Depoimento do Sr. Luis Mendes
Parte de um discurso do Padrinho Luiz Mendes :
O Mestre era um homem educado e dentro da nossa condução, como discípulos dele que nos consideramos, não podemos ser diferentes! Temos que ser educados também! Nosso Mestre, diante daquele poder de autoridade que ele tinha, não aproveitava para massacrar pessoa alguma. A atenção e o respeito que ele dedicava à mais alta autoridade era a mesma que ele dedicava ao mais humilde. E porque nós, dentro da nossa condução podemos ser diferentes? A ignorância, prezados irmãos, digo sem medo de estar errado, nunca deu camisa a ninguém. É um sentimento maléfico que não leva a nada que preste. Temos que nos educar. Nosso Mestre é educação. Ele nasceu grande. A gente sabe que foi grande. Mas não nasceu feito, não senhor. Ninguém nasce feito. Aqui ele se fez. E dentro dessa conquista, conseguiu a sua mestria de um tamanho tal, que mesmo deixando esta veste carnal, conduziu consigo a sua mestria, para sempre amém. O Mestre de todos os mestres!
Portanto, prezados irmãos, nosso Mestre é Mestre para valer. Pois ele teve o dom de perdoar. E recomenda a todos os seus seguidores que possam ser dotados também deste dom, que é o de saber perdoar. Se quiser merecer e ter o seu perdão, tem que perdoar. Nosso Mestre ainda está conosco, em cada um de nós. Na medida que pedirmos a ele, ele está com a gente. Digo porque ouvi, muitos dos que estão aqui também ouviram. E outras pessoas da época também chegaram a ouvir o nosso Mestre anunciar que um dia teria o seu dia final. Um dia teria que ausentar desse mundo. E saindo deste mundo, tinha certeza que o Divino Pai Eterno lhe daria licença para ele ficar nos atendendo do mesmo jeito, ou melhor ainda. O Mestre não falou por hipótese. Ele disse: "Tenho certeza".
O Mestre Centenário
Raimundo Irineu Serra
Nasceu no signo de sagitário
Estas homenagens são dele
Afirmamos nós e o plenário
Salve, salve nosso grande Deus
Salve o Mestre Centenário
Salve o Mestre Centenário
Aquele a quem devemos tudo
Nas nossas armas de defesa
Ele se inclui como santo
Um portentoso escudo
Avante! Avante! Companheiro
Para a complementação deste estudo
Na complementação deste estudo
Estamos todos a louvar
Hosana a Deus nas alturas!
Na plenitude onde ele está
E o nosso Mestre Centenário recomendando:
Caprichem, caprichem mesmo!
E venham se apresentar.
COMENTÁRIOS SOBRE ALGUNS HINOS DO CRUZEIRO:
ESTRELA D'ALVA
Eu me lembro de uma história bem acentuada, inclusive eu tenho muito carinho pela Estrela D'Alva, até porque desde a primeira vez que eu vi ele contar esta história, eu fiquei impressionado e sedento de poder alcançar também algo assim, que fosse diretamente a Estrela D'Alva.
Isso se deu, ele contava pra nós, entre ele e o Germano Guilherme. Primeiro foi com ele. Ele sentado no ponto de trabalho dele, divisou a Estrela D'Alva. Umas oito horas da noite em determinado ponto. Aí, ele olhou para ela e pensou consigo: Qualquer dia desses, eu vou tomar um Daime e vou naquela estrela.
Ficou nisso, quando em um determinado dia justamente, ele tomou Daime. Ora, não deu trabalho. Foi lá. Chegou lá, ela toda de vidraça, a coisa mais linda do mundo. Agora só com o direito de avistar o que estava lá dentro. Tudo ornamentado, atapetado, a coisa mais linda. Uma morada muito bonita dentro da Estrela D'Alva.
Ele disse que era tão verdade ela ser de vidraça, que ele passava a mão apalpando e sentia que era vidro. Aí a gente pergunta: e o invisível se pega? Pega, invisível também pega, porque ele pegou, ele apalpava. Aí ele perguntou à mãe dele: Minha mãe, me diga uma coisa: porque é que uma coisa excelente dessa, uma morada bonita como essa, eu procuro um morador, alguém que esteja habitando, e não vejo?
Ela disse: Meu filho, como essa aí, tem muitas e muitas outras esperando um filho com uma capacidade que mereça realmente vir habitar.
Ele disse: Sim Senhora, muito bem...
Aí constatou tudo isso, e retornou.
Agora o Germano era 'buraco' (corajoso, destemido), como diz o caboclo. A primeira pessoa com o qual o Mestre conversou, que contou essa história, foi para o finado Germano, mas contou assim, a meio termo, e bem meio termo mesmo, e disse, parece que olhando para a Estrela D'Alva de novo: Olha maninho (mutuamente, eles se tratavam como maninho, era bonito mesmo, eu ainda conheci), tu me acredita numa coisa?
-Sim maninho, não é tu que vais contar?
-Tu acredita que eu fui naquela estrela?
-Acredito, o senhor não está dizendo?
E a conversa ficou só até aí. Ele deu ciência que foi até a estrela, e 'PT saudações'. Germano por si, também desejou nesta hora, e afirmou consigo:
-Eu também vou tomar Daime e vou lá!
Ora, não deu outra; quando foi em determinado dia, ele tomou Daime e foi bater lá! Constatou tudo direitinho. Terminada a constatação, ele voltou e foi levar a notícia para o Mestre: Maninho, tu me disseste que foi naquela estrela, não foi?
-Fui Germano!
-Não é que eu também fui!
-Então tu me conta como é lá.
Então o Germano deu toda descrição, do jeito que o Mestre viu. O Mestre disse: Tu foi mesmo, é sim!
O Mestre sempre contava isso. A Estrela D'Álva. Então, naquele momento, ela ainda se encontrava assim, vazia.
ROGATIVO DOS MORTOS
O Mestre Irineu profetizou a hora da sua passagem. Nove horas da manhã. Você pode ver que o hino só vai até às nove horas da manhã. Pois justamente, às 9 horas da manhã do dia 6 de julho de 1971, o nosso Mestre deixou este mundo.
A MINHA MÃE É A SANTA VIRGEM
Bom, a gente começa a interpretar logo por ser o Mestre. O Mestre se é Mestre mesmo, sabe tudo. O Mestre sabia tudo, até tocar. Porque uma vez, ele mirando, chegou uma senhora com um acordeom. Muito bonita, depositou nas pernas dele e mandou ele tocar. Ele disse para ela que achava impossível porque ele não sabia tocar, mas ela insistiu tanto, dizendo ele sabia, que ele conseguiu mexer na sanfona, porque ela disse para ele que bastava ele puxar. Quando ele abriu a sanfona, já foi tocando e cantando: A minha mãe é a santa virgem/ Ela é quem vem me ensinar/ Não posso viver sem ela/ Só posso estar onde ela está.
BEGÊ
Quem foi que veio a terra para ensinar a verdade, a não ser o próprio Mestre? Eu acho que termina sendo é ele mesmo o Begê, o mesmo ser."
SEIS HORAS DA MANHÃ
O Mestre era um assíduo prático; é aquilo que eu tenho dito, duvido que o nego que chegasse na casa do Mestre às 6 horas da manhã, e o Mestre não tivesse no pontinho dele. Não era outra coisa não, já era saudando o sol.
SOL, LUA ESTRELA e DEVO AMAR AQUELA LUZ
Logo que o Mestre recebeu 'Sol, Lua, Estrela', ele já passou a abrir o seu hinário cantando primeiro este hino. Quando, a seguir, ele recebeu 'Devo Amar Aquela luz', ele também anexou este Hino na abertura do Cruzeiro.
A FEBRE DO AMOR
Completei o meu Cruzeiro com cento e trinta e duas flores. Aí, muitos entendem que ele já estava predizendo a quantidade de hinos que fariam parte do Cruzeiro. Não! Ele não previu isto. Isso foi na sucessão dos hinos que se chegou a 132. Quando ele recebeu este hino, ele cantou assim: Completei o meu Cruzeiro / Com cinqüenta e duas flores / Se tiver alguma de mais / Vós acrescente o meu amor. Quando ele recebeu o próximo, Virgem Mãe Divina, Ele cantou: Completei o meu Cruzeiro / Com cinqüenta e três flores / Se tiver alguma de mais / Vós acrescente o meu amor. E assim sucessivamente, até chegar a cento e trinta e duas flores.
AS ESTRELAS
Muitas perguntas foram feitas ao Mestre, e elas não ficavam no vazio porque ele sempre respondia. Aí, a pergunta foi do compadre Chico Grangeiro acerca do hino As Estrelas. O Granjeiro perguntou: Padrinho, e esses espinhos e pontas agudas?
Ele disse: Chico, são as línguas!
Ele apontou para a dele e disse: É isso aqui, é a língua, são as línguas!
Então subentende-se que cada linguada do linguarudo é um espinho. E é serra. Serra de espinhos. Ponta da língua, falatório. É caracterizado como espinhos de pontas agudas. Então daí a interpretação. Pergunta do compadre Chico Grangeiro e resposta do Mestre.
EU VIM DA MINHA ARMADA
O Granjeiro explicava para nós, que ele conversando com o Mestre, o Mestre falou para ele que ele também passou os altos e baixos dele. Até no ponto de vista de até querer renunciar este trabalho, se afastar. Aqui e acolá, por força das incompreensões. Então quando saiu Eu Vim da Minha Armada, ele estava numa passagem de descontentamento, e com vontade, assim, de fechar a sessão. Saiu o Hino. Eu vim da minha armada / Trazer fé e amor. Porque a contemplação desta estrofe, aí já é a rainha, dizendo para ele. Ele diz: Eu vim da minha aramada / Trazer fé e amor. Aí ela diz na frente: Não despreza os teus irmãos / Mostra tua luz de amor.
SEXTA-FEIRA
Quando eu cheguei na sessão, o feitio já era na direção do Chico Grangeiro. Agora o Chico Grangeiro determinava umas dietas mesmo. Isso depois, deu foi um rebu danado, rapaz. Que a gente deu um certo cumprimento, deu. Eu pelo menos cumpri em parte, mas cheguei a cumprir, dieta sexual... Até três meses, ia a trinta dias e chegava a três meses. Aí foi onde entrou os questionamentos, deu um rebu. Quer dizer, depois de uma temporada que se cumpria isso aí, porque eu fiz bonitas vezes um mês, depois outros asseguravam que faziam. Fizeram. Sei lá. Mas isso chegou a um ponto vulgar. Começaram a brigar, até briga de casal e conversa e tal, e julgamento. Quem tirou a dieta, quem não tirou; virou assim, uma farofa. Aí, pronto, caiu nos pés do Mestre. Então ele pronunciou: Não gente! Não é isso não. Agora vai mudar. Agora é três dias antes e três dias depois.
BATALHA
Na verdade, antes do golpe eram dois partidos que influíam na época. Isso quando passou a ser eleição. Aí, era o PSD e o PTB. O PSD era o partido do Mestre. Ele tinha partido, PSD. Então o partido do Mestre perdeu as eleições (1962) e ele cantou Batalha, já confortando. Rapaz, se você visse assim, o contentamento do Mestre tão transparecido, quando ele cantava este hino, pelo menos a primeira vez que eu ouvi e vi, ele dançava! Isso é um xote. Ele chamou a comadre Peregrina, que ela dança bem. Aí, mandou a turma cantar e dançar na sala ao som do "Batalha". Dá um xote que é uma beleza!
TODOS QUEREM SER IRMÃOS
Realmente, o padrinho recebia esses Hinos e tinha toda satisfação de apresentar. Os que moravam com ele eram os primeiros, mas também apresentava para quem vinha chegando, como era meu caso. Ele tinha aquela satisfação. Aí, num dado momento eu apareci lá, ele disse: É Luiz, tem hino novo aí! Você quer ouvir?
Eu disse: Com toda satisfação.
Ele chamou a comadre peregrina, a Maria Zacarias e ordenou: Cantem esse hino aí para o Luiz ouvir.
Mas daí, neste ínterim, vinha chegando o nosso irmão Júlio Carioca, que também tomou parte. Foi subindo, foi tomando benção para ao padrinho e o padrinho foi dizendo para ele: Júlio, eu tinha pedido aqui para as meninas cantarem um hino novo para o Luiz, mas aí você chegou... Então também é para você. Que ouvir?
Ele disse que sim, e começaram a cantar o hino. Cantaram uma, duas, três vezes. Quando terminaram, ele perguntou para nós: Que tal o hino?
Aí o Júlio Carioca avançou: Ô Padrinho, mas o hino é bonito! Mas o hino é maravilhoso!
Então o padrinho disse: Dobre a língua. O hino não é tão bonito assim como você está dizendo não. Não é essa maravilha como você está dizendo não. Sabe o que é bonito do hino? É fazer o que o hino diz. Isso sim, é bonito.
Aí, rapaz, eu fiquei... Puxa vida, mas me tirou duma! Porque eu ia responder a mesma coisa do Júlio. Não ia dizer diferente. Mas estava guardado era para o Júlio mesmo (risadas).
MARCHINHA
Ele recebeu este hino e este hino tinha palavras. Ele tinha palavras, só que ele guardou para si e apresentou só a parte musical. Um dia eu chego lá e ele perguntou se eu queria escutar uma música. Sempre que ele recebia um hino e eu chegava lá, ele anunciava para mim e perguntava se eu queria ouvir. Ora, quem não queria? Aí, esse foi um. As meninas solfejaram, solfejaram, solfejaram, solfejaram...
Quando terminou, ele disse: É isso aí!
O pessoal que estava lá começou a sair, a se dispersar, e em dado momento, só estava ele e eu. Ele virou-se assim para mim e disse: Luiz, tem as palavras, tem as palavras, só que eu não tenho condição de divulgar, porque não existe preparo, portanto eu vou ficar com elas e deixe que seja só musicado.