Babel: A consciência das palavras

Babel: A consciência das palavras

Por Elsie Dubugras

Uma praga rogada verbalmente, segundo os magos, é mais do que simples desejo de prejudicar alguém, a palavra falada é o veículo que conduz e transfere o malefício à vítima. O som vocal, na verdade, é o mais antigo dos simbolos. Dele nasceram palavras, depois as sentenças e, por fim, as línguas faladas.

Existem diversas hipóteses para explicar como os sons nasceram e evoluiram. Segundo alguns estudiosos do assunto, eles teriam se iniciado com gritos de medo, gemidos de dor, urros de raiva. Depois foram acrescentados sons emitidos sons emitidos por certos animais e rruídos provocados por determinados objetos. Aos poucos, o acervo inicial foi enriquecido, qté que, pelo constante uso, os sons transformaram-se em palavras. Todavia, os primórdios de uma linguagem estruturada só ocorreram quando homens, por estar vivendo em comunidades, criaram instintivamente meios mais eficientes de se comunicar entre sí.

Com o aumento da população e de comunidades nômades, que viviam em zonas sempre mais distantes e mudavam de hábitos alimentares e costumes, os idiomas básicos também sofreram transformações e tornaram-se diferentes uns dos outros.

A Bíblia usa a lenda da Torre de Babel, para explicar o fenômeno da multiplicidade dos idiomas encontrados por todo o mundo. Segundo Gênese XI, versículos 1/9, antigamente todos falavam de forma semelhante :

“E era a Terra duma mesma língua, e duma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do Oriente, acharam um vale na Terra de Sinear, e habitaram ali.(…) E disseram : Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a Terra.”

O Senhor então desceu para ver o que os homens estavam fazendo e, achando que não haveria “restrição para tudo” que eles intentassem fazer, “estabeleceu um meio para que não se entendessem entre sí : confundiu a língua. Assim o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome de Babel, porquanto alí confundiu o Senhor a língua de toda a Terra (…).”

A lenda de Babel é bastante antiga e conhecida em diversas partes do mundo. Quando os conquistadores espanhóis chegaram ao México, por exemplo, eles descobriram a existência de uma torre semelhante a de Babel, mas com outro nome : chamava-se Pirâmide de Cholula.

E, para explicar a diversidade das línguas faladas em diferentes partes do mundo, o registro de Popul Vuh, dos maias, afirma :

” Aqui as línguas das tribos mudaram, sua fala ficou diferente. tudo que ouviam e compreendiam ao partir de Tulan, tornou-se difererente

Nossa língua era uma quando partimos de Tulan. Lá esquecemos nossa fala (…).”

Existe uma lenda chinesa que não difere muito das conhecidas no Ocidente. Já, segundo, os persas, Arimã, o espírito do mal, dividiu a lingua original em 30 diferentes idiomas, dos quais teriam surgido todas as línguas faladas.

As lendas greco-romanas também descrevem fatos semelhantes – só que, em vez de Arimã, foi Mercurio quem dividiu em diversos idiomas a língua falada.

Hoje, existem 2.796 línguas faladas e cerca de 8 mil dialetos. Curiosamente, em todo o mundo, as palavras e os nomes adquiriram, com o passar do tempo, conotações além das originais. de modo geral, os povos antigos acreditavam que, ao serem pronunciadas de maneira especial, as palavras tinham poderes sobrenaturais. Por isso como as doenças eram atribuídas a seres de outras dimensões, o sacerdote encarregado de curar um paciente procurava, em primeiro llugar, descobrir o nome do demônio responsável pelo mal. Então invocava-o nominalmente e o dominava. Mas havia uma recomendação : a invocação teria de ser feita enfáticamente, pois só assim teria um efeito semelhante ao de um ato físico.

Na Babilônia certos nomes eram considerados santos; por isso os sacerdotes amarravam os demônios cantando-os. Segundo Margaret Stutley, autora do livro Ancient Indian Magic e Folklore, foi esse ato mágico que deu nome à arte de “encantar”. Os gregos transferiam a doença aos corvos dizendo ; “Vá para os corvos.” Os sumerianos, por sua vez, matavam um cabrito branco – que em certos casos era substituido por um porco -, retiravam o coração do animal morto e, depois de colocá-lo na mão do paciente, transferiam a doença para ele, por meio de encantações. Vale lembrar que também Jesus usou essa forma de cura, ordenando que demônios saíssem de um homem e entrassem numa manada de porcos.

No conceito de alguns povos, a palavra falada era tão poderosa que se acreditava que uma praga proferida verbalmente se consolidava em matéria física e não poderia ser destruída até o desejo em questão ser concretizado. Todavia, depois que isso acontecesse, a praga poderia ser contrabalançada por palavras boas, e até por um pensamento forte.

Os hebreu, os cananeus e alguns povos semitas acreditavam que , quando pronunciada em voz alta, a praga tinha poderes ideênticos aos de certas fórmulas mágicas, que expressas verbalmente, liberavam forças sobrenaturais. Na opinião desses povos, tantos as pragas como as bençãos eram indestrutíveis. Na própria Bíblia existe a confirmação dessa crença. Segundo o livro, Isaac deveria ter abençoado Esaí, mas por engano abençoou seu segundo filho Jacó, e não pode desfazer aquele ato nem impedir que os benefícios da benção recaíssem sobre ele.

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