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A magia está dentro de nós mesmos. Só a busca interior, nos faz entender os processos que retardam a nossa caminhada, para que possamos efetuar as transformações necessárias para seguirmos no "Caminho da Beleza" (veja mais)
Léo Artése



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Epicteto - Virtudes

Epicteto - Interpretação de Sharon Lebell
Extraido do Livro: Epicteto : A Arte de Viver - Ed Sextante

A concepção estóica da virtude adotada por Epicteto deixou marcas indeléveis em nossa cultura e, no entanto, não foi suficientemente valorizada. Descartes, Spinoza, Rousseau, Nietzsche, Marx e os fundadores da nação norte-americana são apenas alguns dos revolucionários e renovadores que devem muito ao pensamento ético do estoicismo. A noção de virtude, até uma reabilitação muito recente, parecia antiquada e até puritana a nossos olhos modernos. Os ensinamentos de Epicteto referentes à virtude nada têm a ver com beatice ou servilismo e submissão. Virtude , felicidade e tranquilidade não são experiências isoladas ou distintas, mas estados estreitamente relacionados. Ao mesmo tempo que defendia a ideia de que se deve ser bom por princípio, Epicteto observava na prática que uma vida virtuosa, de excelência moral, leva à coerência interior e à harmonia exterior. Há uma grande sensação de alívio em ser moralmente coerente: a alma é pacificada e podemos então levar adiante as nossas atividades de modo mais eficaz e proveitoso ou, como dizia Epicteto, "sem impedimentos". A confusão interior e o próprio mal são fruto da ambigüidade. Epicteto ensina-nos a trazer à tona o que temos de melhor ao tornar o nosso código moral explícito para nós mesmos. A liberdade, o bem-estar e a confiança são alcançados à medida que nossas ações se adaptam gradualmente a esse código. Epicteto pede-nos para atribuir menos importância às escolhas "exteriores", àquílo que hoje em dia chamaríamos de "escolhas ligadas ao estilo de vida", e recomenda que nos concentremos nas pequenas mas significativas opções morais, as escolhas interiores que fazemos no decorrer de cada dia. Sharon Lebell

Epicteto, o grande filósofo do Estoicismo. Suas obras tiveram enorme influência sobre as ideias dos principais pensadores da arte de viver durante quase dois mil anos. Nasceu escravo por volta do ano 55 d.C. em Hierápolis, Frígia, no extremo oriental do Império Romano. Seu mestre foi Epafrodito, o secretário administrativo de Nero. Desde a mais tenra idade, Epicteto demonstrou um talento intelectual incomum, e Epafrodito ficou tão impressionado que mandou o jovem a Roma para estudar com o famoso professor estoico Caio Musônio Rufo. As obras de Musônio Rufo, que, escritas em grego, ficaram preservadas, contêm argumentos a favor da educação igual para mulheres e homens e contra o critério moral que permitia mais liberdade sexual ao homem do que à mulher no casamento; e o famoso espírito igualitário de Epicteto pode ter sido alimentado pelas ideias de seu mestre naquele período. Epicteto tornou-se o mais aclamado de todos os alunos de Musônio Rufo e acabou sendo libertado da escravidão_.

Epicteto ensinou em Roma até o ano 94 d.e., quando o imperador Domiciano, ameaçado pela crescente influência dos filósofos, baniu-o de Roma. Passou o resto de sua vida no exílio em Nicópolis, na costa noroeste da Crécia. Ali, fundou uma escola filosófica e passou seus dias fazendo palestras sobre como viver com maior dignidade e tranquilidade. Entre seus mais ilustres alunos estava o jovem Marco Aurélio Antonino, que mais tarde governou o Império Romano e foi também o autor das famosas Meditações, cujas raízes estoicas vinham da doutrina moral de Epicteto.

Apesar de Epicteto ser um brilhante mestre da lógica e do debate, ele não alardeava suas excepcionais habilidades retóricas. Sua atitude era a de um professor sereno e humilde estimulando os alunos a encararem com muita seriedade a arte de viver com sabedoria. Epicteto praticava o que pregava: vivia modestamente numa pequena cabana e não tinha qualquer interesse em adquirir fama, fortuna ou poder. Morreu por volta de 135 d.e. em Icópolis.


OS VIRTUOSOS SÃO INVENCÍVEIS

A diferença entre os instruídos e os ignorantes é que as pessoas sábias têm consciência de que os virtuosos são invencíveis. Não são atraídos nem iludidos pela maneira como as coisas aparentam ser.

Os instruídos respeitam a afinidade que temos com o Supremo e, portanto, agem como cidadãos do universo compassivos e conscientes. Compreendem que uma vida sábia, que leva à serenidade, vem da harmonia com a Natureza e com a Razão.

Seja um cidadão do mundo

Não podemos buscar nosso bem maior sem necessariamente promover ao mesmo tempo o bem dos outros. Uma vida que se limita a interesses pessoais não pode ser submetida a qualquer avaliação respeitável. Procurar o melhor em nós significa zelar ativamente pelo bem-estar dos outros seres humanos. Nosso contrato humano não se restringe às poucas pessoas a quem nossos interesses estão mais intimamente ligados, ou às mais preeminentes, ricas ou de educação aprimorada, mas abrange toda a imensa irmandade humana. Veja a si mesmo como cidadão de uma comunidade mundial e aja de acordo com isso.

Os virtuosos são coerentes

Para viver uma vida de virtude, de excelência moral, você precisa tornar-se coerente, mesmo se isto não for conveniente, confortável ou fácil. É indispensável que seus pensamentos, palavras e ações sejam consequentes. Este é um padrão mais elevado do que o comum. A maioria das pessoas quer ser boa e tenta de alguma forma ser boa, mas costuma ceder à lassidão quando enfrenta um desafio moral.

Sempre que seus pensamentos, palavras e ações formam uma trama perfeita, sem qualquer emenda, seus esforços encontram menos resistência e fluem facilmente, eliminando temores e preocupações. Desse modo, é mais fácil buscar a excelência moral do que agir de maneira inconstante ou de acordo com as sensações do momento. É só quando você se liberta das distrações causadas por prazeres superficiais ou ilusórios e se dedica a seus legítimos deveres que pode de fato relaxar. Quando tem consciência de que fez o melhor possível dentro das circunstâncias, seu coração fica realmente leve. Sua mente não precisa ficar dividida procurando desculpas, pensando em álibis, defendendo sua auto-estima, sentindo culpa ou remorso. Você pode, despreocupadamente, honestamente, seguir adiante, cuidar de outra coisa.

E, na verdade, é tão simples ser coerente: se você diz que vai fazer algo, faça-o. Se começar alguma coisa, termine-a, vá até o fim.

A única vida próspera é a vida virtuosa

A virtude é a nossa meta e o nosso propósito. A virtude que leva à felicidade duradoura não é uma bondade quid pro quo. (Serei bom "para" conseguir alguma coisa.) A bondade em si e por si é a prática e a recompensa.

Bondade não é piedade ostensiva ou boas maneiras flagrantes. É uma sucessão de sutis reajustes de nosso caráter ao longo da vida inteira. Afinamos progressivamente nossos pensamentos, palavras e atos, como se fossem instrumentos musicais, para um desempenho mais sadio. A virtude é inerente a nossas intenções e atos, não aos resultados deles. Por que nos preocuparmos em ser bons? Ser bom é ser feliz, ser tranquilo e livre de inquietações. Quando você se empenha ativamente em requintar-se cada vez mais, abandona os hábitos preguiçosos de encobrir ou procurar desculpas para as próprias atitudes. Em vez de sentir um fluxo constante de vergonha impregnando o fundo de sua alma, você faz sua vida avançar utilizando as possibilidades criativas daquele momento preciso que você está vivendo. Você começa a ocupar integralmente aquele momento em vez de procurar escapar ou desejar que o que está acontecendo seja diferente. Você vive a sua vida de uma forma completa por estar de fato em cada um de seus momentos.

A vida virtuosa considera como tesouros: sua ação correta, sua fidelidade, sua honra e sua decência.

A virtude não é uma questão de graus, a virtude é um absoluto.

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