Druidismo Moderno: Espiritualidade animista e Panteão Celta

Druidismo Moderno: Saiba mais sobre a espiritualidade animista e Panteão Celta

Cláudio Quintino Crow

 

Por definição, xamanismo é qualquer espiritualidade cujos pilares sejam: – o animismo (ou seja, a crença de que tudo no mundo tem alma); – o totemismo (a percepção de que existem espíritos na forma de animais que nos orientam e auxiliam); – o contato com os ancestrais (tanto os de sangue, quanto os espirituais); – a busca pela cura através do contato inspirado com todos esses seres.

De uma forma ou de outra, esses elementos podem ser facilmente encontrados em praticamente todas as religiões – até mesmo naquelas que, por algum motivo, relutam em reconhecer seus elementos xamânicos. A explicação é simples: por sua antigüidade, simplicidade e universalidade, O XAMANISMO É A BASE DE TODAS AS ESPIRITUALIDADES.

Como podemos atestar facilmente por textos contemporâneos, o druidismo possui todas as características mencionadas acima. Podemos então, com segurança, afirmar que O DRUIDISMO É O XAMANISMO DOS CELTAS.

O Druidismo moderno, sempre em evolução, agrega aos seus próprios conhecimentos ancestrais muitos elementos originários de outras tradições xamânicas. Isso ocorre de forma natural, pois mesmo o druidismo que temos hoje como “original”, o de 2000 anos atrás, era ele mesmo o resultado da mescla de diversos elementos oriundos da cultura celta e de outras culturas com as quais eles tiveram contato.

Essa é uma tendência natural do druidismo, desde suas origens até hoje: ao entrar em contato com outras espiritualidades, ao invés de fechar-se ele se abre para o diálogo produtivo – claro, sempre preservando sua identidade e sua essência.

Isso mantém o druidismo ativo, vivo, atual e potencialmente transformador para quem deseja seguir um CAMINHO DE PLENA CURA, nos três níveis: físico, mental e espiritual, em perfeito equilíbrio e fomentando relações harmoniosas e inspiradas entre o indivíduo, a comunidade em que ele vive e o mundo do qual todos fazemos parte.

Claudio Quintino Crow é escritor, instrutor de druidismo e representante no Brasil da Druid Network. www.claudiocrow.com.br


Os muitos deuses do Druidismo

O druidismo é a religião/espiritualidade dos celtas, um dos principais povos “nativos” da Europa Ocidental;

Assim como em praticamente todos os caminhos xamânicos, para os celtas toda a paisagem é sagrada: cada rio, cada árvore, cada característica do relevo, cada montanha, cada corpo celeste, cada lugar, cada fenômeno natural possuía um espírito próprio, uma “anima” (alma em latim).

Portanto, o druidismo é por princípio uma espiritualidade animista: o druidismo enxerga a presença de almas em tudo que há.

Essa percepção está nas origens do politeísmo druídico: ou seja, o druidismo possui diversos deuses e deusas.

Se possui diversos deuses e deusas, muitas pessoas imaginam que haja um “panteão” celta.

A palavra “panteão”, do grego ‘pantheion’, denota o conjunto de deidades de um certo povo. Mas os celtas não formaram um único e homogêneo povo: existiram muitas variações no tempo e no espaço da cultura celta. Assim, não existe um panteão uniforme de deuses e deusas celtas – até porque muitos desses deuses e deusas, pelo princípio do animismo visto acima, são deidades locais, ou seja: estão associados a uma determinada paisagem. Quando aquela tribo se deslocava para outro local, muitas dessas deidades locais ficavam para trás, ou eram mescladas a outras deidades do novo lugar.

O resultado é um número literalmente incontável de ‘deidades’ celtas – alguns especialistas tentaram listá-las todas e o número chega perto dos dois mil (sim, dois mil) nomes conhecidos. mas é importante frisar que os celtas NÃO precisavam conhecer todos esses nomes, até porque muitos desses deuses, por sua natureza local, nem eram conhecidos por tribos celtas de outras regiões.

Atualmente, os deuses celtas mais conhecidos são originários da Irlanda – os Tuatha de Danann. Mas temos também alguns nomes de deuses celtas da Grã-Bretanha e também da Gália – e pouca coisa da Ibéria. A atual predominância dos deuses irlandeses se deve somente ao fato de que na Irlanda as informações acerca desses deuses foram melhor preservadas, ao contrário do que ocorreu em outras áreas.

Assim, podemos afirmar que:

1. A característica animista do druidismo gerou a percepção da presença de incontáveis deuses e deusas celtas na Natureza (tanto na paisagem externa quanto na interior humana);

2. Por terem os celtas se espalhado por praticamente toda a Europa Ocidental, seus deuses e deusas variam de região para região e de época para época, tornando impossível a tentativa de se uniformizar um “panteão” celta.

Essas premissas tornam mais fácil a compreensão das profundas e transformadoras mensagens preservadas nas lendas celtas, e transmitidas através das eras pelos bardos, trovadores, menestréis e contadores de histórias. Ademais, é através dessas lendas que deixamos de ver os deuses e deusas celtas como seres distantes de nós e passamos a vê-los em nós mesmos, inspirando nossos gestos e palavras.

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