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A magia está dentro de nós mesmos. Só a busca interior, nos faz entender os processos que retardam a nossa caminhada, para que possamos efetuar as transformações necessárias para seguirmos no "Caminho da Beleza" (veja mais)
Léo Artése



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Orixás e Xamanismo

Culto dos Orixás uma Prática Xamânica.

texto de : Omo Ifá Awotundé Alberto Junior.

Sabemos que o termo Xamã vem da Sibéria para designar a arte de promover, Equilíbrio, Harmonia e Saúde psico-fisicas, através do estado de êxtase ou da expansão da consciência, que o Xamã adquire após longos períodos de treinamentos e iniciações.

O Termo Xamanismo, também hoje em dia é utilizado para definir determinadas práticas espirituais e ritos religiosos, proto-históricos, e primitivos. Estas práticas tem em comum o culto a Natureza, e estão divididos em diversas modalidades tais como:

Xamanismo dos aborígines (índios) siberiano.

Xamãs de tribos indígenas de todas as América.

Os adeptos do Druidísmo, da Filosofia Wicca e dos Cultos a Grande Mãe Natureza. Estas civilizações que povoaram toda Europa, tiveram seu primeiro apogeu em torno de 9000 anos antes da era Cristã.

Ainda temos as práticas dos povos Aborígines da Índia como o Povo Drávida ou Tantrico que tiveram seu apogeu em torno de 10000 anos antes da era cristã.

Dentre muitos outros povos aborígine da antigüidade.

As mais antigas obras de artes datam de 35.000 a 10.000 anos antes da era cristã. Estas imagens representam figuras humanas de mães, e foram chamadas de Vênus pelos arqueólogos, esculpidas em osso, marfim e pedra ou moldadas em barro, foram encontradas por toda a Europa e na África. Estas pequenas estatuetas com grandes ventres, seios repletos e volumosos, coxas grossas, eram representações de Deusas Mãe, A Velha Religião assim como e chamada o Culto de origem matriarcal, que antecede os cultos patriarcais, mas este assunto abordarei em uma outra oportunidade, também era uma religião de Êxtase. Estas Deusas foram chamadas de vários nomes:

Na Índia temos a Deusa Dravica, Kalí.

Da Venezuela a Deusa Puana, a serpente que criou Kuma a primeira Mulher, de quem nasceu todas as coisas vivas.

O povo Fon do Daomé reverencia Nana Buruku a Grande Mãe que Criou o Mundo.

Mas voltando ao Orixás e ao Xamanismo.

O Culto dos Orixás que ficou muito conhecido no Brasil, também é uma prática de Xamanismo.

No Culto dos Orixás, possui um sistema complexo de Hierarquia, e modalidades tais como:

Cultos de:

Orunmila Ifá. Ilé (Casa, templo) de Orunmila Ifá.

Ilé Ase Orixás. Candomblés de, Jeje, Ketu, Nago, Angola dentre outras.

Ilé Egun. Casa dos ancestrais.

As práticas xamanicas tem com o base a utilização das forças da natureza. O culto de Orunmila-Ifá e dos Orixás também tem o objetivo de cultuar e utilizar estas forças; Fogo, Terra, Ar, e Água. Para isto o Ologun ( o mago), na primeira iniciação do Culto de Ifá, passa pôr um longo tempo de treinamento e estudos para poder aprender a jogar o jogo oracular muito conhecido no Brasil como jogo de Búzios ou Erindinlogun.

Todas as práticas Xamânicas, são necessárias diversas iniciações, aonde o aspirante passa pôr um rito de morte e renascimento, morre para renascer renovado, tem uma experiência de renascimento de transformação de seu interior do seu EU, reedescobrindo a si mesmo,

através do estado de êxtase ou estado alterado de consciência, que os ritos podem proporcionar.

“ÂIYÉ ATÍ IKÚ ÔKAN NÁA NI.”

“Vida e morte: Ambas são Idênticas!”

Em nosso pais hoje em dia as pessoas não podem nem ouvir falar do Culto dos Orixás, em virtude do Culto Ter virado um comércio, e muitos Zeladores de Orixás principalmente dos Candomblés, não generalizando, utilizarem seus conhecimentos de forma errônea, para prejudicar e auto se promover, operando muitas vezes desastres na vida das pessoas. Na maioria das vezes estes maus sacerdotes, não conhecem a fundo a ética, moral e a Filosofia e Religião, Yoruba. as vezes aprendem errado, com seus zeladores, não sabem verificar qual o Odù (destino Pessoal), Orixá e prescrevem ebós (trabalhos mágicos), errados, desequilibrando, psiquicamente, espiritualmente, atrapalhando ainda mais a prosperidade, das pessoas que este sacerdotes atendem.

A tarefa de ser um Omo Awo, filho do Segrego, era uma tarefa muito difícil e patrulhada por severas regras de conduta que deveriam servir de base técnica e moral para sua ação.

O Àwoni não poda procurar a mulher de outro, muito menos a sua ajudante Ritual.

O Awo não podia praticar Âjé, feitiço contra outro Awo ou contra inocentes.

Não poderia conspirar contra seus Irmãos.

Não podia abandonar outro Awo que estivesse em dificuldades, sem tomar providências para que tudo ficasse em ordem com o necessitado.

Não podia falar mal de outro, fora do âmbito de sua confraria, mesmo o outro sendo culpado.

O Awo não podia divulgar o teor das discussões travadas em seus encontros formais na confraria, Sociedade Secreta, mesmo que se tratasse de punição contra culpados ou desagravo de inocentes.

Praticavam a lei da natureza, do respeito, moral e da caridade.

“OYE TI O BA WU ENI NI TA IFÁ ENI PÁ”

“Qualquer que seja a soma que agrade alguém,

E aquela pela qual recebemos para jogar Ifá”

Só por este trecho saberemos distinguir a Boa-Cumba da Mal-cumba.

O Omo Ifá (Filhos do Orixá Orunmila-Ifá) passam pêlos seguintes aprendizados:

Genises Yoruba.

Acima de todas as forças está Deus, Olódùmarè, a Suprema força criadora que dá a existência, a substâncias e ao crescimento às demais forças; os Orixás, e abaixo destes o Homem.

Sabemos que a sede de nossa existência esta centralizada na cabeça (Orí). Segundo os povo Yoruba o Orí a Cabeça esta dividia da seguinte forma:

Orí Òde – Cabeça física.

Orí Inu – Cabeça Interior.

E o Ìpònri – Força Ancestral.

O Ìpònri e uma força de energia vital, esta força esta ligada ao primeiros pais do homem, ligando o Homem a Deus. Esta ancestralidade, matéria massa de origem, os Orixás e os Odùs, possui uma força extraordinária como fundadora do gênero humano familiar, propagada da divina herança vital, emanada de Deus.

O primeiro antepassado, esta força vital é sempre evocada e cultuada nos ritos de iniciação de nos rituais de Bori (rito de adoração ao Orixá Ori, Cabeça). Esta força ancestral que nos trás equilíbrio, Harmonia, prosperidade e Saúde. O Buri e um ritual de renascimento e morte.

Orí Inú é a assência da personalidade do psiquismo, da personalidade da alma (espirito encarnado), que deriva diretamente de Olódùmarè, Deus Supremo. O Ori Inú e nossa essência, aonde Deus Criador soprou o seu hálito, e nos criou. O Orí Inú é o ser interior e espiritual do homem e é imortal.

A cerimonia de Buri tem como objetivo de atingir os três Orís, existem vários tipos de cerimonias de Buri tais como:

Buri de Prosperidade.

Buri Branco

Buri Eje.

Buri de Iniciação.

Buri de apaziquação.

Conforme os milênios foram se passando, com a invasão Islâmica, e Jesuíta em África, hoje em dia o território Africano as religiões predominantes são o Islamismo e o Cristianismo. Após a chamada diaspora, o trafico negreiro, o Culto dos Orixás sofreram muitas modificações também em solo Brasileiro, ervas, rituais, a substituição do vinho de palma pela cachaça, tiveram que sobrer alterações para a nova realidade no novo Mundo. O culto dos Orixás evoluiu muito através dos milênios, assim como outras religiões de nosso globo. Em épocas memoráveis o culto dos Orixás foi a pratica de religião única em todo o solo Africano.

Todas as iniciações, obrigações ate as oferendas ou trabalhos mágicos, visam atingir o Enikéji, o nome dado ao nosso Duplo que vive no Òrun (além). Enikéji do Yoruba, Eni – pessoa, Kéji – Segunda.

O Culto, Ifá-Orunmila e um sistema, religioso, científico e filosófico, que veio da Mãe África, bastante diferente do sistema afro-brasileira, Candomblés, que sofreram muitas modificações, alterações e vários sincretismos, excluindo é claro as casas de Ilé Ase Orixás que mantém as Tradições primitivas vivas, estas casas são chamadas no meio como Casas de Tradição de Orixás.

Mas o sistema Africano de Ifá tem uma diferença grande na forma de iniciação, não a raspagem de Santo, e nem existe o transe de possessão.

ÌWÀ – O Caráter do Ser Humano.

O mais importante valor do povo Yoruba é o caráter, que é o maior atributo do homem. A palavra iwà vem do verbo wà – Existir, Ser. Odùnrin náa ní ìwà, Aquele homem tem um bom caráter. O indivíduo qué ìwà pèlé não entra em choque com nenhuma força humana e supernatural, vive em plena harmonia com todas as forças do universo. E este fato tem um forte peso no julgamento divino e define o bem estar na terra e o nosso lugar futuro após a nossa morte ou renascimento. Olódùmaré o Deus supremo e conhecido como Olúmònokàn, “aquele que conhece todos os corações”, que tudo sabe e tudo vê, e o seu julgamento é correto e absoluto.

As literatura Itans de Ifá é a mais importante fonte de informações dos valores éticos e do sistema de crença Yorubá. Òrúnmìlà estava presente quando tudo foi criado, e procurado para resolver os problemas e dar conselhos. Ifá fala em provérbios:

Ìwà nikàn l’ ó sòro o

“Caráter é tudo o que é necessário.”

Eni l’ orí rere tí kò n’ iwà, ìwà l’ o máa b’ orí rè jé.

“Uma pessoa de bom orí, que não tenha caráter, irá arruinar o seu destino.”

Com certeza nossas atitudes e nosso psiquismo podem afetar nossa prosperidade, se nossos pensamentos forem, negativos, como: Raiva, Depressão, Medos, Mágoas etc. Em virtude disto temos que procurar viver de bem com a vida, olhar as coisas boas e belas que Deus nos deu, Cultuar a natureza e aprender a contemplá-la, ou cultua-la. Como extensão da Grande Obra que é Deus.

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