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Identifique-se com as soluções, não com as confusões.
Lama Gangchen



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O Desafio Da Administração Social

Quatro anos depois de sua fundação, a vila já contava com 51 famílias, somando cerca de 350 moradores. À medida que a população crescia, a administração naturalmente se tornava mais complexa. o ideal de uma comunidade auto-sustentável, que era sonho do Padrinho Sebastião, começava pela alimentação de uma nova geração de crianças já nascidas no céu do Mapiá.

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Com o tempo, o Padrinho liberou o povo para tocar suas próprias colônias e plantações, mas mantendo o compromisso de continuar trabalhando comunitariamente nos plantios e feitios do sacramento, assim como nas construções de uso coletivo. esse compromisso é mantido até hoje na forma de mutirão das segundas-feiras, quando moradores e visitantes se juntam para trabalhar na limpeza dos caminhos nas colheitas dos roçados e em obras de conservação da igreja, entre tantas outras atividades.

Além de organizar a produção de seu próprio alimento, moradia, sistemas de saúde e educação (e por aí afora) a administração pública mapiense tinha como qualquer outra, de manter contato permanente com a lei e as autoridades. Nessa área de atuação, a questão fundiária - isto é, a situação legal das terras em que a comunidade havia se instalado - era das mais complicadas. Ninguém queria que voltasse a se repetir algo como a experiência do Rio do Ouro, quando tiveram que deixar para trás fruto de dois anos de trabalho.

Os primeiros passos para resolver essa questão foram dados pelo Padrinho Alfredo, em sua primeira viagem ao Sul do país em 1984. com cartas de apresentação e de apoio dos membros do exército que haviam visitado a comunidade no rio do ouro, ele se dirigiu diretamente à sede do Incra ( Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Brasília.

O instituto retribuiu a visita, enviando, em 1986, um de seus técnicos ao Céu do Mapiá, onde pode reconhecer as inegáveis realizações comunitárias de um povoado com tão poucos recursos materiais e, até então, quase nenhuma ajuda do governo. antes de voltar para casa, o técnico deixou uma dica preciosa para os administradores da vila: a opinião de que era preciso criar ali algo como uma associação de moradores ou uma cooperativa. assim representados e organizados, teriam um instrumento adequado para respaldar o pedido de legalização das terras em seu nome.

A partir deste parecer, foi fundada, em 1987,a Associação de Moradores da Vila Céu do Mapiá (AMVCM), que desde então, tem cuidado não só da infra-estrutura social da vila, administrando o dia-a-dia dos seus moradores, nos moldes de uma prefeitura, como também dos contatos com autoridades municipais, estaduais e federais. a associação tem um Conselho administrativo e um Conselho comunitário, formado por gestores, nos setores de : produção, saúde, educação, meio-ambiente, mão-de-bra, energia, comunicação, assistência social, transporte, segurança e recepção. Dessa forma, ao longo dos anos, a associação, junto com o CEFLURIS, esteve a frente de realizações e obras das mais importantes para o desenvolvimentoda comunidade, com destaque par a construção da nova igreja, do açude e do cemitério.

Além disso, a AMVCM vem mantendo frutíferas parcerias institucionais com a Secretaria Municipal de meio Ambiente de Pauini, e com toda a prefietura dessa cidade, responsável pela construção de uma nova ponte e de um posto de saúde. as relações com o Governo do estado do Amazonas também amadureceram, com a incorporação da escola da comunidade à rede pública de ensino e a recente doação de um gerador para instalação de uma rede elétrica. Através do Iba,a e do ministério do Meio ambiente, o governo federal também tem apoiado diversos projetos de óleos vegetais, viveiros de mudas para reflorestamento e cursos e formação em agro-floresta.

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Para completar, algumas entidades nacionais e estrangeiras também tem se destacado no apoio à infra-estrutura do Céu do Mapiá, como a espanhola Ingeniera Sin Fronteras (doação de 80 painéis solares e dois fornos de secagem de frutas), a americana Fundação Healing Force of the Forest (apoio para projetos na Casa de Ofícios, Centro Medicina da Floresta, santa Casa, polo de produção e pesquisa de alimentos na Cachoeira e praia do Purus, telecomunicação e Cozinha Geeral0 e aprata da casa APAS (Associação de Produtores de Arte e Seringa), que tem realizado obras de vulto como a quadra de esportes para a escola, a casa das crianças, além de melhorias, para uma igreja, da urbanização da praça central e de um valioso trabalho de assistência social.

O Desafio da Proteção Ambiental

As riquezas naturais da Amazônia e a necessidade de defendê-la da devastação finalmente passaram a ser assunto de destaque na segunda metade da década de 80. A mensagem de Chico Mendes atravessava as fronteiras brasileiras, chamando a atenção de todo o planeta para a floresta e para as lutas social e ecológica dos seringueiros. Discutia-se a idéia de Reserva Extrativista como modelo de ocupação para a região e o Congresso aprovava a criação de um Ministério do meio Ambiente.

Datam dessa mesma época os ensaios dos primeiros projetos de cunho social para a vila, a batalha pela oficialização de sua escola, a tentativa ainda tímida de achar caminho para a inclusão social e a cidadania. A resolução da questão fundiária continuava sendo uma das principais metas da associação de Moradores, mas a intenção de obter a posse de uma área para a comunidade esbarrava na forma de colonização do incra, que só permitia titular lotes de 100 hectares por família.

Foi então que um grupo da irmandade daimista do rio de Janeiro, liderada pelo psicólogo Paulo Roberto Silva e Souza, se empenhou em reivindicar, junto ao governo federal, a criação de uma reserva florestal na área da Comunidade do Padrinho. A iniciativa obteve sucesso em agosto de 1989, quando foi criada a Floresta Nacional do Purus e do Mapiá - Inauini.

Dois meses epois, a vila era visitada por Fernando Cesar Mesquita, presidente dom IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) , órgão que, em pouco tempo, seria substituído pelo ibama. Noticiada com destaque pelos jornais de rio branco, a visita marcou a assinatura do primeiro convênio entre o governo e a Associação de Moradores do mapiá, garantindo a esta o direito de explorar os recursos naturais renováveis de uma área de quase 6000 mil hectares.

o problema foi que o projeto acabou paralisado durante a crise gerada pelo consfisco das poupanças durante o gopverno Collor. O Ibama naõ tinha condições de manter sua presença na região nem de levantar recursos para a formulação de um Plano de Manejo, sem o qual nada pode ser feito dentro de uma Floresta Nacional.

Nada mais aconteceu até 1995, quando representantes da AMVCM e do Cefluris se reuniram em Brasília para lançar as bases de um novo projeto institucional organizacional e administrativo para o Céu do mapiá. Um ano depois, era finalmente assinado um termo de cooperação técnica com o Ibama, inicialmente apenas alguma ações foram ensaiadas e realizou-se um levantamento sócio-econõmico da população da vila, que hoje, continua discutindo um modelo de exploração econõmica dos recursos naturais da floresta - preparando, inclusive um Plano de Desenvolvimento sustentável com a acessoria de oranizações não-governamentais e do próprio Ministério do Meio Ambiente.

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