Chris Artese, Socióloga, ativista e terapeuta floral

Matéria feita em 2.002 por Silvia Lakatos, para o Portal Guruweb

Chris Artése, Socióloga, terapeuta floral – FLorais

Socióloga, terapeuta floral, mãe, ativista social… a canceriana Christiane Gasparini Costa tem muitas facetas, que, juntas, formam a identidade de uma mulher forte e determinada, verdadeira materialização da energia da Mãe Terra.

Chris – é assim que ela gosta de ser chamada – sempre esteve voltada para as questões sociais e para a busca do bem-estar coletivo. Logo que terminou sua graduação na USP, por exemplo, ela começou a atuar num projeto de escolarização popular na periferia. Em seguida, especializou-se em psicodrama pedagógico, pois desejava se aprofundar no trabalho de dinâmica de grupo. E não parou por aí: Chris também despertou para o mundo da espiritualidade e da consciência superior. Não por acaso, hoje ela é casada com um xamã.

Mas o trabalho mais importante de sua vida é o que ela desenvolve com o Instituto Polis, uma ONG (organização não-governamental) voltada para as questões da cidadania e das políticas públicas de qualidade de vida. Em conjunto com outras companheiras, Chris presta orientação às mães de família carentes, ensinando-as a fazer um aproveitamento pleno dos nutrientes de cada verdura, legume, fruta etc. “Com isso, estamos obtendo ótimos resultados, inclusive solucionando casos drásticos de desnutrição infantil”, ela relata. O “milagre” é realizado por um farelo altamente nutritivo, derivado de cascas e outras partes dos vegetais, que normalmente são jogadas fora. “Ensinamos as mulheres a preparem e a usarem esse farelo, que promove um grande enriquecimento na dieta familiar”, explica

Na verdade, esse trabalho surgiu aos poucos, na extensão de uma série de outros acontecimentos. De certo modo, ele tem a ver com toda a dinâmica da vida de Chris. “Sou de origem italiana”, ela conta. “Em minha família, as mulheres tradicionalmente se dedicam muito à culinária.” A avó foi uma grande cozinheira, e a mãe, uma hábil organizadora de festas e jantares. “Na adolescência, acompanhei a jornada macrobiótica do meu pai e aquilo plantou uma semente dentro de mim”, relembra Chris. “Eu percebi que existia a possibilidade de uma alimentação mais leve, curativa, preventiva. E, quando decidi ser mãe, dois novos estudos se abriram: alimentação e florais.”

Os florais, também chamados de “remédios da alma”, surgiram no século 19, graças aos estudos de um médico inglês, Edward Bach. Ele descobriu que o orvalho das flores possui uma poderosa energia sutil, e que cada flor é dotada de propriedades específicas, permitindo a prevenção e a cura de muitos problemas físicos, mentais e emocionais. “Minha relação com os florais foi de amor à primeira vista”, relata Chris. “A sutileza, a beleza, a riqueza dos múltiplos aspectos da alma humana associados a cada flor, bem como a constatação das mudanças de comportamento, me convenceram da eficácia desse método de cura.” Entusiasmada, ela conta que fez cursos não apenas de florais de Bach, mas também sobre os florais Californianos, do Alaska, do Havaí, da Holanda, do Deserto do Arizona, da Austrália…

“Tomei florais durante toda a gravidez”, relembra Chris. “O mais conhecido de todos, que é o Rescue, foi minha ‘anestesia’ no parto, realizado em minha própria casa.”

No que se refere à alimentação, Chris revela que fez diversos cursos – de macrobiótica, cozinha vegetariana, com os adventistas, com os rosacruzes… Também conheceu a “alimentação alternativa”, ou “alimentação enriquecida”, da escola Livre de Agricultura Ecológica.

Assim, o que era apenas um hobby foi gradativamente se transformando em trabalho. Ela relata que, no início da década de 90, essas formas não convencionais de alimentação eram ainda muito elitizadas e que a alimentação enriquecida era uma opção popular e barata, acessível a qualquer pessoa. “Sugerir a uma mãe que trocasse o arroz branco pelo integral era praticamente impossível, por conta do preço alto e da força do hábito arraigado”, relata Chris. “Mas ensiná-la a acrescentar o farelo nutritivo ao arroz branco era possível, e eu, que nunca havia imaginado trabalhar com isso, fui me envolvendo com a questão.” E completa: “Todos aqueles anos em que atuei em organizações não-governamentais e em que lidei com educação popular juntaram-se ao desejo de disseminar novas alternativas de nutrição”.

O trabalho desenvolvido por Chris no Instituto Polis torna-se extremamente gratificante por conta dos resultados alcançados. A recuperação das crianças desnutridas ocorre com grande rapidez e as famílias assistidas pelo grupo nunca mais “desaprendem” essa lição. “Pode mudar o governo, o partido, mas ninguém leva embora os frutos da educação e da informação”, afirma a socióloga. “Vi muitas mães recuperarem sua dignidade, ao mesmo tempo em que seus filhos recuperavam a saúde”, acrescenta.

A “grande estréia” do Polis aconteceu no Acre: “Foram capacitadas merendeiras e agentes comunitários de saúde, e os pequenos produtores rurais aprenderam a processar os farelos, as folhas e as sementes”, informa Chris. “Assim, foi elaborado um complemento nutricional à base de castanha, pupunha, macaxeira e milho, que passou a ser acrescentado a quase todos os tipos de merenda, com resultados excelentes.” Em seguida, o mesmo trabalho foi desenvolvido a muitos quilômetros de distância, no estado do Paraná. “O sucesso foi tamanho que o governador, em parceria com a Pastoral da Criança, levou o projeto para mais 28 municípios.”

Atualmente, Chris atua no município de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. “Os efeitos já se fazem sentir”, ela se alegra. “O enriquecimento da merenda oferecida nas creches municipais, a partir da campanha ‘Lixo Zero na Cozinha’, significou uma diminuição de 62% no uso de medicamentos!”

Além dos aspectos ligados à saúde, esse trabalho guarda relação com o meio ambiente. “Estamos investigando o impacto do maior aproveitamento dos alimentos na diminuição da quantidade de resíduos orgânicos, que é um grave problema na destinação do lixo”, frisa Christiane.

Apesar da ênfase dada às crianças desnutridas, a complementação alimentar pode – e deve – ter amplitude universal. Afinal, o padrão moderno de alimentação é tão ruim que mesmo aqueles que não passam fome sofrem de diversos males decorrentes da insuficiência nutricional, sobretudo de vitaminas e minerais. “Em casa, acrescento a farinha múltipla em tudo e ainda a uso como tempero!”, revela Chris. “Isso é muito mais barato e natural do que todas essas cápsulas de complementos vitamínicos que abarrotam as prateleiras de supermercados e drogarias.” A alimentação enriquecida promove melhorias visíveis na saúde: a pele e os cabelos ganham viço, a pessoa fica mais disposta, o intestino passa a funcionar melhor etc.

A problemática em torno da alimentação tem um alcance maior do que se imagina. Pesquisas desenvolvidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) revelam que, nas próximas décadas, os sistemas de saúde mundiais serão insuficientes para combater as doenças. Isso significa que os trabalhos na linha da prevenção são imprescindíveis. “Segurança alimentar é um conceito de âmbito internacional, que significa a garantia, para todo cidadão, de acesso a uma alimentação de qualidade e na quantidade necessária”, observa.

O Instituto Polis trabalha com três tipos de projetos. Um é o da reeducação alimentar. Outro é o estudo de uma política municipal de segurança alimentar, que formalize a nutrição como uma questão de Estado. O terceiro trabalho ocorre junto à coordenação do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar, presidido por D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias, RJ. Depois da morte do sociólogo Betinho, D. Mauro tornou-se o principal articulador da luta contra a fome no país. Após a campanha da Ação da Cidadania Contra a Fome e Pela Vida, inúmeros movimentos, ONGs, associações e entidades da sociedade civil organizada uniram-se em torno do tema da segurança alimentar. Em 1996, o Instituto Polis participou da Cúpula Mundial da Alimentação, em Roma e, em 1998, conseguiu reunir sessenta entidades num encontro nacional, em São Paulo. Na ocasião, foi fundado o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar. Esse trabalho tem um perfil de âmbito político e sua proposta é sensibilizar governadores e prefeitos no sentido de promover programas de melhoria da alimentação. Inúmeros estados já criaram Conselhos Estaduais de Segurança Alimentar. Nestes, metade da equipe é de representantes do governo e a outra metade é constituída por representantes da sociedade civil, que discutem, avaliam, monitoram e propõem políticas de acesso a uma alimentação de qualidade para a maioria da população.

Chris revela seus dois sonhos: um deles é conseguir divulgar essas experiências bem-sucedidas a um número cada vez maior de prefeitos e retomar a Rede Rica – Rede de Informação e Cultura Alimentar, destinada à troca de conhecimentos entre mulheres capacitadas em reeducação alimentar, atuantes em diferentes lugares. O outro sonho é conseguir um ônibus para transformá-lo numa escola volante, que poderia ministrar cursos em vários lugares, com as mulheres participantes da Rede.

A falta de recursos é apontada por Chris como o principal obstáculo ao desempenho das ONGs. “Por incrível que pareça, trabalhamos mais com recursos internacionais do que locais”, ela esclarece. Mas nada disso a desanima: “O importante é continuar lutando, com garra e amor”.

Quem quiser ajudar ou saber mais a respeito, pode entrar em contato com o Instituto Polis,através do site da organização, http://www.polis.org.br/

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