Efeitos bioquímicos dos cogumelos: psilocibina e a psilocina

Efeitos bioquímicos dos cogumelos: psilocibina e a psilocina

 

O resultado essencial das primeiras investigações de origem quimica pelo método cromatografico, investigações efetuadas gracas a obtencão em cultura de um material abundante, próprio do psilocybe mexicana e dos escleródios surgidos apenas em laboratório, em condições de obscuridade e principalmente de alta nutricão, foi consignado numa primeira nota, assinada por A. Hofmann, R. Helm, A. Brack e H. Kobel, que apareceu em Experientia, depois na Revue Mycologie e, finalmente, em nosso trabalho coletivo. Neste último, assim como no presente volume, poderão ser encontradas as precisoes trazidas por Albert Hofmann sôbre as diversas etapas das pesquisas de ordem química que levaram sucessivamente a obtencão dos cristais de psilocina e de psilocibina, ao conhecimento de sua formula de contribuição e a sua dupla síntese. Poderão ser encontrado, alias, nos relatos que publicamos em 1959 e depois em nosso trabalho sôbre os cogumelos tóxicos e alucinógenos o resumo das investigacões químicas sôbre a psilocibina e a psilocina, investigacões empreendidas por A. Hofmann e seus colaboradores. Lembremos aqui os resultados essenciais:

Se saturarmos de gas carbônico uma solução aquosa de psilocibina a fim de eliminar o oxigênio do ar, e se a aquecermos num tubo fechado a 150 graus [F?ouC?] durante uma hora, a molécula, por cisão hidrolítica, partir-se-á em uma molécula de hidroxi-4-dimetiltriptamina e uma molécula de âcido fosfórico.

Hofmann ja havia mostrado em 1959, juntamente corn Stoll, Trouxler e Peyer, que os insômeres do hidroxi-indol eram reconhecidos pelos caracteres bem particulares de seu espectro ultravioleta. É assim que podemos deduzir, pela marcha de curva de absorcao da psilocina, que se trata aqui de um derivado indólico em posicão 4, e a precisa estrutura dêste corpo, identificável a da psilocibina dephosphorylée pode ser mostrada gracas a um espécime auténtico de hidróxi-4-dimetiltriptamina obtido, alias, por síntese. Quanto ao ácido fosfórico, nós o precipitamos e identificamos sob a forma de sal amoníaco-magnesiano.

Tratando, pelo diazometano, a psilocibina em solucão metílica, Hofmann e seus colaboradores obtiveram um com posto neutro no qual entraram dois grupos meliticos; êle é identificável ao ester metílico do sal quaternário da psilocibina, Hofmann foi auxiliado na realização da síntese da psilocibina pelo fato — conforme ja o dissemos — de ter estado, anteriormente, associado a preparacão por síntese do benziloxi-4-indol; e assim que êle obteria, pelo método do cloreto oxálico, o hidroxi-4-dimetiltriptamina, que se mostra idéntico ao produto da hidrólise da psilocibina desfosforizada. Pela esterificacao do hidróxilo fenólico deste corpo por meio do cloreto de dibenzilfosforil e a cisão redutiva dos grupos benzilicos, voltamos a própria psilocibina. Espectros infravermelhos, pontos de fusão, formas cristalinas, solubilidades, reacôes de coloracão identificam-se perfeitamente aos dois corpos, natural e sintético.

Assim sendo, os trabalhos de Hofmann e seus colaboradores tiveramn como resultado pôr em evidência a existência da primeira substância indólica fosforizada que havia sido encontrada na natureza e do primeiro derivado natural da triptamina, no qual o sistema indólico seja substituído em posicão 4 por um agrupamento hidróxilo. O eminente químico Basiléia acrescentava: “Por sua estrutura, a psilocibina estã estreitamente ligada a derivados naturais da hidroxytriptamina, a bufetenina (hidroxi-5-dirnetiltriptamina), a bufotenidina (base quaternária da bufotenina). Além do mais, é ela aparentada com os alcalóides de acão psicotrópica, tais como a tabernantina, a harmina e a reserpina”.

Hofmann, alias, estava em boa situação para insistr ainda sôbre o parentesco entre a psilocibina e a dietilamida do ácido lisergico — ou LSD 25 — pois entre os derivados indólicos naturais, sômente a psilocibina, o LSD 25 e os alcalóides do fungo do centeio, aos quais se liga o LSD 25, oferecem um sitema indólico substituido em posicão 4.

Pouco depois, afinal, A. Hofmann e F. Troxier de monstraram irrefutàvelmente que a psilocina é idêntica a psilocibina desfosforizada. Acrescentaram que, de acôrdo com os primeiros resultados, as reaçöes psíquicas e somáticas, após aplicacoes perorales de psilocina, no homem, estão muito próximas das que produz a psilocibina. Dêstes fatos, resulta que o resto do ácido fosfórico, ligado a molécula da psilocibina, não é necessário para desencadear os efeitos psicofarmacológicos. Contrariamente ao que pudéssernos pensar após as primeiras análises, o átomo do fósforo não representa nenhum papel no mecanismo alucinogeno ou psicodisléptico ao qual se ligam as propriedades dos agáricos alucinógenos mexicanos.

A presenca da psilocibina e da psilocina estava, enfim, confirmada pelo estudo cromatográfico sistemàticamente aplicado a diversas espécies de psilocybes e da stropharia alucinógenos. Apos uma primeira nota que mostrava uma percentagem de psilocibina de 0,3% e de psilocina de 0,01% no psilocybe mexicana, e de 0,4% do primeiro corpo, de 0,03% do segundo na espécie “mutante” semperviva, as taxas forarn precisadas por novas anâlises das espécies de psilocybes mexicana, caerulescens var., mazatecorum, zapotecorurn, aztecorum, semperviva Wassonii e da stropharia cubensis que haviamos nesse rneio-tempo (1957) descoberto na Tailãndia e no Cambodja e cultivado, a partir dessas novas fontes, no Museu de Paris.

O aspecto fisiológico: as experiências preliminares

Estas experiências nos vêm, em primeiro lugar, é claro, dos múltiplos usos aos quais as populacöes indígenas do Mexico se entregaram e cujo eco, transmitido pelos viajantes espanhóis por ocasião da Conquista e logo após, foi transcrito acima. Três séculos de silêncio seguiram-se a êsses capítulos e a seus objetos, mas os ritos continuavam a suceder-se na noite, atrãs de portas fechadas de casas isoladas, no coração de regiões montanhosas do Mexico meridional.

E aos Wasson e depois a nós mesmos que competiria a verificaçao das surpreendentes propriedades dos teonanacatls com os proprios indios, durante suas cerimônias, de um lado, e, de outro, a luz do dia, em New York e em Paris. Quando a cultura semi-industrial foi realizada no Museu e depois largarnente aplicada em Basiléia, novas experiências a partir de cogumelos foram tentadas por Albert Hofmann, Arthur Brack, Hans Kobel, na Suíça; por Roger Cailleux, P. Nicolas-Charles, em Paris. Quando se extrairam os primeiros cristais de psilocibina, A. Hofmann e A. Brack verificaram seus efeitos, que se revelaram idênticos aos dos proprios cogumelos.

Dai em diante é que o estudo psicofisiologico e clínico da psilocibina seria empreendido sistemàticamente em Paris pelo Prof. Jean Delay e seus colaboradores Pierre Pichot, Thérêse Lemperière, P. Nicolas-Charles, Anne-Marie Quétin e, depois, na Suica, Alemanha, na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, com experimentadores voluntãrios e normais, e também com doentes mentais. Acrescentamos, enfim, que Henri Michaux se dedicou, em princípios de 1959, a algumas experiências.

O conjunto destes dados estabeleceu que a absorcão, quer seja dos cogumelos sagrados do Mexico e das espécies aparentadas encerrando as duas substâncias isoladas — ou uma dentre elas — quer seja de dois corpos obtidos por sintese, produzidos em condiçoes favorãveis, segundo quantidades nem muito fracas nem muito fortes, na ordem de 8 a 15 miligramas de psilocibina, de mais ou menos 2 a 6 gramas de cogumelos secos, ou de 13 a 40 gramas de cogumelos frescos, conforme as espécies e as reatividades dos sujeitos, determina inümeras manifestacoes somáticas, sendo algumas constantes em todos o indivíduos submetidos a estas ações, outras variando conforme o capital genético dêsses indivíduos.

Mais tarde, a descoberta dos cogumelos sagrados do Mexico e a dos corpos responsáveis que êles encerram provocaram inúmeros estudos experimentais de ordem clínica, alguns orientados para o lado psiquiátrico, na ocasião em que jornalistas em busca de artigos sensacionalistas, repórteres de radio, vulgarizadores raramente bem informados e viajantes amantes de reclame davam a conhecer ao publico, frequentemente de maneira discutivel, os fatos e as investigações ligados a história de publicacoes iniciais.

Por outro lado, trabalhos ou brochuras, quer de literatos especializados no uso das drogas, quer de psiquiatras conhecidos, ou de especialistas em moléstias nervosas, vinham felizmente alargar o campo assim aberto. O escritor Henri Michaux, em texto cuja maneira e estilo podem inquietar certos espíritos ortodoxos, transmitia dados que nao deixavam de ser preciosos; os Drs. Cavanna e Servadio publicavam um estudo aprofundado sôbre suas experiências, vários colaboradores do Prof. Jean Delay dedicavam sua tese de medicina a essas questões. Contentar-nos-emos aqui em resumir o estado atual das conclusôes essenciais a que chegaram êsses diversos estudos.

Os efeitos sobre os indivíduos normais

Foram as publicacöes iniciais de Jean Delay e de seus discípulos que primeiramente puseram em evidëncia, logo apôs os ensaios preliminares, a maioria das reaçöes observadas por individuos considerados normais. Esta documentação, juntamente com certas experiências registradas em nosso filme realizado com o Dr. P. Thévenard, feitas com pessoas que a isto se prestaram voluntàriamente, ja basta para dar uma idêia exata da amplidão e do interêsse das reações registradas. Vamos resumi-las aqui.

Nos indivíduos normais, podemos estabelecer os efeitos essenciais destas drogas da seguinte forma:

Efeitos somáticos Midríase das pupilas (mais de 90%; diminuicâo da pulsacão e hipotensão em geral) — o que é contrário a ação provocada pela mescalina e pelo LSD 25 — astenia, sonolência, bocejos, sensaçao repetida de fome; Congestão facial quase constante, congestão das mãos, acompanhadas de frio, ou de calor; suores frequentes; Tremores analogos aos arrepios provocados pelo frio, formigamento caracteristico nos dedos, vertigens, cefaleias; Modificacöes da sensibilidade cutãnea; Andar ébrio; Diminuicão da glicemia e da caliemia, nenhuma açao sôbre o eletroencefalograma; Efeitos psiquicos e caracterologicos; Perturbaçöes da atenção, extroversäo; Modificacôes na percepcào do tempo e dos espacos — o tempo se encurta ou se alonga, os objetos se aproximam ou se distanciam — quer dizer: desregramento do tempo vivido e do espaco vivido, com ilusôes visuais, hiperestesia e alucinacões auditivas, modificacöes olfativas e hiperacusia, ambiência bizarra; Visão acelerada e caleidoscópica do movimento; Às vêzes disforia, com instinto de oposicao, de contradicao; excitação, ou simplesmente apreensão, perplexidade, mêdo, crises de angüstia; Modificacoes do humor de tipo eufórico com loquacidade, jovialidade, familiaridade aumentada, crises imotivadas de riso; Obsessão ligada a uma aproximacäo mnemônica, a uma reminiscência: uma imagem se impôe, reaparece incessantemente sob formas diversas, num animal fabuloso; constantemente, o vegetal se introduz; As vêzes, sentido de situacôes cômicas, propensão as pilherias de mau gösto; frequentemente, satisfacao a respeito de si próprio — “Fui um gênio durante três horas” — e, no entanto, pobreza de raciocínio; enfim, fuga das idéias, dificuldade em fixar o pensamento e ate mesmo o vazio mental ou então alegria contemplativa, introversão, beatitude; A despersonalizacão é observada em 70% dos casos, traduzida, seja por sensacöes psíquicas correspondentes a um verdadeiro desdobramento, seja por manifestação somáticas próprias a modificação da densidade do corpo, ou pela impressão de intrusão de organismos parasitas, a desrealizacão, a “perda da funcão do real” (P. Janet), chegando ao delírio, as vêzes agressivo, violento, inquietante.

Perturbações intelectuais

As palavras acorrem difícilmente, ate ser atingido o mutismo; o sujeito troca uma palavra por outra, não termina as frases, concentra-se num têrmo que repete, ao qual volta, que contempla como que com uma satisfacão admirativa, que envolve de um verbalismo confuso; A escolha das palavras e frequentemente mal adaptada ao objeto em questão, ou os têrmos se contradizem: “Simplifico, mas introduzo detalhes”, “Bonito e monstruoso” (M . M.); mas as vêzes surge uma expressão imaginosa, feliz: “Mau como um ôlho de galinha”; Insistência sôbre pontos sem importãncia, mostrando uma interpretacão inexata do valor dos fatos; Leitura dificil, a ortografia torna-se incorreta, a caligrafia modifica-se, desarticula-se, aparece colorida (R. H,); Insistiremos, enfim, sôbre êste aspeto: “Libertacao de uma memória dessocializada” (J. Delay), afluxo de lembrancas da infância, confusäo do presente e do passado. Certos aspectos caracteristicos dêste quadro merecem ser examinados mais de perto. Parece que o fundo do indivíduo não fica prejudicado pela experiência. Em outras palavras, a prova psilocibiana revela modificaçoes, principalmente psiquicas, que rnerecem a análise de uma introspeccão psicologica. As reaçôes, eufóricas ou disfóricas, tem um sentido. Mas não são adquiridas. Não se criou o hábito. De um modo geral, podemos dizer que as reminiscências interessam, nos planos prático e terapãutico. Outro fato, raro, alias, do qual registramos um caso, juntamente com o Dr. P. Thévenard, concerne a aquisicão apos a prova, de uma qualidade que o paciente não possuía anteriormente e que êle registrou depois. A observacão aplica-se a um experimentador, M.E., que foi submetido a seis ensaios sucessivos. Durante a terceira sessão, sentiu de repente vontade de desenhar, o que realizou em condicões cada vez mais satisfatórias, quando antes não havia manifestado nenhuma disposicão dessa natureza. Primeiro seria uma ave de rapina estilizada, com suas garras. Ele traca as ondas do mar. Esquematiza numa linha dupla o ziguezague do rio. Com dois traços, representa o túmulo do Imperador — reminiscencia dos Invalides. Após a quinta experiência, dedica-se a espiral ate atingir o funil, que se torna uma obsessão. Depois, exprime o desejo de pintar. Dão-lhe tintas e pincêis. Ele rabisca. A principio serão sinais heráldicos, ate o typha dos egípcios, depois uma silhuêta de galo, com esporões proeminentes. Meses mais tarde, sente bruscamente, em seu estado normal, uma espécie de impulso imperativo que leva, a partir do galo da experiência, com seus esporöes, a desenhar no muro do quarto um Cristo, extraordinãrio pelo traco e pela firmeza, e tambêm um Adão e uma Eva de linhas incompletas mas harmoniosas; aparece — ainda — a silhueta de um galo digno de um artista. Assim, a experimentacão psilocibiana conduziu o paciente a uma aquisicão surpreendente; não se trata apenas de urna recordacão ligada a ação da droga; é a traducão imprevista de um talento que ela fez nascer. Mas traducão momentânea, logo desaparecida, pois o sujeito não conservou depois êsse poder nascido da prova.

A psilocibina nos doentes mentais

É impossível resumir aqui o conjunto de estudos empreendidos neste campo. Contentemo-nos em lembrar que os efeitos somáticos — midriase, hipotensão, congestão facial, suor, astenia, sono — são mais ou menos os mesmos que nas pessoas normais; andar êbrio, sacudidelas, tremores, acontecem paralelamente.

Quanto aos efeitos psiquicos, são caracterizados em primeiro lugar por perturbaçoes do humor — euforia, jovialidade, sensacão de bem-estar. É interessante notar uma inversão do humor nos melancolicos. As veses, pelo contrário, trata-se de uma disforia, traduzindo-se por um mal-estar geral, fadiga com apreensão, perplexidade, ate mesmo ansiedade, principalmente quando o doente está merguihado num estado de sonho, de despersonalizacão A agitação é freqüente.

Os fenômenos intelectuais são deficitârios, com perturbacoes de concentração; as vêzes são de um tipo onirico que pode ser ansioso, ate erótico (êste ültimo aspeto não tem sido objeto de preocupacôes ate hoje, tanto em relacao aos experimentadores quanto aos doentes, mas Henri Michaux liga a êste tema relacoes (1964) próprias ao haxixe e a mescalina que, por serem expressas de maneira literária, nem por isso deixam de despertar sêrio interésse).

Os contatos com o mundo exterior traduzem modificaçôes que levam, por exemplo, os melancolicos a sorrir, os catatânicos a procurar um contato. Às vêzes desaparecem as reticências.

As perturbacoes da despersonalizacão não são raras.

As manifestacoes mais interessantes aplicam-se as evocaçôes, revivendo os doentes suas crises de angüstia ou cenas que podem të-los marcado no periodo que precedeu imediatamente o estado mórbido. A supressão das inibicoes permanece também como um dos resultados mais dignos de atencão.

De um modo geral, podemos considerar que existe grande semelhanca entre os efeitos da psilocibina respectivamente nos sujeitos normais e nos doentes mentais.

Se as reminiscências sobrevém igualmente a uns e outros, nas pessoas normais, entretanto, são recordações de infância geralmente não penosas, ao passo que nos doentes mentais são, mais frequentemente, cenas traumatizantes. Se os sintomas somáticos são comparáveis, pelo menos os de ordem fisiologica, por outro lado, quando sua origem e neurove getativa, a participacão psIquica é mais importante nos sujeitos normais: cafaléias, bocejos, etc.

Convém separar os efeitos da droga conforme se tratar de casos de psicose ou de neurose. Nos esquizofrénicos crônicos, nos dementes, tôda possibilidade de resposta afetiva parece abolida; os risos discordantes são frequentes. Nos paranóicos de evolucão recente as reacões são violentas, as vézes provocadas por poderosas recordações nas quais as testemunhas presentes podem ser identificadas a personagens ligadas a cenas do passado do doente, que as reencontra, sob o efeito da droga. Assim sendo, a agressividade dêste em relacão a certas pessoas de seu ambiente renascerá, devido a esta lembranca provocada.

Nos casos de neurose, determina-se o interesse da aplicação da psilocibina. Nos psicopatas, a atitude se revelará teatral ou pueril. As lembranças afluem, o sujeito registra-as com todo o cortejo afetivo: reivindicações, frustrações, invejas, culpabilidade (S.M. Quetin). Assim sendo, a supressão das inibições e das reticências acelera-se, fixa-se. Em alguns casos, essas modificações chegam a uma verdadeira tomada de consciência intelectual do paciente sôbre seu estado, o que pode levar a uma espécie de euforia, a qual agucaria, por exemplo, o apetite renovador.

Nos histéricos, enfim, numa primeira fase ansiosa acentuada pela desconfianca, sucederá um desaparecimento progressivo da hostilidade em relacão as testemunhas. Pouco a pouco, as lembrancas longinquas se reconstituem, acumulam, as circunstãncias do passado tornam a juntar-se. Também nos obcecados o sentimento de culpa pode exteriorizar-se, fazendo nascer os elementos que permitirão que talvez se desenhem — definidas pelo próprio doente — as etapas sucessivas de sua despersonalizacão.

No estado atual da questão, uma certeza se impöe, por tanto: nas mãos do psiquiatra, a psilocibina pode agir francamente söbre o ressurgimento de lembrancas perdidas, e esta descoberta, despertando um desejo de aproximação do doente com o medico, permite a um e outro que colaborem de certo modo para a revelação da origem das perturbacoes mentais. A ontogënese da afeição talvez possa, desta forma, precisar-se. Disto resultariam para o medico preciosos elementos apropriados a aplicação de uma terapêutica eficaz, ou, em todo o caso, melhor adaptada.

ENTRE EM CONTATO

Envie um e-mail para a equipe do Site




©Desenvolvido por Agência Rumi

ou

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?