NOSSO”

O plural é “pais-nossos”: “Ele já perdeu a conta dos pais-nossos que rezou.” Essa oração também pode ser chamada de “padre-nosso”, que admite dois plurais: “padre-nossos” ou “padres-nossos”. Não custa lembrar também que o plural de “ave-maria” é “ave-marias”: “Reze duas ave-marias.” O elemento latino “ave” significa “salve”.

PARÊNTESE / PARÊNTESES / PARÊNTESIS

A forma “parêntese” é singular; “parênteses” é plural. Já “parêntesis”, forma igualmente correta, é singular e plural: “o parêntesis”, “os parêntesis”.

PASSAR DE ANO ou PASSAR O ANO?

Embora a forma “passar de ano” já esteja muito incorporada à linguagem do nosso dia-a-dia, o certo é falar “PASSAR O ANO”. Exemplo: Nilza, por não ter estudado muito, não passou o ano. (Ver também: “REPETIR DE ANO ou REPETIR O ANO?”)

PERCA / PERDA

– Perda: tem, entre outros, o sentido de “ato de perder”, “prejuízo”, “dano”. Exemplo: Por causa das fortes chuvas, foram muito grandes as perdas dos agricultores.

– Perca: é a forma do verbo “perder”.

Exemplo: Espero que você não perca a paciência.

Alguns dicionários chegam a registrar “perca” como sinônimo de “perda”, com a ressalva de que se trata de uso popular. Em linguagem culta, não convém empregar expressões como “perca de tempo”, “as percas foram grandes”, etc.

PENALIZAR / PUNIR

Na maioria de nossos dicionários, “penalizar” não é sinônimo de “punir”, “castigar”. Penalizar significa “causar pena ou desgosto”. O novo dicionário Aurélio, porém, admite para a palavra penalizar também o sentido de “infligir pena a”: “O juiz penalizou o time”.

PEQUENEZ / PEQUINÊS

“Pequenez” é a qualidade possuída por quem é pequeno. Vários dicionários registram também a forma paralela “pequeneza”. Assim, podemos ter as expressões “pequenez d’alma” e “pequeneza d’alma”. Já o cidadão natural de Pequim, capital da China, é “pequinês”. assim também o conhecido cãozinho da mesma origem é chamado “pequinês”.

PERGUNTAR / QUESTIONAR

Perguntar não é Questionar. “Pergunta-se” quando se quer saber alguma coisa, e “questiona-se” Quando se põe alguma coisa em dúvida. Exemplos: Os alunos perguntaram ao professor quando seriam realizadas as provas. Quem é a favor do projeto? perguntou o diretor.

O novo sócio daquela empresa questionou a validade dos contratos firmados com o Governo. Os deputados questionaram o valor do orçamento federal apresentado pelo presidente.

Observação: só a coisa pode ser perguntada, pois quem pergunta pergunta alguma coisa (= objeto direto) a alguém (= objeto indireto). Isso significa que, na voz passiva, só a coisa pode ser perguntada. Exemplos:

O deputado foi perguntado sobre o desvio de verbas públicas. (errado) 
Ao deputado foi perguntado... (certo) 
Foi perguntado ao governador se ele seria o candidato de seu partido a presidente do Brasil

FEMININO DE “PILOTO”

Apesar de a última edição do Dicionário Aurélio – Século XXI – não registrar “pilota” como feminino de piloto, o “Vocabulário Ortográfico”, da ABL, é categórico: registra “pilota”, “engenheira”, “árbitra”, etc.

AS POETAS ou AS POETISAS?

Muitas mulheres que escrevem poemas não querem ser chamadas de “as poetisas”, preferindo a forma “as poetas”, como se a palavra poeta fosse comum de dois gêneros: “o poeta” e “a poeta”. Entretanto, nossos dicionários só registram a forma “poetisa” para o feminino de poeta.

POPULAÇÃO / POVO

– POPULAÇÃO: conjunto de habitantes; Exemplo: A população daquela cidade teve que ser retirada às pressas por causa do acidente na usina nuclear.

– POVO: conjunto de cidadãos. Exemplo: As últimas eleições revelaram um povo bem mais conscientizado politicamente.

DIFERENTES EMPREGOS DO “PORQUE”

tanto nas orações interrogativas diretas quanto nas indiretas. Exemplos: Por que você fez isso? Quero saber por que você fez isso. Por que você não foi à festa? Gostaria de saber por que você não foi à festa.

O “QUE” pode ser ainda um pronome relativo, podendo ser substituído por “O QUAL”, “A QUAL”, “OS QUAIS”, “AS QUAIS”. Exemplos: A razão por que (pela qual) não fui à sua festa, você logo saberá. “Só eu sei as esquinas por que (pelas quais) passei.” É um drama por que (pelo qual) muitos estão passando.

Observação: também quando houver a palavra “motivo” antes, depois ou subentendida. Exemplos: Desconheço os motivos por que (pelos quais) a viagem foi adiada. Não sei por que motivo ele não veio. Não sei por que (por que motivo) ele não veio.

seguido de um sinal de pontuação forte (pontos de interrogação, de exclamação, final, reticências). Exemplos: Você vai sair a esta hora da noite por quê? Ele não viajou por quê? Se ele mentiu, eu queria saber por quê! “Mãe, preciso de cem reais?” “Por quê?”

Equivale à “PORQUANTO”, “POR CAUSA DE”. Exemplos: Não saí ontem porque estava chovendo muito (causal) Ele viajou, porque foi chamado para assinar o contrato. (explicativa) Ele não foi porque estava doente. (causal) Abra a janela, porque o calor está insuportável. (explicativa) Ele deve estar em casa, porque a luz está acesa. (explicativa)

artigos “O” ou “UM”. equivale à “a razão”. Exemplos: Não estou entendendo o porquê de tanta alegria em você hoje. Quero saber o porquê da sua decisão. Estamos esperando que você nos dê um porquê para tal atitude.

PRÁ ou PRA?

“Pra” é redução de “para + a”, não tendo acento gráfico, porque se trata de monossílabo átono. Exemplo: “Pra frente, Brasil!”

PRAXE / PRÁXIS

Estas duas palavras vêm da mesma raiz grega (“práxis”), que significa “ação”. Tome cuidado com a pronúncia do “x”. O de “praxe” se lê como o de “lixo”. Já o de “práxis” se lê como o de “fixo”. Na prática, a palavra “praxe” é mais usada e significa “rotina, procedimento costumeiro”: “Estabeleceu a praxe de almoçar com o irmão”. “Práxis” se usa também em filosofia. É conceito fundamental no pensamento marxista. Trata-se do conjunto de atividades que criam condições para a ação prática, a produção material.

PRAZEIROSO ou PRAZEROSO?

O termo correto é “prazeroso”, sem o “i”.

PREÇO* * Deve-se dizer que “o preço” de um produto “passará a ser de …”, e não “passará a custar…”. Um preço é sempre “mais alto” ou “mais baixo”, “elevado” OU “excessivo”, nunca “mais caro” ou “mais barato”. Exemplos: O preço da passagem de ônibus passou de R$0,80 para R$1,00. Os preços daquele supermercado são mais altos que deste outro.

PREVILÉGIO ou PRIVILÉGIO?

A forma correta é “privilégio”, como a do verbo é “privilegiar”.

PROVA DOS NOVE ou PROVA DOS NOVES?

Os nomes dos algarismos, quando usados como substantivos, devem ser flexionados em número, isto é, vão para o plural. Exemplo: Fim de século e de milênio: é hora da prova dos noves para a humanidade.

PSIQUÊ ou PSIQUE?

A forma correta é “psique”, sem acento e com força de pronúncia no “i”. Significa: “alma”, “espírito”, “mente”.

Q

QUITE / QUITES

Os dicionários informam que “quite” é o particípio irregular de “quitar”. No uso comum, no entanto, essa palavra se transforma em adjetivo, em frases como “Estou quite com a Justiça Eleitoral” ou “Você está quite com o Fisco?”, por exemplo. Quem está quite está livre de obrigações, pagou (quitou) o que devia.

O emprego do particípio com valor de adjetivo não é privilégio de “quite”, como se vê em “filme proibido”, “árbitro isento”, “candidato eleito”, “mar revolto”, “jogador suspenso”, “vulcão extinto” etc. Talvez seja bom esclarecer: “proibido” vem de “proibir”, “isento” vem de “isentar”, “eleito” vem de “eleger”, “revolto” vem de “revolver”, “suspenso” vem de “suspender” e “extinto” vem de “extinguir”.

Voltando a “quite”, convém ressaltar que esse adjetivo não tem variação de gênero, ou seja, emprega-se para um homem ou para uma mulher (“Ele está quite”, “Ela está quite”), mas tem variação de número (singular/plural), isto é, deve ajustar-se ao número do substantivo ou pronome por ele modificado: “Ele pagou a última parcela do empréstimo, portanto está quite com o banco”; “Eles pagaram a última parcela do empréstimo, portanto estão quites com o banco”. Uma pessoa não está “quites”; está “quite”: “Nada mais lhe devo; estou quite com você”. Só duas pessoas ou mais estão “quites”. Se acertarem as pendências que há entre si, poderão terminar a conversa com esta frase: “Estamos quites”.

QUOTIDIANO ou COTIDIANO?

Existem palavras que podemos escrever com “c” e também com “qu”.

Exemplos: catorze / quatorze, cociente / quociente, cota / quota, cotidiano / quotidiano, cotizar / quotizar. Observação: As palavras a seguir, porém, possuem uma grafia somente: “cinqüenta, cinqüentenário, cinqüentão, cinqüentona.”

OS QUINTOS DOS INFERNOS

Existem algumas hipóteses para a origem desta expressão. Uma delas associa o termo “quintos” ao imposto de 20% cobrados pela Coroa portuguesa sobre todo o ouro fundido no Brasil. Falava-se em quintos mais ou menos como hoje ainda se fala em décimas , no sentido tributário. Em Parati, por exemplo, até hoje existe a velha Casa dos Quintos . O navio que levava a Lisboa o produto dessa arrecadação era a nau dos quintos . Por causa da antipatia que os brasileiros sentiam por esse tributo, teria sido agregada a locução “dos infernos” , ficando então completa a expressão.

Outra hipótese revela que Quintos é uma das freguesias de Beja, em Portugal. Como estava situada, na Idade Média, no limite do território português, a localidade era alvo constante das investidas dos chefes árabes que dominavam grande parte da Península Ibérica, o que tornava infernal a vida nessas paragens. Daí teria vindo o hábito de execrar os desafetos e inimigos, mandando-os para ” os Quintos dos infernos “.

Ambas as hipóteses usam a forma “quintos” no plural, e não no singular, mantendo o sentido de “amaldiçoar alguém”. Popularmente, outro significado para esta expressão serve para indicar algo que fica muito longe, “nos cafundós do Judas”, “lá onde o diabo perdeu as botas” , “lá onde o vento faz a curva “.

R

RACIONAR / RACIONALIZAR

- Racionar vem de ração. É distribuir em rações, é repartir regradamente. 
- Racionalizar vem de racional (relativo à razão) + izar (tornar). É tornar racional. É usar segundo a razão. 
Racionar alimento, água, luz elétrica ou gasolina significa limitar a distribuição e o consumo de alimento, de água, de luz elétrica ou de gasolina. 
Racionalizar o consumo de energia elétrica significa tornar mais eficientes os processos de consumo, ou seja, ensinar meios para que a energia elétrica seja consumida de um modo racional (usando a razão, com consciência), sem desperdícios, sem abusos, com sabedoria (sem ignorância).

RAPAR / RASPAR

Deve-se “rapar” bigode, barba, axilas e pêlos em geral. O que se “raspa” são paredes, portas, tacos, etc.; e até mesmo bilhete de loteria (“raspadinhas”).

RECEIOSO ou RECEOSO?

Embora a palavra primitiva, isto é, O substantivo “receio” possua um “i” no seu interior, no adjetivo e no verbo esse “i” desaparece. Assim, temos o adjetivo “receoso/ receosa” e o verbo “recear”.

REFUTAR / REJEITAR

– Refutar: contestar. Exemplo: Os alunos refutaram os argumentos do diretor.

– Rejeitar: negar, não aceitar. Exemplo: A nossa proposta de um novo curso foi rejeitada.

REIVINDICAR / REIVINDICAÇÃO

Os termos corretos são “reivindicar” e “reivindicação”, e não “reinvindicar” e “reivindicação”, como normalmente ouvimos e lemos por aí.

REPETIR DE ANO OU REPETIR O ANO?

A forma correta é “repetir o ano”. Exemplo: Os alunos que estão com notas baixas correm o risco de repetir o ano. (Ver também: “PASSAR DE ANO ou PASSAR O ANO?”)

RERRATIFICAÇÃO

Rerratificação é um neologismo já registrado em nossos dicionários mais atuais e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa , da Academia Brasileira de Letras. Vem de (re)tificar + ratificar. É “a ação de retificar em parte uma certidão, contrato,, etc., e ratificar os demais termos não alterados”.

É um termo muito usado na área jurídica. Em linguagem mais simples, rerratificar é corrigir ou alterar (retificar) parte de um documento e confirmar (ratificar) o restante.

Não significa, como alguns imaginam, uma “nova ratificação”. Não é uma “reconfirmação”. Rerratificar não é “ratificar de novo”. O elemento “re” vem do verbo retificar (corrigir, alterar); não é, portanto, o prefixo “re” (novamente), que aparece em palavras como refazer, rever, repor…

É importante lembrar a “velha” distinção entre retificar e ratificar. Retificar é “tornar reto, corrigir, consertar, reparar, alterar” e ratificar é “confirmar, validar, comprovar, corroborar”.

RISCO DE MORTE / RISCO DE VIDA

Se o risco é sempre de coisa ruim (“risco de infecção”, “risco de contaminação”, “risco de não se classificar para a fase final do campeonato”, “risco de ficar desempregado”, “risco de adoecer” etc.), parece cabível que se dêem como legítimas as construções “risco de morte” e “risco de morrer” (“Fulano ainda corre risco de morte”; “Fulano corre risco de morrer”).

No entanto, há pelo menos duas explicações para o emprego de “risco de vida” no lugar de “risco de morte”. A primeira delas se baseia no inegável horror que a palavra “morte” causa, o que talvez nos faça fugir dela como o diabo foge da cruz. A segunda explicação (talvez mais plausível) se assenta na idéia do cruzamento de construções (“Sua vida corre risco” com “Ele corre risco de vida”, por exemplo) ou ainda na pura e simples omissão (“Correr o risco de [perder a] vida”). O nome técnico dessa omissão (de termo que se subentende) é “elipse”.

O fato é que, nesses casos, não parece sensato remar contra a maré. O uso mais do que difundido da expressão “risco de vida” é motivo mais do que suficiente para que a aceitemos pacificamente. É bom que se diga que não lhe faltam registros nos dicionários. O “Dicionário Houaiss” dá três exemplos do emprego de “risco” com o sentido de “probabilidade de perigo” (“risco de vida”, “risco de infecção”, “risco de contaminação”). Publicado em 2001, o “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, da Academia das Ciências de Lisboa, dá “risco de vida” e “perigo iminente de morte” como expressões equivalentes, exemplificadas com esta frase: “O doente encontra-se em risco de vida”.

ROUBAR / FURTAR

– Roubar: com violência. Exemplo: Parou num sinal vermelho e teve seu carro roubado por dois bandidos.

– Furtar: sem violência, ameaça, constrangimento. Exemplo: O cleptomaníaco é aquele que tem a mania de furtar.

S

SE NÃO / SENÃO

– SE (= conjunção condicional) NÃO (advérbio de negação): Esta forma é empregada quando se pode substituir o “se” por “na hipótese de” ou “caso”. Exemplo: Se não chover, irei à praia amanhã. (Caso não chova…)

– SENÃO: Deve-se utilizar esta forma em certas situações específicas. Exemplos: – Vá de uma vez, André! Senão (do contrário) você irá perder o avião. Essas laranjas não são do tipo seleta, senão (mas sim, porém) lima. Não havia um senão (defeito, falha) naquele carro que vendi. Você não pode comer doces, senão (apenas, somente) os dietéticos.

SERVIR O (AO)EXÉRCITO ou SERVIR NO EXÉRCITO?

Com o sentido de “prestar serviço militar”, o verbo “servir” rege a preposição “em”. Assim, o correto é dizer que “fulano serviu no Exército ou na Marinha”, e não “serviu o Exército ou a Marinha, ou ainda “ao Exército ou à Marinha”.

SETUAGÉSIMO ou SEPTUAGÉSIMO?

A forma “septuagésimo” (ordinal relativo a setenta) é corretíssima, tão correta quanto “setuagésimo”. Equivocadamente, alguns dicionários e gramáticas registram apenas a forma “setuagésimo”, que talvez seja a preferível na língua moderna. É mais sensato, no entanto, registrar as duas, como fazem o “Aurélio”, o “Michaelis” e o “Houaiss”.

“SIC”

Normalmente, esta palavra, de origem latina, é vista em declarações de alguém nos jornais, onde aparece entre parênteses (sic), e significa “assim”, “desse modo”, “exatamente assim”, “assim mesmo”.

O emprego deste termo serve para mostrar ao leitor que foi “desse modo” que a pessoa falou por mais que pareça estranho ou errado. Na verdade, acaba tendo tom irônico, sarcástico, pois torna clara a intenção do redator de chamar a atenção para uma barbaridade que alguém disse ou escreveu.

SICLANO ou SICRANO?

O correto é “Sicrano”, e sempre com a letra inicial maiúscula, assim como “Fulano” e “Beltrano”.

A palavra “só”, como advérbio (= somente), é invariável. No entanto, se a frase fizer sentido, substituindo-se o “só” por “sozinho”, ela será variável, isto é, o plural deverá ser “sós”. Exemplos:

Pedro comprou só (somente) um livro. 
Olavo mora há muitos anos só (sozinho). 
Antônio e Maria vivem sós (sozinhos).

SOMATÓRIA ou SOMATÓRIO?

O correto é “somatório”.

PRONÚNCIA CORRETA DE SUBSÍDIO

Os Dicionários de Caldas Aulete, o “Houaiss” e o “Aurélio”, entre outros, e o “Vocabulário Ortográfico”, da Academia Brasileira de Letras, informam que o “s” da sílaba “sí” deve ser lido como “ss”, ou seja, como o de “subsolo”, “subsônico”, “subseqüente”, etc. Essa recomendação é feita também em relação a “subsidiária”, “subsidiar”, “subsistência”, etc. Convém lembrar que o “s” de “obséquio” (e família) e o de “transar”, “transitar” e respectivas famílias têm som de “z”.

T

TAXA / IMPOSTO / TRIBUTO

– Taxa: tipo de tributo para o qual há uma contrapartida, a prestação de um serviço. Exemplos: taxa do lixo – para que a prefeitura retire o lixo; taxa de iluminação pública – para que haja iluminação nas vias públicas.

– Imposto: tipo de tributo para o qual não há uma contrapartida específica. Assim, paga-se Imposto de Renda, porque se tem alguma renda; paga-se IPTU, porque se tem uma casa, um apartamento, um terreno; paga-se IPVA, porque se tem um automóvel, um barco, um avião.

– Tributo: é um termo genérico. Engloba taxas, impostos e contribuições. É tudo aquilo que pagamos para viver na “tribo”, ou seja, em sociedade. Daí o “tribuno” para nos representar e o “tribunal” para julgar os que vivem na “tribo”.

TELEFONE / TELEFONEMA

Falamos “ao telefone”, e não “no telefone”.Também devemos dizer que queremos dar “um telefonema” (substantivo masculino), não “uma telefonema” nem “uma telefonada”.

TRANSMISSÕES TELEVISIONADAS ou TELEVISADAS?

As duas formas são corretas. Os adjetivos “televisionadas” e “televisadas” existem.

OS TIMES EMPATARAM “EM” ou “DE”?

Neste caso, deve-se empregar as preposições “de” ou ainda “por”. Exemplos:

Flamengo e Palmeiras empataram de (por) dois a dois. 
Vasco e Grêmio empataram por (de) um a um. 
Observação: o mesmo se aplica aos verbos "ganhar"e "perder". 
Exemplos: 
O Vasco venceu o Corínthians de (por)três a um. 
O Cruzeiro perdeu para o Fluminense de (por) dois a um.

TODA CIDADE / TODA A CIDADE

– TODA CIDADE: equivalente a “todas as cidades”; Exemplo: Toda cidade tem sempre suas figuras folclóricas.

– TODA A CIDADE: significa “a cidade inteira”. Exemplo: Toda a cidade está se mobilizando para combater a violência.

TODO MUNDO / TODO O MUNDO

– TODO MUNDO: equivalente à “toda gente”, “todas as pessoas”; Exemplo: Todo mundo viu quando o policial prendeu o ladrão em flagrante.

– TODO O MUNDO: igual à “o mundo inteiro”. Exemplo: Todo o mundo vai passar por transformações morais inevitáveis.

Observação: no plural, o pronome “todos” sempre exige o artigo antes de substantivo. Exemplos:

"Conheço todos os jogadores daquele time de vôlei"; "Visitamos todas as exposições de arte de São Paulo". 
Quando surgir um numeral após a palavra "todo" e não for seguido de um substantivo, não use o artigo: "Todos cinco foram expulsos da escola"; "Todas três estavam alegres por motivos diferentes". No entanto, se houver substantivo, o artigo será necessário: "Perdi todos os cinco documentos exigidos pelo colégio"; "Ganhei todos os sete ingressos para o show do Caetano".

TRADUÇÃO / VERSÃO

– TRADUÇÃO: é quando passamos para o português um texto de outro idioma;

– VERSÃO: quando passamos um texto do português para uma língua estrangeira.

U

HUMIDADE ou UMIDADE?

Em Portugal, a grafia desta palavra apresenta-se com “h”, sendo assim correto escrever “humidade”, como também “húmido”, “humedecer”, “humedecimento”, “humedecido”, “humidificar”, etc. No Brasil, a grafia adotada é sem “h”: “úmido”, “umidade”, “umedecer”, “umedecimento”, “umedecido”, “umidificar”, etc.

Até 1943, também grafávamos essa família com “h”. Na reforma ortográfica (ocorrida justamente em 1943), abolimos o “h” desse grupo de palavras. Esse caso não é o único em que se registra diferença gráfica entre a forma portuguesa e a brasileira. Além das inúmeras palavras que em Portugal se escrevem com “c” ou “p” (como “adoptar” e “direcção”), pode-se citar como exemplo dessa divergência a palavra “berinjela”, que entre nós se grafa com “j”, mas em Portugal se escreve com “g” (“beringela”).

UM TANTO QUANTO ou UM TANTO OU QUANTO?

Jamais escreva “um tanto quanto”, já que a forma correta é “um tanto ou quanto”. Exemplo: Cristina está um tanto ou quanto aborrecida com o namorado.

V

VEREDICTO ou VEREDITO?

Embora o “Vocabulário Ortográfico”, da ABL, registre “veredicto” e “veredito”, nossos dicionários (“Houaiss”, “Novo Aurélio” etc.) e o dicionário da Academia portuguesa só acolhem a forma “veredicto”.

VERNISSAGE ou VERNISSAGEM?

Segundo os dicionários Aurélio e Michaelis , a grafia correta é “vernissage” e é um substantivo masculino. Exemplo: Amanhã irei ao vernissage de minha irmã. No entanto, o Vocabulário Ortográfico da ABL registra as duas formas: vernissage (substantivo masculino) e vernissagem (substantivo feminino). Assim sendo, nós podemos ir “ao vernissage” ou “à vernissagem”.

VIGIR ou VIGER?

Não existe o verbo “vigir”. A forma registrada em todos os dicionários é “viger”, que vem do latim e significa “estar em vigor”, “vigorar”, “ter vigor”. Quando está em vigor, uma lei vigora, tem vigência, vige; se ainda não está em vigor, mas já foi aprovada, deverá vigorar, deverá ter vigência, deverá viger.

É bom lembrar que o verbo “viger” é o único da língua portuguesa terminado em “-iger”. Verbos terminados em “-ger” (sem “i” antes do “g”) não faltam (“abranger”, “eleger”, “constranger”, “proteger”, “ranger”, “reger”, etc.), mas só “viger” termina em “-iger”.

A causa da “criação” do verbo “vigir” talvez esteja na profusão de verbos terminados em “-gir” (“corrigir”, “agir”, “dirigir”, “fugir”, “imergir”, “fingir”, “atingir”, “surgir”, “rugir”, etc.), o que pode induzir o falante a eliminar a exceção, transformando “viger” em “vigir”.

VÍTIMA FATAL

Esta expressão é incorreta, porque o termo “fatal” deve se referir ao “acidente”, e não à vítima. Exemplo: O choque do ônibus com o trem foi fatal, causando diversas vítimas.

VOTOS BRANCOS ou VOTOS EM BRANCO?

Deve-se dizer “votos em branco”; assim também para formulários, cadastros, fichas, etc.

X

XÉROX ou XEROX?

São corretas as duas formas. Mas é preciso ser coerente: se você escreve “xérox”, leia “xérox”, ou seja, ponha força no “xé”. Se você escreve “xerox”, ponha força no “rox”. E saiba que o dicionário “Aurélio” apresenta a palavra, em qualquer versão, como masculina. Já o “Vocabulário Ortográfico”, da ABL, diz que a palavra pode ser masculina ou feminina.

XIPÓFAGAS ou XIFÓPAGAS?

Não existe a palavra “xipófagas”, como se costuma dizer e escrever. A palavra certa é “xifópagas”, significando “duas pessoas que nascem ligadas, geralmente na altura do tórax, pelo apêndice xifóide.

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