CEFLULUC – Céu da Lua Cheia

Resgatando o ínicio de tudo…….

Fardamento com o Padrinho Alfredo em 19-2O/Janeiro/1992, na força de São Sebastião

Conheci o Santo Daime em 1991 a convite do jornalista Romeu Graciano, grande amigo e irmão espiritual , que fazia uma reportagem para a Revista Planeta.

Lá fomos eu e minha companheira, Romeu e sua companheira Shola para a cidade de Visconde de Mauá procurar a Comunidade Ceú da Montanha, presidida pelo Padrinho Alex Polari. Chegando em Mauá, meus sentidos percebiam que algo de muito importante iria acontecer em minha vida. Foi muito difícil controlar a ansiedade e o deslumbramento com aquela paisagem maravilhosa, aquelas montanhas e cachoeiras por todos os lugares. Estar naquela cidade já alterava a minha consciência.

Nosso guia espiritual foi um casal daimista (que se tornaram compadres) Ricardo Lessa e Carmem, irmãos que passaram as instruções preliminares tais como abstenção de álcool, sexo e carne nos três dias que antecediam o ritual.

Antes de participarmos do ritual passamos por uma entrevista de avaliação (anamnese), por uma reunião de novos, onde fomos informados sobre as normas de ritual e participamos de uma oração e um bailado (sem tomar o Daime), como preparação para o trabalho espiritual do dia seguinte.

O dia do ritual, foi feriado de 07 de Setembro e aniversário da Igreja Céu da Montanha. Um igreja que parecia uma nave espacial no meio da mata, de formato hexagonal, marcando os seis lados da Estrela de Davi, com grandes janelas, o chão marcado por pequenos retângulos organizando as posições do bailado. Tudo era muito bonito bem simples, as mulheres vestidas de verde e branco com coroas e os homens de terno branco com gravata azul, chamado pela doutrina de fardas (trajes de poder). Na igreja tudo muito limpo. No centro uma mesa com formato da Estrela de Salomão. Violões, congas, maracás, sanfonas, flautas, uma verdadeira orquestra espiritual.

O salão estava disposto com homens formando filas de bailado de um lado e as mulheres do outro, lembrando o símbolo do TAO (yin e yang).

O início do trabalho foi marcado pelo ritual da defumação e seguido das orações cristãs Pai Nosso e Ave Maria. Logo após a oração, iniciou-se o despacho da primeira dose de Daime. Logo após o despacho, os participantes formaram a fila do bailado e lida a oração da Consagração do Aposento,começando então o canto e a dança.

Igreja Céu da Montanha (nota: Jagube no telhado)

Minutos após, eu já podia sentir uma agradável sensação em meu corpo. Estava tão leve que, em alguns momentos, sentia estar flutuando. O hinos pareciam vir de outro mundo, a beleza dos cânticos não se comparava a nada que eu tinha ouvido até então. Uns momentos após tomar a segunda dose, não consegui ficar mais em pé e me sentei. Eu não sentia mais as minhas pernas abaixo do joelho e tive a sensação que eu iria atropelar alguém ou cair. Ao mesmo tempo fiquei impressionado como as outras pessoas conseguiam cantar, bailar, tocar instrumentos, fazer defumação e etc, quando eu pouco conseguia me mover com a manifestação tão forte causada pela bebida. Comecei a sentir medo. Eu achava que a coisa era realmente só comigo. Era uma força poderosa, desconhecida, que invadia meu ser sem pedir permissão. Sentia que ia morrer.

Ao passar por mim um dos fiscais eu o agarrei pelas pernas e perguntei :

– O que está acontecendo comigo ! Estou passando muito mal !

E ele me respondeu :

– Calma meu irmão ! Fique com a coluna reta, respire que isso é coisa que você tem que passar mesmo !

Eu achei a reposta um absurdo ! Coisa de gente fanática ! Sentia o sol batendo no meu pescoço (o trabalho era de dia devido ao frio), e me culpava por estar naquela situação . Eu pensava :

Como sou idiota de ter me metido nesta encrenca, com essa gente maluca, essas musicas. E agora não iria mais ver o Sol.Eu achava que iria morrer, queria ir embora, livrar-me daquela agonia, até que uma forte voz dentro de meu interior falou :

– Léo, você está passando por esse apuro porque não está se entregando. Você está mais preocupado em entender e dominar a força do que vivenciar. Confie, entregue-se ! Relaxe sua mente e seu corpo ! Pare de raciocinar !

Percebendo que não havia como lutar, decidi fazer o que a voz me ordenou. Ainda disse para essa voz : Tá bom então ! Mas veja o que você vai fazer comigo. Respirei profundamente e soltei. Senti que estava saindo do corpo e tive a sensação de voar, nas asas da Águia, até que eu e ela viramos uma coisa só, e via com seus olhos , dentro do seu corpo, a visão de um grande vale. Sentia o vento bater em meu rosto enquanto tinha aquela visão do alto, de lado, descendo, subindo, virando. Não estava mais no salão, a única coisa que me ligava a ele era o canto e os maracás que pareciam conduzir o meu vôo e as visões.

Estrela – Altar Central (nota:Jagube plantado no interior da igreja)

Não havia mais medo e sim êxtase. Uma sensação de plenitude, de alegria e liberdade indescritíveis. As mirações (visões) se alternavam pude ver-me sendo mumificado no Egito. Depois estava no corpo de um índio norte-americano, dançando ao redor de uma fogueira, depois num índio peruano.

Até difícil testemunhar isso, mas teve um momento em que estavam cantando : São Jorge está aqui. São Jorge aqui está ! Eu abri os olhos e vi São Jorge ! Comecei até achar que estava ficando louco, mas todos a quem eu perguntei ao final da sessão tiveram essa visão. Foi incrível ! Também entrei em contato com um ser elemental……e muitas vezes tinha visão do que estava sendo cantado. Uma maravilha de cair o queixo !

As visões também permitiam que eu visse os meus defeitos, partes de mim mesmo que eu precisava transformar e não tinha coragem, rever minhas atitudes. Senti uma enorme sensação de amor pela natureza e por todos os que estavam no salão, como se fossem parte da minha família, de uma grande família universal. Tive a segurança de que ali dentro daquele poder eu estaria protegido. Foram muitas visões, muitos esclarecimentos, e muito material para trabalhar na minha vida.

Quando terminou o ritual, onde foram servidas quatro doses de Daime, eu compreendi o valor do Amor, da Verdade, da Harmonia e da Justiça.

E, no final já estava perguntando o que precisaria ser feito para eu fazer parte…me fardar…etc. Sentí que tinha achado o lugar ! Pensava: Se eu não me encontrar aqui….não me encontro mais em nenhum lugar !

Continuei indo aos trabalhos no Céu da Montanha e em São Paulo, frequentei as concentrações da igreja Flor das Águas e Flor de Luz. Fardei-me em 19 de janeiro, no Hinário de São Sebastião, 135 dias após ter tomado Daime pela primeira vez. O fardamento aconteceu no Céu da Montanha.

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