A Parteira Mad. Cristina
do site: http://www.amigasdoparto.org.br/ce_obstetricia_04_06.asp
ENTREVISTA COM A PARTEIRA MADRINHA CRISTINA
CURITIBA (PR) 2004 - ADELISE NOAL MONTEIRO – MÉDICA E PARTEIRA
A sabedoria divina que Deus me dá... eu
...não tenho que negar.
Mad. Cristina
Somente pela nossa ação é que se torna manifesto quem somos de verdade. Somos como o Sol que alimenta a Terra e produz tudo o que há de belo, de estranho e de mal; somos também como as mães que carregam no seio a felicidade desconhecida e o sofrimento. De início não sabemos o que está contido em nós, que feitos sublimes ou que crimes que espécie de bem ou mal. Somente o outono revela o que a primavera produziu, e somente a tarde manifesta o que a manhã iniciou.
C. G. Jung
Conto aqui as histórias da parteira Madrinha Cristina, que viveu seu mito pessoal a partir de sua designação interior.
Em outubro de 2004, numa manhã em Curitiba, chego. Uma missão a ser cumprida. Entrevistar e fotografar a madrinha Cristina, figura muito querida e respeitada por toda a irmandade do Santo Daime. Precisava colher dados sobre seu trabalho como parteira, para ilustrar o painel Arte de Partejar. Painel este, apresentado através da Associação C.H.A.V.E. – Centro de Harmonia, Amor e Verdade Espiritual, dentro das atividades do Fórum Social Mundial de 2005, sediado em Porto Alegre.
Combinamos de nos ver de novo na floresta, no festival de verão, pois iria continuar as entrevistas com outras parteiras da comunidade do Céu do Mapiá.
A vida quis que esse encontro fosse um pouco depois, e de forma simbólica, no Cais do Porto de Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, em janeiro, três dias depois do seu vôo de alma.
Foi numa linda manhã de sábado com sol nascendo e a lua ainda branca e cheia no céu, barcos indo e vindo no seu movimento do início do dia.O local armado para a apresentação no Fórum, ficava ao lado do barco atracado no Cais. Cisne Branco – barco de passeio pelas ilhas do Guaíba. Ao ver essa paisagem, lembrei das barrancas do rio Purus por onde tantas vezes seus olhos passaram...
A emoção do momento associado às referências simbólicas que meus olhos viam trouxeram à tona muitas imagens, que é possível identificar como qualidades suas.Representações na mente se formaram:
Cisne...
Poder da mulher
Penetrando o espaço sagrado
Tocando o futuro
Ainda por acontecer
Trazendo a graça eterna;
“Percorrendo todas as culturas, o cisne , ave imaculada cuja brancura, cujo poder e graça fazem uma rica epifania da luz... Duas alvuras, duas luzes; a do dia solar e máscula e a da noite lunar e feminina. Esses mitos retomam a representação egípcia da hierogamia Terra-Céu: Nut a deusa do céu e fecundada por Geb deus da Terra, trata-se então, neste caso da luz lunar leitosa e doce de uma virgem mítica. .. É na luz pura da Grécia que a beleza do cisne macho, inseparável companheiro de Apolo, foi celebrada com maior nitidez. Nos mitos, essa ave uraniana é igualmente o elo de ligação, por suas migrações anuais, entre os povos do mediterrâneo e os misteriosos Hiperbóreos. Sabe-se que Apolo, deus da música, da poesia e da adivinhação nasceu em Delos num dia 7. Cisnes sagrados circularam, nesse dia, sete vezes em torno da ilha. Depois Zeus entregou à jovem divindade juntamente com a lira um carro puxado por cisnes brancos.” O cisne ensina render graça ao ritmo do universo e a abandonar o corpo físico para penetrar na dimensão dos sonhos.
No final do painel veio a sua apresentação, imagem e som...E ali, diante de todos, seu ofício de parteira tradicional do Santo Daime, sua vocação, seu trabalho aglutinador como madrinha dentro da comunidade do Céu do Mapiá.
Hoje, treze dias depois, no último dia da onda encantada da noite azul que lhe levou, conforme o Calendário Maia, caminhando a beira mar, vejo sua imagem e junto vem a inspiração para escrever essas lembranças.
Contar e compartilhar:
A Madrinha Cristina estava sentada à mesa, após o café, rodeada por seus filhos e afilhados. Logo começamos a entrevista, nós duas e Lúcia Arruda, fiel amiga e acompanhante no processo de sua doença. De forma atenciosa foi respondendo as perguntas e relembrando... Não só sua atuação como parteira, mas também fatos importantes que marcaram sua vida, seu encontro com o Padrinho Sebastião, a ligação de parentesco pelos casamentos cruzados que determinaram a formação de uma grande família, estabelecendo laços de afetividade profundos, dimensionados espiritualmente por esta bebida sagrada.
A Madrinha Cristina estava fazendo um tratamento médico devido a doença broncopulmonar obstrutiva crônica grave. O tratamento em Curitiba lhe deixava um pouco melhor fisicamente, a saudade do Céu do Mapiá, por outro lado, era uma presença constante, e apesar das visitas freqüentes de familiares e amigos, queria voltar para a floresta e passar os festejos do Festival de Verão com todos. Festejos da Doutrina do Santo Daime.
Assim, ela vivia em prática de orações aprendendo a sutileza de respirar com o mínimo de oxigênio, como uma moradora das altas montanhas andinas, onde o oxigênio é escasso. Se ocupava de pequenas costuras.Costurando, ia tecendo um bordado com os fios de sua memória, cada fio puxava uma experiência que juntas formaram a mulher sábia à minha frente.A mamãe- velha como dito por ela mesma, Nana Burukê.
Lembrava também, para mim, de uma divindade grega, a deusa Atená – deusa guerreira, que defende suas Acrópoles, deusa da fertilidade do solo, da inteligência, da razão, do espírito criativo e de toda e qualquer atividade do espírito. Deusa da Paz, é a boa Conselheira do povo e seus dirigentes. Ela é a guia das Artes, e com o título de Obreira preside os trabalhos femininos da fiação, tecelagem e bordado, aos trabalhos das mulheres na confecção de suas próprias indumentárias, como tecera ela mesma, sua túnica flexível e bordada.
Essa mesma qualidade de tecelã se aplica a outra idéia mítica, as fiandeiras que tecem os fios da vida humana aqui na terra. A idéia da vida e da morte é inerente à função de fiar. Cloto é a fiandeira que segura um fuso e vai puxando o fio da vida, é a parteira.
Láquesis é a que enrola o fio da vida, é a que abre os caminhos da experimentação existencial. E Átropos, a inflexível, que corta o fio da vida.
Fui compreendendo que no final de sua experiência na terra, a Madrinha Cristina penetrara na freqüência das altas montanhas, como uma iniciada que era, fazia sua peregrinação de ascensão e compartilhava com todos o significado deste ajuste espiritual.
Nos degraus da escada, na porta da Clínica, nos despedimos.
Tenho na memória a luminosidade daquele dia... a luminosidade daquele momento... Último instante... a luminosidade do seu olhar que transpunha a limitação física, enquanto me abençoava.
Ainda uma vez mais ela conseguiu rever sua casa, seus amigos e afilhados no Céu do Mapiá e comemorar seu 67* aniversário, em 9 de janeiro de 2005.
Neste mesmo mês, o Céu do Mapiá, passava por uma epidemia viral com uma conseqüente tensão no ar... E o dia 26 de janeiro nasce silencioso como se os pássaros, as borboletas, o vento, toda a natureza se enlutasse diante do acontecido. Assim me foi descrito, de forma poética, por uma afilhada sua.
A Madrinha Cristina, se reencontra com Mestre Irineu, contado por ela mesma, através de suas últimas palavras:
Meu Mestre!
Era o primeiro dia da Onda Encantada 15, da Noite Azul Magnética, cuja freqüência ressonante é:
Unifico com o fim de sonhar
Atraindo a intuição
Selo a entrada da abundância
Com o tom magnético do propósito
Sou guiado pelo meu próprio poder duplicado;
Uma seqüência de cânticos e orações acompanharam seu rito de passagem para a dimensão dos sonhos. O Céu do Mapiá, a partir daquele momento, refletia e recebia uma energia de devoção e fraternidade, vibração espiritual de todas as igrejas do Santo Daime, espalhadas pelo mundo.
Distantes da floresta Amazônica, no paralelo 30 sul, Porto Alegre, estávamos, a Vera Froes e eu, nos dirigindo para o setor da Economia Solidária, no primeiro dia do Fórum Social Mundial, 26 de janeiro, quando recebemos a notícia da sua suspensão do espaço-tempo, da tridimensionalidade.
Nós, tão longe espacialmente, também sentimos a mesma suspensão. Assim, quis o destino que sua participação no Fórum Social Mundial, contando sua prática de parteira tradicional do Santo Daime, sua devoção espiritual, seu modelo como madrinha de toda comunidade do Santo Daime, se transformasse numa homenagem póstuma. No dia 29 de janeiro, três dias depois, pela manhã, no Cais do Porto, no painel “A Arte de Partejar”
Ali, na apresentação da entrevista que havia feito em Curitiba, sua voz, sua candura de madrinha, tocou emocionalmente os presentes no local, e de forma espontânea se fez um minuto de silêncio preenchido de lágrimas nos olhos. O arquétipo da morte e do renascimento foi constelado e canalizado.
Como diz o hino da Nonata, sob inspiração de seu pai, o Padrinho Sebastião:
... Sua presença transparente, quem ouviu chorou, quem viu se emocionou...;
Obrigada Madrinha Cristina, por nos presentear com seu brilho e transmitir sua sabedoria intuitiva, formando um elo de ligação afetivo-emocional entre o Norte e o Sul do Brasil, irradiado para todo planeta através da convergência de idéias de reconstrução, debatidas no Fórum Social Mundial em Porto Alegre.
Não tem nada pra explicar... tá tudo dito...
Mad. Cristina / Curitiba, outubro 2004.
Adelise - Como começou seu trabalho de parteira? Como a senhora aprendeu?
Madrinha - Rapaz! ... o trabalho começou pela intuição, meu padrinho me mandou, pra eu fazer um parto com o Santo Daime e eu fiz. Chego lá, faço as minhas preces a Nossa Senhora do Bom Parto, acendo o ponto da vela junto com o Santo Daime e aí início, rezando a prece. Dou um pouquinho de Santo Daime pra mulher e nós ficamos ali, dando aquela assistência a ela conforme as contrações que ela vai sentindo. Porque às vezes vêm as contrações e não é a hora do parto. Quando dá a primeira dose do Santo Daime ele vem e controla. Ás vezes passa o dia, quando é no outro é que vai iniciar. Ás vezes é pra logo e então, em pouco tempo antes de terminar a vela o trabalho tá realizado. Aí eu dou a segunda dose, vem vindo as contrações e eu vou ajudando também. Quando chega a hora, o nenê vem fácil, eu pego. Depois vem a placenta.
Adelise - E os instrumentos?
Madrinha - Os instrumentos, eu mesma faço. Depois que nasce o nenê, eu não corto o cordão em seguida, deixo ele ali. Aí, vou rezando as minhas preces, mexendo na mulher
(manipulação do abdômen, massagens) pra placenta descer, quando ela desce, aí, eu vou e corto. Corto com tesoura, pinças que me deram. Amarro com um cordão, coloco o Santo Daime com algodão. Faço isso até cair. Todo dia molhar com Santo Daime.
Adelise - Como a Senhora aprendeu o ofício de parteira? Como foi seu primeiro parto? Quem lhe ensinou?
Madrinha - Eu assisti em mim mesma, que a minha sogra fez e eu prestava atenção. Depois eu já era ajudante dela.
Adelise - A sua sogra era uma parteira! Como era o nome dela?
Madrinha - Maria, Maria Francisca das Chagas, já faleceu.
Adelise - Morava no Mapiá?
Madrinha - Era a mãe do meu esposo, aí aprendi com ela. Ela foi ficando velha e passaram pra mim e eu fui fazendo e fui passando pra outras.
Adelise - Pra quem que a senhora passou?
Madrinha - As que estão com a gente.A Maria Brilhante, sua filha Osmarina também. A Dalvina e a Maria Francisca. Elas aprenderam com a mãe delas que também era parteira. A Maria Corrente. A Maria Nogueira a mais antiga, chamada para os partos mais complicados. Ela é rezadeira. A Silvia, minha filha e a Rosa acompanham, dão assistência as parteiras.
Assim a gente vai aprendendo umas com as outras. A gente se reuni, aí fica junto.( ficar junto com um sentimento de comunhão) E agora apareceu na nossa comunidade uma médica. Então, ela ajuda mais porque é médica.
Adelise - Quando uma mulher entra em trabalho de parto vocês vão juntas?
Madrinha - Não, vai uma ou duas pra auxiliar. Depois a gente vai lá fazer uma visitinha. Porque ninguém quer muita gente, é bom pouquinha gente pra dar assistência ali. A gente sempre se reuni e conversa quando tá junto, passando como é e tal... Aí cada uma tem as suas entidades que acompanham a gente e que pode ajudar naquele trabalho.
Adelise - Nesse sentido espiritual, quem a senhora buscava quando fazia os partos?
Madrinha - Rapaz! ... Eu sempre busco Deus primeiramente nas alturas e meu Padrinho foi quem me deu essa virtude aqui na terra.
Adelise - Padrinho Sebastião?
Madrinha - Sim, E também a minha sogra, porque eu aprendi com ela e eu sinto ela ao meu lado. E o meu protetor, que eu também tenho, o meu anjo da minha guarda, meu guia espiritual.
Adelise - Quantos partos a senhora fez?
Madrinha - Uns 50 partos. Aí parei. Quando me chamam eu boto outra, porque peguei esta doença aí. Ela tem DBPOC – doença pulmonar obstrutiva crônica. Pra fazer parto é preciso ser sadio. Ás vezes o nenê nascia e eu não tinha os aparelhos. Era preciso colocar a boca pra tirar as secreções do nariz, puxar pra ele respirar. Eu fazia tudo isso porque não tinha os aparelhos.
Adelise - Quando tinha laceração do períneo, como fazia?
Madrinha - Ficava assim mesmo, fazia cozimento de ervas, banho de assento todo dia., de manhã e de tarde. Passava mercúrio e até o Santo Daime no local.
Adelise - Quais as plantas usadas?
Madrinha - Cajueiro, algodoeiro, as folhas. Ia cicatrizando, era assim, tudo naturalmente.
Adelise - A senhora teve algum problema de hemorragia no parto?
Madrinha - Graças a Deus não. Já nasceram dois nenês de bunda.
Adelise - A senhora nem sabia ?...
Madrinha - Nem sabia, quando vi fiquei admirada. Mas aí tem que confiar. Botei a mulher num assento, num banquinho. Porque deitada é muito ruim Ou até de pé mesmo. Seguro.... A mulher faz força e mando abaixar...
Uma delas, foi a filha do Padrinho e outra senhora lá. Mas foi rápido, foi saindo, eu fui ajudando com a mão e com o dedo, na força... A gente pega...não é como no hospital... e dá assistência a mulher e o nenê durante 8 dias depois do parto. Fico cuidando do nenê, dando banho, cuidando do nenê até o umbigo cair. Só depois vai. Sendo perto de casa, a gente vai todo dia, até completar 8 dias.
Adelise - E fica durante todo trabalho de parto com a mulher ali?
Madrinha - Todo tempo. Ninguém sai. A gente fica, dá um purgante. Óleo de rícino e chá de laranja.
Adelise - Massagem a senhora faz?
Madrinha - Fazia sim. Apalpava.... balanço nas cadeiras na hora da contração... É muito bom! As mulheres dizem:
-Ai Madrinha! Chega aqui!... Passa a mão aqui!... Que alívio!
Adelise - E o Daime, como a senhora avaliava a dose a ser tomada?
Madrinha - Ás vezes eu dava assim... Primeira dose dois dedos. Na primeira hora, se acelerava, dava mais um dedo. Se a contração aumentava, eu dava mais um pouco, um dedo, de meia em meia hora. Ás vezes é rápido. E tem vezes que depois da primeira dose, o Daime acalma. Parece uma força de lua, uma coisa que o nenê tá sentindo. E às vezes passa uma noite e volta no outro dia e recomeça a tomar o Daime, e vem...
Adelise - E o período expulsivo como a senhora conduzia?
Madrinha - A hora que dá vontade de empurrar... Toma o Daime mais um pouquinho... às vezes fica ali, vai e volta, e com o Daime... Tuft! ... E sai mesmo. A placenta se demora, com o Daime sai. Vai balançando o cordão. E ela vem, se puxar... Aí , fica tudo limpinho. Peguei meus netos, todos os bisnetos e outros. Um punhado de gente. Eu sou a mamãe velha!...
Adelise - Quando a senhora fazia os partos, trabalhava com alguém lhe auxiliando?
Madrinha - Com uma filha ou sempre com a assistência daquelas que fazem parto também, a Dalvina que a mãe dela também foi parteira. Nós duas juntas, era uma beleza! Ela tem a força dela, eu tenho a minha. A gente junta as duas forças. Ela sabe como é. Fica tudo mais fácil.
Adelise - A senhora nunca fez parto sem o Daime?
Madrinha - Nunca fiz. Só os meus, dos primeiros filhos foram sem Daime.
Adelise - Então a sua sogra já era parteira antes do Daime?
Madrinha - Depois que eu passei pro Daime, mudou o ritmo da gente com o Santo Daime. Tinha a bebida e era natural o nascer.
Adelise - Como a senhora combinava para fazer o parto?Acompanhava a gravidez ou era só na hora do parto?
Madrinha - Ás vezes eu tava em casa quando chegava alguém:
- Madrinha! Mandaram buscar a senhora para fazer um parto. E eu ia. Ás vezes nem conhecia. Ali no Purus. Ás vezes no trabalho de Daime começava e eu tinha que sair do trabalho para fazer o parto. Era assim, eu não dei assistência os nove meses. A gente dava umas orientações quando elas pediam e algumas massagens. Só agora com a Guete, se faz isso. Ela é médica.
Adelise - E o material para fazer o parto?
Madrinha - A gente comprava uma tesourinha... queimava com álcool. O cordão umbilical prendia com cordão
Adelise - Quando aparecia uma mulher com parto complicado ou gravidez de risco, como vocês descobriam o problema?
Madrinha - A gente via e levava pra Boca do Acre. Mas eu, graças a Deus, no tempo que eu pegava menino, nunca tive este problema. Agora tem uma médica lá, que faz o encaminhamento, se precisar. Na floresta a gente tem que se socorrer com o Senhor Divino, com Deus e tomo Daime e expulso tudo. Muita gente sangra muito, toma Daime e fica bom.
Adelise - O que a senhora entende sobre a ação do Daime na hora do parto? Como ele funciona? Ajuda na força da contração, no alívio da dor, na mãe que fica calma?
Madrinha - Ele ajuda, funciona muito bem. A gente reza confiando em Deus, primeiramente, que está nas alturas e naquela bebida que a gente consagra, um Ser divino, na Virgem Mãe Soberana que é nossa guia. Nós chamamos pela Virgem Soberana Mãe e o Nosso Patriarca, e eles vêm nos ajudar. E eu acho que ele dá aquela força muito boa, expulsa muito bem, cuida muito bem. Porque o invisível é coisa que a gente não vê. Ele chega e faz o trabalho e você fica até admirada! Agora, o invisível é coisa que a gente não pode explicar pra ninguém. A Nossa Santa Maria, a Nossa Santa Mãe de Deus que nos ajuda a dar calma e paciência e é a Nossa Diretora de todo nosso trabalho, que sem a Mãe nós não somos nada. Só é com o Pai, a Mãe e o Filho e o Espírito Santo que é o Divino e com esses nós estamos aqui. Não posso dizer que não estou com estes seres porque é quem nos acompanha. Consagro no meu coração e serei eternamente filha de Deus.
- Desculpe sou chorona! Me emocionei...
Adelise - Não Madrinha, a senhora é uma flor! É que o parto tem uma intensidade emocional muito grande, então, a senhora, lembrando de tudo...
Madrinha - É coisa muito fina mesmo, a gente ali tá, chega na hora do parto, a responsável por tudo é a gente e na floresta principalmente. Por isso que eu digo, eu confio nos seres que me acompanham. Se eu não confiasse, eu não faria. Por que eu não sei, quem sabe é ele, o Daime. Ele me ensina, e eu faço. E aí, eu apresento o saber que ele me ensina!
Adelise - A senhora chegou a fazer partos em mulheres que não eram do Santo Daime? Ou todas sempre eram da comunidade?
Madrinha - Não, eu fiz sem ser do Santo Daime.
Adelise - Então a senhora levava o Daime pra elas tomarem?
Madrinha - Levava, se ela quisesse com o Daime eu fazia, se não quisesse eu não fazia. Só se o menino estivesse saindo eu pegava, mas dizia também que eu não era responsável. Com o Daime, eu sou.
- Quer tomar o Daime? Se ela falava quero... Então, tomou... Aí eu ficava tudo bem, aí muda tudo, Porque a gente tá com o Daime e ele é quem... Mais sem o Daime... Rapaz! Sem o Daime, eu não faço parto não! Se ela diz: - Eu quero. Aí eu dou.
Adelise - As que não eram da comunidade e tomavam o Daime no trabalho de parto, como reagiram, o que elas disseram?
Madrinha - Muito bem, se sentiram muito bem, carinhosas!... Também eu dou de conformidade porque eu não vou... Eu dou pra ajudar a fazer o parto. Depois, se ela quiser continuar, né... Se não quiser... Às vezes continua, às vezes não. Só vem na hora da história mesmo e deixa... Isso é de cada um, mas o meu trabalho, eu só apresento com ele.
Adelise - Quais são as outras coisas que a senhora faz durante o trabalho de parto?
Madrinha - Defumação. Eu faço aquela defumação no quarto. “ Defuma esta casa bem defumada, com a cruz de Deus ela vai ser rezada” Aí a gente defuma todo quarto, defuma a mulher também. Isso é uma ajuda espiritual. Afasta também aqueles espíritos que estão ali nos arrodeando para incorporar naquele ser que vai nascer. A gente fica chamando as coisas boas, cantando hinário, liga o gravador, cantando os nossos hinos, as nossas chamadas. Boto o hinário do Padrinho Sebastião, da Madrinha Rita, bota do Mestre Irineu, do Padrinho Alfredo, aí vem chamando até que chega o nenezinho. Todo mundo feliz, satisfeito. Então esta defumação, são as ervas que nos ajudam a afastar as coisas ruins que nos arrodeiam. A gente só chama coisa boa.
Adelise - A senhora lembra de algum parto que lhe chamou mais atenção e que quisesse contar pra nós?
Madrinha - Só esse mesmo de dois, que precisou ir na maternidade. Lá na Cinco Mil ainda -perto de Rio Branco, no Acre. Porque teve o primeiro, foi normal mas o segundo quando veio, eu não tinha feito nenhum parto assim de dois. Ele botou só a mão e eu não sabia movimentar nem nada, ainda até levei lá. O médico tinha dito pra mulher que um estava bem e o outro atravessado, que ela fosse ter no hospital, mas ela não queria ir .Aí eu disse, vou pegar o menino, mas se houver um problema na hora eu mando levar e assim a gente fez. Levamos, teve que operar.
Adelise - Deu tempo de salvar o nenê?
Madrinha - Não, quando chegou lá, ele faleceu. Só esse, por aí eu fui ficando meio... Esse negócio de dois eu não quis saber não. Mas já faz anos, foi quando eu comecei. Agora já os meninos, tá tudo grandão, os que eu peguei. Só esse, o resto tudo foi bem.
Adelise - Quanto tempo faz que a senhora parou de fazer parto?
Madrinha - Acho que foi do Artur o último. Faz 7 anos.
*Lúcia Arruda*( acompanhante da Madrinha)- Mais sempre ela dá assistência.
Madrinha - Uma assistenciazinha ali...
Lúcia - O pessoal confia muito.
Madrinha - De eu estar lá.
Lúcia - O pessoal pede, mesmo que a senhora não pegue, esteja perto. Que ela dá ajuda as parteiras mais novas, então, mesmo que ela não esforce...
Adelise - Ela dá segurança.
Madrinha - Dou segurança ali.
Lúcia - “Faz isso menina. Manda a mulher pra deitar.” Eu já vi ela fazer esse trabalho, e sei que é muita intuição. Ela tem muito jeito. Pra cada caso... não é uma coisa técnica, igual pra todas. Ela tem aquela sensibilidade para saber o que a mulher precisa. Mulheres mais agitadas, ela consegue acalmar. Mulheres que são mais moles, ela já agita pra mulher não dormir. Ela tem a sensibilidade pra saber se está perto, se vai demorar, coisas que o olho dela vê. O olho já espiritualizado nesse sentido. Ás vezes, é engraçado, ela descobre quando a mulher tá grávida e a mulher nem sabe ainda. As próprias mulheres que estão gestantes confiam muito nela, às vezes mais que em médico. Então, isso não deixou que ela deixasse de vez, se aposentasse dessa tarefa. Tem casos que a mulher grávida diz: “Madrinha, eu quero que a senhora esteja. A senhora tem que estar!” Ultimamente ela não tava nem bem, com falta de ar. Uma mulher foi ter nenê, foi preciso ela ir, foram buscar. Foi ela botar o pé lá. O nenê foi nascendo. Só a presença dela assim dando força, sabendo dar uma dose boa de Daime. Porque o Daime sabe, na hora da contração. Aí o Daime vai, e dá pra mulher o que ela precisa. A Calma ou a força, e a Madrinha tem muito essa sensibilidade intuitiva.
Quando começou a chegar a medicina, eu notei que as próprias parteiras ficaram mais inseguras. Quando era só elas na comunidade, não tinha pra onde correr, só elas mesmas. Mas agora como chegou médico, elas já ficam mais inseguras ou as próprias gestantes também ficam mais medrosas. Tudo isso tem. Chegou uma modernidade e as próprias gestantes vão procurar o centro médico, têm medo, vão fazer cesariana essas coisas todas que chegou.
Madrinha - Mas a Guete (médica da comunidade) também é com o Daime. Ela entra com a gente também.Ela dá uma força também. Se precisar cortar ela sabe, pontear também. A gente dá a assistência pras irmãs, mas nenhuma de nós temos documento de ser parteira profissional. Só parteira da nossa comunidade. A gente é chamada pra aqui e acolá, e a gente vai.
Adelise - A senhora sabe se já tem uma parteira do Daime no Juruá?
Madrinha - Sei não, eu fui lá só uma vez, logo quando começou, quando abriu. Agora nunca mais. Mais elas normalmente andam umas com as outras, as irmãs nossas com as outras caboclas. Tem muita velha, idosa, antiga. Isso tudo é velho e sabido. Lá é que é bom fazer essas coisas com aquelas velhas lá. Ir lá, dá uma viajada lá, É uma beleza assim... De conhecer, vai lá você um dia, mais a turma aí. Pois é, tem que dar uma combinada aí com o Padrinho Alfredo e vai fazer estes trabalhos lá.
Adelise - E a Madrinha Rita tem este ofício?
Madrinha - Não, parteira não. Ela tinha a mãe dela que era minha sogra, mãe do Neo que era parteira.
Lúcia - Já é falecida a Mãinha, mãe da madrinha Rita e do Padrinho Neo. Ela que era a grande parteira da família que ensinou pra Madrinha Cristina.
Adelise -Como era o nome dela?
Madrinha - Maria Francisca das Chagas.
Lúcia - Ela tinha todo material necessário. Uma balancinha.
Madrinha - Quem tinha era a Dona Maria Corrente, mãe da Dalvina. Quando ela faleceu passou pra mim. Ganhei dela. Mas a gente dá pra uma, dá pra outra, e quando vê perderam. A Dona Maria Corrente tinha a bolsa que ela fez lá em Rio Branco.
Adelise - Ela fez um curso de parteira?
Madrinha - Eu acho que sim, que ganhou a bolsa...
Mas tá bom. Depois vocês... Pra frente todos chega... Uma nova documentação...
Adelise - Então, a Maria Francisca da Chagas, mãe da Mad. Rita, Pad. Neo e Mad. Júlia é quem a senhora considera como sendo a primeira parteira, a mais antiga?
Madrinha - Pra mim foi, que eu aprendi com ela. Ela fazia em mim, por mim, eu via ela fazendo em mim.
Adelise - Quantos filhos a senhora teve?
Madrinha - Eu tive 14. E ela foi quem... Só dois que eu não tive com ela. Fui pra maternidade no primeiro e o segundo tive na casa da minha mãe. Aí depois, foi só com ela mesmo. A família foi crescendo e eu não podia mais sair de casa e ela sabia fazer. Eu disse: - É aqui mesmo. O resto todos foi com ela.
Adelise - E quando é que começou a usar o Daime nos seus partos?
Madrinha - Meu mesmo, só tive o último com o Daime. Os outros todos não usava Daime, ainda.
Adelise -Ela usava alguma erva?
Madrinha - Só usava o purgante de mamona com chá de hortelã, chá de sene...
Adelise - E as ervas pra fazer banho de assento?
Madrinha - E estas ervas que a gente fazia os banhos de assento... Só isso.
Adelise - A senhora pode repetir pra mim?
Madrinha - Folha de algodão, casca de cajueiro. A gente bota pra cozinhar, faz aquele chá, uma pitada de sal, um óleo de andiroba, copaíba que a gente faz. Tudo isso é cicatrizante. Também as garrafadas de cachaça, tomilho, alfazema que a gente fazia. Outras ervas pra toda hora que tomava banho, tomava um dedinho, pra fazer uma limpeza por dentro. Nesse tempo que a gente não tomava Daime.
Lúcia - Então, está tendo uma transformação. Por exemplo, as mulheres que estão tendo nenê hoje, ficam até sentidas, porque elas não tem mais aquelas parteiras fortes como tinha... A Madrinha Cristina, a Maria Nogueira, parteira que a mulher confiava, sabia que o negócio era curto. Hoje em dia não está tendo uma formação assim como a Mãinha que passou pra Madrinha Cristina. Não sei a madrinha Cristina já espalhou muito. Mas não sei se despertou uma como ela. As filhas dela são todas muito jeitosas, mas não sei se tem uma que tenha recebido da senhora o bastão, a vocação. Será?
Madrinha - A Sílvia, ela se dedica para as outras mulheres.
Adelise - Mas a Sílvia chega a fazer parto?
Madrinha - Sozinha não.
Lúcia - Sozinha não, mas ela tinha aquela presença, quando ela chega ela sabe administrar um Daime, ela sabe fazer uma massagem na mulher. São presenças, para um parto caseiro, muito importante. Faz uma reza, faz uma corrente, percebe no ambiente se a mulher esta esmorecendo. Parto em casa precisa da corrente das mulheres. Embora, que são partos muito naturais, muito silenciosos. Tem uma coisa interessante, você só contagia com a presença da criança, diz o sexo, depois que a mulher desocupou. Antes disso o trabalho tá fechado ainda, nenê já nasceu. A madrinha também é muito jeitosa com o nenê. Mesmo que ela não esteja fazendo o parto, o pessoal quer que ela esteja ali pra pegar o nenê. Parto normal, tudo bem ritualizado.
Adelise - O que é desocupar?
Madrinha - É a saída da placenta.
Aí eu rezo uma prece:
Minha Santa Margarida,
não sou prenha nem parida,
me tira essas carne morta,
que eu tenho dentro da minha barriga,
que eu quero passar pelo rol das paridas;
Aí dá uma cutucadinha na placenta, na barriga...
Lúcia - Se for preciso, mais um Daimezinho.
Madrinha - Mais um Daimezinho... Manda se levantar um pouco, ficar em pé um pouco também. Aí fico ali, dou um Daimezinho, dou massagem, mando sentar de novo. A gente bota água quente num vaso, manda sentar em cima e observar, quando demora ... quando não demora. Logo... De repente vem. Depois de sair, aí fica todo mundo animado. Aí a animação reina na casa.
Lúcia - Tem um ritual também, quando o nenê tá nascendo a gente canta o hino do Mestre Irineu.
Madrinha - Sol, Lua , Estrela. Quando ele vem apontando, vem saindo... Shuuummm! Aí ele sai...
Lúcia - Então eu acho, que é mais uma força espiritual que chega. Na hora, ela tem o dom de curandeira, tem aquele olho bom pra saber o que precisa naquela hora. Que é mais essa sensibilidade... Não é uma coisa técnica.
Madrinha - A intuição é quem manda na hora, né.
Lúcia - A intuição não só pra parto, todo mundo quando tem nenê sente.
Madrinha - Os caboclos, revela tudo. Às vezes tem muita gente que atua nos aparelhos, se vê os caboclos atuados, na hora que a gente tá no trabalho espiritual. A gente não sabe nem explicar, mas você, porque toma Daime, também sabe, e faz o parto também, sabe como é... Então, não tem nada pra explicar, já tá tudo dito.
Num outro momento da entrevista Lúcia canta um hino presenteado para a Madrinha Cristina.
Estou aqui, estou aqui,
porque Deus me determina.
Eu estou com a Virgem Mãe,
meu Padrinho e minha Madrinha.
Meu Padrinho e minha Madrinha
eu quero vos agradecer
por essas lindas palavras
que me fez renascer.
Na alegria e na esperança
dentro do meu coração
de receber a vida
através da respiração.
Confia, confia, confia
nas minhas palavras
que há muito tempo eu deixei contigo
através da linda mensagem
Mesmo com todo sofrimento
não queira esmorecer
te firma na vida nova
que a mensagem vem dizer
Madrinha - É este o presente.
Lúcia - Na Nova Jerusalém, o hino que é o presente da madrinha Cristina é a Mensagem que fala da vida nova. Então aí, passado esse tempo... A Nonata, num trabalho forte dela, recebeu esta mensagem diretamente dele, do Padrinho Sebastião, pra entregar pra Madrinha, reforçando a fé, a esperança de uma cura, de uma melhora.
Madrinha - Acho que ele tá por aqui!
Madrinha Cristina contando um pouco da sua história:
- A Madrinha Rita casou com o Padrinho Sebastião, ficaram morando lá... E o Neo veio pra Rio Branco com o pai dele. A D. Maria Francisca das Chagas e o pai dele, a Júlia, a Tetê e o Neo. Aí vieram morar lá no Rio Branco, perto da gente. Aí eu conheci eles. E por aí começou tudo! Aí casei com ele, com o Neo e fui morar na Colônia Cinco Mil. Aí o Padrinho quis vir aonde estava o seu Idalino com sua família. E veio... Quando ele chegou na Cinco Mil eu tava morando lá. Já tinha a primeira filha que é a Sílvia. Foi quando eu conheci os dois.( Padrinho Sebastião e Madrinha Rita).
Quando ele chegou eu já sofria muito, sofria de muita coisa e ninguém sabia o que era. No fim, quando ele chegou, ele já trabalhava no espiritual, sem Daime mesmo. Porque ele começou sem Daime. Com Daime que ele recebeu mais coisas. Aí foi pra minha casa e lá ele viu e começou a me tratar. Fazer aqueles trabalhos e tal... Então, eu senti que fui melhorando daquelas coisas que me perseguiam. A gente quando é espírita, às vezes nem dá fé, chegam aquelas coisas... leva pancada, leva dor, e grita, e... Às vezes são os espíritos... Daí pra cá ele foi me desenvolvendo e tal. Aí fui melhorando e me agarrei com ele, segura mesmo e tô aqui. Sofrendo mais sou feliz. Porque tenho ele no meu coração, entreguei meu amor a ele. Embaixo de Deus, de Jesus e ele na terra que me ensinou. Através de Jesus, mandaram tirar eu daquela escuridão que é coisa ruim. Aí fiquei com ele. Depois ele entrou no Daime, botou nós e eu tô feliz de tomar este líquido.
Quem não provou, venha provar, esta bebida que aqui está.
Tu conhece o meu hinário?
Adelise - Conheço. O Parto que fiz da Cristal, filha da Elisa e do Roberto em Dois Irmãos, na primeira fase do trabalho de parto, nós escutamos o seu hinário.
Madrinha - Ah!... Então, foi bom! É um pouco sofrido meu hinário... que eu também sofri muito... até ver, sentir... mas tô bem...
Madrinha Cristina contando sobre sua família:
- quatorze filhos, 36 netos, 9 bisnetos e a vizinhança da comunidade que tem umas quatrocentas pessoas. Quase todos me consideram como uma madrinha, uma mãe. Aí, to aí... Nós que leva junto com a Madrinha Rita e o Padrinho Alfredo. Não é fácil!
Adelise - A senhora chegou a fazer parto com os pais participando junto?
Madrinha - Às vezes eles estão em casa, às vezes estão viajando.
Adelise - Quando estavam junto eles ajudavam?
Madrinha - Ajudam. Eu chamo pra segurar a mulher, pra eles ver também. Pra eles ver o movimento da história como é e, pra sentir um pouco o que uma mulher passa. Muita coisa, né? Pra dar valor ao nascimento. Eles ficam contentes, tem deles que choram.
Adelise - A senhora percebeu alguma coisa excepcional que relacionou com o fato de usar o Daime no parto?
Madrinha - Esse do nenê que nasceu de bunda, porque eu tenho isso como um milagre. Um milagre que eu vi se realizar assim, de repente. Com isso a gente fica mais contente, né? Todo serviço com o Daime acaba ficando todo mundo bem, não dá hemorragia, a criança nasce bem, fica viva, graças a Deus tudo tem sido bem.
Adelise - Quando a senhora fazia parto, dava Daime para todos os que estavam na casa ou só para a mulher grávida?
Madrinha - Dou para os assistentes todos. Se tem três ou quatro pessoas, todos tomam.
Adelise - Mas não na mesma freqüência que a mulher grávida?
Madrinha - Não, ela é mais, e a gente que tá assistindo ali...É umas duas ou três pessoas no quarto, o restante fica lá fora pra o que a gente precisar, chamar. Mas todos tomam Daime, trabalhando na casa e o hinário rola, a gente bota as fitas pra tocar e então a gente canta. Às vezes tá com disposição e a gente fica cantando, é bom.
Adelise - Então, madrinha obrigada pelo seu tempo, onde a senhora contou um pouco da sua história, seu trabalho de parteira, dessa sua vocação.
Madrinha - Nada, eu é que agradeço de você escutar essas palavras cansadas. Também que eu me acho um pouco cansada pra explicar, também não sei conversar muito...
Adelise - Mas o que importa é sua sabedoria...
Madrinha - Mas a sabedoria divina que Deus me dá, eu... não tenho que negar, não é?
Adelise - Isso mesmo, então, muito obrigada.
Madrinha - De nada querida. Que Deus abençoe você.
Nossa Senhora do Bom Parto
Oração à Nossa Senhora do Bom Parto:
Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto. Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho sempre pelo caminho certo, o caminho que o vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem. Virgem, Mãe do Menino Jesus, agora me sinto mais calma e mais tranquila porque já sinto a vossa maternal proteção.
Oração à Nossa Senhora do Bom Parto
Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto. Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho sempre pelo caminho certo, o caminho que vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem.
Virgem, Mãe do Menino Jesus agora me sinto mais calma e mais tranqüila porque já sinto a vossa maternal proteção.
Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por nós.
15 de setembro - Nossa Senhora do Bom Parto - Virgem Morena de Paris
Os títulos de Nossa Senhora, "do Bom Parto" e do "Bom Sucesso" nasceram aos pés da imagem da Virgem Negra de Paris, venerada na antiga igreja Saint-Etienne-des-Grès, capital francesa. Invocar a proteção da Mãe durante a gestação e parto é o que toda família cristã sempre fez ao longo dos séculos.
O culto à Virgem do Bom Parto é uma das mais tradicionais devoções da França, Espanha e Portugal, que se espalhou por muitas outras nações. No mundo cristão, esse culto aparece com títulos semelhantes, como Nossa Senhora do Divino Parto, entre outros, porém as imagens representam a Virgem com a pele clara.
Nos registros das primeiras igrejas cristãs, encontramos muitas indicações sobre estátuas e pinturas da Virgem Maria com a pele morena. Na Antiguidade, a cor preta em símbolos religiosos, era sinal de fertilidade. Um sinal que a primitiva arte cristã manteve, para invocar a fertilidade física e espiritual de Maria, Mãe de Deus e nossa.
A imagem de Maria da igreja de Paris foi esculpida em pedra negra e data do século XI. Considerada milagrosa, é diante dela que acorrem constantes peregrinações de devotos. Nossa Senhora do Bom Parto é especialmente invocada nas ocasiões de tragédias pessoais e públicas. Aos seus pés, o Padre Cláudio Poullart dês Places, junto com doze companheiros pobres, fundou a Congregação do Espírito Santo e do Imaculado Coração de Maria, em 1703. A Congregação dos padres espiritanos cresceu rapidamente e, orar diante da Virgem Negra de Paris, era sinal da primeira consagração.
Outras personalidades importantes foram rezar aos pés de Nossa Senhora do Bom Parto, em Paris. Dentre os quais: Domingos de Gusmão; Tomás de Aquino; Francisco de Sales, hoje Doutor da Igreja; Sofia Barrat; Vicente de Paulo, que colocou sob a proteção da Virgem Negra de Paris a sua grande Obra de caridade e os seus Institutos; e mais recentemente João Bosco.
Durante a Revolução Francesa, a igreja de Saint-Etienne-des-Grès foi saqueada e destruída. Mas a escultura da Virgem Negra foi vendida à uma piedosa cristã, que a escondeu muito bem. Mais tarde, ela doou a sagrada imagem às Irmãs Enfermeiras da Congregação de São Tomas de Vilanova, que construíram uma capela nova para a veneração de Nossa Senhora do Bom Parto, em Neuilly, seu atual Santuário. Desse modo, asseguraram o culto e as constantes peregrinações dos fiéis e devotos.
Foram os missionários espiritanos que divulgaram o culto à Senhora do Bom Parto no mundo. No Brasil eles aportaram em dezembro de 1885, e encontram essa devoção já estabelecida no país. Os registros indicam que os cristãos brasileiros começaram a invocar Senhora do Bom Parto, diante da imagem da Virgem do Ó, na igreja erguida no Rio de Janeiro em 1650. Isso porque, anexada à ela, os padres fundaram o Recanto do Bom Parto, para acolher as mulheres grávidas rejeitadas pela sociedade. Atualmente Nossa Senhora do Bom Parto é nome de muitas localidades brasileiras e são inúmeras as paróquias dedicadas à ela, cuja imagem é similar à da Virgem Negra de Paris, já na cor clara.
18 de dezembro
Nossa Senhora do Ó ou do Bom Parto
A devoção de N. Senhora do Ó ou do m Bom Parto (Expectação) remonta a S. Ildefonso, bispo de Toledo. Esse título repousa no fato de a letra O ser o símbolo de Deus. ou também, como querem outros, advém das antífonas rezadas durante o Advento, que repetem com freqüência a exclamação Ó! É invocada com a seguinte oração:
Ó Maria Santíssima, vós que compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto. Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação d parto sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fezei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho, sempre pelo caminho certo, o caminho que o vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem. Virgem, Mãe do Menino Jesus, agora me sinto mais calma e mais tranqüila porque já sinto a vossa maternal proteção. Nossa Senhor do Bom Parto, rogai por mim.
Oração a Nossa Senhora do Parto
Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto. Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho sempre pelo caminho certo, o caminho que o vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem. Virgem, Mãe do Menino Jesus, agora me sinto mais calma e mais tranqüila porque já sinto a vossa maternal proteção. Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por mim