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A magia está dentro de nós mesmos. Só a busca interior, nos faz entender os processos que retardam a nossa caminhada, para que possamos efetuar as transformações necessárias para seguirmos no "Caminho da Beleza" (veja mais)
Léo Artése



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Cura Simbólica

Donald Sandner, faz uma investigação psicológica dos rituais navajos, analisando os métodos de cura. Segue abaixo um texto extraído de seu livro: Os Navajos e o Processo Simbólico da Cura, da Summus Editorial.

O sofrimento faz parte integral da vida humana. O processo de crescimento que vai do nascimento até a infância, desta até a adolescência e daí até a idade adulta, a velhice e a morte envolve um inescapável sofrimento. Se o processo for bloqueado em algum nível, o sofrimento aumentará a ponto de surgirem sintomas agudas e dolorosos. Para um médico ou para um pajé, que trabalha com pessoas que estão sofrendo, isso é de uma realidade diária e imediata. Ele aprende que o homem consegue aceitar uma quantidade tremenda de sofrimento legítimo; o que não consegue aceitar é o sofrimento sem propósito. Para ser suportado e aceito, o sofrimento deve ter um significado.

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Portanto, o cerne de todos os métodos culturais e psicológicos de cura, que ocorram em sociedades letradas ou iletradas, é uma estrutura simbólica que explique ou, pelo menos, ofereça um contexto de significação para o sofrimento de seus membros. Há muito o que tolerar : a exaustiva monotonia da vida diária, o apocalíptico aparecimento de enfermidades e tragédias, e o sofrido resultado da ignorância e da maldade humana. Dentro da estrutura simbólica de sua cultura, o homem tenta criar um sentido satisfatório para esses sofrimentos e um método para curá-los.

Embora a cura simbólica não seja científica, é muito mais do que fantasias vagas e exóticas agrupadas num amontoado sem sentido. A cura simbólica tem uma estrutura estabelecida e obedece regras e procedimentos bem definidos. Há determinados estágios por meio dos quais , avança muito, embora não sejam estritamente cronológicos ou mutuamente excludentes; sem geral fundem-senum dado momento e mais de um estágio pode estar em andamento. Em certas culturas esses estágios podem ser breves ou quase completamente omitidos. Mas, normalmente evoluem segundo uma ordem determinada, em que cada um flui para o seguinte obedecendo a uma transição necessária.

Sandner explica um esboço (abaixo) que oferece um parâmetro conceitual para se entender e comparar a cura simbólica existente em várias culturas :

ESTÁGIO 1

Preparação ou Purificação

Antes dos símbolos de vida serem apresentados ou utilizados, o pajé ou xamã, assim como o paciente, submetem-se à rituais de purificação a fim de se preparar para a ocasião. Em geral, o aposento, ou o terreno cerimonial, e os espectadores são igualmente purificados. A purificação é alcançada lavando-se, suando, tomando vomitórios, usando roupas especiais e abastendo-se de certas atividades diárias, tais como comer certos alimentos, ter atividade sexual, ou executar alguns tipos de trabalho.

ESTAGIO 2

Apresentação ou Evocação

Depois da purificação, as imagens simbólicas pertinentes são feitas e apresentadas de forma visível ou audível. O paladar, o olfato e o tato podem ter um papel importante neste estágio. Os símbolos devem ser apresentados de modo vívido e dramático, por meio de ícones, estátuas, bastões cerimoniais, pinturas com areia ou entoação rítmica de cantos e preces. A fumigação com incenso especial e a ingestão de certas ervas e alimentos também são possíveis. Nesse sentido, a presença simbólica torna-se real. Assim que são evocados, os poderes sobrenaturais ou seres divinos investem os símbolos, o pajé e o paciente com sua presença luminosa. Está preparado o caminho para a ação culminante.

ESTÁGIO 3

Identificação

Ponto alto da cerimônia. O xamã e o paciente - e as vêzes mesmo os espectadores - são identificadosou intimamente investidos com os poderes evocados. O curandeiro pode tornar-se simbólicamente o poder sobrenatural e, ao mesmo tempo, incorporar em sí mesmo a parte maligna causadora da doença. O xamã é exaltado e torna-se um ser poderoso, que Jung denominava de personalidade mana. Se a cerimônia, nesse momento, sofre algum contratempo sério, tanto o médico como o paciente correm o risco de sofrer danos causado pelo poder que não está mais sob o controle do ritual.

ESTÁGIO 4

Transformação

O curador usa o poder extraordinário que agora tem aos olhos do paciente e dos espectadores para obter os resultados desejados. Vence a batalha, extermina a doença, expulsa o mal, contra-ataca o feitiço ou recupera a alma. Simbólicamente transformado, o paciente acredita que a verdadeira recuperaçãoda saúde e da harmonia irão em breve acontecer.

ESTÁGIO 5

Libertação

Finalmente, devem existir rituais para que o paciente, o pajé e a audiência fiquem liberados da poderosa força simbólica que mobilizaram, retornando, então, a um estado normal. Depois de ter vivenciado o poder transformador do símbolo, o paciente deve afastar-se dele. Isso pode ser obtido por meio de cantos e preces especiais opu por meio de restrições contra sono ou banho, até que certo intervalo de tempo tenha decorrido. Isso encerra, então o ciclo da cura simbólica.

Por meio da apresentação desses símbolos, o homem é posto em contato com seus recursos interiores. Se as imagens de cura forem fortes o suficiente, se o pajé for habilidoso e inabalável em seus propósitos, e se o envolvimento do paciente dor profundo e urgente, então pode-se ter confiança que a cura irá acontecer.

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