Biodiversidade das Florestas
Fávio Paixão
Biodiversidade é a medida de sabedoria da natureza. Quanto maior a biodiversidade maior o número de espécies vivas vegetais, animais, vírus, bactérias e fungos.
A Biodiversidade das florestas sofre uma forte variação do eixo Sul-Norte e Norte-Sul da terra dos polos ao equador. Nos pólos não há florestas, nas áreas sub-polares aparece a tundra e depois nas áreas temperadas as florestas de Pinheiros e então nas áreas tropicais e equatoriais as florestas atingem seu ápice de sabedoria. Isso se deve principalmente as glaciações recentes que congelaram as áreas temperadas do planeta e extinguiram os vegetais da superfície que são os seres que iniciam a cadeia alimentar, daí a vida passou a depender exclusivamente do mar como é nos pólos atualmente. É claro que este não é o único fator que determina a biodiversidade das florestas. Outros fatores como a composição mineral dos solos, correntes marinhas, climas, micro climas e relevo também interferem diretamente na formação de florestas fazendo que se formem diferentes ecossistemas numa mesma latitude.
Nas áreas temperadas os ecossistemas de florestas são jovens porque as florestas foram recentemente extintas nas glaciações e renasceram a apenas alguns milhares de anos. Estas áreas têm a energia jovem e a despeito de uma baixa variação genética principalmente dos vegetais possuem grande quantidade de vida. Bem mais fáceis de serem compreendidos que as florestas úmidas tropicais e equatoriais. As reações são mais previsíveis, tem a grande energia do jovem, a força para se recuperar mais rápido
Nas áreas tropicais e equatoriais as glaciações não foram capazes de destruir a floresta completamente, e sobraram ilhas de florestas que preservaram sua sabedoria genética de milhões de anos. As florestas úmidas são herméticas, as mais difíceis de serem compreendidas, verdadeiros eremitas entre as florestas com enorme sabedoria difíceis de compreender. A grande águia voa diferente na floresta do Eremita. Seus vôos são mais curtos e com grande capacidade de manobra.
Araquém de Alcantara
UM NOBRE ENTRE AS AVES
O gavião-real, ou harpia, é a ave mais imponente da floresta. Predador voraz, vive no topo das árvores, a mais de 50 metros de altura, de onde mergulha para os galhos mais baixos atrás de presas como roedores ou pequenos macacos. O desmatamento e a alteração de seu habitat o colocaram na lista dos animais em risco de extinção por mais de uma década
Ao entrarmos nesta mata e olharmos para os troncos da floresta Eremita iremos notar que a enorme variação os faz muito parecidos. O verde tem tantos tons que há pouca variação entre si.
A perda da diversidade é a perda da sabedoria. O homem no deserto sem o espírito da floresta e dos animais esquecerá as letras de seu nome.
Falemos um pouco sobre a fragilidade das florestas. A Floresta Eremita tem a fragilidade do velho. Qualquer interferencia pode danifica-la sem recuperação. Existe muito endemismo, ou seja, espécies que só habitam um espaço da floresta e não se encontram em qualquer outro lugar. Existem também relações complexas entre os seres da floresta e a simples extinção de um inseto, por exemplo, pode ter efeito dominó de destruição porque há plantas que dependem exclusivamente deste inseto polinizador.
Na Europa, por exemplo, apesar de toda ocupação humana, das guerras seculares, pouca ou nenhuma árvore foi extinta, isso se deve a baixa biodiversidade de árvores menor que uma centena de espécies em toda Europa. Na floresta Amazônica apenas 1 hectare da floresta pode trazer até 300 tipos de árvores.
Todo ano, entre 17.000 e 100.000 espécies são varridas de nosso planeta. Por isso nós do neo-xamanismo sabemos que os temas-bandeira da preservação das matas como a extinção do mico-leão-dourado ou da ararinha-azul tem enorme importância porque tocam o coração das crianças, mas sabemos também que existe muito mais atrás deste véu.
Em nossos artigos gostamos de falar da vida e da ecologia sem as fronteiras do planeta, mas neste tema não há como não abrir um parêntese especial para falar de nosso país.
O Brasil tem a natureza mais sábia e maior biodiversidade vegetal, mineral e animal do planeta. Possui grandes reservas de água doce e um terço das florestas tropicais que ainda restam. Estima-se que aqui está 1 em cada 10 espécies de plantas ou animais existentes. O ponto de maior sabedoria do planeta deve estar na Serra do Mar entre São Paulo e Rio de Janeiro.
O Brasil é um ancião, tem formações geológicas antiquíssimas e ricas. Nossas florestas úmidas têm a sabedoria de milhões de anos comparada a de poucos milhares das regiões temperadas. Ainda não estamos conscientes de nosso saber e responsabilidade. Nosso povo ainda não entende a extrema delicadeza e fragilidade desse conhecimento.
Os xamãs daqui podem acumular milhares de vezes mais conhecimento.
É daqui que brotarão os xamãs que guiarão o mundo para preservar o planeta.