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O que é a vida se o homem não pode mais ouvir o canto dos pássaros? O que seria a vida sem os animais?
Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito.
Chefe Seatle



lojinha

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Michael Haradom

No dia 27 de maio de 2010, entrada da Lua Cheia de Wesak, o aniversário de Budha, entrevistei, em primeiro lugar o "ser humano" muito especial Michael Harandom, que em segundo lugar, é presidente da Fersol Indústria e Comércio S.A., localizada em Mairinque, uma empresa química de capital nacional que prioriza práticas de responsabilidade social e de cidadania.

Especializada em produtos agrícolas, domissaneantes, veterinários e de saúde pública, seu diferencial de mercado é o emprego de tecnologias limpas, mais seguras à população e ao meio ambiente. Foi a primeira empresa nacional do setor químico a obter a certificação ambiental ISO 140091

Entre as práticas de responsabilidade social destaca-se a prioridade na contratação de segmentos da população historicamente excluídos.

A empresa também desenvolve projetos de segurança alimentar, educação e formação de lideranças com o objetivo de colocar a responsabilidade social empresarial como instrumento de transformação política da sociedade.

Ficamos 4:00hs conversando e foi muito pouco. Daria para fazer uma entrevista de alguns dias, com tanta história.

Michael é uma pessoa extremamente agradável, comunicativa, simpatica. Afetuoso, usa somente roupas brancas e, inspirado em Ghandi procura ser a mudança que quer para o mundo.. Fala absolutamente com o coração. Durante vários momentos emocionava-se ao lembrar do passado, de suas lutas e conquistas, com lágrimas nos olhos.

Michael é um exemplo a ser seguido, uma referência em responsabilidade social, um empresário a frente do tempo.Tornou-se conhecido entre o empresariado brasileiro por suas ideias inovadoras, como a criação de um projeto de politização para os funcionários, familiares e comunidade; ampliação das licenças maternidade e paternidade e abertura de suas portas para uma parcela da população conhecidamente excluída: mulheres, negros, profissionais acima dos 45 anos, homoafetivos, portadores de necessidades especiais e pessoas em regime de liberdade vigiada (ex-presidiários) que chama de "Política da Diversidade"

É um ativista pacifista, ligado a institutos que promovem movimentos pela paz e foi o idealizador da "Floresta dos Unicórnios", um espaço conservacionista, licenciado pelo Ibama, para receber animais apreendidos pelo tráfico ilegal. Dedica, como ele mesmo diz, 90% de seu tempo e energia à promoção da cidadania.


MICHAEL HARADOM - VISIONÁRIO - ATIVISTA - EMPRESÁRIO

Léo: Boa tarde Michael, conte-nos um pouco sobre sua história. Você nasceu na Argentina...não é isso?

Michael :Nasci na Argentina, em Buenos Aires e morei em quase toda a América Latina; Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil. Fui criado pela mãe, avós, tios... Meus pais se separaram quando eu era pequeno, e a maior parte do tempo fui criado com mulheres. A figura masculina, com exceção do meu avô, não estava presente, e isso te dá uma observação de como é a vida da mulher em casa, no dia-a-dia, e sua relação com a sociedade, com o mundo, com os homens, com as crianças. Eu fui agraciado, poderia ter um mau posicionamento pela ausência da figura masculina, mas tive muita sorte por ter convivido com mulheres maravilhosas.

Depois de muitas andanças, aos 13 anos voltei para a Argentina, onde fazia parte de um movimento juvenil judaico que tinha um viés socialista, e naquela época havia imigração, a subida a Israel, quando as pessoas iam pra lá trabalhar nos kibutz. Eu tinha esse mesmo idealismo e o desejo de defender Israel, que naquela época estava sendo atacado por todos os lados. Então, com 14 anos, fui pra lá, sozinho, onde fiquei até os 22 anos morando num kibutz. Fiz escola militar e quando saí do exército comecei a repensar em como defender uma nação, sem usar necessariamente as armas, mas pela cooperação e aí me transformei em um pacifista.

Léo: Como funciona um kibutz?

É uma forma de comunidade israelense. É inspirado pelo socialismo. Percebi que já era socialista aos sete anos. Vovó, quando ia me visitar, levava sempre uma cesta de guloseimas e eu imediatamente dividia com os amigos. Aprendi que uma tristeza compartilhada em meio a um ambiente solidário é meia tristeza e que a alegria numa situação assim é dobrada. No kibutz, cada um faz tudo o que pode pela comunidade. Essa experiência me trouxe o conceito de que todas as pessoas deveriam ter acesso a uma parcela ideal dos bens naturais e dos criados pelo homem, além do direito de viver com integridade.

Léo: Você desde cedo começou na agricultura e hoje tem uma empresa ligada a ela, a Fersol. Como foi o início ?

Michael Sempre trabalhei na área de agricultura, com produtos químicos, fertilizantes para agricultura. Aprendi muitas coisas nos kibutz, também.

Minha mãe e meu padrasto moravam aqui no Brasil. Meu padrasto era presidente de uma multinacional e me apresentou uma pessoa dessa empresa, onde trabalhei quase quatro anos. Nesse período aprendi como pensa uma multinacional, como gerencia seus negócios e, em 1975, achei que seria interessante trabalhar com a área de defensivos agrícolas. Inicialmente trabalhei como representante, depois como importador, e em 1983 decidi que eu iria começar a produzir. Comecei o negócio em parceria com um amigo que conheci no kibutz.

Inicialmente a empresa era eu, meu sócio, depois uma secretária e um auxiliar. Algum tempo depois, consegui a representação de uma série de produtos americanos e depois disso começamos a importar, mesmo sem dinheiro. Em 1978, conseguimos uma grande importação, que nos rendeu 10 milhões de dólares, com lucro de 6 milhões. Começamos daí a pensar em industrializar produtos. Foi então que compramos a fábrica que temos hoje em Mairinque mas, naquela época, caindo aos pedaços. Em 1983, quando percebemos ser mais interessante industrializar produtos, compramos uma outra fábrica em Tatuí, interior de São Paulo, onde tudo funcionava muito bem. Em setembro de 1990, a Chevron do Brasil fechou suas portas e nós adquirimos a Estação Fazenda Experimental de Itapetiniga (SP), equipada com laboratórios especializados, maquinários agrícolas, inclusive irrigação, para teste de produtos.

Léo: A Fersol passou por uma grande crise! Como foi?

Em 1992, adquirimos a unidade fabril de sulfato de magnésio da Basf e a incorporamos à planta de Tatuí. Nessa época, com o Plano Collor II, criado em 1991,a coisa começou a desandar e o faturamento a cair. Veja como uma ação política pode eventualmente mudar o curso da história, como aconteceu com uma infinidade de empresas, principalmente indústrias, que foi um setor muito mais afetado que as áreas de serviços e comércio.

Em 1990 nós vendíamos 30 milhões de dólares em um mercado que movimentava um bilhão, só na área de defensivos. Em 1995, sob os efeitos da era Collor, vendíamos 12 milhões e o mercado era por volta de dois bilhões. Começamos a descer a ladeira sem freios, em queda livre e meu sócio decidiu partir para uma outra área. Assumi então sozinho. Não tinha nem como procurar um sócio. Fiquei com dez milhões de dólares de dívidas e faturava 12 ou seja, a empresa estava praticamente quebrada.

É um mercado com várias restrições. Você precisa ter registros sobre todos os produtos, e isso exige investimentos altos. São as multinacionais que dominam e aquela, era uma época em que estavam ocorrendo fusões e aquisições mundiais, tanto na área de fármacos, quanto na de produtos químicos. Hoje, praticamente, temos seis grandes corporações dominando: Bayer, Basf, Syngenta, Du Pont, Dow e Monsanto. Quando a Fersol começou a descer a ladeira, um amigo meu, o Jacob Grajew, irmão do Oded Grajew, do Instituto Ethos, propôs que realizássemos uma reestruturação na empresa, me apontando algumas alternativas, mas a empresa não tinha folego. Em 95, ele me deu a triste notícia de que a empresa estava morta, não tínhamos saída. Como eu nunca havia lido um manual de administração de empresas, achei que o momento era para seguir o feeling, a intuição, não dava para ir atrás de manuais. E começamos a fazer isso, transferindo nossa sede para Mairinque.

Chamei o pessoal de direção e pedi para que eles estabelecessem seus salários e eu estudaria o que seria possível pagar. Foi a primeira coisa que fiz diferente do mercado. E como era difícil estabelecer um salário para mim mesmo, pedi para que eles estabelecessem também. Ou seja, o primeiro passo foi agir com transparência total.

Salvar a Fersol foi uma operação complexa que envolveu estratégias especiais junto aos concorrentes, renegociação de dívidas com os fornecedores, adiantamento de pagamento por parte dos clientes, e, sobretudo revolucionou completamente as relações trabalhistas na empresa. Em primeiro lugar os funcionários não são mais considerados empregados e, em verdade, atualmente são sócios. Em 2002, trinta por cento das ações da empresa foram entregues aos funcionários com mais de dois anos de casa. As ações dão direito a voto nas assembléias, mas não na mesma proporção. O peso do voto do presidente, que detém 70% das ações, é de 35%. Os 65% restantes dependem da decisão dos colaboradores. Distribuí os votos dessa maneira para que, caso um dia eu venha a vender a Fersol, os novos proprietários não possam modificar a estrutura da empresa sem o consentimento de todos os acionistas. E para que esses acionistas soubessem distinguir o que é melhor para a companhia e para eles próprios, passaram por um longo período de preparação

Léo: E como foi a receptividade? O turn over?

Michael: Quem ficou na Fersol naquela época ficou porque realmente queria ajudar. Mas não julgo quem ficou, nem quem saiu. A segunda coisa essencial foi a confiança. Confiança no profissionalismo, em fazer as coisas da maneira mais positiva para a empresa. A terceira coisa foi estabelecer uma convivência solidária. Pagávamos o piso para o pessoal de fábrica, que na época era cerca de R$ 220,00 para o ramo da indústria química. Durante um ano fiquei realizando conversas com o pessoal sobre solidariedade, cooperativismo, até que reuni todos em um salão e comecei a perguntar a algumas chefias quanto eles ganhavam, o que foi um susto. Eu me reunia com os funcionários numa modalidade que, depois descobri, tinha um nome: acordos coletivos e, a partir daí, os salários foram dobrados. Eu brinco que estou empresário mas acho que não sou exatamente empresário, pois o empresário é uma coisa engraçada. Então implantei uma administração participativa e mais sensível, que procurou contemplar as minorias.

Falei para cada um que no caso de estar ganhando menos do que merecia, era para falar, e não deveria ser segredo para ninguém. E assim fui perguntando àqueles que ganhavam acima de 500 reais, e depois aos que ganhavam o piso. Disse-lhes que a empresa não tinha condições de dar um aumento legal, pois estávamos vendendo o café da manhã para comprar o jantar. E propus um acordo coletivo, que eu nem sabia existir no sindicato, estabelecendo que o menor salário seria de R$ 500,00. E íamos aumentando o dos outros, gradativamente, sempre de baixo para cima, menos o da direção, que só teria aumento quando o menor salário chegasse a um décimo do salário do diretor. Um outro aspecto importante é que para aumentar o salário do chão de fábrica, precisávamos capacitar os profissionais, porque não adiantava apenas aumentar salários. Estabelecemos então uma regra: de que todos iriam estudar e terminar o segundo grau.

Léo: A grande receita foi o envolvimento e comprometimento, é isso?

Michael: Sempre fizemos muitas coisas por intuição. O RH é estratégico porque as próprias políticas denotam a preocupação da empresa com os colaboradores, algumas outras políticas são o plano de cargos e salários, o funcionário saber o que precisa para se tornar um possível presidente da companhia; e a avaliação de desempenho, que avalia não só o aspecto profissional mas também a cidadania. Ele tem que estar inserido na sociedade e trabalhar como um multiplicador das idéias que adquire aqui dentro. Também fazemos avaliação 180º, em dois anos queremos implementar a avaliação 360º. Fomos muito transparentes e confiamos nas pessoas. Investimos em treinamento e aumentamos os salários de todos os trabalhadores que ganhavam o piso. Nossos ingredientes foram diversidade, educação e solidariedade. Provamos, com isso, que estávamos todos juntos no mesmo barco. Foi a diferença que fez a motivação dos colaboradores e o que ajudou a empresa a se recuperar.

A recuperação da companhia só foi possível porque houve uma sintonia grande entre o que pensavam os diretores da empresa e os funcionários. A fábrica agora abre espaço para decisões tomadas em conjunto. Ainda hoje reunimos semestralmente os empregados em um galpão na fábrica de Mairinque para ouvir sugestões, discutir um novo projeto ou avaliar qualquer mudança na companhia. O resultado é o estreitamento da relação entre o presidente e todos.

Léo: Quais foram as outras ações?

Michael: Foi nascendo a questão da diversidade, de termos um olhar diferente. Os negócios são muito masculinos, a solução encontrada tem sempre um mesmo padrão; por mais diferente que seja, tem um padrão. Os homens têm um padrão e as mulheres têm um jeito diferente. Os brancos olham a situação sobre uma ótica, e o olhar do asiático ou do afro-descendente sobre uma ótica diferente. E assim por diante. É possível trazer a diversidade colocando mulheres e homens, jovens e pessoas de terceira idade, portadores de necessidades especiais e afro-descendentes. E começamos a trabalhar com a questão de que a diversidade não podia ser para criar um balanço social, mas para fazer com que essas pessoas passassem a participar, porque isso dava um mix muito bom. É preciso juntar cores, etnias, credos, desde a infância, para formar a teia da vida. Quando falta alguém nessa teia, ela fica frágil"

A Fersol tem como filosofia contratar prioritariamente representantes dos segmentos historicamente excluídos do mercado de trabalho como os afro-descendentes, os homoafetivos, as pessoas com talentos especiais e as pessoas com liberdade assistida. Esses são os nomes considerados corretos para designar algumas das particularidades dos funcionários.

Além dos direitos dos trabalhadores, a Fersol está interessada em garantir os Direitos Humanos. Nesse sentido, só fechamos contrato com seguradoras de saúde que reconheciam, por exemplo, os casais homoafetivos.

Léo: Ou seja a prioridade na contratação é desses excluídos?

Michael: Sim, e fazemos questão de deixar isso claro. Colocamos isso nos anúncios que enviamos aos jornais e empresas de consultoria. Às vezes, profissionais que seriam aptos para determinada vaga não enviam seus currículos porque sabem que as empresas vão discriminá-los. Temos que deixar clara a política da empresa, não contratamos porque é uma coisa de momento, porque achamos a pessoa simpática, mas porque é assim que agimos.

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Léo: A Fersol foi a eleita uma das melhores empresas para as mulheres traballharem. Não é isso?

Michael: Fazemos aquilo que é justo. Queremos, com as políticas, reforçar algumas atitudes que não são muito comuns nas empresas. Para nós, o que é considerado benefício e privilégio por outras empresas são direitos dos trabalhadores. Se todos os empresários cumprissem a legislação, sem dúvida, o cenário seria muito melhor. Somos uma das 40 melhores empresas para a mulher trabalhar no Brasil, segundo o Guia Exame 2003, porque adequamos nossa produção para que as mulheres não fossem barradas em nenhuma atividade. A decisão também beneficiou os homens e a empresa como um todo. A grande verdade é que quando um indivíduo faz alguma coisa que está fora da lei, vai para o banco dos réus. Quando uma empresa faz o que está dentro da lei, ganha prêmios. Queremos tornar mais humana e feminina as relações de trabalho, os negócios e a política. Reformulei a linha de montagem para que as mulheres pudessem trabalhar em todos os setores. Atualmente, elas representam mais de 60% dos funcionários.

Começamos a ter mulheres trabalhando na manutenção, dirigindo empilhadeiras, e era tudo muito estranho, no início. Aqui, todo trabalho executado por um homem tem que, necessariamente, ter uma mulher que também o execute. Temos que ter suficiente experiência de atividades executadas por mulheres.

Os diretores e gerentes sempre encontram uma razão para não colocar as mulheres, porque é uma cultura machista, e nós temos que entender isso. Saíam caixas de produtos com 25 quilos, e a lei diz que uma mulher pode carregar até 20 quilos. Já era um motivo para virem falar comigo dizendo que ali elas não poderiam estar. Eu simplesmente redesenhei as caixas. Procuramos equipamentos e ferramentas que auxiliassem as mulheres em seu trabalho. É um investimento, e foi um acerto extraordinário. Para os homens também foi positivo, porque eles puderam usufruir uma máquina que facilitou o trabalho deles, e as mulheres puderam exercer suas funções. Em todos os casos que colocamos mulheres, os homens se beneficiaram. Antes funcionava a força, e hoje funciona o jeito mais criativo, da observação mais cuidadosa da mulher. Temos um homem para duas mulheres nas empilhadeiras. A mulher cuida melhor das coisas. E no cuidado com as pessoas é a mesma coisa.

Léo: Há também mulheres em cargos de direção?

Michael: Das 13 gerências, sete são ocupadas por mulheres. Nós queremos as melhores pessoas. O homem branco que atinge 100% nos testes, provavelmente teve todas as possibilidades de educação, de treinamento, todas as oportunidades de se desenvolver, e uma mulher negra que faz 70%, mas que está vindo com uma série de faltas, é muito boa, se você analisar o que ela não teve a seu favor. Essa pessoa, com condições e ferramentas para evoluir, quando tem uma oportunidade, vai se dedicar mais ao lugar que lhe deu essa chance.

Léo: E o treinamento do pessoal?

Michael: A Escola Fersol funciona em prédio próprio dentro da fábrica, com capacidade para até 500 alunos. Oferece gratuitamente curso supletivo, alfabetização de adultos e o ensino fundamental com possibilidade de conclusão do 2º grau. Os pilares para a construção de uma sociedade mais justa são: emancipação, liberdade, participação e protagonismo. O conhecimento e a educação são fundamentais nesse cenário. Por isso, foram feitos mutirões de ensino para abolir o analfabetismo e temos como meta que todos os funcionários terminem o segundo grau e até 2015 concluam uma universidade.

Léo: Ou seja política de incentivo à educação?

Michael: Trabalhamos em uma indústria química, com suas peculiaridades, e precisamos ter profissionais capacitados para produzirmos sempre com qualidade. Insistimos muito nisso. A Escola Fersol, foi criada quando já estávamos falidos. Contratamos uma professora para dar aulas de português e matemática no espaço que encontrasse, porque acredito que para colocar uma idéia em prática, basta querer. E aqui dou uma dica valiosa para o empresário que estiver em dificuldades: pense em investir na educação de seus profissionais, no treinamento. Se estiver quebrado, nem pense, faça! A Fersol tem plena convicção de que a educação deve ser valorizada como área estratégica em qualquer projeto de desenvolvimento econômico e social. Alias chegamos que o principal são 3 itens: Educação, educação e mais educação. (risos)

Na verdade, é importante encontrar soluções diferenciadas na diversidade; na questão da solidariedade, dando oportunidade, a pessoa passa a ter um sentimento de pertencer à empresa e esta pertencer ao funcionário. É uma sensação diferente. O fato de estudar, e não somente o estudo acadêmico, mas sim a questão formativa, muda a cabeça das pessoas. Como estamos focados no estudo da política, da cidadania, a pessoa passa a se comportar de maneira diferente.

Também os cursos sobre direitos reprodutivos, planejamento familiar, parto natural, amamentação, doenças do aparelho reprodutivo e doenças sexualmente transmissíveis são para todos os funcionários. A Escola Fersol, desenvolve o programa Analfabetismo Zero e oferece cursos supletivos baseados na Cultura da Paz e na metodologia de Paulo Freire. A escola, edificada no terreno da empresa, possui biblioteca com mais de 1.200 títulos, salas de informática e meio ambiente (onde funciona o Museu Ecológico Chico Mendes).

Instruções de cuidados ambientais e de reciclagem foram se espalhando por toda a fábrica e alguns funcionários destacaram-se como especialistas no assunto. Regularmente são promovidos passeios ecológicos para que os funcionários e suas famílias entrem em contato com diferentes ecossistemas. O último foi uma excursão para conhecer uma mata ciliar próxima às instalações da fábrica, mas o que fez maior sucesso foi a viagem a Cananéia, no litoral sul de São Paulo. Os colaboradores e familiares passaram um final de semana hospedados em hotéis e pousadas, conhecendo os mangues e restingas da região. Além disso, foi instalado dentro do terreno da empresa um museu ecológico, cujo nome oficial é Chico Mendes, mas que acabou sendo conhecido pelo apelido carinhoso de Museco Abílio Martins. Um estagiário de biologia, é quem cuida dos peixes, tartarugas e cobras que vivem no museu. Também é responsável por receber as crianças das escolas municipais da região que vão até o Museco aprender um pouco sobre a natureza e os animais. Até hoje, já passaram por lá mais de quatro mil estudantes.

Léo :A escola é aberta à comunidade?

Michael : Está aberta à comunidade. A maioria dos alunos é chacareiro e o interessante é que vão famílias inteiras estudar. Explicamos a elas porque é bom estudar, além do que, para trabalhar na Fersol, tem que ter o 2° grau ou estar estudando.

A escola oferece também cursos abertos para os moradores do bairro, onde a fábrica está inserida, cursos regulares de política, liderança social, filosofia, democracia, combate à corrupção e ao crime organizado, palestras sobre direitos reprodutivos e planejamento familiar. Certa vez, eles foram realizados na Faculdade e Hospital São Camilo, em SP. O curso foi tão apreciado, que a Faculdade decidiu levar estudantes e profissionais do hospital para oferecer aos funcionários da empresa e aos moradores do bairro exames de vista, AIDS, etc. A comunidade, por sua vez, ficou tão agradecida que foi ao hospital doar sangue. De novo, o pessoal do hospital quis retribuir e ofereceu aos moradores do bairro, que não dispõem de nenhum convênio, a possibilidade de realizar procedimentos médicos necessários no hospital.

Com a preocupação na comunidade, também temos um projeto chamado: "Quando 1% vira 100%" , criado na época em que surgiu o Programa Fome Zero. Voluntariamente, colaboradores da Fersol contribuem todos os meses com 1% do salário para aquisição e distribuição de cestas básicas para famílias de baixa renda e instituições sociais. Em contrapartida ao benefício, as famílias atendidas são convidadas a participar do Projeto de Reciclagem da Fersol, aprendendo práticas e atitudes de preservação e conservação do meio ambiente, como a coleta seletiva de lixo doméstico. A cesta básica contém ainda um complemento alimentar conhecido como Multimistura, indicado para pessoas com carência de vitaminas e sintomas de depressão. Eu considero isso como um seguro-alimentar, porque algum dia poderemos estar do outro lado da cerca. Quando terminou o ano, fizemos uma enquete para saber se continuávamos ou não com o projeto, e recebi cartas maravilhosas, de pessoas tão engajadas nisso. Esse pessoal assumiu uma atividade de cidadania. Nós sorteamos dois ou três funcionários para acompanhar as entregas. A Culinária Alternativa é outra iniciativa no campo da segurança alimentar. Sob coordenação da equipe de nutricionistas da empresa, encontros periódicos com os colaboradores informam e ensinam como obter uma vida mais saudável adquirindo uma nova cultura alimentar, o que inclui o aproveitamento de partes dos vegetais, legumes e frutas que tradicionalmente são descartados.

Léo: E o treinamento de lideranças?

Michael : Estamos preparando os líderes e mostrando a eles figuras de liderança boas, como Gandhi e Martin Luther King. Vai ser um estilo de liderança baseado no servir, não-piramidal. Não queremos funcionários subalternos a outros, vai ser uma responsabilidade, ampliada e ilimitada, mas baseada na interdependência dos colaboradores.

Léo: Como fica o budget de treinamento nos momentos de crise?

Michael: É na hora da crise que ele precisa aumentar, ser prioridade. Como resolvemos as dificuldades? Com mais relacionamento, mais diálogo, mais conhecimento e mais cursos. Reduzir o treinamento neste momento é um grande erro. É principalmente na hora difícil que você mais tem que investir no ser humano.

Léo: Como vê as empresas atuando na responsabilidade social?

Michael : Acreditamos que a Responsabilidade Social usualmente praticada nas empresas é um movimento que traz benefícios momentâneos e localizados, funciona como um paliativo. Todas as empresas que dizem praticar a Responsabilidade Social Empresarial deveriam procurar as certificações SA 8000 (normas e condutas nas relações de trabalho, segundo a OIT) e a OSHAS 18001 (saúde e segurança), como demonstração de sua verdadeira preocupação com o que chamam de RSE.

Investimos na politização porque só a cidadania plena poderá fazer com que os cidadãos atinjam quatro condições que considero essenciais: emancipação, protagonismo, autonomia e consciência crítica. Por isso, desde 1998, nos anos de eleição, oferecemos cursos e workshops sobre política. O indivíduo precisa saber quais são os seus direitos e deveres. Quando ele toma essa consciência, entende que pode intervir nas políticas públicas e lutar por melhores condições de trabalho. O que pode fazer com que eles ganhem mais e consumam melhor. Assim, toda a economia e a sociedade acabam se beneficiando. As empresas precisam parar de atuar como tutores de seus funcionários. Quando existir uma relação mais madura entre as partes, com mais igualdade e cooperação, os dois lados ganharão.

Eu vejo a maioria dos empresários assim: quando estão bem, escondem o leite, falam dos impostos, das dificuldades..., mas existe uma máquina que amplifica o problema, porque quando vamos olhar isso com mais cuidado, vemos que ele chora as mágoas com o trabalhador, porque isso parece que neutraliza os funcionários a reivindicarem condições melhores. E quando está mal de verdade, ele esconde, porque tem medo que os funcionários abandonem o barco, inclusive credores, clientes e fornecedores.

Todos nós temos condições de fazer coisas maravilhosas e sermos líderes. É como se fossemos nascentes de água pura. Uns estão com o veio aberto, outros têm grãos apenas de um sopro de vida, de alegria, para garantir a fluidez da água, alguns têm uma pedra obstruindo, outros, ainda, uma montanha. É necessário então mais pessoas para ajudar a remover. Acredito que ninguém está só neste processo, que os parceiros aparecem e que há uma felicidade palpável no dar e receber, na troca, no compartilhar da fartura, em abrir as piscinas das casas para mais pessoas, em tirar os quadros das paredes para serem vistos em museus.

Acredito que as empresas têm responsabilidades e deveres muito maiores do que colocar produtos bem feitos e por um preço adequado no mercado. Está nas mãos do empresariado melhorar a qualidade de vida da sociedade. Assim como o Fórum Social Mundial que diz que um outro mundo é possível, a experiência na Fersol aponta para a ideia de que uma outra empresa é possível. Consideramos-nos como facilitadores da transformação, não um exemplo acabado e, sim, um processo em andamento, como muitos outros.

Léo: Quando estudei a sua entrevista percebi que você é "O Cara". O empresário da "Nova Era". Conte-nos agora sobre a licença maternidade na Fersol.

Michael: Desde 2003, a empresa já possibilitava que as mães ficassem seis meses com seus nenês e os pais, dois meses. Isso porque que a proximidade dos pais nesse início de vida é o que possibilita as crianças se tornarem adultos mais afetivos, mais cuidadosos, contribuindo, assim, para uma sociedade mais fraterna. A mãe pode optar por gozar de até 07 meses de licença sem prejuízo do emprego e salário

A licença amamentação e da licença paternidade são outras duas iniciativas que contemplam os colaboradores com uma extensão no tempo das licenças previstas na lei. Assim, a mãe amamenta seu bebê por mais tempo e o pai pode participar das primeiras semanas de vida do seu filho ou filha. Além de pais de filhos biológicos, o benefício inclui pais e mães de bebês adotivos e também membros de união homossexual estável que adotem bebês com até seis meses de idade.

Segundo o artigo 396 da CLT, até que o(a) filho(a) complete seis meses de idade, a mulher tem direito a dois descansos diários de meia hora para fins de amamentação. A localização da FERSOL e a dificuldade de transporte inviabilizam a concessão dessas pausas no fim da jornada de trabalho, quando as empresas costumam liberar a funcionária uma hora mais cedo. Em compensação, a Fersol permite que elas tirem 30 dias de descanso complementar e tenham a possibilidade de realocação das férias de modo a coincidir com esse período. Somando a licença amamentação (um mês), as férias (um mês) e a licença maternidade (quatro meses), a mãe tem a chance de dedicar seis meses à amamentação de seu filho(a), recebendo seu salário normalmente. As mães que adotarem bebês com até seis meses também podem solicitar o benefício. "Não podemos chamar essas coisas de privilégios. São direitos que todo ser humano deveria ter acesso. Não custam tanto assim, e o retorno para a empresa, em forma de motivação, é muito maior. Quem ganha é a empresa Distribuímos até folhetos explicando a importância desse contato maior entre mãe, pai e filho. Se a criança é mais saudável, o número de vezes que essa mulher terá que se ausentar é muito menor. Para uma empresa enxuta, cada pessoa é muito importante. Esses benefícios têm uma razão.

Léo: Incrível! E a licença paternidade ?

Michael: O funcionário da Fersol pode optar por gozar de até 03 meses de licença (05 dias previstos em lei, 25 dias +01 mês concedidos pela empresa e 01 mês de férias). Durante o 1º ano de vida do filho o funcionário pode tirar a licença, desde que esteja no consentimento de sua companheira, pois é ela que encaminha uma carta ao RH informando a necessidade e vontade que seu companheiro goze da licença. A licença paternidade acontece, sem o prejuízo do emprego e salário, com foco no cuidado, no compartilhamento de afeto e na perspectiva de uma paternidade responsável. As Licenças Maternidade e Paternidade são concedidas também para casos de adoção, inclusive por casais homo-afetivos. Para isto basta que o casal informe viver em união estável.

Léo (queixo caido) E a creche ?

Michael: O auxílio creche é um benefício estabelecido por Convenção Coletiva, o qual estipula o pagamento às funcionárias/mães de um valor especificado pela empresa. No caso da Fersol, o valor é R$ 200,00, quando a criança se encontra sob os cuidados de uma pessoa de confiança da família (babá, vovó, titia, etc.), chegando a até R$ 380,00 quando matriculada em uma instituição de educação infantil, seja pública ou privada. O funcionário também recebe o auxílio-creche quando comprova que sua esposa/companheira não tem acesso a este direito no seu local de trabalho. O benefício também é estendido a filhos adotivos, inclusive para casais homo-afetivos. Oferecemos esse benefício até os cinco anos, porque do que adianta a mulher ficar tranqüila nos dois primeiros anos e depois se desesperar porque não tem como cuidar do filho? Se você levanta o custo e o retorno de tudo isso, chega à conclusão que fez um belo investimento, pois recebe um retorno, intangível, de dedicação, felicidade, bem-estar, emoção por fazer parte de uma empresa com essa mentalidade. Isso não se traduz em balanço patrimonial, mas pode ter certeza de que aparece em algum momento.

Também temos a ginástica laboral que visa prevenir lesões por esforços repetitivos (LER) e reduziu em 60% as horas antes consumidas em tratamentos médicos e repousos. A cada quatro meses a empresa organiza visitas a reservas ambientais, abertas a familiares e amigos dos funcionários. E nas suas casas passa, semanalmente, o caminhão de coleta de lixo reciclável, separado pela família.

Léo: E o futuro?

Michael : Quero estabelecer metas, mas não de produtividade, metas de cidadania. Eu quero que todos participem de nossos cursos, debates. Aqui, quando comemoramos uma data, como Dia da Mulher, da Criança, da Consciência Negra, paramos tudo, não pode ser uma coisinha qualquer. Criar programas que tenham viés social, que estimulem o debate, a democracia. Temos dentro da escola uma sala de computação. No futuro, vamos precisar de funcionários com mais treinamento, mais preparados, e estamos preparando isso pra nós e para as outras empresas, ou seja, todos serão beneficiados. Nossas salas de aula foram batizadas pelos alunos: Zumbi dos Palmares, Cora Coralina, Anita Garibaldi e Paulo Freire. A biblioteca, Carlos Drummond de Andrade. É importante resgatar esse orgulho de ser brasileiro. Tudo isso é um aprendizado para as crianças; é um investimento em nós mesmos.

Léo: Porque roupas brancas?

Michael : Eu só tenho roupas brancas. Essa cor é símbolo da diversidade (todas as cores unidas), paz e emite boa energia, envolvendo em luz e claridade os bons pensamentos que devemos espalhar mundo afora.

Léo: As políticas de combate as drogas buscam erradicar espécies, tais como a coca, canabis, por exemplo. Como você que é um agricultor nato e estudioso vê isso?

Michael: Eu acho muito errado acabar com qualquer espécie, sejam plantas, insetos ou qualquer forma de vida. Se algo existe no planeta é porque tem uma função, um por quê. No caso da coca (folhas), por exemplo, além das propriedades nutricionais e medicinais, faz parte da cultura e religião de um povo. A canábis também, que já tem comprovada sua eficácia em várias doenças nervosas, no uso sustentável do papel e outros produtos. O trafico e a criminalidade são alimentados pela proibição. Todo essa fortuna de recursos investidos no combate, se utilizados em campanhas de educação e saúde seriam muito mais eficazes, além de respeitar o livre-arbítrio das pessoas.

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Entidades das quais Michael Haradom participa

Filiado à CIVES - Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania; Instituto Polis, no Fórum Lixo e Cidadania e no gerenciamento sustentável dos resíduos sólidos; Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia; FIDES Fundação Instituto Desenvolvimento Empresarial Social; Transparência Brasil, movimento contra a corrupção e o crime organizado; Aliança por um Mundo Responsável, Plural e Solidário; Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social; ONG pacifista Shalom Salam Paz – SSP, que promove o respeito e a colaboração entre os povos; Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo; participa do Fórum Social Mundial, do Conselho do Selo da Empresa Cidadã da cidade de São Paulo, do Conselho dos Direitos da População em Situação de Rua. Apoia a Fundação Abrinq, entre outras entidades.

Michael Harandom é um aventureiro, ainda pratica mergulho, salta de pára-quedas e é adepto do bungee jumping . Outro de seus prazeres é reabilitar animais apreendidos pelo Ibama, que recebem todo o tratamento necessário na Floresta dos Unicórnios, na Granja Viana. Ele diz: "nossas inspirações têm de surgir do contato com a natureza e a vida. Só assim pensamos nos outros" diz. Na empresa, Haradom dá grande importância à integração com os funcionários. Costuma chamar a maioria deles pelo primeiro nome e não abre mão do almoço no refeitório coletivo, com direito a fila e bandejão. É homem que prega a humanização das relações trabalhistas, não esconde sua tendência esquerdista, deverá continuar apoiando o Governo do PT, e costuma dizer que ações sociais têm de partir do executivo para depois se estender aos negócios. Só assim um empresário enxergará as vantagens de lucrar com estratégias responsáveis

A Fersol é uma empresa 100% brasileira, com vocação especial para a fabricação de produtos genéricos. Não possui monopólio nem participa de oligopólios. Não conta com financiamentos públicos. Não tem concessões ou incentivos. Todos os programas e projetos dirigidos à promoção da diversidade e ampliação dos direitos na empresa e na sociedade são financiados com recursos próprios. Não usa isenções contempladas por legislação específicas (ex. Lei Rouanet, etc.) para abater impostos dos investimentos sócio-ambientais-culturais, porque acredita que este é um compromisso de todos.

Muito dessa nova relação foi construída com o exemplo de Michael Haradom, conquistando grande respeito dentro da Fersol. Durante o período de superação da crise, por exemplo, o presidente alienou em nome da empresa todos os bens próprios e ficou sem receber salário por um ano. Para pagar as contas pessoais, desfez-se de sua maior paixão: uma coleção de mais de 50 relógios importados. Vendia pelo menos um por mês para pagar a faculdade de Nicole,sua filha. Mas valeu a pena, diz Michael . Anos depois, sem relógios importados mas com a fábrica de volta aos trilhos, o próprio presidente passou a se relacionar mais de perto com o chão de fábrica.

Michael diz que a expectativa da empresa é servir de modelo. "Esperamos criar um referencial para empresas, entidades e ONGs a fim de incentivar a adoção dessas políticas, que poderão vir a se tornar um projeto de lei futuramente"

O sonho de Michael:

Cada ser humano, quando nasce, abre uma porta para entrar nesse corredor que é a vida, e lá na outra ponta tem a outra porta, de saída, e nesse ínterim tem muitas coisas que você pode fazer ou não fazer. Nossos antepassados, nas cavernas, deixavam suas mensagens anonimamente. Eu não preciso ter uma marca com grife, mas sim uma marca anônima. Eu acredito na dignidade humana, numa paz com justiça social, sem pré-requisitos, sem pré-condições. Acredito que teremos uma melhor qualidade de vida do que temos hoje. Acredito que podemos qualificar a democracia em uma democracia com governança, com a participação da sociedade de uma maneira constante. Meu sonho é que o ser humano se emancipe, conquiste sua liberdade, que é a coisa mais preciosa que temos. A outra coisa é dar poder às pessoas, permitir que eles sejam protagonistas de suas histórias

Porque tudo isso que te contei eu quero pra mim, e não é possível ter tudo isso se os outros não tiverem. Se não tiverem liberdade, saúde, alimentação... acho que não devemos trabalhar mais do que seis horas por dia. Quando você tem qualidade de vida, você produz porque se realiza, não porque precisa receber algo em troca. Se eu não quero que meus filhos vivam embaixo da ponte, eu tenho que criar condições para que ninguém viva embaixo da ponte. A única maneira de eu atender esse impulso egoísta de não querer que aconteçam essas coisas com as pessoas que eu gosto é ajudar para que todos tenham direito aos recursos que existem no mundo. Todos nós temos o direito justo a uma parcela ideal para viver dignamente, não apenas sobreviver.

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